14.5.08

Uma questão de competência

Outro dia, um anúncio feito por um carro de som que transitava pelas ruas de Irará, em horário de feira-livre, despertou a minha atenção. A propaganda divulgava um desfile.
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Desfiles, dentre outros eventos culturais e esportivos, não são coisas lá muito robrobertoiraracorriqueiras nas pequenas cidades, como noutros tempos. Entretanto, este ano tudo é diferente. Os eventos parecem acontecer às pencas.
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Imaginem que no recém passado feriado de primeiro de maio, foi realizada uma maratona nas principais ruas do Irará. Uma atividade esportiva que andava meio sumida. Mas este ano, ela voltou. E, em pleno outono, batizada como “Maratona do Verão”.
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Esta avalanche de acontecimentos, com grandes possibilidades de crescer durante o segundo semestre, deve ser motivada pelo ano bissexto. E, como todo mundo sabe, ano bissexto é aquele a figurar no calendário somente de quatro em quatro anos. Talvez por isso, “especiais”.
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Apesar da percepção da sazonalidade, não fora a época do evento ou do anúncio o destaque percebido no reclame acima mencionado. O motivo da atenção foi para o texto do mesmo.
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Depois de anunciado o desfile, o local, o horário, etc e tal, a gravação continua com uma frase de efeito para o evento:
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“venha ver as meninas mostrar a sua competência!”
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Achei estranho. Antes o que as pessoas esperavam ver em desfiles de moças eram outro atributos como graça, beleza, simpatia, desenvoltura, jovialidade...
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Já outros, iam mesmo ficar olhando quadril, cintura, peito, bu... ops!
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Nunca antes, havia ouvido falar em “competência”, como um atributo concentrador de atenção em um desfile de garotas. Talvez fosse a competência delas em desfilar. É, deveria ser.
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Contudo, na dúvida com o emprego da palavra e no relacionamento com outros interesses, resolvi pedir ajuda ao pai. Então, nada de errado em consultar o dicionário, “pai dos burros”.
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O mais próximo era o Mini-Dicionário Aurélio da Nova fronteira, o qual trazia dois significados para o termo “competência”:
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1 - Faculdade que a Lei concede a funcionário, juiz ou tribunal, para apreciar ou julgar certos pleitos ou questões.
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2 - Capacidade, aptidão.
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Logo percebi que o significado de número um, nada tinha a ver com o caso. Então parti para o de número dois.
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Capacidade!? Como eu poderia encaixar esta palavra no anúncio? Será que o locutor ser referia ao modo de atuação das meninas no desfile?
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Nova dúvida, outra vez, pedi socorro ao pai. Então vamos ver o que ele diz a respeito da palavra “capacidade”.
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1 – Volume ou âmbito interior de um corpo vazio.
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2 – Qualidade que pessoa ou coisa tem de satisfazer para determinado fim.
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Daí, resolvi fechar o dicionário e não procurar mais nada. Porque a polêmica só iria aumentar.
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Será que o anúncio queria dizer que as meninas iriam mostrar o “seu corpo vazio”?
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Ou será que eles quiseram falar das “qualidades” das moças em “satisfazer para determinados fins”? No caso, como descrito naquela canção do Barão Vermelho, “os olhos gulosos de quem quer lhe despir”.
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Mais dúvidas.
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Vai ver, é por isso que dizem que a gente não deve ficar procurando motivo ou explicação para tudo.
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O enredo me lembrou das freqüentes críticas que fazem a algumas modelos e outras moças e apresentadoras de TV. Para ser mais direto, não sei porque, lembrei da nossa conterrânea aqui da Bahia, Carla Perez.
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Carla Perez nacionalmente conhecida pela sua competência
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Carla foi uma dessas moças estigmatizadas com a máxima do “corpo vazio”. Falaram muito de uma provável entrevista no Jô e de sua atuação como apresentadora do S B(es)T(eira).
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Muitas críticas foram focadas principalmente quando se referiam àquela edição do programa televisivo, no qual a ex-dançarina do Tchan falava “I de Escola” e “E de Isqueiro” (
veja vídeo).
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Em meio a tantos significados e sentidos a que a palavra do enunciado do carro de som pode trazer, diante do exposto e das possibilidades, me veio uma percepção:
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Seja um esforçado estudante, um árduo trabalhador, um dedicado profissional, ou uma moça da capa da revista, para ter sucesso na vida, é só uma questão de competência. E viva a nossa língua portuguesa e os nossos anunciantes.
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Foto tomada de empréstimo em: http://www.imagefap.com/gallery.php?gid=314142

Um comentário:

Sérgio Cabelera disse...

Rapazzz....
O anunciante teria sido um pré-candidato ( ou seria canindato?!) a vereador? - questiono-me...
Também me recordo de um outro, em ano bissexto aterior, que nos dizia -aconselhando-nos- a respeito do DIAZEPAN.
Pequeno causo verídico:
Íamos nós, o "canindato" a "viriador" (2004), e outros colegas da educação an combi do segundo, "encostada na Prefeitura", rumo à escolo da zona rural conversando animadamente e, prá não perder o costume e esquentar um pouco -já estávamos em pleno mês de julho, inverno- contávamos piada, fazíamos gozações entre colegas... Nesse contexto surge a história de que algum conhecido estava tomando o remédio e então o "caindato" informa que "DEZEPAN" era forte, era isso e era aquilo (o rapaz também trabalhava na saúde...).
Conversa vai, riso vem... chegamos ao destino. finalizando o pseudo futuro vereador arremata falando para a nossacolega e amiga Aninha de Seu Olavo:
- Cudjado cum a porta pur riba dos zói prá num quebrá os ócro!!

Viu o que é marqueting!
Um grande abraço,
Cabelera.