12.7.08

“Nova” dúvida - Adendo ao texto anterior

Rapaz! No texto anterior havia muitas dúvidas. De tal modo, naquele ínterim, acabei esquecendo uma. Esta já figurava em minha mente, quando da auto-sugestão da pauta acerca do “novo mercado”. Por incrível que pareça (e não foi por uso de queijo ou de outras coisas), fugiu da memória no decorrer da redação.

A questão é a seguinte:

Diante do contexto apresentado no texto anterior, da variação dada pela publicidade governista para a palavra “novo” e dos significados apresentados pelo amigo Aurélio, temos uma certeza:

Em 2009 Irará terá um NOVO prefeito.

A dúvida é:

Será um prefeito “novo”, inédito, alguém que nunca foi prefeito. Ou será um prefeito “novo”, alguém que já foi ou é prefeito, mas estará com “novos” métodos, estando assim, digamos... “totalmente reformado”?

- E se reforma gente meu tio?

Essas crianças... Sei não viu!

- Depende, meu filho. Depende.

10.7.08

Mercado novo de novo

O carro de som passou anunciando. A chamada pública era para a cerimônia de “inauguração do novo Mercado Municipal”. Nossa! Surpresa. Perdi-me em indagações.

Talvez, nos últimos tempos e diante de tantos problemas, eu tenha andado tão afastado da vida pública de Irará, que nem se quer me dei conta da construção de um “novo Mercado Municipal”. Porém, se havia um novo mercado na cidade, era preciso conhecer essa recente edificação. Daí sai à procura.

Indaguei dois ou três populares. Perguntei-lhes se eles sabiam onde foi construída a obra. Nenhum deles soube me dizer. Não era possível. Será que eu tinha ouvido direito?

O carro de propaganda da Prefeitura passou outra vez e tirou a minha dúvida. “Inauguração do novo Mercado Municipal”, dizia o anúncio.

Voltei a procurar. Quando de passagem pela Praça da Purificação, um feliz transeunte me apontou: “o Mercado é aquele ali”. Aí quase entro em parafuso. Como novo mercado? Aquele não é o velho Mercado Municipal de Irará?

Então eu olhei. Olhei novamente. Tentava ver outra vez. E só enxergava á minha frente aquela mesma construção iniciada por Elpidio Nogueira, continuada por Oscar Santana e concluída por Elísio Santana, entre as décadas de 20 e 30 do século XX.

Resolvi chegar mais perto. Na frente do prédio do Mercado Municipal percebi um letreiro escrito em pedra de mármore. A placa inaugurativa confirmava a minha suspeita. Aquele era mesmo o mercado idealizado pelo velho Sr. Elpidio, pai de Aristeu Nogueira.

Eu estava então diante de uma obra, que neste ano de 2008, completa setenta e seis anos de inaugurada. E porque estavam falando em novo mercado? Por que anunciavam como inauguração? Não seria mais correto e prudente falar em reforma e re-inauguração?

Reforma total inédita

No livro “A Construção – Histórias de Mestre Januário”, Emerson Nogueira Pinho (Mersinho), nos conta um pouco da história do septuagenário mercado. De acordo com Emerson, a construção do imponente centro comercial, referência da economia iraraense, se deu ao longo de 11 anos, com algumas dificuldades.

A obra foi iniciada em 1921. Já em 1924, a sua primeira cobertura, montada sobre dois pilares, veio abaixo. O projeto foi refeito. Reconstruíram o teto novamente, agora sustentado com quatro pilares (Pinho: 2008).

Para garantir a água necessária à obra, foi cavado um poço artesiano dentro do mercado. Em 1932, Irará esteve em festa com a inauguração do Mercado (idem).

Ao longo dos anos, o Mercado foi tendo mudanças de cores e alterações em seu estado de conservação. Às vezes, quase destruído. Às vezes, um pouco mais preservado.

Na década de 1980 as paredes do velho Mercado Municipal eram alvos dos políticos em tempos de eleições, através das porcas práticas de sujar a cidade colando cartazes em toda parte. Banheiros sujos e estrutura precária, refletida no estado das velhas barracas de madeiras que lá dentro existia, completavam a cena.

Na década seguinte, no governo do ex-prefeito Antônio Campos, foi anunciado uma reforma para o Mercado. O evento de re-inauguração, com direito a placa e todo o cerimonial, contou até com a presença do ex-governador Paulo Souto.

Pompas para uma reforma nada grandiosa. A obra praticamente se limitou a uma nova pintura (naquele tom azul forte – então conhecido como “azul Tonho Campo”), ajustes no telhado e construção de boxes, para substituir as antigas barracas.

Em 2005, já no governo do atual Prefeito Juscelino Souza, carente de uma reforma pra valer, o velho mercado não resistiu e viu parte do seu velho telhado desabar, diante das chuvas do inverno que se aproxima.

Era um momento difícil para a gestão Juscelino. Como se já não bastasse o rompimento com aliados políticos da sua eleição (2004), ainda vinha abaixo o telhado do Mercado Municipal. Justamente, a edificação escolhida pelo Prefeito para figurar como marca de seu governo.

Mesmo diante das dificuldades, o Prefeito Juscelino Souza mostrou agilidade e eficiência. Conseguiu junto ao então governador Paulo Souto, seu aliado político, a garantia dos recursos para a reforma da obra.

Durante o segundo semestre de 2005 e todo o ano de 2006, a obra foi se arrastando. A condução era a “passos de tartaruga”, como diz o ditado popular.

A reviravolta política acontecida na Bahia no final de 2006, quando da vitória eleitoral do Governador Jaques Wagner (PT), provocou certa tensão acerca da reforma do Mercado. Será que o Governo Wagner garantiria apoio para uma obra a ser realizada por um Prefeito ligado ao grupo político adversário?

Numa atitude republicana, em rota completamente contrária à prática do carlismo, o novo Governo do Estado garantiu a continuidade da obra. E a reparação do Mercado de Irará teve seqüência.

Desta vez uma reforma pra valer. E pelo que me consta, uma reforma inédita, já que nunca li ou ouvir falar que o Mercado Municipal tivesse recebido uma re-estruturação completa como a efetuada agora.

Todo o telhado foi trocado. Foi construído um mezanino no interior do Mercado. Aumentou o número de boxs, tendo melhor estrutura. Novas instalações elétricas e hidráulicas. Banheiros novos. Nova pintura, para um projeto arquitetônico adequado.

Mudanças no passeio. Instalações de luminárias de época. Construção de ala com boxes no beco atrás do Mercado. E pintura de painéis, com temas da cultura e agricultura local no interior do prédio. Dentre outras possíveis inovações.

Toda esta obra de re-qualificação, certamente, garantem ter sido esta a maior reforma que o mercado já recebeu em sua história.

No entanto, mesmo de “roupa nova”, o Mercado é o mesmo e velho de sempre. A localização também. Igualmente com as paredes ao redor e algumas portas de ferro.

Diante desta realidade e da pirotécnica “inauguração”, coincidentemente ou não, às vésperas do inicio de uma campanha eleitoral, na qual o prefeito Juscelino Souza é candidato à reeleição, as dúvidas permanecem.

Poderíamos falar em “Novo Mercado”?

Seria correto afirmar que houve uma “inauguração” ao invés de um re-inauguração?


Estratégias de comunicação e duvidas semióticas

“Lavou tá novo”. Ao menos é o que diz o ditado.

Será que poderíamos considerar “novo” o Mercado que além de lavado, foi reformado, re-estruturado, etc e tal?

As indagações continuavam.

A tática de propaganda nazista, diz que uma mentira repetida várias vezes, se torna uma verdade. E eu ouvi muito que estavam “inaugurando” um “novo mercado”.

E lá veio novas indagações.

Comecei então a pensar o sentido da palavra “novo”. Será que novo necessariamente precisa ser inédito?

Pensei então em várias possibilidades de uso para a palavra “novo” e como ela poderia transitar através dos seus signos, significados, significantes e significações possíveis.

Todavia, por hora, não necessitava de explicações para me confundir, como pretende Tom Zé. Então tentei deixar de lado qualquer tentativa de lembrança das aulas de semiótica ou leitura dos textos de Umberto Eco. Daí, resolvi, mais uma vez, recorrer ao pai dos burros, o Sr. Aurélio.

No velho dicionário de bolso, procurei pela palavra: “novo”. O livrinho informa que “novo” é um adjetivo e trás sete possibilidades do que a palavra possa dizer.

Bingo!

Parece que encontrei o modo como poderíamos esclarecer se a reforma total do Mercado lhe valeria o título de “novo Mercado”.

Era só comparar a situação do Mercado de Irará a cada uma das possibilidades apresentadas pelo dicionário para a palavra “novo”.

Então fiz assim:

“1 - Que tem pouco tempo de existência”.

Um mercado com mais de 70 anos, não tem pouco tempo de existência. Nesse caso, com certeza, não há um “novo Mercado”.

“2 – Moço, jovem”.

Fatalmente esse termo deve ser mais usado para pessoas. “Fulano é novo”. Ou seja é jovem, moço. No caso do mercado de Irará, acaso fosse uma pessoa, mesmo reformado, ele já não seria mais nenhum “adolescente”.

“3 – Que é visto pela primeira vez”.

Nana, nina, não. Eu mesmo já tinha visto aquele mercado centenas e centenas de vezes. Imagine os mais velhos?

“4 – Que acaba de ser feito ou adquirido”

Se foi construído nas décadas de 20 e 30 do século passado, pelo próprio município, não foi, de modo algum, feito ou adquirido agora.

“5 – Que tem pouco uso”.

Decididamente não. O mercado já foi e vai ser muito usado.

“6 – Original”

Uma reforma, por mais completa que seja, não tira a antiga originalidade do velho Mercado. O mercado já existia, ali mesmo. Portanto, nada de original.

