10.11.09

Primeiro Perfis Artísticos: Apresentamos Tom Zé

Poluação terá oportunidade de
conhecer perfil de diversos artistas

Cultura é mais que diversão. Se é assim, não é suficiente só apreciar - ou não - o que é feito pelos artistas. É preciso conhecer o trabalho deles. Até para ter motivo para falar bem ou falar mal. Daí surgiu a idéia dos Seminários Perfis Artísticos – apresentando grandes artistas. A realização é por conta do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Irará.

Cartaz da primeira edição de Perfis Artíticos - Tom Zé
Alinhar ao centro
E, idéia na cabeça, nada melhor do que começar com o conterrâneo Tom Zé. Estamos em vésperas de show dele em Irará. E, também, é uma oportunidade para muitas pessoas saber mais sobre a carreira do tropicalista. Uma caminhada pouco, ou quase nada, conhecida em Irará. Conforme pude comprovar quando pesquisei para o artigo, Tom Zé: Um tropicalista e sua aldeia, também disponível aqui neste blog.


Sérgio Ramos (Cabelera) iniciou o Perfis Artísticos

O amigo Sérgio Ramos (Cabelera) deu início aos trabalhos. Primeiro Sérgio abordou o perfil de Tom Zé como um artista inventivo, com instrumentos e com palavras; suas abordagens críticas sobre a realidade sociocultural e política; e o seu reconhecimento no Brasil e no Mundo. Sérgio finalizou sua contribuição abordando sobre a participação de Tom Zé no Premio Bravo de Cultura. Em 2009, como artista convidado. Em 2006, como vencedor do Prêmio na categoria Artista Prime.


Recebi o "leme" pra tocar o Seminário em frente

Depois assumi o controle do barco. Lendo parte do artigo mencionado acima, fiz um resumo da trajetória de Tom Zé, desde o nascimento em Irará até quando David Byrne lhe fez renascer para o mundo artístico. Depois mostrei, com alguns exemplos, como o da entrevista na Revista Caros Amigos (“o gênio de Irará”), a forma como o nome de Irará aparece na mídia pegando carona no nome de Tom Zé.

Tom Zé fará show na Feira da Mandioca de Irará

Daí, divulgamos o show da Feira da Mandioca e a importância dele acontecer para cultura do município. Então mostramos para a população as perspectivas de Tom Zé para esse show histórico, conforme post no blog do artista. Finalmente abordei sobre a discografia de Tom Zé, comentando rapidamente sobre cada álbum.


Trecho de entrevista no Programa do Jô foi exibido


Na sequência, exibimos imagens de Tom Zé cantando Maria Bago durante entrevista no Programa do Jô (2003) da TV Globo. Depois, foram exibidos diversos trechos do documentário Zé de Irará, o Tom da Bahia, da TVE-BAHIA – 2003. Tom Zé visitando a casa onde nasceu (atual Colégio Social); visitando a escola onde estudou (Juliano Moreira) e encontrando amigos. Entre eles, os saudosos Zé Aristeu, D. Melânia e Nilzete Maia.

Quem chegou depois assistiu de pé

Aos poucos o recinto foi ficando cheio. O público estava disposto e empolgado. Riu, ouvi, participou. Curtiu o seminário desde antes do começo, quando o telão já exibia o DVD Jogos de Armar. José A. Barbosa de Lima (Zé Cego), um amante de poesia, na média dos seus 50 anos, falou de sua admiração pelo trabalho de Tom Zé e disse não dá ouvido aos que judiam o trabalho do artista.

José Barbosa garantiu lugar na primeira fila

José havia chega uma hora antes do horário marcado. “Resolvi chegar cedo pra pegar lugar na frente”, revelou. Josafá Ferreira sugeriu fazer o mesmo seminário em todas as escolas do município, “os alunos precisam conhecer Tom Zé”, justificou.



Filme tem exibição na Quarta 11/11,
20 h,
no mesmo auditório do Seminário


Já passava das 22:30 e não foi possível a exibição do documentário Fabricando Tom Zé. Foi acertado com a plenária que o filme seria publicamente exibido na quarta-feira, dia 11/11, às 20h, no mesmo local do Seminário. O cordelista Kitute de Licinho pediu que fosse exibido o trailler do filme, para criar um gostinho no público. Trailler exibido, “assim encerramos esta primeira edição do Seminário Perfis Artísticos”, anunciou Sérgio Ramos.

Caros Amigos parodia imagem da Michelangelo
com Tom Zé "no lugar de Deus"

Ainda sem data definida, informei que a próxima edição do seminário deverá apresentar o perfil do de um grande roqueiro baiano. Para apresentação convidaremos alguém que conheça da vida do artista. Aí será só marcar a data e gritar: “Toca Raul!”.

