23.5.06

E os parentes continuam

A Câmara aprovou, mas o prefeito, Juscelino Souza (PP), respondeu com o veto ao projeto de Lei nº. 236/2006 de autoria do vereador Elesbão Neto (PTC). A iniciativa de Elesbão previa o fim das contratações de parentes “em linha reta ou colateral até o terceiro grau”. No plenário do Legislativo o projeto venceu por cinco votos a três. Votaram a favor, além do autor, os vereadores Beto Pinto (PL), Cesinha (PRP), Genival (PL) e Josafá (PT). Contra, defendendo a continuidade dos parentes do prefeito nos cargos do executivo, votaram: Juarez (PSC), Zé Bispo (PHS) e Carlinhos (PHS), líder do governo.
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Na redação do veto, Juscelino alega uma possível inconstitucionalidade do projeto. De acordo com o texto do prefeito, a proposta de emenda à Constituição Federal dispõe sobre empregos de parentes no Poder Judiciário e não no Executivo e Legislativo como prevê o projeto aprovado na Câmara. Em depoimento para a Gazeta de Irará, o vereador Elesbão responde que a sua iniciativa é constitucional e encontra embasamento na Lei Orgânica. Segundo o legislador, o Artigo 13 da Carta Municipal autoriza a Câmara a legislar sobre assuntos de interesse do município. Com o veto, o projeto voltará a Casa Legislativa para nova apreciação dos vereadores.
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“Bom Senso”
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Ainda que a Lei não proíba, a contratação de parentes do gestor na administração pública é um ato repugnado pela população. O caso de Irará tem chamado atenção, sendo noticia em jornais e programas de rádio e TV a exemplo do Balanço Geral, dirigido por Raimundo Varela. Nas ruas, a comunidade iraraense demonstra apoiar a iniciativa da Câmara. Caso o poder legislativo derrube o veto do prefeito, serão atingidos diretamente ao menos quatro cargos do primeiro escalão do governo. São eles:

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O assunto faz rememorar as declarações do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal Severino Cavalcante, do Partido Progressista, coincidentemente o mesmo partido do prefeito Juscelino. Quando deputado, “Severinho Cheque Cheque”, como era chamado pelo colunista Zé Simão da Folha, afirmava que se o cargo era de “confiança” ninguém melhor para ocupa-lo do que sua esposa, ou seja, aquela que dormia com ele. Em casos como este, antes das questões de legalidade ou de confiança, esta o popular “simancol” do gestor em conhecer as limitações éticas que a vida pública lhe impõe. Talvez, seja este um caso do reclamado bom senso, como pontuou um grande amigo na comunidade “irará” no Orkut.
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Na hora do voto, um pouco de senso crítico.
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Volto a dizer, como naquele debate do Orkut, com relação à iluminação natalina, que tão importante quanto o bom senso é o senso crítico. Na hora do voto, este pensamento deve ser mais observado ainda.
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Não lembro de ter visto o atual prefeito, em sua campanha eleitoral, ter sinalizado nenhum posicionamento contra a pratica de emprego de parentes. Entretanto, os seus mais entusiasmados eleitores e apoiadores de campanha, vereador Elesbão incluso, bradavam constantemente contra o nepotismo do governo anterior. Talvez imaginassem que seu então candidato iria acabar com o exercício do ato.
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Veio o novo governo e a impressão que fica é que o processo foi ainda mais acelerado. Diante do fato, só me resta reagir igual a torcedor no estádio, com cartaz na mão, querendo ser captado pela lente da Globo. Em conversas com eleitores arrependidos, tento sintetizar o caso com uma resposta simples: “Eu já sabia!”.
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Tal desconfiança me foi confirmada no dia da posse. Em análise ao fato, escrevi um pequeno texto sobre o assunto nepotismo. Na época, não divulguei o escrito. Eram os primeiros momentos do governo. Portanto, preferi não perpetuar minha fama de desafinado nos coro dos contentes, em plena lua de mel governamental. Hoje, com o assunto na ordem do dia, resolvo divulgar o texto aqui. Cabe a observação de que naquela época a primeira dama ainda não tinha entrado no governo e o “filho adotivo” ainda não havia saído.
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Acho o texto pertinente. Ele chama atenção para fato de observar o comportamento e história das pessoas quando elas se propõem ao exercício público. E também deixa entender, com certa dose de ironia, de que não se pode fazer na vida pública, tudo aquilo que se faz na privada.
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Tocando em família
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Roberto Martins (janeiro/2005)
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Recomenda-se harmonia para se tocar um bom projeto. Seja ele musical, empresarial ou político. A idéia de trabalho em grupo fortalece o conjunto e possibilita um maior entrosamento entre os pares. Falando em grupo ou conjunto, nada mais natural do que lembrar da família. Ela é o primeiro grupo social a que o ser humano esta vinculado. Primeiro os pais e irmãos, depois os avôs, tios, primos... e assim vai.
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Trabalhar em família parece mesmo ser o perfil do novo prefeito de Irará. O administrador público, também empresário e cantor, sempre demonstrou ter na família, a sua equipe ideal de trabalho. A empresa dele funciona através de uma sociedade com o irmão, num ramo de atividade inspirado pelo pai. Na banda de música, onde o prefeito é cantor e violonista, a composição familiar vai além. Um dos filhos toca acordeon, ou outro contra baixo, e a filha faz backing vocal. E agora na prefeitura, o músico e empresário parece repetir o mesmo repertório de composição familiar.
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Já no seu discurso de posse ele dizia: “meu tio já foi prefeito, meu pai foi prefeito, esse que acaba de sair da prefeitura é meu primo, e eu agora serei prefeito”. Mas o “método mais moderno” de administração pública começou a aparecer mesmo quando ele anunciou a sua equipe de governo. “Secretária de Finanças e Planejamento, minha irmã. Chefe de Gabinete, minha cunhada. No conselho administrativo, meu pai. Na secretária de administração, esse menino que eu considero filho adotivo...”. Orquestração muito semelhante à anterior, chamada pela então oposição de nepotista.
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Tocando em família, o prefeito de Irará segue, agora na administração pública, o seu costume empresarial e artístico. Uma metodologia talvez mirada no exemplo do seu pai que quando foi prefeito, convidou o sobrinho para ser secretário. Ironia do destino, o sobrinho virou prefeito e disputou a última eleição contra o filho dele. E a orquestra familiar soou dividida.

2 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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