“7 – Estranho, desconhecido”

Em Irará todo mundo conhece o Mercado, fica bem no centro da cidade e não há nada de estranho com ele.

Ufa! Indagações sobre o “novo” resolvidas. E, consequentemente, sobre a “inauguração” também. Porque se não é novo, não pode ser, de maneira alguma, “inaugurado”. Quando muito, re-inaugurado.

“Eié! Eié! Eié! Eié! Eié! Atenção Brasil...”

Na noite de São João, ouvi o locutor da festa de Irará, após muitas delongas e lantejoulas ao Prefeito, dizer que:

- Não é reforma não gente. É o Novo Mercado de Irará.

Na mesma hora, um amigo ao meu lado apontou para o alto do mercado, onde tem o ano de inauguração: 1932.

É difícil crer que algo datado de 1932 é novo. Mas, o locutor falou com tanta certeza, que eu não estranharia se ele tirasse do bolso uma Escritura Particular para atestar que o Mercado era uma obra nova.

Da minha parte, só me coube imaginar que todas as propagandas e falatórios faziam parte de uma estratégia de comunicação. Desta tática era proveniente a vontade incessante e programada de chamar o Mercado de “novo mercado”, assim como a quadra esportiva da Praça Raul Cruz (Popular Praça do Lazer), também totalmente reformada, de “Nova Quadra”.

Ao meu ver, uma estratégia equivocada. Uma falta de responsabilidade com a comunicação social. Uma vontade implícita de, ao invés de usar os veículos de comunicação para o esclarecimento, usá-los para uma tosca manipulação de idéias.

Será que as pessoas não vão perceber que ali não se tratava de um “Novo Mercado”?

Tudo bem. Méritos e parabéns. Pela obra, pela reforma total, pelo esforço. Repúdio as tentativas de manipulação e distorção da informação.

Não dá para desprezar a história e as pessoas do passado, chamando de “novo” algo que já existia. Não dá para falar de “Novo Mercado”. Quando muito, poder-se-ia dizer que o Mercado está com aspecto novo outra vez. Está novo de novo. Se é que isso é possível.

20.6.08

Ôh de Casa! Uma beleza de licor


Uma boa dica, seja no São João ou em qualquer época do ano, é o licor do Artesanato Ôh de Casa!

Nesta casa de artesanato, artes plásticas, plantas e culinária, seguramente está o melhor licor de Irará. Preparado com zelo, higiene e dedicação pelo casal de artesãos Zé Nogueira e Dagmar.

Como se já não bastasse o talento de fazer um saboroso licor, Zé e Guego ainda envolvem artisticamente o recinto onde é armazenada a bebida.

A garrafa é belamente ornamentada com sementes, folhas secas, cordas de sisal ou outros elementos. O recipiente ganha aspecto de obra de arte. Um singelo objeto decorativo para a sua casa; seja na cozinha ou na sala de estar.

Se você não quer fazer feio para as suas visitas, é melhor recepciona-las com o licor do Ôh de Casa! . Vá lá comprar o licor e aproveite para conhecer ou voltar a este aconchegante ambiente.

Basta chegar ao portão e, da varanda, você já vai perceber que beleza de lugar. No Artesanato Oh de Casa! há beleza em tudo. Nas plantas, nos objetos, nos quadros pintados por Zé Nogueira e na recepção feita aos visitantes.

Em Irara, estando na Avenida Elísio Santana, procure pela casa de Zé Nogueira ou Zé de Aristides. Depois é só chegar ao portão e chamar pela senha: “Ôh de Casa!”. Você será bem recebido.

São João 1992







Nos anos inicias da década de 1990, primeiro governo de Amaro Bispo (1989-1992), o São João de Irará era celebrado na Praça Pedro Nogueira – Matriz. Na época era construída a estrutura apresentada nas fotos acima para abrigar a festa.

Depois, no segundo governo de Alberto Santana – Chico (1993-1996), a festa de foi transferida para a Praça do Lazer, mantendo-se essa mesma estrutura em alguns anos e recorrendo a uma lona de circo em outros. No governo de Antônio Campos (1997-2000), a festa foi então transferida para a Praça da Purificação, onde permanece até hoje.

* fotos do Acervo da Casa da Cultura de Irará.


19.6.08

Filarmônica vai receber prêmio de R$ 20 mil

A Filarmônica 25 de Dezembro é uma das oito Filarmônicas da Bahia premiadas com R$ 20mil pelo Projeto Bandas da Funarte – Fundação Nacional de Artes, órgão vinculado ao Ministério da Cultura – Minc.

Ao todo, foram premiadas 143 bandas, oriundas de 20 estados do Brasil, dentre as 550 selecionadas para concorrer ao prêmio.

Para selecionar as bandas classificadas e depois as premiadas, a Funarte usou como critérios de avaliação a qualificação da banda, a viabilidade prática do projeto e a clareza na exposição de suas necessidades.

O projeto enviado pela 25 de Dezembro contou com a assessoria técnica da Charanga Comunicação, assim como aconteceu em 2007, quando a Banda foi contemplada em edital do Bando do Nordeste.

O Projeto Bandas da Funarte integra o Programa Nacional de Bandas de Música, desenvolvido desde 1976, cujo objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade técnica e artística das bandas. Este ano é a primeira vez que o Projeto premia as entidades selecionadas com dinheiro e não diretamente com instrumentos.

Na avaliação do Diretor do Centro de Música da Funarte, Pedro Muller, esta forma é mais eficiente, entre outros fatores, porque dá mais liberdade às instituições de escolherem instrumentos mais adequados à sua realidade.

No caso da 25 de Dezembro, foram escolhidos para listar no orçamento da proposta enviada à Funarte, instrumentos de valor mais alto e com maior necessidade de reposição.

De tal forma, o valor de R$ 20 mil a ser recebido será utilizado na compra de três instrumentos. Só um deles está orçado em cerca de R$ 10 mil, sendo assim compatível à qualidade técnica requerida pelos talentosos e exigentes músicos da 25 de Dezembro.

Bandas contempladas na Bahia:

Projeto 127 - Sociedade Filarmônica 2 de Janeiro – Jacobina
Projeto 571 - Sociedade Filarmônica São Domingos – Saubara
Projeto 227 - Filarmônica 8 de Dezembro – Mata de São João
Projeto 229 - Sociedade Litéro Musical 25 de Dezembro – Irará
Projeto 370 - Sociedade Filarmônica Lira Morense – Morro do Chapéu
Projeto 627 - Sociedade Filarmônica Capitanias dos Ilhéus – Ilhéus
Projeto 714 - Filarmônica 5 de Março – Muritiba
Projeto 129 - Sociedade Filarmônica Euterpe Cruzalmense – Cruz das Almas

Com informações do site da Funarte:
www.funarte.gov.br

Nilson Aquino canta na Rádio Educadora

Capa do novo CD de Nilson Aquino


No próximo dia 26 de junho, quinta-feira, o cantor e compositor iraraense Nilson Aquino é atração do Programa “Outros Baianos” que vai ao ar às 21h na Rádio Educadora – 107,5.

Já quem pretende passar o São João em Irará, pode ter oportunidade de assistir Nilson ao vivo, através da participação do artista no Bloco Jeguerê. Sábado (21) na AABB e Domingo (22) nas ruas de Irará.

15.6.08

Forró de Casa*

São João no interior é sinônimo de confraternização. No entanto, sair de casa em casa tomando licor e comendo iguarias juninas no dia do santo, já não é mais prática lá muito percebida em vários municípios interioranos.

O surgimento dos grandes shows, seus mega palcos nas praças e a aparição de blocos com trio elétrico e cordas, talvez tenham contribuído ainda mais para o fim deste costume sócio-junino. Tal fato trás um sentimento de nostalgia e faz também crescer por parte dos saudosos, a insatisfação com o contexto atual.

Imbuído deste sentimento nostálgico, o odontologo Luciano Campos (Lú de Rege de Água Fria) decidiu criar o projeto Forró de Casa, que nada mais é do que uma volta à pratica da velha tradição de sair de porta em porta tomando licor e tocando forró. Para dá conta do forró, foi contratado o tradicional sanfoneiro iraraense Zé da Jurema, que contou com a participação de mais quatro pessoas para lhe auxiliar com triângulo, zabumba e também na cantoria.

Entoando músicas de forró pé de serra, também estavam todos os outros presentes, quando não batendo palmas, degustando iguarias ou tomando um bom e velho licorzinho.

O percurso teve seu inicio pouco depois das quatorze horas. A saída foi da casa de Omar (entenda-se, de Sinval), onde o grupo já começava a fazer uma “passagem de som” enquanto a chuva - que já havia atrasado o começo do passeio - não dava trégua. Quando o tempo melhorou o grupo composto por Luciano, Artur (Policial), Roberto (Ró de Zé do Rádio), Zé da Jurema e sua gente, saiu. Omar ficou em casa para almoçar.

Como primeiro local de visita, o Forró de Casa teve a vizinha casa do artista plástico Zé Nogueira, que como sempre fez uma boa recepção a todos. Guego (esposa de Zé) providenciou o licor e pediu a música “Seqüestro do Tonho”, em homenagem a um visitante que ela recebia em casa naquele momento. O grupo explicou a Zé o propósito da brincadeira. Ele apoiou e agradeceu o fato de sua casa ter sido lembrada. Após sair da casa de Zé, a turma deu uma passadinha na residência da jovem Lucilene, e lá foram atendidos por sua mãe, enquanto a possível anfitriã estava tomando banho.

Queijo, amendoim, bolo e licor eram oferecidos, no momento em que Roberto explicava para a dona da casa o sentido de resgate junino da visita. Ela sentiu-se agradecida e informou que ao perceber o movimento na casa de Zé Nogueira, havia deixado o portão aberto, para que o “São João” a visitasse também.