* imagens: Roberto Martins; Sérgio Ramos e Google Imagens

** design cartazes: Roberta Rodamilans


9.10.09

O cordelismo de Antônio Barreto

Antônio Barreto é um cordelista jornalistíco
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Barreto é que muitos chamam de um cordelista jornalista. Acontece o fato, ele faz um cordel. Entrevistei Barreto para escrever um perfil dele para a revista Lupa Digital. Em pouco mais de meia hora de conversa foi tanta informação que não caberia no texto... Daí, para não perder a produção acabei fazendo 03 textos. O Cordelismo de Antônio Barreto foi públicado na Revista e os outros dois estão aqui no Blog.

O “esconderijo” de Antônio Barreto

Barreto faz pose em meio à sua "bagunça criativa"

Um modesto quarto e sala em prédio antigo do centro de Salvador serve de morada ao cordelista Antônio Barreto. Por todo lado estão livros e, claro, cordéis escritos por ele. Seja na mesa do computador na sala, nas paredes ou dependurados na estante. Até mesmo á frente do aparelho de TV, ao que parece pouco usado, tem livreto de cordel.
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O ambiente tranquilo e ventilado contrasta com o movimento e o calor infernal da rua. Numa parede, um quadro tem a imagem de uma pomba e três letras abaixo: P, A e Z. Outro, localizado ao lado oposto da sala, traz a imagem do indiano Mahatma Gandhi.

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Os sinais que poderiam evidenciar o ambiente como casa de um adepto da cultura oriental terminam por aí. Nada de elefantes, mandalas ou incensos. Estamos no “esconderijo” de um baiano nato. Um divulgador e fã da cultura nordestina. A rede no centro da sala e a bagunça ao redor, confirmam. E é assim que o proprietário da casa sente-se melhor.

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“Quando arrumam, fico sem inspiração, depois que desarrumo tudo é que começo a criar. Eu preciso de certa desorganização para me organizar no meu processo criativo”, revela.

Universo infantil trouxe inspiração a Antônio Barreto

Barreto e um livro cordel infantil de sua autoria com ilustações de Cedraz

O menino Toinho de Mariinha cresceu brincante entre animais e plantas no ambiente bucólico de comunidade rural do sertão onde, apesar da paisagem árida, havia presença de rios. O pano de fundo da cena era uma esplendorosa serra de morros. Marco divisório entre os municípios de Tanquinho e Santa Barbara, sua terra natal.
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Já desde criança Antônio Barreto gostava de assistir e participar, quando possível, das brincadeiras do lugar. Corrida de Saco, Bumba-boi, Tiração de Argola, Cantoria de Viola, Trezena de Santo Antônio, entre outras tradições locais. Aos 13 anos, mudou-se para a sede do município, onde pôde se aproximar de mais uma de suas paixões.
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Para ele, os ambulantes e os vendedores de livretos de cordel eram verdadeiros artistas das feiras-livres de Santa Bárbara. O fascínio era tal que ele só parava de apreciar a atuação dos mascates quando “convocado” pela a avó, com um puxão de orelha, a ir de volta para casa.
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“Me encantava a maneira como o camelô vendia o seu produto na feira. Como ele seduzia o comprador. E isso o cordelista também fazia para vender o seu folheto de cordel. Ele tinha de ser muito lúdico, muito brincalhão. Aquilo me encantava”. Assim lembra o cordelista, com certa dose de saudosismo.
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Comunista e Calouro
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Antônio Barreto só não deve sentir saudades da maneira hostil que era tratado por alguns conterrâneos à época. Filho do comunista Pedro Barreto, o garoto sofria os preconceitos dos tempos de exceção. Nem sequer sabia o que era comunismo, mas não lhe agradava os chamados de “filho de comunista!”.
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“Eu não tô entendendo, meu pai é uma pessoa boa, é de partilhar tudo que ele tem, por que ele é chamado assim?”. Hoje a auto-indagação é lembrança de uma questão sem resposta para a mente do menino Barreto à época.
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A Igreja de Santa Barbara também censurou e, para não ficar pagão, o menino Toínho Barreto precisou ser batizado em Feira de Santana. O Padre local não deixou o dono da padaria (Jaime Azevedo), que seria o padrinho do menino, entrar na Igreja. Antônio Barreto recorda que o pecado do padrinho era ser negro, comunista, espírita e intelectual auto-didata. Tom Zé diria que é contraversão demais para um homem só.
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Então, só cantando para espantar os males. Aos 14 anos, Antônio Barreto atuou nos programas de calouros do auditório público da cidade. No roteiro, a apresentação de sucessos interpretados por Jerry Adriane e Vanderlei Cardoso. Só mais tarde, descobriu Raul Seixas e, embalado pelas músicas do “maluco beleza”, aprendeu a tocar vilão.
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Salvador
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Nos anos 1980, já morando em Salvador, para onde foi, devido a necessidade de estudar o ensino médio, filiou-se ao Raul Rock Clube. O fã clube oficial do artista baiano era sediado em São Paulo e dirigido por Sylvio Passos.
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Através de Cartas, Barreto se mantinha atualizado sobre a carreira do artista. A imagem da carteira dele (sócio 10093/83) foi reproduzida na contracapa do cordel “O Encontro de Raul Seixas com Zé Limeira no avarandado da lua”.
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Na capital baiana, Barreto trabalhou no Pólo Petroquímico por 23 anos. Hoje está aposentado do emprego de alta periculosidade, onde exercia a função de Operador de Processo, trabalhando com benzeno e volume sonoro acima de 90 decibéis. Emprego de alta responsabilidade. Corria-se risco de explosão e vazamento letal. Um contemporâneo de Barreto acidentou-se e faleceu no hospital.
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O trabalho de Antônio Barreto, no Pólo, não foi resumido à responsabilidade e tragédia. Naquela época, em que já dava aula no turno noturno, lançou o “Cordel da qualidade de vida” e se apresentou na empresa. Só que ainda “não levava o cordel a sério”.
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Só depois da aposentadoria, em 1999, começou a praticar mais. Os amigos foram incentivando, incentivando... A esta época já havia escrito dois livro de poesias, Rimas e Loucuras (1985) e Uns Versos Outros (1995). Só dez anos depois, ao concluir oficina com Maria da Conceição Paranhos, publicou Flores de Umburana (2006), pelo selo Letras da Bahia - Fundação Cultural do Estado.
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No ano de 2004, Barreto fez uma oficina de cordel com Jotacê Freitas, a quem considera uma alma de luz, um irmão, um mestre. Daí não parou mais de fazer cordéis. E segue levando sua vida extrovertida, no seu papel de cinqüentão-solteirão, pai de três filhos. Após conviver com a mãe de sua primeira filha, hoje com 23 anos, partiu para “carreira solo” e teve o segundo filho (22 anos) e o terceiro (13 anos). E que Antônio Barreto siga fazendo seu cordelismo.

