14.11.09

A 25 também é tropicalista. Azar das outras

Tom Zé entre Filarmônica e público

Foi na noite de abertura da Feira da Mandioca, o re-encontro entre Tom Zé e a Filarmônica 25 de Dezembro. Tom, quando criança, morou ao lado da Filarmônica e chegou a estudar Sax na Sociedade.

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“Essa noite linda, será inesquecível”, disse a professora Dilma Leão, membro da diretoria da Casa.

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A sede da Sociedade Litero Musical 25 de Dezembro estava lotada. Junta-se o calor do ambiente ao aquecimento dos refletores, utilizados para as câmeras filmadoras, e aquilo se aproximava de uma fornalha.
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Calor? Quem se importava com isso? Os músicos da banda de Tom Zé, por exemplo, não demonstravam incomodo. Eles, tão acostumados à garoa paulistana, assistiam ao espetáculo na primeira fila, diante da Filarmônica. A atenção de todo o público era para o concerto da 25 de Dezembro e para a verborragia de Tom Zé; é claro.
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Tom lembrou fatos. Os elogios para a banda e o trabalho dos músicos não foram poucos. Contou histórias e, como sempre, arrancou risos do público. Lembrou aos iraraenses, ao tempo em que comunicava a seus parceiros, a condição de hours concours da 25 de Dezembro. “Eles ganharam tanto, que teve concursos que proibiram eles de concorrer”.
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Liderada pelo maestro Leandro Maciel a Filarmônica executava os números, anunciados pelo presidente Diógenes Barbosa. “Irará e Mundo Novo”, composição de Almiro Oliveira foi um deles. Entretanto, o destaque e a expectativa da noite era pela composição “Renato de Ceci”.


Mestro Leandro rege Filarmônica em frente a músicos de Tom Zé

Trata-se de uma autoria de Tom Zé, junto a dois parceiros, composta especialmente para a Filarmônica de Irará. A música é feita em homenagem ao saudoso amigo Renato Portela, pessoa que apresentou o violão à Tom Zé e lhe deu várias outras dicas. Ceci era a mãe de Renato. “De Ceci” é sobremenome em Irará.

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A música mereceu um bis no final. “Quem chegou atrasado pediu para ouvir a composição”, disse o presidente Diógenes. “A segunda vez é mais difícil, a responsabilidade é grande”, brincou Tom Zé com o maestro Leandro. E a Filarmônica mandou ver.

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“Eu to tão feliz, que se eu encontrar um jegue debaixo da jaqueira eu dou boa noite”. Assim Tom Zé tentava descrever a sensação estética daquele momento, ao tempo em que remetia a um dos casos iraraenses contados antes.

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Com olhos marejados, Dr. Deraldo ouviu a composição e as palavras de Tom Zé sobre Renato. “Eu que também sou filho de Ceci quero lhe agradecer Tom Zé”. Assim o presidente de honra da 25 de Dezembro, sendo dirigente da entidade por 40 anos ininterruptos, agradeceu a Tom Zé em nome de toda a banda.

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“Renato de Ceci”, ou “Ré Nato”, como estava escrito na pauta musical dos músicos, não parece ser uma música fácil de ser executada. O próprio Tom falou disso, mencionando subidas e descidas da música, exemplificando com nomes que quem é músico deve entender.
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Eu, particularmente, nunca tinha visto uma filarmônica tocar algo tão inventivo. Gostei muito da espetacular entrada do naipe de clarinetes. Fiquei viajando naquela canção como trilha sonora. Suspense, comédia, aventura, sei lá o que... E, cá com meus botões pensei: “isso é tropicalismo puro”.
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Era uma sexta-feira 13. Imaginei a Filarmônica de Irará executando aquele número em concursos Brasil á fora. Azar da outras...

vejam video com trecho da exucação da música, pena que não tem as partes finais quando vai ficando ainda mais revolucionário...









Um comentário:

JMS disse...

Parabéns pela matéria Ró... vivemos um momento histórico de nossa sociedade, e que momento maravilhoso hein painho..?! Achei Tom com um pouco de medo, meio nervoso, o que será que passava pela cabeça dele..?! nossa, nem imagino, mas seja lá o que foi, no encontro com a filarmônica e na apresentação na feira, ele superou tudinho...

Forte abraço..!!