A próxima parada foi na casa de Saulo, na outra mão da Avenida Elísio Santana. Novamente os forrozeiros são recebidos com festa e são servidos os petiscos juninos, ao tempo em que os donos da casa caem no forró. “Não deixe isso acabar” foi a suplica da senhora mãe de Saulo.

“O Seqüestro do Tonho”, música a ser pedida em quase todas as casas, é solicitado outra vez. Apontando para Saulo e Artur, policiais Civil e Militar respectivamente, Roberto destaca um trecho da canção: “eu não quero policia / pelo meio / que os home é perigoso/”. Na seqüência o Forró de Casa pega a estrada, diga-se a rua, com destino à Rua de Santanópolis.

Nesta rua, situada atrás do Colégio Joaquim Inácio, o Forró de Casa tinha uma visita marcada na casa de D. Nilza Maia. Ao chegar em frente à residência, o grupo fez o agora já tradicional grito de chamada, “Forró de Casa!”. Quando atendidos caminharam varanda adentro, onde foram servidos de comidas e bebidas típicas do São João, e ofereceram muito forró. Luciano percebeu lagrimas aos olhos do dono da casa, talvez um lembrança de antigos tempos juninos.

Quando a turma saiu da casa de D. Nilza teve uma surpresa. Sr. Pedro, residente desta rua, pedia para o grupo ir tocar no bar de Jorge em frente, prometendo-lhes pagar algumas cervejas, mas obteve a sincera resposta de que tocar em bar não era o objetivo daquele grupo. Insatisfeito, Sr. Pedro disse querer acompanhar a turma e pediu que o esperasse, enquanto ele iria até em casa pegar seu violão.

Pouco tempo depois, vem Sr. Pedro com uma pequena caixa de som amplificada e sua viola, desejando que o som fosse tocado ali mesmo no bar. No entanto, ele demorou bastante para afinar o instrumento, e sobre os apelos da turma apressada que ainda tinha muitas casas para visitar, desistiu da tocata, “nada apressado presta” disse.

A parada seguinte foi na casa de Debinha de Sr. Eraldo. Lá o licor fora servido ao pé da fogueira, em frente à casa, na mesma hora em que o forró já comia no centro. Foi quando passou na rua Sinho de Sr. Alfredo da Luz, sua companheira e mais uma pequena turma de parentes e amigos.

O músico Sinho gostou do “negocio” e disse que seus irmãos, os também músicos, Nivaldo e Gigi, queriam ter feito o mesmo, mas desistiram da idéia por falta de instrumentos. Não era nem preciso dizer... Sinho e sua turma acompanharam o Forró de Casa.

Com o grupo agora acrescido de mais pessoas, a próxima casa visitada foi a de Sr. Jackson Martins, conhecido como Jajá de Joãozinho Prachedes. O ritual é repetido, forró, licor, amendoim e animação. Roberto sugere que o dono da casa peça uma música, mas a satisfação parece ser tanta que Sr. Jajá diz, “essa ai mesmo”, referindo-se a uma canção que o sanfoneiro ensaiava tocar quando ele (Sr. Jajá) fora consultado. O Forró de Casa vai de partida, desta vez com a sanfona calada e com pressa, devido a chuva que começava a cair. “Pit stop” seguinte, casa de Sr. João Lopes.

Quando a turma chegou Sr. João não estava em casa, mas todos foram bem recebidos por D. Lídia e seus filhos Neto e Lidijane. Na varanda, canjica, bolo de aipim, amendoim e, como não poderia faltar, licor. As iguarias são servidas enquanto o forró começa. Derrepente chega Sr. João, cumprimenta a todos e antes de se dirigir ao interior de sua residência, pede para as pessoas não saírem até a sua volta.

Poucos instante depois, volta Sr. João com chapéu de palha na cabeça e uma grande disposição para cair no forró. A chuva fica forte e a galera acaba demorando muito na casa de Sr. João Lopes que não pára de dizer: “Chove até meia noite que é pra ninguém sair daqui”. Depois de um bom tempo a chuva cessa um pouco e o grupo já acrescido de mais pessoas, como Sandro Cebola, Paredão e outros, resolve enrolar a sanfona com uma toalha plástica e seguir caminho até a casa de Sr. Rege de Água Fria.

Na casa de Sr. Rege, apesar do atraso, o Forró de Casa ainda era esperado. Todo o grupo que já devia contar mais de 25 pessoas entram até a sala da casa. Lá ao pé da mesa com laranja, canjica, galinha assada, licor e amendoim, é desembainhada a sanfona e o forró começa. Muitas músicas são tocadas. Omar se reincorpora ao grupo e várias outras pessoas, inclusive alguns foliões do bloco Pé de Mula, começam a entrar.

É notória a cara de satisfação de Sandro e Reginho, sem contar a benevolência de D. Ita e as presenças de Cláudio e Cristina, além de noras e netos do dono da Casa. Sr. Rege também participa da folia e Luciano, agora em casa, é só felicidade, tocando triângulo e cantando forró.

Roberto, com certa preocupação não revelada, de que alguém distraído pudesse vir a sujar as paredes internas da casa, ou outra coisa do tipo, tenta em vão apressar Luciano. Mas Lú a essa altura, parece estar mais atento para a acústica que a arquitetura de sua casa oferecia ao som do trio de forró. Sr. João Lopes também aparece para saborear um pouco mais do Forró de Casa.

Depois da passagem por seu Rege o próximo compromisso era na casa de Dega de Eduardo, mas infelizmente devido aos atrasos, o mesmo não foi encontrado em casa. E foram em vão as batidas de palmas e os cantos de Reis [ ô de casa ô de fora (bis)/ Maria vai ver quem é (bis)/ são os cantador de Reis (bis)/ quem mandou foi São José (bis)...] pra chamar o dono da casa.

Sendo assim a turma partiu para a casa de Cristina de Sr. Rege para iniciar mais um Forró de Casa. O esperado é que fosse tudo como antes, licor, comidas típicas da época e forró. E foi. Só que não foi só isso. O pessoal já ocupava a varanda da casa, quando o sanfoneiro puxou um forró bem tradicional e foi formada uma quadrilha junina, no melhor estilo improviso.

“Olha a cobra”, “a paquera” e outros gritos relembravam o mais autentico e tradicional São João, aquele do Caminho da Roça. Neto havia comunicado que Margarida (do Banco do Brasil) pedira para que o grupo visitasse a sua residência. Ao chegar lá já eram seis horas ou mais, e Margarida já não se encontrava, contudo havia deixado recado para que fosse feito o Forró de Casa assim mesmo. A turma preferiu não entrar.

Ainda em frente a casa de Margarida, alguém sugeriu que o grupo fosse até a casa de Gilson da Coelba. Assim foi feito, mas o horário novamente deve ter sido agravante, e na casa de Gilson não havia quem recebesse o Forro de Casa. Se o horário já se mostrava inconveniente para visitas, já o era também adiantado para Sr. Zé da Jurema, afinal ele merecia ter o seu descanso depois de tanto toque de sanfona.

Quase todos já estavam conformados e esperando pelo Forró de Casa no próximo ano, quando foi indicada a entrada na Casa de Artur do Som. Em seu último ponto de apoio, o movimento foi regado a forró e licor. E mesmo com perda de algumas presenças prosseguiu até quando o som do trio elétrico do bloco Pé de Mula, o qual vinha se aproximando para passar em frente à casa de Artur, começou a atrapalhar o sanfoneiro que decidiu parar.

A satisfação parece ter sido plena. Roberto comentava com Artur, que a música que marcou para ele foi a de Flavo José ( “Na minha casa/ agente rir/ agente chora/ agente se diverte/ toda hora é hora (...) Pode vir de mala e cunha amor/ que hoje eu não to nem ai/”).

Artur, por por sua vez, com sua mente bastante imaginativa, já devia aglutinar idéias mirabolantes para o ano seguinte. Luciano se preocupava em conduzir o sanfoneiro de volta pra casa, mas certamente como já havia informado antes, não desejaria que o forró de casa crescesse nas proporções do Jeguerê (bloco criado por ele Omar e Neto, inicialmente para ter os moldes do Forró de Casa, mas tomou tamanhas proporções que hoje desfila com cordas e mini-trio).

O que Luciano já deve estar pensando é como fazer um Forró de Casa com mais tempo e expressão no ano que vem. E para isso ele poderá contar com todo o apoio da Casa da Cultura de Irará, segundo informaram alguns membros da nova diretoria da C.C. I., que toma posse agora no dia primeiro de julho. E no mais... Viva São João! O tradicional é claro.

* Texto originalmente escrito em julho de 2003, por ocasião do Movimento Forró de Casa. Este mesmo movimento, aumentando o numero de casas visitadas e até com mais um grupo de sanfoneiros, voltou acontecer noutros anos.



6.6.08

Um tributo a Antônio Vieira


Capa autografada do CD "O Cordel Remoçado"

A primeira vez que vi uma apresentação de Antônio Vieira foi numa reunião política. Era o ano de 2003, se não me engano, e o Partido dos Trabalhadores fazia uma Conferência Estadual de Cultura, lá na Faculdade de Comunicação da UFBA.

Fiquei encantado com arte de Vieira. Aquela coisa simples e tão bela. O jeito calmo e sereno de cantar, falar, narrar e apresentar as histórias das suas músicas.

Na frente do auditório da Facom, Antônio Vieira e sua Viola. Na frente de Vieira uma militância na labuta de discutir cultura durante um dia inteiro. Na música daquele santamarense, muitas lições de vida. A exeburante beleza da simplicidade, talvez incompreendida por muitos teóricos da cultura.

Para mim, o sentimento de descoberta era como a surpresa descrita por um outro santamarense em uma de suas canções. A apresentação de Vieira surpreendia, não por ser exótica, mas pelo fato de que, até então para mim, aquela forma poética tinha tido, sido, estado, oculta; quando poderia ter sido óbvia.