26.9.09

Ras Sidney Rocha



Publiquei o texto “Sidney Rocha: Rastafári, homem bom e nada maluco”, na Revista Lupa. O escrito foi construído baseado em conversas com Sidney, na palestra que ele fez na comunidade da Sucupira e na entrevista concedida a Emanuel Mirdad, publicada no Blog do Jornalista. Leiam!

8.8.09

8. Oito

Forma da Ampulheta lembra o número oito


Outro dia me peguei pensando acerca do número oito. Lembrei da minha infância. Acho que a gráfia daquele algarismo foi a mais divertida de apreender. Recordo de atrapalhar-me um pouco naquele desenho.

Minha mãe vinha em meu socorro. Ela me ensinou que se eu desenhasse dois círculos, um a cima do outro, teríamos um “oito (8)”. Mas, isso não me agradava. Sei lá. Parecia jeitinho, atalho, facilidade. Queria o desafio. A vontade era aprender aquela outra forma “mais complicada” de fazer “o oito”.

Outra lembrança infantil do oito era no futebol. Naquela época, começo dos oitenta, quando o mengão ganhava tudo, o camisa oito daquele super time era o Adílio.

As jogadas do rapaz ajudaram a popularizar o algarismo na minha mente. Se, por acaso (por acaso mesmo), tivesse uma vaga pra mim no time dia de jogo, sem chance nenhuma de pegar a camisa 10 (era a que todo mundo queria, pela mística: Pelé, Rivelino, Zico, Maradona...), eu perguntada logo pela a que tinha o oito grafado.

Hoje, lembrando destes fatos, faço correlações. Estava ali, diante de mim, um número engraçado, com aquelas curvas sinuosas. Talvez, já – quem sabe - meio combalido pela libido da primeira infância, a visão de um número sensual. (Freud explica. Será?). Aquela cintura fina... Imagino uma lingerrie sobre o oito...

Duas vezes quatro. Dois elevado ao cubo. O oito lembra prazer. É só acrescentar um “c”, pra chegar a “coito”. Se quiser repetir, é só pedir “bis”; com oito fica gostoso e vira “biscoito”.

Numa dada canção, Gilberto Gil lembra que o número oito invertido é o símbolo do infinito (∞). O tempo sem fim não pede medida. Entretanto, a ampulheta, aquele negócio que serve pra medir o tempo, tem um formato parecido ao numeral do qual estamos tratando.

“Aff ! - você e suas manias de relacionar, comparar, ver letra de música em tudo”. Só não tenha pressa, dizem que o tempo tem respostas pra tudo. E eu, não quero ser taxado como: “affoito”.

