9.11.16

Hate is in the air

A torcida dos vitoriosos comemora e a crítica está em suspense.

Diante de tantas incertezas quanto ao futuro, chego a uma constatação: A província contínua sendo província.

Em 2008 vencera uma campanha pautada na esperança.

O candidato tinha origem humilde e os discursos defendiam melhorias a conquistar.

Os vencedores de então diziam que podiam fazer mais, que podiam fazer melhor. Discurso de esperança com grande potencial de resumo em um slogan: “Yes, we can!”.

Após a vitória naquela eleição o gestor apresentou realizações. Fez pela saúde o que não tinha sido feito antes. Fez pelo desenvolvimento. E o seu governo se mostrou mais aberto à inclusão em comparação ao anterior.

No plano externo ele passou a ser respeitado. Galgou espaços em Fóruns de discussões e recebeu credibilidade dos pares.

Em 2012 ele foi reeleito sem grandes sobressaltos.

Na segunda gestão seguiu quase no mesmo compasso da primeira.

Depois de sua eleição (2008), da reeleição (2012), da aprovação do seu governo apresentada nas pesquisas, imaginava-se que fazer sucessor ou sucessora seria uma tranquilidade.

“PERRRRRRRRRRDEU!”

A oposição veio feroz. De cara lisa, sem receio de expor feridas abertas e ressentimentos.

Na força de um candidato midiático, alçado à política pelo encanto das plateias nos seus shows, os opositores fizeram reverberar o discurso único: “Tirar essa gente do poder!”.  

Mas a economia melhorou...

Temos de tirar essa gente do poder, temos de mudar.

Mas a infraestrutura melhorou...  

Temos de tirar essa gente do poder, temos de mudar.

Mas o dialogo melhorou...  

Temos de tirar essa gente do poder, temos de mudar.

Mas...

Temos de tirar essa gente do poder, temos de mudar!

Tempos temerosos.

A “mudança” vem com a volta de grupos políticos de antes.

É como já dito em outro texto:

“A política é assim. Ela tem ares provincianos. Seja numa cidadezinha de interior ou no maior centro de poder do planeta”.

A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos da América me fez lembrar do golpe no Brasil; de alguns resultados em eleições municipais; do Brexit no Reino Unido (ou seria desunido?); do referendo a favor do conflito na Colômbia; do tratamento na Europa a quem foge de guerras incentivadas pelos próprios governos europeus; do...

E, ao lembrar de tantas cenas tristes e casos de intolerância, vi o mundo embalado por uma trilha sonora depressiva, cujo refrão, ao inverso do dito em uma canção de sucesso, sintetizaria: “Hate is in the air”.  



2 comentários:

Juracy de Irará disse...

Como se vê, a nação que se arroga de "transmitir democracia" não é capaz de se fazer futurista e coerente. Imaginem o que virá...
Ró-de-Zé do Rádio nos ensina lição de lógica.

Juscelina SN disse...

Reflexão oportuna, Robertinho. Longe dos holofotes da imprensa, Trump fazia negócios com os eleitores com a certeza de que logo recuperará seu investimento na política. A eleição desse senhor nos mostra que estamos mergulhando na ideia de unicidade, de extremo nacionalismo. Como se diz lá fora "It is a shame."