Foi-se aquele dia, ficou a lembrança. Lá mesmo na Facom, em tempos de aulas, descobri que o colega, então estudante de Jornalismo, José Inácio Vieira de Melo, era amigo de Vieira. Comentários, elogios e a vontade de ouvir Antônio Vieira novamente.

A oportunidade então chegou. Já estávamos no ano de 2005. Tínhamos conseguido aprovar um projeto no primeiro Edital BNB de Cultura. O Colóquio de Literatura Popular, com foco no cordel, era o evento perfeito para uma apresentação de Antônio Vieira em Irará.

Depois de pegar um número de telefone com Inácio, lá fui eu para o primeiro contato. Sondagem de preços e possibilidades. Vieira me comunicou das suas condições. Antes da viagem para apresentação era preciso disponibilizar 50% do cachê acertado. Como a gente faz para combinar? “Venha aqui em casa”, disse Antônio me informando do seu endereço, junto ao convite.

E eu fui. Lá fui muito bem recebido pelo casal Vieira. Antônio e Coraci. Conversamos sobre o acerto da apresentação ele me deu um exemplar do seu CD - O Cordel Remoçado.

Expliquei ao cantador as dificuldades do evento. Não tínhamos nenhuma verba por conta de atrasos burocráticos. Ficou acertado que iríamos conversando. Da segunda vez que tive em casa dele, a notícia também não era nada animadora. Além dos atrasos, os bancos estavam em greve.

Tudo bem. Vieira disse que viria a Irará assim mesmo. “Eu percebo que você é um rapaz sério”. Diante do aumento do peso da responsabilidade, eu só pude lhe agradecer e torcer para que tudo desse certo no final.

Antônio Vieria esteve em Irará. Ele, sua viola e D. Coraci. Antônio tocou e agradou muito. Era hora então de acertar o singelo e extremamente merecido cachê.

Quem disse que o dinheiro tinha chegado?

Não chegou a verba e também não veio reclamação de Vieira. Ele “esperou com paciência”, assim como Romano, personagem do Debate Maior, peleja de sua autoria.

Aquele dia, cerca de um mês após o nosso primeiro contato, já possuímos uma boa amizade. Eu já tinha tido o prazer de ouvir, confortavelmente sentado no sofá da casa dele, as suas ricas histórias. Ele também já tinha ouvido das minhas.


Douglas de Alemida, D. Coraci, Antônio Vieira,
Franklin Maxado e Roberto em Irará. Out/2005.


Em Irará, Antônio Vieira autografou o meu CD: “Para o meu amigo Roberto. Continue na sua missão de cultivar a sua aldeia. Um abraço de Antônio Vieira. Em 8/10/2005”.

Demorou um mês e pouco e o dinheiro saiu. À essa época, meu contato com Vieira já era mais próximo. Ele me convidava para a casa dele e não pedia cerimônia. “Venha! Almoce aqui com a gente”, dizia. Eu, sempre com receio de parecer inconveniente, tentava recusar um convite ou outro, apesar de gostar muito de estar lá.

Na casa de Antônio Vieira o papo era bom e rolava até umas horas. Eu aproveitava para ir perguntando, comentando e discutindo com ele as letras do seu Cordel Remoçado.

História do Debate Maior. O Trole de Serapião e Gustavo. A lenda dos curadores de cobra e do acarajé. A Conjuração Baiana cantada em cordel, pela narrativa da atuação de Manoel Faustinho. Já Chorrilho, trazia nas entrelinhas, irreverências como a “fresta da moral”. A greta como uma janela indiscreta das cidades interioranas.

Nestas conversas trocávamos coincidências e diferenças entre Santo Amaro e Irará. Tentei ver se Maria Tábua tinha alguma semelhança com Maria Bago Mole, cantada por Tom Zé. E vi que Maria Bago estava mais para o Bordel Artesanal, descrito por Vieira na trilha de número 08 no seu CD.

Confeccionada pelo selo Sons da Bahia, a obra foi produzida pelo iraraense Roberto Sant’anna. O então Diretor Geral da Funceb, Armindo Bião, faz a apresentação: “Agora ouça a voz e o que canta Antônio Vieira, seu destino ficará mais rico, seu coração mais aquecido, sua vida melhor”, diz Bião, também Professor da Escola de Teatro da UFBA e Pesquisador do CNPq.

O conselho soa como uma rendição da academia diante da cultura popular. E a “Peleja da Ciência com a Sabedoria Popular”, é justamente o título de um dos muitos cordéis de Antônio Vieira.
Esse tema merecia muita atenção por parte dele. Vieira defendia uma presença maior da cultura popular nas escolas:

“A escola perde tempo
Preciso por sinal
Em não ter feito a fusão
Com a literatura oral
E enquanto não fizer
O homem e a mulher
Vão vivendo muito mal”

A estrofe do cordel sintetiza bem seu pensamento. Vieira reconhecia a importância e valorizava a ciência, mas acreditava no potencial e criticava a discriminação para com a sabedoria popular. Pregava a união entre o erudito e popular.

“A nossa poesia é uma só
Eu não vejo razão pra separar
Todo conhecimento que está cá
Foi trazido dentro de um só mocó
E ao chegar aqui abriram o nó
Foi como se ela saísse de um ovo
A poesia recebeu sangue novo
Elementos deveras salutares
Os nomes dos poetas populares
Deveriam estar na boca do povo”

Em 2006, faltando uns dois meses para a UFBA completar 60 anos, sugeri a Vieira fazer um cordel sobre a história da Universidade. Ele se empolgou com a idéia. No entanto, me disse que não conhecia muito da história da renomada instituição.

Procurei na biblioteca e levei-lhe alguns livros sobre o tema. O tempo foi passando e Vieira, também envolvido com outras atividades, não produziu o cordel. O aniversário passou e resolvemos engavetar a idéia.

Se não pudemos conhecer a trajetória da Universidade nos cordéis de Vieira, passamos a conhecer a história de muitos outros personagens. Um deles foi Bezouro de Santo Amaro. A narrativa de vida do capoerista de corpo fechado levou Antônio Vieira ao cinema.

Uma equipe americana fez um documentário sobre Bezouro e Vieira era um dos entrevistados. Parece que vejo agora, diante de mim, o seu sorriso de satisfação com a obra, quando me apresentava e informava que aquele filme esteve em cartaz nos cinemas lá nos Estados Unidos.

Empolgação e otimismo eram mesmo marcas de Vieira. Não me lembro de vê-lo triste ou desanimado. Sempre incansável e fazendo planos, ignorando o câncer que já possuía quando lhe conheci.
Antônio Vieira estava consciente dos riscos da doença. Ele sabia dos efeitos do tratamento. Entretanto, às vezes, ele falava da proximidade das sessões de quimioterapia como quem diz ir à farmácia comprar um comprimido para resfriado.

05 de julho de 2007, após defender uma monografia de conclusão de curso, um outro Antônio, o Barreto, me deu a triste notícia: Viera não estava mais fisicamente entre nós. Já havia quase um mês, do acontecido em 10 de junho, mas estive tão envolto naquele trabalho que nem soube.

Diante da notícia de Barreto, lembrei-me que no mês anterior, houve um dia, no qual me veio na memória o amigo Vieira, mas preocupado com os prazos acadêmicos, nem peguei o telefone para tentar falar com ele.

Dia desses, o mesmo Antônio Barreto, me comunicou de um Tributo. Amigos, familiares e colegas de pelejas, estarão reunidos no Quadrilátero da Biblioteca Central, no Bairro dos Barris em Salvador.

O dia é, terça-feira, 10 de junho, às 18:00. Lá na Biblioteca Central acontecerá a saudosa e póstuma homenagem. Repentistas, xilogravuristas, poetas, cantadores, entre outros artistas, estarão a postos, cada qual com sua arte, para lembrar do talento daquele “vate de grande qualidade”. Vieira usava esta expressão para se referia aos cordelistas de renome.

Lá, todos vão lembrar do Antônio que partiu três dias antes da data de homenagem ao santo seu chará.

Além da obra, fica a memória e a lembrança. Aprendemos muito com aquele Antônio. Casamenteiro do cordel com a música. Da viola com os versos. Da elegância com a simplicidade.
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* Imagem da Capa do CD - Do meu Acervo Pessoal
** Foto - José Falcón

27.5.08

Ensaio de um artigo para o Enecult

Não me foi possível escrever um artigo para o IV Enecult. Como não vou apresentar lá, resolvi apresentar aqui. Não se trata de um artigo, com citações, embasamento teórico ou outras “coisitas” acadêmicas que este tipo de publicação pede.

Coloquei no papel apenas algumas idéias que eu pretendia escrever para o tal artigo. Por isso, chamei o tal de “ensaio”. (veja post anterior).

O Enecult um espaço privilegiado de discussão. Nele estão compreendidas as mais diversas áreas do conhecimento, tendo atenção para o campo cultural. Entre as sessões mais concorridas para a apresentação de artigos acadêmicos, está o debate sobre as Políticas Culturais.

Veja programação e outras informações: http://www.cult.ufba.br/

2008: Política e Cultura na Bahia

Estamos vivendo um ano singular, tanto para a política quanto para a cultura, na Bahia. As eleições municipais, primeira sem a liderança de Antônio Carlos Magalhães (ACM), devem configurar um novo mapa político no Estado. No campo da cultura, este ano pode funcionar como sendo o marco inicial da efetivação das políticas públicas para o setor.

A expectativa é que, agora em 2008, a Secult - Secretaria Estadual de Cultura - comece a efetivar as propostas elaboradas durante a II Conferência Estadual de Cultura. Culminância de um rico processo, no qual participaram 390 - (92%) - dos 417 municípios do Estado, a II Conferência de Cultura da Bahia “assanhou o interior”.