Manias de nos mortais. Contar e esperar tempos. Pode-se até se medir em intervalos de oito. Oito horas, oito dias, oitos meses... O oitavo dia, do mês oito, do oitavo ano. A semana tem sete dias. Não falta quem diga que ela tem oito. E daqui a oito dias, tudo pode ser igual ou diferente. Talvez seja oito, ou, seja oitenta.
imagem "tomada de emprestimo" no Google Imagens:

29.7.09

O pedido agora é Lei

Quatro anos depois a solicitação foi atendida. Em rota diferente de seu antecessor, o Prefeito, Derivaldo Pinto Cerqueira, sancionou a Lei Municipal Nº 617, de 25 de Junho de 2009. O caput assegura que a referida Lei:

“Institui lei de isenção de municipal de impostos de TFF – Taxa de Fiscalização do Funcionamento e TLL – Taxa de Licença de Localização e IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano para as entidades sem fins lucrativos (Casa da Cultura de Irará; Sociedade Litero Musical 25 de Dezembro e Casa Jesus Maria e José) tornando-as de utilidade pública e dá outras providências”

Como já publicado aqui neste Blog (03 anos, 02 cartas, 01 pedido, 00 ação), essa luta já durava algum tempo. Em setembro de 2005, mandei uma carta para a Câmara de Vereadores, solicitando a criação da lei. Não tive nenhuma resposta. Em 2006 repeti o pedido. Nada. Em 2007 publiquei a situação no Blog. Nenhum comentário me foi feito sobre o fato.

Em 2008, comentei sobre a situação na cerimônia de abertura do III Colóquio de Literatura Popular. Disse que, como Prefeito Municipal da época tinha conhecimento da proposta, pois (como presumo) sabe dos acontecimentos da Câmara e do que é noticiado no jornal local, só não fazia o Projeto de Lei para isenção porque não queria.

Depois afirmei: “Ele (o prefeito) só iria gastar tinta de caneta pra assinar”. Justifiquei a fala apontando que a Lei não traria grandes prejuízos aos cofres do município. Ao que sabemos, grande parte das entidades já não tinham mesmo como pagar os impostos. A maioria inadimplente tinha era dificuldade na hora de celebrar convênios, pois lhes constavam dívidas municipais.

Dias depois, em reunião de avaliação do evento, pessoa da equipe do então Prefeito veio censurar a minha fala. O ato veio mais ou menos com estas palavras: “Só achei que não ficou bem aquilo, porque era um evento com pessoas de fora presente...”.
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Respondi-lhe que eu estava fazendo uma fala sobre a história da Casa da Cultura e que aquele fato da Lei fazia parte da mesma. Além do mais, comentei-lhe: “foi fato, foi realidade e eu não tenho receio em falar da realidade. Eu acho que o Prefeito não fez a Lei porque ele não quis, se ele quisesse tinha feito”.
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A justificativa me deixou surpreso. “Você pediu a ele várias vezes?”. Me questionou a pessoa da equipe do ex-prefeito. “Porque você pedindo com jeito e insistindo no pedido ele atende. Ele é assim...”. Essa foi a justificativa. “Só se adula a santo.” Essa foi a minha resposta.
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2009 mudou o governo municipal. No dia 18 de março de 2009, através do Oficio nº 27/2009, do Departamento de Cultura, encaminhamos um ofício ao Prefeito Derivaldo Pinto. Solicitamos a Lei de isenção. O prefeito encaminhou um Projeto de Lei à Câmara. E lá foi votado e aprovado.
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O pedido agora é Lei. Lei Municipal nº 617 de 25 de junho de 2009. Outras entidades que também desejarem a isenção devem procurar o setor financeiro da Prefeitura. Lá poderão obter informações de como proceder para conseguir a isenção, de acordo com o que prevê o texto da lei.
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Conversava com um companheiro de Casa da Cultura sobre o episodio. “Será que as coisas funcionam assim? Será que uma lei é criada ou não de acordo com a opinião política de quem pede?”. O colega respondeu: “Mas no outro governo eu era partidário do Prefeito e o pedido não foi atendido”. Ainda bem que Derivaldo não quis economizar a tinta da caneta.

3.5.09

Memórias de João Falcão; histórias da Bahia

No sofá de casa, João Falcão exibe novo livro de sua autoria


Tive a felicidade de encontrar João Falcão, 89 anos, por três oportunidades. Uma foi quando do lançamento do livro, “Não deixe essa chama se apagar”, no qual ele discorre sobre a história de resistência do Jornal da Bahia, do qual era diretor. As outras duas, quando fiz as entrevistas com ele, para escrever a monografia sobre as militâncias (política e cultural) de Aristeu Nogueira.

No hotel da Bahia a conversa foi rápida. João estava em noite de autógrafos. Apenas lhe fui apresentado através do amigo cordelista Antônio Carlos de Oliveira Barreto. Anotei o telefone dele, liguei e marquei uma entrevista.

Após a leitura de “O Partido Comunista que eu conheci – 20 anos de clandestinidade”, cheguei à casa de João Falcão, autor da obra, para a entrevista. Fui recebido de forma bastante cordial. Ele respondeu os questionamentos, relatou fatos e me presenteou com outro livro de sua autoria.

Na publicação “Giocondo Dias – A vida de um revolucionário”, encontrei informações sobre o PCB (Partido Comunista do Brasil) e, melhor ainda, uma breve descrição da fuga de Aristeu Nogueira para o Rio de Janeiro, quando do regime militar. A saga foi contada a João Falcão pelo próprio Aristeu em entrevista.

Após a leitura deste outro livro voltei à casa de João. Lembro-me do meu caráter empolgado nesses encontros. Sentia-me feliz por estar diante de um personagem vivo da história do Brasil. João Falcão, destacado integrante do Partido Comunista na Bahia, chegou a trabalhar como motorista de Luís Carlos Prestes, o legendário Cavaleiro da Esperança.

Outro dia, Claúdio Leal telefonou comunicando-me que João tinha lançado mais um livro. Em “A história da Revista Seiva” ele conta a trajetória de uma publicação baiana, dirigida por ele, que reunia texto de renomados intelectuais, desafiando a censura do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Fiquei feliz. Certamente neste livro poderei colher mais alguma informação para acrescentar ao texto da monografia que escrevi. Afinal, além de Aristeu ter sido um dos colaboradores da Revista, ele foi sócio de Falcão na gráfica onde rodavam os exemplares. E, por ser um “homem muito oraganizado”, como bem lembra João Falcão, Aristeu era responsável por toda organização burocrática da gráfica.

Além disto, a leitura do livro é mais uma oportunidade para conhecer momentos importantes da história da Bahia. Ainda bem que João Falcão esta nos dando a oportunidade de compartilhar suas memórias.

Feliz dos homens que quando chegam à melhor idade tem boas histórias para contar. João Falcão é um deles.

Claúdio Leal entrevista João Falcão e Armênio Guedes

Por conta do lançamento do Livro “A história da Revista Seiva”, o amigo Claúdio Leal, Repórter de Terra Magazine, entrevistou João Falcão e Armênio Guedes.

Residindo hoje em São Paulo, Guedes foi companheiro de Falcão e de Aristeu Nogueira no Partido Comunista. Além de atuarem juntos no Partido, Armênio Guedes e Aristeu Nogueira, atuavam na mesma célula partidária e eram colegas de turma na Faculdade de Direito.

Leia entrevista -

Foto: Haroldo Abrantes – ag. A TARDE - tomada de “empréstimo” da notícia do A TARDE.

5.4.09

Banda de oportunidade

Usei o termo há um tempo para designar certo momento da Quântica. Os meninos haviam saído de Irará com a proposta de se tornar uma banda de pop-reggae.

Saíram, tentaram, andaram mundo, mas os acontecimentos não se deram conforme os seus desejos. Então, entraram no momento citado.

Sem alcançar as metas pretendidas passaram um período “atendendo à pedidos”. Se o contratante quisesse uma banda de axé, lá iam eles tocar axé. Se era época de São João; lá estavam tocando forró. E se a onda é salsa? Nada melhor do que se remeter ao semba de Angola, país africano onde passaram uma temporada.

Quântica tocando axé na Lavagem de Irará 2005
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O projeto Quântica não seguiu. Nem da forma inicialmente pensada, nem no modo “banda de oportunidade”. Houve quem apontasse a falta de identidade do grupo para com um gênero especifico como um dos motivos do insucesso. Não é novidade que, enquanto estrelas individuais, todos eles eram (e são) possuidores de talento indiscutível.
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A lembrança daquele momento da Quântica me vem agora, quando nos aproximamos dos festejos juninos. É incrível o que me aparece de “banda de oportunidade”. E, possa crer, aquele grupo de axé ou pagode do último verão também se tornará uma banda de forró.
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Claro, por mais que possam ter qualidade de músicos e o som possa agradar, soa algo de falso nesses grupos. Falta a identidade, a pegada, o traquejo com o gênero, o respeito ao próprio trabalho artístico (se é que se pode chamar assim).
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Grupos dessa natureza estão fadados ao desconhecimento. Provavelmente nunca serão reconhecidos como nada. Na ânsia de ser tudo; “nada” é o que eles acabam sendo.
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O que querem afinal?
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O que todos querem, acredito, é uma chance, uma ponta de aparição, uma banda de oportunidade. Pra mostrar a sua arte? Não. Pra ganhar dinheiro, um pouco de fama e entrar no showbusines, talvez. Há muito que música virou negócio por aqui.
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foto: "tomada de emprestimo" em www.irara.com

9.3.09

Salve-me Já!

O protesto cacafônico de Zé Américo

Socorro! Salvamento e proteção. A natureza pede socorro. As florestas necessitam serem salvas do desmatamento. As árvores, do campo e da cidade, clamam por proteção.