Criou-se uma grande expectativa entre os grupos e agentes culturais interioranos. Tendo como reflexo, a esperança de que desta vez eles teriam mais incentivo e poderiam ter maior acesso aos mecanismos da Política Cultural do Estado.

Hoje, apenas sete meses após à II Conferência, já há no interior quem identifique algum inicio de frustração. Tal descontentamento não se dá pelas políticas até aqui realizadas, a exemplo das cotas previstas na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e dos Editais, como o do Ponto de Cultura, entre outros. A desconfiança reside na forma de como está sendo feita a articulação entre os órgãos estaduais de cultura e os municípios do interior.

O Estado não possui estrutura técnica para a área da cultura em todos os 26 Territórios de Identidade. Daí, o método usado para chegar ao interior, além do telefone e da internet, tem sido a relação institucionalizada com as Prefeituras Municipais. Parceria que funcionária a contento, caso a realidade político-administrativa do interior da Bahia fosse outra.

O cenário interiorano

Vale ressaltar o caráter heterogêneo dos municípios. Muitas cidades nunca tiveram um órgão responsável pelas políticas públicas de cultura. Outras, mesmo tendo essa estrutura, não estão devidamente preparadas para a interlocução pretendida.

Outra dificuldade pode ser encontrada na cena política do interior. Ao que parece, quanto menor a cidade, maiores são os ressentimentos e a rivalidade entre grupos políticos locais. Nesta experiência de um ano e meio da nova Secretaria de Cultura, as disputas políticas do interior ficaram evidentes, através de algumas situações inusitadas.

Existem Prefeituras tentando fazer de qualquer iniciativa da Secretaria, um verdadeiro palanque eleitoral da gestão municipal vigente. Assim, um simples workshop (anglicismo inimaginável na Secretaria de Ariano Suassuna em Pernambuco, mas amplamente usado na Bahia) da Fundação Cultural transforma-se em um evento pomposo. Mesas, falas, discursos de autoridades locais e muita pirotecnia na mídia do município.

Há também exemplos de gestões municipais primando pelo favorecimento de informações ao seu grupo político. De tal modo, os produtores, artistas e agentes culturais, não alinhados com o pensamento político hegemônico local, ficam à parte das informações oriundas da Secult.

E, além destes, podemos contar os omissos por opção. Pessoas sempre indispostas a participarem de atividades, nas quais o poder público local, ligado a determinado grupo político, apareça como realizador.

Situações que para os gestores culturais, ambientados com a cena soteropolitana, pode parecer argumento para roteiro de filme, ainda é a realidade, nua e crua, no interior da Bahia.

Esta é a cultura política no interior. Infelizmente, a virada das eleições de 2006, por mais que possa sinalizar o inicio de uma mudança de pensamento, não significa o óbito do coronelismo ou do cabresto eleitoral no Estado.

Neste cenário, a quantidade de prefeitos, suas políticas de aliança e o grupo político do qual eles fazem parte, ao contrário do que deixa transparecer o governador Jaques Wagner em entrevista para a Caros Amigos, no mês de dezembro passado, pode contar, e muito.

De tal maneira, as eleições municipais de 2008 representa também um marco decisório nos rumos da nova Política Cultural do Estado. A existência de Prefeitos sintonizados com o pensamento da Secult, certamente facilitaria o trabalho deste órgão de cultura.

Infelizmente, o crescimento no numero de alinhados com a nova Política Cultural, ao que parece, não será a hipótese mais provável para a maioria dos municípios.

Conforme pode ser percebido no interior, o PMDB “aliado” (aspar devido as possíveis reviravoltas políticas) tem um crescimento muito superior ao PT. Vale salientar que este aumento de filiados, no partido do Ministro da Integração Nacional, é proporcionado, em grande medida, pela adesão de ex-carlistas e tradicionais líderes da política interiorana.

Sendo assim, os potenciais vencedores das eleições municipais, ainda que estejam na base aliada, são os mesmo que há muito mandam e desmandam no interior, só que agora, usando uma nova legenda. O velho ditado: “muda para ficar tudo como está”.

O quadro evidencia o quanto é perigoso o caminho adotado pela Secult no privilégio às Prefeituras. Claro que, de modo algum, na contramão deste percurso, não se defende e nem se poderia esperar da Secretaria Estadual de Cultura uma política de aparelhamento, na qual, teriam vantagens os partidários de sua visão de Política Cultural. O esperado é a criação, por parte da Secult, de uma estrutura mínima de funcionamento no interior.

Somente a ação e/ou acompanhamento do próprio estado nas suas iniciativas direcionadas ao interior, poderá dirimir as disfunções apontadas na parceria com as Prefeituras.

É preciso entender que, no interior, as relações são mais eficazes quando se dão no cara a cara, ou como se diz no popular, no téte-a-téte. Telefonar e mandar e-mails, explicando procedimentos, não funciona de modo eficaz.

Sem o acompanhamento necessário o trabalho não funciona a contento. E os movimentos culturais do interior continuarão sentindo-se distantes e desinformados. Principalmente depois de ligações frustradas e respostas do tipo: “tá tudo no site”.

A Mobilização

Neste sentido, vale, e muito, como exemplo, o trabalho dos Mobilizadores Culturais. Eles foram os trinta militantes da cultura, contratos pelo Estado por três meses, através de um processo de seleção pública, para visitar os municípios, buscar parcerias e dirigir os Encontros Municipais de Cultura. Através deste trabalho, foi atingida a marca de 390 municípios representados na II Conferência, em outubro de 2007 em Feira de Santana.

Para a realização dos Encontros Municipais, os Mobilizadores buscaram a parceria das Prefeituras, conforme orientação do Estado, mas também procuraram os movimentos sociais dos Municípios. De tal modo, foram visitadas escolas, sindicatos, associações, grupos e entidades, voltados para segmento cultural.

A intenção dos Mobilizadores era oferecer a maior pluralidade possível aos encontros. Não seria interessante, de modo algum, que as Prefeituras tivessem total controle sobre os Encontros e ficassem com a total representação do município na II Conferência, menosprezando representantes da sociedade civil, que por ventura fosse alguém identificado com a oposição local.

O trabalho dos Mobilizadores foi altamente reconhecido pela sociedade civil. Conforme citações dos presentes à II Conferência e em manifestação documental nas propostas dos Encontros Territoriais
[1]: “garantir presença constante do Mobilizador Cultural da Secretaria de Cultura no Território”.

Hoje, após o fim do processo da II Conferência Estadual e da extinção da função dos Mobilizadores Culturais já aparecem reclamações. Fortemente identificados pelo trabalho feito, os Mobilizadores quando não questionados por informações acerca das ações da Secult, são indagados pela sua ausência do município.

Até mesmo, a própria Secult demonstra ainda identificar nos Mobilizadores, como seus potenciais parceiros. A eles são dirigidos e-mails e ou telefonemas no sentido de compartilharem e difundir em seu Território de Origem informações das atividades em andamento.

Os Mobilizadores, contudo, por maior boa vontade que tenham, não possuem estrutura de estarem a todo o momento articulando a difusão das ações da Secretaria de Cultura no interior. Para tal, é necessário, no mínimo, telefone, internet, disponibilidade de tempo e recursos para viagens.

Diante desta impossibilidade e do cenário descrito acima, é urgente uma ação da Secretaria Estadual de Cultura, no sentido de concretizar a criação de uma mínima estrutura própria em cada Território de Identidade.

Tal equipamento seria uma espécie de mine-escritório, funcionando como uma representação territorial da Secult. Este pequeno órgão poderia estar composto de dois funcionários, cada um com funções distintas.

Os servidores da representação Territorial seriam então: 1) Um articulador territorial, para responder pelo órgão, gerenciar os trabalhos, manter contato com a Secult e até ministrar palestras e mine-cursos nas cidades do Território, se for o caso, entre outras funções; 2) Um Mobilizador, o qual seria o responsável pelas visitas e acompanhamento dos trabalhos nas cidades e interlocução com os gestores e a sociedade civil dos municípios.

Tal articulação poderia ser ainda mais reforçada, caso seja integrado ao staff (para também usar um anglicismo) da Secult e da Funceb, um membro com conhecimento e experiência para com a cena cultural do interior. Assim, seria melhor ainda a interlocução com as representações territoriais e alguns equívocos poderiam ser evitados.

Além das dificuldades de ordem burocráticas, as carências orçamentárias (constantes no segmento cultural), podem ser apontadas como entrave à criação da estrutura proposta. No entanto, tal composição, nem seria tão dispendiosa, como pode parecer á primeira vista. Isto pelo fato de o Estado já possuir ao menos Centro de Cultura em alguns Territórios de Identidades.

Ou ainda, na impossibilidade de uma total implementação desse pequeno órgão próprio, pode ser pesada a parceria com outras estruturas, do próprio Estado, já presentes nos Territórios. Como por exemplo, as DIREC (Diretoria Regional de Educação e Cultura) e os Comitês de Desenvolvimento.

Prioridade

O contexto do interior e a necessidade de uma estrutura como a proposta acima, não são ignoradas pelas Secult. A própria Secretaria reconhece como uma das dificuldades para a implementação das políticas territoriais a “ausência de uma institucionalidade voltada para a articulação dos atores locais”
[2].

Da mesma forma, propostas no sentido de uma melhor articulação nos Território e destes para com a Secretária apareceram na II Conferência Estadual. E até mesmo nos Encontros Territoriais, quando foi feito um monumental esforço pela Superintendência de Cultura, para visitar em tempo recorde, todos os 26 Territórios de Identidade do Estado.

Se o reconhecimento da necessidade já existe, o que falta então é entendê-la como prioridade urgentíssima. Pois, no contexto político e cultural do interior do Estado, a falta de um acompanhamento in loco por parte da Secult pode prejudicar toda a ação cultural pretendida pela Secretaria no que diz respeito ao interior.