Em Irará também há consciência ecológica. Ainda que seja para uma minoria; mas há.

“Salve-me já!”. O Pedido apregoado na árvore parece um clamor dela própria. No entanto, trata-se de um alerta do Sr. José Américo. O “protesto” visa chamar atenção quanto ao padecimento de uma das grandes árvores da Praça Pedro Nogueira (Matriz).

A iniciativa lembra umas das ações do Greenpeace. Esta ONG (Organização Não Governamental) roda o mundo soltando balões, fazendo apitaços e colocando faixas, dentre tantas manifestações criativas. Recentemente, puseram uma faixa gigantesca, de alto à baixo, no Elevador Lacerda em Salvador, com vistas a provocar a discussão acerca do aquecimento Global.

Zé Américo fez uma ação menor. Sua placa não foi notícia no rádio ou na TV. Não lhe valeu a “Garota do Fantástico”. E, até onde sei, nem se quer uma linha em A Gazeta de Irará.

Apesar disto foi vista (oie eu aqui falando), um pouco comentada e até ridicularizada por alguns. Para mim, a atitude de Sr. José Américo foi tão válida e criativa quanto algumas ações do Greenpeace. Mais ainda, por ele ter me confessado ter consciência prévia da cacofonia que o texto da mensagem gera.

Dito desta forma, a duplicidade do protesto merece respaldo. Ao mesmo tempo Zé Américo alerta para o descaso ecológico e crítica o caso escatológico.

“Sanitário: sinal da civilização”

Pois sim. Não canso de citar o conterrâneo Tom Zé e algumas falas de suas entrevistas. Certa feita, ele disse ser “o vaso sanitário um dos sinais da civilização”. Penso que os sanitários públicos também devem ser.

Em Irará, Praça da Matriz, início do Século XXI, por volta do ano 2001 ou 2002. O então Prefeito Amaro Bispo (Marito), governando a cidade pela segunda vez, resolve fazer dois kiosques na Praça da Matriz.

Kioske envolta de árvore: crime ecológico?


Os bares são construídos em forma circular, em volta de duas das grandes árvores (seria a construção nociva à saúde das árvores?), ocupando assim dois dos quatro canteiros da praça.

Colocaram energia, bancos em volta, grades de proteção... mas, parece que esqueceram alguma coisa.

Bar funcionando sem sanitário? Pois sim. Em Irará tudo pode acontecer. E se Octávio Mangabeira dizia que quando se pensa no absurdo ele já aconteceu na Bahia; em Irará ele já virou foi tradição.

Em dezembro de 2004 encerrou-se o segundo governo de Amaro Bispo. E o sanitário dos Kiosques? Nada!

No ano de 2005 inicia-se o governo Juscelino Souza. Em 2008, termina os quatro anos do mandato de Juscelino. E o sanitário dos Kiosques? Nada!

Cerca de oito anos sem sanitários nos bares da Praça da Matriz. Sem ter onde derramar as sobras da cerveja consumida, os clientes dos kiosques vão dando “seus pulos”.

Árvores e muro da escola

As mulheres, quando necessitam urinar, vão à lanchonete de Gauchinho, em casa de algum amigo ou sei lá o que é que fazem. Já os homens, se valem do muro da escola Dr. Juliano Moreira ou das árvores em volta.

(Numa novela, o personagem Jorge Tadeu regava uma planta com sua urina. A árvore da novela cresceu. Já as da vida real, na Praça de Irará, parece não suportarem tanto regamento...)


Tronco corroído

É no muro da Dr. Escola Juliano Moreira e nas árvores da Praça da Matriz que a galera “mija”, “tira água do joelho”, “verte água”, “dá um mijão”... enfim. O sanitário improvisado é a céu aberto e sob os olhares atentos, ou não, de todos que passam.

O efeito da cerveja aumenta; a vergonha diminui. Os fieis da Igreja Católica, logo ao lado da Escola e quase em frente ao Kiosque; todos os transeuntes e os moradores da Praça. Todos eles sujeitos às cenas do “mijatório”.

Nas proximidades do “banheiro improvisado” fica o odor de urina. As pessoas começam a sinalizar que o muro da Escola pode estar condenado e as árvores, visivelmente, vem perdendo sua saúde desde a instalação dos quiosques na Praça.

A comunidade tem reclamado. O próprio Zé Américo, em anos passados, já havia publicado texto em A Gazeta de Irará, falando da situação. Pelo visto, ele é mesmo um Nogueira. Madeira resistente. E além do mais, é um brasileiro: “não desiste nunca”.

Num sábado, 03 de Janeiro de 2009, eu estava no Kioske, quando fui abordado por algumas pessoas que, sabendo da minha condição de participar do Governo Derivaldo (2009-2012), me indagaram sobre a questão do sanitário na Praça.

Alguns eram eleitores de Juscelino, mas, preferi não contrastar os quatro anos sem providências, com o apenas um dia útil (sexta-feira dia 02 janeiro) do governo que se iniciava. Ao contrário, me irmanei a eles: “to nessa luta com vocês”.

Algumas semanas depois, uma distinta dama da sociedade iraraense, também me fez o mesmo pedido: “meu filho, você que tem mais contato com o Prefeito, fale com ele. Aquele absurdo não pode continuar”.

"Sanitário pra Advogado"

Não continuar tendo problemas com sanitários era tudo que queria os produtores de uma badalada festa de camisa de Irará. A cada ano, o problema histórico da festa vem tentando ser sanado.

Na edição 2009 do evento, além dos sanitários da AABB, que não foram suficientes no ano anterior, eles instalaram sanitários químicos. Contudo, a problemática persistiu.

Os sanitários da AABB, reservado ao público masculino, não suportaram a demanda e nem o mau comportamento de alguns. Virou lamaçal e daí, já sabe. Reclamações.

Um dos foliões da festa não tardou a falar: “eu paguei, mereço um tratamento decente”. A crítica justa dele, com a expressão “eu paguei”, também reflete o comportamento típico de uma geração que foi mais preparada para ser consumidor do que para ser cidadão.

Pagou, tem de “brigar” pelo devido funcionamento. Ninguém pagou pelas árvores na Praça. Talvez por isso, ninguém tenha que brigar pela sobrevivência delas.

Outro folião da festa, também foi exigir seus direitos de consumidor. Neste caso, o interlocutor falou com mais propriedade. Faltou apenas citar números de leis, artigos ou incisos.

O rapaz chamou um dos Produtores da Festa e disse:

“velho arranje um lugar para eu ‘mijar’ aí. Eu sou um advogado. Não posso ‘mijar’ em qualquer canto”.

O Produtor apenas respondeu: “aqui todo mundo é igual”.

Sendo esses tipos que bastam tirar uma graduação em qualquer Faculdade e já sai achando-se os “doutores”, “raça superior”; bem que merecia uma resposta mais ampla. Pena que não teve.

Agora. Fico me questionando. Como séria uma sanitário de advogado? Será que seria personalizado? Como um “trono” em forma de Toga? Do jeito que temos visto o comportamento de alguns Juízes aí...

“É urgente é urjá”

Voltando ao assunto do sanitário público, já que a privada, digo, o privado não é um problema de todos, mas sim dos consumidores do evento, quero dizer da necessidade da providência dos sanitários na Praça da Matriz.

Passadas as agonias das festas de fevereiro, período no qual, instalou-se sanitários químicos na praça, embora alguns tenha se negado ao uso, coloquei o assunto em questão diretamente com o Prefeito.

A conversa ficou mais ampla. Derivaldo também pontuou necessidades de outras mudanças estruturais na Praça. Concordei e fiquei esperançoso. Entretanto, não deixei de pontuar a urgência de resolver a problemática da falta de sanitários.

Como diz a canção de Tom Zé, o caso dos sanitários “é urgente é urjá”.

Em sendo uma situação emergencial, não precisa fazer nada muito elaborado. Muito menos seria necessário colocar um “banheiro de advogado” na Praça.

Tenho certeza que, quanto antes o Prefeito Derivaldo resolver este caso, toda a gente iraraense, independente de quem tenha votado, vai gostar da atitude. E quem sabe até reserve uma salva de palmas pra ele.

“Só Jesus Cristo Salva”. E eu vou salvar este texto, pra ver o que o tempo vai me dizer.
Enquanto o tempo não diz, nós vamos pedindo por solução, pelos problemas ecológicos e pelos escatológicos. Pedindo socorro, clamando por ajuda: “Salve-me já”.

3.3.09

"Cócegas nas tradições"

O Departamento de Cultura na Jornada Pedagógica 2009

A cada ano o ciclo é renovado. Novo ano letivo, alunos em novas séries, outros em novas escolas. Os professores devem planejar o ano que se inicia. Re-encontro, conversas, considerações sobre as férias.

A Jornada Pedagógica é também o momento de avaliação de erros e acertos do ano anterior. Discussões de metas e perspectivas para o ano iniciante. Expectativas acerca do trabalho que estar por vir.

Em sendo o primeiro ano de um novo governo municipal, a curiosidade aumenta.

São inevitáveis as comparações. Corações acalorados pela disputa eleitoral. Facilmente se percebem conversas paralelas do tipo: “Fulana votou, beltrana é do contra”, ou então, “isso era melhor, aquilo era pior”. Avaliações sinceras ou apaixonadas, a depender da parcialidade ou da franqueza de quem faz o julgamento.

Talvez, não sei, um dos diferenciais a serem apontados na Jornada Pedagógica 2009 de Irará, esteja na participação do Departamento de Cultura. Isto para quem observou diferenças para além do tipo do lanche ou da água oferecida.