É preciso buscar maneiras mais eficiente de chegar ao interior. Há necessidade de pensar meios de vencer a burocracia. E se o orçamento é apertado (e realmente é), já estar mais do que na hora de iniciar uma grande campanha pelo aumento do mesmo, como fez o Ministro Gilberto Gil, no inicio de sua gestão.

O ano de 2007, sendo o primeiro da Secult e o ano da II Conferência, foi o tempo do reconhecimento. Neste ano de 2008, é preciso mostrar para a Bahia inteira que, de fato, as propostas e políticas, começam a serem implementadas. Ano que vem, 2009, é momento de reafirmá-las.

Assim, espera-se que o louvável trabalho realizado pela Secretaria Estadual de Cultura até aqui seja solidificado no interior e que os ventos de 2010 não possam causar grandes reviravoltas. Afinal,
“2010 é 2010”, como já afirmou o “companheiro” Geddel.


[1] BAHIA – SECRETARIA DE CULTURA. Caderno de cultura 2 Jan/Fev 08. Cultura é o quê? Resultados da II Conferência Estadual de Cultura. Bahia, 2008. pag. 84.
[2] BAHIA – SECRETARIA DE CULTURA. A cultura como dimensão estruturante das políticas públicas: Programa de desenvolvimento territorial da cultura. Salvador: Maio, 2007. pag. 01.

21.5.08

É muito Zé na família Irará

“ o meu nome é Severino
Não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
Que é santo de romaria,
Deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Marias,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia;”
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Coisas de nordestino. E no Irará, não podia ser diferente. Se tem tanta gente com o um nome só, é preciso procurar características para diferenciá-los, ou melhor, identificá-los.
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No caso pernambucano, apresentado por João Cabral, sobram Severinos. No Irará, pelo pouco que percebi, há um grande contingente de José(s).
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Joões, Marias, ou outros nomes, podem também existir ao montes em solo iraraense, mas, por hora, e agora, José - com seu simpático, curto e breve apelido “Zé” - será o nome sobre o qual vamos apontar algumas incidências em solo iraraense.
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Na Família
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Vou começar de casa. Porque na minha família o que não falta é José. Meu avô paterno era José Emanuel, mas conhecido como Zé do Sitio, devido à localidade rural de sua origem. E seu filho mais velho, meu pai, recebeu o nome de José Antônio.
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Ao logo dos seus breves 59 anos de vida, meu pai foi convivendo com várias derivações de seu apelido - Zé. A primeira foi um diminutivo do nome de seu pai. Filho de Zé, Zezinho ou Zezito é. Como brasileiro gosta de reduzir nomes e até mesmo apelidos, de zezito, virou Zito. Assim meu pai era conhecido na Boa Vista, onde nasceu.
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Depois ele veio pra sede do município e ficou mais conhecido como Zé. Entrou para a religião Testemunha de Jeová e virou Zé Crente. Começou a desenvolver a profissão de Rádio Técnico – se tornou então, o Zé do Rádio. Na sua profissão fez um monte de colegas em Feira de Santana. Eles o chamavam de Zé de Irará.
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E a minha relação familiar com os “Zés” vai bem além de nomes e apelidos de meu avô paterno e de meu pai. Meu outro avô, materno, também era José.
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Zé de Souza ou Zé Custódio, a depender de qual sobrenome dele era incorporado ao apelido. Este Zé, pai de minha mãe, teve nove filhos. E, claro, um deles tinha de chamar... José.
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José Martins de Souza, meu tio materno, é um cidadão de alta estatura numa família de maioria baixa. Daí, pra seu apelido ser “Zé Grande”, foi um pulo.
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Como se já tivesse pouco José na família, minha tinha Ninha ainda casou-se, com um moço de nome Zé Lino. Eles também tiveram nove filhos e, lógico, um deles tinha de ser chamado de José. Esse meu primo, não sei porque, fugindo à regra, foi apelidado como Elí.
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Com José de Avô, duas vezes; de pai; e de tio, não sei como não fui batizado de José. Mas, muita gente acha que assim sou, pois, costumam me chamar de “Zé Roberto”. Mal sabem eles que há um “Marcos” onde pensam que seria o “José”.
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Por outro lado. Não ser batizado como José, aliviou um pouco a barra. Talvez seria José demais para uma família só. E se na minha família de sangue, os “Josés” ficam por aí, na família Irará, ainda há muitos outros, “Josés”. Diferenciados por profissões, sobrenomes, nomes de pais, ou qualquer outro motivo.
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No Irará
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(...)

“Vejamos: é o Severino
De Maria do Zacarias
Lá da Serra da Costela,
Limite da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
Se ao menos mais ainda havia
Como nome de Severino
Filhos de tantas Marias
Mulheres de outros tantos
Já finados, Zacarias,
Vivendo na mesma serra
Magra e ossuda em que eu vivia”
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No Irará, se é domingo e você pensa em comer galinha com macarrão, pode acordar mais cedo e comprar um frango abatido no abatedouro de Zé Lima. Caso tenha maior aproximação com o dono do estabelecimento, pode chamá-lo de Zé de Fiíto (apelido do pai do rapaz). Ou ainda, quem sabe, com uma intimidade maior, Zé da Bala.
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Caso o prato predileto seja carneiro, pode ir ao mercado de carnes no sábado e procurar o pai de meu amigo e chará de apelido, Ró, o Zé do Carneiro. Se quiser rolar uma balinha de sobremesa, compra na bomboniere de Zé do Doce.
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Se a casa tem energia elétrica, não precisa de Zé Gás pra iluminar, mas pra cozinhar precisa de botijão, aí era só falar com Zé da Brasilgás. Este não mora mais em Irará. Ouvi notícias de que estava em solo europeu. Olha só onde foi parar aquele menino que o povo chamava de Zé de Toinho!
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Lá onde ele tá, deve fazer frio e chover pra caramba. Pior é que se a bica furar, nem dá pra “bater um fio” e chamar Zé Funileiro, daqui até a chegada...
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É, parece que em Irará, bastou ser José e ter um comércio ou profissão, para logo ser apelidado de Zé, tendo o produto/serviço do seu ramo de atividade como sobrenome ao apelido.
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Já outros, recebem como acompanhamento ao apelido Zé, mais um apelido. Só para citar alguns: Zé do Dodge, Zé Mamão, Zé Popó, Zé do Lebre, Zé Buscapé, Zelito, Zé Palito, Zé Bicudo.
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Olhe que tamanho, cor da pele, traço característico do corpo, etc, também é documento e serve para identificar Zé por aqui. Zé Pequeno, Zé Branco, Zé Preto, Zé Bigode, Zé Cego, Zé Miolo, entre outros, que o diga.
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Parece coisa de novela? Pois é. O cidadão que montava sala de cinema no Irará, originário da comunidade do Rato, era José Martins. Apelido? Zé do Rato.
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E nosso amigo Calisto, paulista de nascença que nem José é, pois se chama Fábio, por aqui foi logo batizado como Zé Colméia. Disse que é porque ele lembra certo personagem de desenho animado e suas espertezas. Será?
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Nome de pai ou de mãe também serve para diferenciar José no Irará. Zé de Cândido, Zé de Odílo, Zé de Juju, Zé de Aristides. Esse último é o artesão Zé Nogueira, que, nascido numa data eleitoral, já foi chamado de Zé Eleição.
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Vez por outra, confundem o Zé Nogueira artesão, com o Zé Nogueira advogado. Além das profissões, o Cardoso no primeiro e o Nunes, no segundo, também os diferenciam.
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Se for abrir a lista para distinção por sobrenomes, Irará conhece ou conheceu, mais outro monte de Josés. Zé Mendes, Zé Américo, Zé Leão, Zé Nilton, Zé Estrela, Zé Reis, Zé Aldo, Zé Hertz, Zé Aristeu, Zé Raimundo. Este com sua “ginga” é também filho de Sr. Aristides, portanto irmão do Zé Artesão.
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Como dá pra perceber, por aqui o apreço de famílias pelo nome “José” é forte. Às vezes dá até casamento. Posso mencionar um casal de amigos e vizinhos e pais de amigos meus. O comerciante Mário José Marinho e a professora Maria José Marinho. Tem também, já ouvi falar, um casamento formado por Zé Homem e Zé Mulher.
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De tanto falar em Zé até lembrei de meu amigo Zé Falcón, que não mora em Irará, mas também é José e até que gosta de nossa terra.
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Tá achando que é Zé demais né? É, realmente, concordo que há muito Zé na Família Irará. Não obstante, te aviso que da missa, eu não devo ter contado de um terço a metade.
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Com certeza existem muitos outros Josés na terrinha. Não devo ter lembrado do nome de alguns e devem está faltando muitos outros que não conheço.
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Então, cara leitora ou caro leitor, se puder me ajudar eu agradeço. Comente o texto, pode falar mal ou bem, mas não deixe de citar o nome de algum Zé que faltou.
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Quem sabe numa possível segunda edição, o texto não venha um pouco mais completo. E haja Zé!
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Os versos são de:
João Cabral de Melo Neto
Morte e vida Severina,
(auto de Natal Pernambucano / 1954 – 1955)
“o retirante explica ao leitor quem é e a que vai”

5.5.08

Pavão Dourado lança CD em Salvador

Dona Bibi e sua turma do Pavão Dourado


Por Sandro Santana – Divulgação.
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Com muita poesia, lirismo e ritmo, o grupo Pavão Dourado faz o show de lançamento em Salvador do seu primeiro CD, “Minha sabiá, minha zabelê”, que acontece no dia 11 de maio, às 11 horas, no Parque da Cidade (Itaigara).
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O CD é uma reunião de cantigas e brincadeiras de roda que, como outras cirandas, abordam temas sobre o universo feminino, quase sempre em torno de amores pueris e não-correspondidos. Tudo isso emoldurado pelo bucolismo musical e percussivo, típico das caatingas do sertão baiano.
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Formado essencialmente por mulheres da comunidade de Boa Vista II, em Serrinha, há no grupo uma proposta rara entre as outras manifestações do mesmo gênero: reunir a tradição das brincadeiras de roda, transmitidas através da oralidade ancestral, com ritmos que integram a aquarela sonora brasileira, principalmente as marchinhas-de-rancho e as toadas de aboios nordestinos.
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Dona Bibi , nome pelo qual é conhecida a lavradora Maria José do Nascimento dos Santos, com seus 52 anos, é quem lidera o grupo. Segundo ela conta, as brincadeiras de roda que aprendeu sempre aconteciam (e acontecem) depois das batas (debulhamento das colheitas) de milho ou feijão ou em outras atividades domésticas, como, por exemplo, quando estão trançando palha de pindoba para fazer chapéus, esteiras ou sacolas.
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Paticipações –
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O grupo paulista A Barca A Barca, viajou mais de 10 mil quilômetros, entre os meses de dezembro de 2004 e fevereiro de 2005, por nove estados brasileiros, do Pará a São Paulo. Nessa turnê, cerca de 30 comunidades ou cidades foram visitadas, com o objetivo de pesquisar e transcriar gêneros mais tradicionais da música popular brasileira.
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Os grupos Pavão Dourado e Comunidade Lagoa da Camisa foram os escolhidos no estado pelo projeto A Barca. Além de oficinas e apresentações dos grupos nas comunidades, foram registradas no CD Trilha, Toada e Trupé três músicas do grupo Pavão Dourado.
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Na Bahia, o Pavão Dourado já se apresentou em várias cidades do semi-árido em ocasiões, como os shows realizados nas quatro edições da Festa da Cultura Popular (2004, em Barrocas, 2005, em Santa Bárbara , 2006 em Conceição de Coité, e 2007, em Tanquinho).
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Em 2006 o Pavão Dourado foi selecionado para o Mercado Cultural, em Salvador. Este ano o projeto “Adeus Pavão Dourado” foi aprovado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, que liberou recursos para a prensagem do primeiro CD do grupo e para o show de lançamento no dia 11 de maio de 2008, no Parque da Cidade, em Salvador.
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Ficha Técnica
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Voz solo:

Maria José do Nascimento dos Santos (Dona Bibi)
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Vozes:

Ana Pereira de Jesus
Bárbara de Araújo
Leinalva do Nascimento dos Santos
Luciana do Nascimento dos Santos
Lucivânia do Nascimento dos Santos
Gertrudes de Lima Silva (Tuninha)
Maria Lídia Pereira do Rosário
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Violão:

Antonio Carvalho de Queiroz
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Músicos convidados:
Percussão:

Frankinando Francisco de Matos
Luiz Silva Santos
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Contatos:


Sandro Santana

Tel.: (71) 8805-3187
sandro_santana@hotmail.com

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Imagem:

Bere Ramos tomada de "emprestimo" no blog Das Ruas do Terra Magazine

Ainda Bolívia...

A disputa entre oposição e situação na Bolívia segue seu rumo. Apesar dos protestos, dos favoráveis ao governo Evo Morales e contrários ao referendo, o plebiscito tem seqüência.
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Os organizadores fazem ouvidos moucos para as autoridades internacionais que dizem não reconhecer a autonomia do Departamento (Estado) de Santa Cruz, mesmo com resultado favorável à autonomia.

Acompanhe:

2.5.08

Olhares à Bolívia


Centro de Cochabamba na Bolívia - forte traço índio na população

Domingo, dia 04, a Província (Estado) de Santa Cruz na Bolívia vai às urnas. Em votação por maior autonomia diante de La Paz, capital política da Republica Boliviana. No horizonte se desenha uma disputa ou divisão étnica.
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A Bolívia contrasta entre descendentes do povo indígena e os descendentes dos invasores (ou colonizadores de acordo á visão de cada um) espanhóis. Esta divisão ficou ainda mais acirrada, desde a chegada, pela primeira vez na história, de um índio ao poder.
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O governo do Presidente Evo Morales não tem alcançado bons índices econômicos. Sediada em Santa Cruz de La Sierra, capital da província que reivindica maior autonomia, a elite empresarial da Bolívia acusa Evo de “índio incompetente”.
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O mandatário, por sua vez, aponta a discriminação dos empresários com a sua condição índia. Salienta que a elite econômica do país não aceita a revolução em favor dos mais desfavorecidos e questiona o fato de que “eles”, só vêem falar em autonomia agora, após perderem o poder político da nação. Também percebe financiamento estadunidense nas ações dos seus opositores.
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A situação da Bolívia merece atenção e não é diferente da vivida por várias outras nações. Ao que se percebe, ali se trava, de forma feroz e intensa, a disputa humana pela sobrevivência no mundo moderno.
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Povos oprimidos lutam pelo direito de existência. O grande capital também. Ainda que o instinto deste último seja o de sobreviver destruindo etnias e culturas.
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Alheamento e exceções
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A imprensa brasileira segue alheia a tudo isso. Finge não perceber a miséria boliviana, suas reais causas e a contribuição da força do capital internacional para a perpetuação deste quadro. Tanto lá, quanto cá.
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Afinal, por esses dias temos sangue (caso Isabela) e sexo (Ronaldo). Para os barões da comunicação, junto a seu público sedento por futricas e espetacularizações, não precisa de mais nada.
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Vantagens múltiplas. Os magnatas ficam cada vez mais ricos e as pessoas ganham informações para alimentar seus assuntos na mesa do bar.
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Pode até ser que os acontecimentos da Bolívia ganhem algum espaço na grande mídia tupiniquim. Entretanto, não esperem nada fora do caricatural, sem tempo para qualquer tipo de aprofundamento da questão.
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No noticiário brasileiro já é costume perceber o Presidente boliviano relegado à imagem de um “maluco”, amigo de outro “doido”, ou seja, o venezuelano Hugo Chavez.
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A exceção fica por conta de algumas publicações mais sérias e a internet. Neste caso, cito aqui dois exemplos.
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Carta Capital e Projeto Bolívia
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O primeiro é a Revista Carta Capital. Enquanto outras semanais se ocupavam da telenovelinha da vida real, do “reality show”, construído em cima da tragédia familiar que vitimou a menina Isabella, a Carta no dia 09 de abril, trouxe a relação entre Evo Morales e as “duas Bolívias” como tema de capa.
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A reportagem esclarecedora e bem construída sintetizava a situação vivida pelo país. Mostrando os contrastes bolivianos, a reportagem apontava alguns erros e políticas sociais de Morales.
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Já na internet, esse fantástico veículo que tem sido um refúgio para o pensamento livre (até quando?), vale destacar o blog do Projeto Bolívia. Uma iniciativa de alguns jornalista e estudantes de comunicação.
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O diário virtual é uma espécie da cobertura da viagem que os colegas faconianos, Lucas Santana, Mateus Damasceno, Ricardo Sangiovani, Vitor Rocha e mais, a amiga deles, Tassia Novaes, fizeram à Bolívia em meados do ano passado.
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Os textos, fotos e até um vídeo, disponíveis no Blog, nos mostram um belo país e seus contrastes. Da leitura dos escritos dá para perceber que a galera ralou bastante em solo boliviano. Enfrentaram estradas perigosas, visitaram minas e plantações de coca e conseguiram até uma entrevista com o presidente da nação.
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Observando o blog, e é gratificante ler todo o conteúdo lá postado, podemos perceber a vivência e opiniões de um povo que se apresenta politizado e tem simpatia pelo Brasil. A rapaziada chegou a ser anunciada em estádio de futebol como uma “equipe da Globo”, presente no país.
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Ainda bem que existe as publicações que excedem a regra e a internet. Assim podemos conhecer um pouco mais da realidade. No caso especifico do blog, é muito prazeroso lê-lo. Afinal, ninguém contou ao pessoal o que está lá escrito. Eles estiveram em solo boliviano, viram com os próprios olhos.


visite o blog do projeto Bolívia: http://www.projeto-bolivia.blogspot.com/


foto de Tássia Novaes - Tomada de "empréstimo" no Blog do Projeto Bolívia.

28.4.08

Reiteramos o Colóquio

Cartaz de Marcilio Cerqueira para o Colóquio 2008.


E fizemos o Colóquio de novo. O terceiro. Para mim, além de uma produção/terapia, foi uma experiência gratificante. É legal ver o evento acontecendo e ser valorizado pela comunidade. Perceber o tema da literatura na pauta do Irará.
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A edição deste ano, tão especial quanto as outras, foi massa. As palestras, as oficinas, as bandas. Zimababwe e A Volante do Sargento Bezerra, literalmente, deram show. Valeu pela gloriosa participação da Quixabeira.
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O Sábado à noite, um evento inesquecível. Lançamento do livro de Messinho, de Franklin e de Geraldo; lançamento dos Cordeis de Kitute e de Barreto. Vinhos & Versos. E a ótima apresentação do grupo Arranjos.
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Parabéns à Casa da Cultura de Irará. Grande sonho de Aristeu Nogueira.
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Obrigado ao camarada Marcilio Cerqueira. À Kitute e Artur Modesto. Bonifácio, Katiene, Sérgio Cabelera, Fábio Calisto, Aristela, Dilma Leão, Messinho, Kau Santana. Ao Departamento Municipal de Cultura, Cestão Supermercado, Colégio Joaquim Inácio, Escola São Judas, Filarmônica 25 de Dezembro, Casa Jesus Maria José e Viva Irará; Secretaria de Educação, Sindicato Rural, Centro Espírita e ACEI, na pessoa de Kakal.
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E também muitíssimo obrigado aos nossos convidados artistas e poetas. Antônio Barreto, Geraldo Maia, Franklin Maxado. Representantes da SECULT, FPC e BNB. Gabriel Ferreira, Jotacê Freitas, Piter Leão, Luciana Balbino, Tony Andrade, Jai, Antônio Queiroz e Braúlio Pinto, Ricardo Reira.
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Aos que estiveram presentes. E a todos e todas que contribuíram para continuarmos teimando e fazendo esse evento.
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Vejam texto que escrevi para o Blog “Das Ruas” de Iuri Rubim sobre a apresentação de repentistas de na Feira Livre (clique aqui).

25.4.08

Luto

Tentei, mas não consegui. Depois da morte de meu pai, em fevereiro passado, seria esperado um texto, uma homenagem, um balanço, sei lá... Qualquer coisa que tentasse sintetizar tudo que eu estava passando. Não consegui. Já sou ruim de sínteses e nesse caso então...
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Faltou-me mesmo as palavras. E não sabia como fugir do clichê nesse momento de dor. E, podem apostar, doe de verdade. Sentido denotativo mesmo.
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Como diz a canção de Alisson Menezes, ficou tudo “muito confuso, na minha cabeça”.
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Não só de como o fato se deu, mas pela luta de mais de um ano contra uma doença estranha. Diante da qual amarguei a maior derrota dessa minha pequena existência. Perdi. Sei que não há jeito, vou ficar com essa ferida aberta enquanto viver. Pode ser até que ela sare, mas com certeza deixará uma cicatriz enorme.
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Depressão. Muitos ainda ridicularizam, minimizam o seu potencial ou não tem a mínima idéia do que essa doença maldita pode ser. Os casos não são poucos e já a denominam de “mal do século XXI”. O que pensar de uma enfermidade que tira do indivíduo até mesmo o instinto da sobrevivência?
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Confusão, insônia, dúvidas... Tantos e tantos sintomas me apareceram. Para fugir disso tudo, resolvi meter a cara no trabalho. Chamei os companheiros: “tá na hora de fazermos mais um Colóquio!”.
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Ainda bem que tudo deu certo. Refrescou os pensamentos e me fez ver que é ora de retomar algumas outras atividades. E, especificamente, este Blog. Espero um dia escrever um texto em homenagem ao velho Zé do Rádio... (são muitas histórias para contar)
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Por hora, agradeço a todos que sentiram a ausência de novidades neste espaço, agora com dois anos de criado. Especialmente a Lívia por ter manifestado essa falta em comentário.
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A batalha continua. E eu, busco forças e, ainda Luto.
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7.2.08

Cobertura carnavalesca

Até para quem não vai ao carnaval é difícil ficar alheio à folia. Vez por outra, entre todas as outras possibilidades de ouvir falar do reino momesco, o sujeito encontra um aparelho de TV, ligado numa emissora que faz a cobertura do evento. Destaque para Globo e Bandeirantes.


Ticiana Villas Bôas (esq), formada pela Facom/UFBA,
foi uma das repórteres da Band no carnaval de Salvador


A Band já há algum tempo, saindo do eixo Rio São Paulo, transmite o carnaval de Salvador. E agora em 2008, ano do centenário do frevo, resolveu brindar os foliões “at home” com os carnavais de Recife e Olinda.
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Dos trechos que vi, apesar da massante mechandising da Coca Cola, achei legal a interatividade entre os reportes trabalhando nos dois estados nordestinos. No mais, não percebi muita coisa que mereça “alfinetar” o trabalho dos caras, como diz um amigo meu.
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Já na Globo, tudo continua sem novidade. A emissora ainda pensa que o Brasil é uma das suas novelas das oito. Rio de Janeiro, Leblon, etc, etc, etc. Só que, como é Carnaval: “Desfile das Escolas de Samba! Ao vivo!”. Nada contra a transmissão dos desfiles. Nem do Rio e nem de Sampa. Porém, a cobertura...
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Câmeras especiais. Aquários montados em plena Marqueis de Sapucaí e um montão de repórteres a todo canto. O alvo para as entrevistas são integrantes e personalidades a desfilarem nas Escolas de Samba. “como é o sentimento de está aqui?”, “o coração tá batendo forte?”, “o que você acha?”, “é muita emoção né?”. Resumindo, as perguntas são quase todas neste estilo. “Aí, vamô pensar numas indagações mais espertas, aí”.
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“Oxente! Mas tu também não pode dizer que a Globo não dá espaço para a Bahia”. Claro que dá, né gente!? Lembre-se que tem a retransmissora local. A TV Bahia, da Rede Bahia, de... vocês já sabem quem.
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O pessoal estava lá trabalhando, o trio de Ivete ia chegando, os comentários iam aparecendo, mas de repente a cantora achou de simular um beijo no repórter da Band. Daí já viu! Na rede dos Marinhos, não se dá “Ibope” aos concorrentes. Câmara se afasta e... “roda , roda, roda Chacrinha, um minuto de comercial/ alô, alô Teresinha...”.
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Na segunda-feira, transmissão local na hora da Sessão da Tarde. Daniela Mercury dando entrevista no set da TV em pleno Campo Grande. O pessoal parecia babar diante da “Rainha do Axé”. Também, vale dizer, em certo sentido, ninguém pode condená-los por isso.
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De repente, resolveram mostrar imagens da apresentação de Daniela no dia anterior. A legenda dizia: “Barra - ontem há noite”. Agora imagine vocês se não tivesse existido a noite do dia anterior? Mas, se a frase se referia a ontem, deveria então ser: havia noite. A noite poderia deixar de ter existido? Ah, sei lá...
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Como, “não estamos aqui na condição de Observatório da Imprensa, visse!”, e sabemos que macaco não olha para o rabo, lembro-te que “tu falastes do erro dos outros, mas não visse os teus”.
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Então. Para não ser vitima e algoz, anunciamos que estar todo mundo perdoado. E depois, nesses momentos de festas de inversão da ordem, um pileque ou um gorozinho de leve é sempre bem-vindo. Se era Carnaval, é claro que a cobertura tinha de ser carnavalesca.


* imagem tomada de emprestimo no site da Band

2.2.08

A gestante no ônibus em tempos capitais

Diferente de Caetano ele ainda não tinha visto a mulher preparando outra pessoa. O tempo e os indivíduos em volta não pareciam preocupados com aquela barriga. O ônibus parou; era ponto de passageiros.
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A gestante subiu pelo fundo da condução mesmo. Torniquete, trocador, empurra-empurra e alguns outros sinais de lotação mais que máxima. A placa na frente indicava: “46 passageiros sentados”. Em pé, a olho nu, percebia-se no mínimo outra quantidade e meia daquela.
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Por entre todo este aperto, típico de corredor de ônibus urbano cheio, está em pé uma dama e a sua singela cria no ventre, com cinco ou seis meses de gestação.
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Quando percebe a cena, o passageiro não se contém. Saí do seu lugar à janela, espremendo-se entre as pernas do outro passageiro, sentado inerte no lado do banco próximo ao corredor. A moça ainda tenta sinalizar uma negativa ao oferecimento, mas é traída pelo seu belo sorriso. Este já denúncia o acatamento à proposta e ele já vai tomando seu lugar ao assento.
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Em pé, após ouvir alguns agradecimentos, tal qual Roberto Carlos, ele pensa: “Espero que tenha sido com muito amor e seja quem for, há de achar você também tão linda, esperando neném”.
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Que romantismo tolo! Não há mais espaço para isso. Hoje a coisa é feita de modo diferente. Há casos sem intenção. Um descuido, uma camisinha estourada, o esquecimento da pílula... Ou de modo intencional mesmo. Assim, como tão falando com grande freqüência nas rádios FMs da periferia. “Quer beber? Ou quer fazer bebê agora?”.
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Pelo sim pelo não, o gentil passageiro resolve começar um bate-papo. Estaria ele esteticamente encantado pela dama a quem fizera a gentileza? E se ela fosse feia? Será que haveria gentileza mesmo assim?
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Pára, pára, pára. Deixemos de desconfianças. Não é a todo momento que se está disponível para ser Brás Cubas. Quem é côxa pode ser bonita, ou vice-versa. Lembremos que a realidade não segue o padrão de perfeição imaginado ou inventado pelo ser humano.
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Divagações filosóficas à parte. Volte-mos ao bate-papo.
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- Por que você não entrou pela frente? – indagou o rapaz, pretendo informar à gestante que ela teria direito de ingressar na condução sem pagar e sem o constrangimento de passar pelo torniquete.
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- Eles tiraram esse direito. Agora a gente tem de pagar.
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- Absurdo!
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A informação ignorada pelo rapaz é confirmada por outra passageira ao lado. Ela re-afirma a noticia da gestante. Pode parecer absurdo, mas mulher grávida paga passagem. Entretanto, a passageira faz uma observação:
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- Você poderia ter entrado pelo frente e ir até o cobrador para pagar a sua passagem. Já pensou se esse ônibus rasta e você leva uma queda ou trompasso?
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Parece que a moça não estava mesmo atenta para isto. E nem todos estavam atentos para ela. E qual seria a novidade? Era apenas mais uma jovem grávida, entre tantas jovens grávidas que tem por aí, que não são apresentadoras de TV.
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O ponto do passageiro chegou, ele se despediu da bela gestante e ela respondeu com um “obrigado”, acompanhado de um sorriso encantador.
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É capitalismo. O que não tem fetiche ou não tem valor de mercadoria, paga a conta, está por fora. E olhe que há quem diga ser a placenta “a melhor das embalagens”.
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14.1.08

I Mostra de Midia e Múscia na UFPE


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Estarei apresentando o artigo Tom Zé: um tropicalista e sua aldeia neste evento, como parte da Mesa Temática, Hibridismo e Fluxos Musicais. Já apresentei o mesmo artigo no III Enecult em maio de 2007. A versão a ser apresentada em Recife possui algumas pequenas correções.