- “E o lugar da cultura na Jornada?” – Questiono a uma das organizadoras.

- “Não havíamos pensado... é que nunca teve... e...” - A resposta vem em tom de desculpas.

Não há porque se desculpar. Sabemos que um dos nossos maiores desafios é lutar contar a visão hegemônica relegada para a cultura no município.

- “Você não vai ornamentar o palco não? Isso é com o Departamento de Cultura” – Assim pergunta e afirma um colaborador, ironizando e mostrando a força do pensamento vigente.

Pois é. Nós limitamos apenas a disponibilizar as malhas que estavam esticadas no palco. Não assumimos o Departamento para coordenar equipe de decoração. Pensamos em um vôo mais alto.

Conseguido um espaço para a “fala da cultura” na Jornada. Sugerimos o tema: “Educação e Políticas Públicas para a Cultura”.


A fala

E lá vamos nós. Começo da tarde de segunda-feira, 09 de fevereiro. Uma platéia repleta de profissionais da educação. Primeiro solicitamos um sonoro “boa tare”, para espantar o sono causado pelo almoço. Iniciamos pedindo aquilo que os professores passarão o ano inteiro pedindo aos alunos: “um pouquinho de silêncio e atenção!”.

A fala é cheia de considerações sobre o tema. Usando alguns trechos do artigo “Casa da Cultura de Irará: pressupostos para uma política municipal de cultura
[1]”, evidenciamos algumas das nossas idéias. A sugestão é um trabalho conjunto entre Educação e Cultura no Município.

“Percebemos que a cultura tem sido afastada da educação”. Tai uma das considerações. As outras vão pelo mesmo caminho.

Os professores, conhecidos como “Os Senhores do Saber” são convocados a participarem de um trabalho na cultura que vise a qualidade de vida e a formação cultural da população iraraense. “Festa também é cultura, mas cultura não é só festa”.

De carona no conceito de “Cidadania Cultural” de Marilena Chauí falamos do direito que tem todo o cidadão, especialmente o cidadão em formação escolar, de acesso às culturas diversas.

Daí vem algumas idéias. “Temos de pensar em maneiras de realizar atividades lúdicas nas escolas, principalmente na zona rural, durante os fins semanas”. Afinal, na maior parte das comunidades, a escola é o único equipamento cultural existente (além dos bares, é claro).

E tem mais idéias. A afirmativa é confirmada através de posicionamento consensual. “Muitos de nossos alunos nunca foram a um teatro, a um cinema, a uma galeria”. Há quem diga ser, a quase totalidade.

Pois bem. O convite é feito. “Os professores precisam ser nossos parceiros nesta luta”. E se assim o são, é preciso dialogar mais de perto com eles.

O Diálogo

Termina o espaço reservado para falas. Depois da representação, do Departamento, ouvimos também os Professores Denílson Lima Santos (Poesia Negra em Sala de Aula: Uma Imagem de Liberdade) e Jucélia Bispo dos Santos (Saber local, Memória e Educação Quilombola em Irará –Bahia).

Vamos falar no cara a cara. Procuramos pela sala onde os professores vão planejar o ensino de artes. Encontramos, pedimos licença e entramos.

Agora falamos e ouvimos. Abordamos o ensino de arte e a arte-educação, a necessidade de variar entre as linguagens, a aproximação para o aluno entre o mundo artístico na sala de aula e na sua vivência.

Os professores, por sua vez, colocam na mesa algumas pontuações. A discriminação sofrida pela disciplina, a falta de material didático e também a ausência de mecanismos de qualificação para os educadores artísticos.

“Vamos pensar e trabalhar juntos”. Não há como prometer milagres, a luta é árdua e tudo que pudemos garantir foi empenho. Então, assumimos o compromisso de buscar pessoas para fazer um intercâmbio de aprendizado na área.

Dalí só voltaríamos à Jornada na quinta-feira. Logo chega o dia e, ainda no caminho, um comentário:

“Você não sabe o gás que a sua participação deu aos professores de arte”.

Diante desta fala de Marilda Ramos, Supervisora do Ensino Fudamental II, da Secretaria de Educação, ficamos agradecidos e conscientes do aumento da nossa responsabilidade.

A Participação

A temática da quinta-feira era a EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Antes das falas começarem, um presente. A apresentação do grupo de samba-reggae Purificaê (já chamado de O “Olodum de Irará”), com direito a participação especial de Faú (Zimbabwe).

Estávamos ali só para assistir, mas fomos convidados a participar das falas. E lá fomos nós outra vez. Novamente a cultura como foco das atenções e, agora, a sua relação com a alfabetização.

Impossível não lembrar Paulo Freire. E lá falamos dele. Comentamos também acerca do MCP (Movimento de Cultura Popular) e suas ações de alfabetização, realizadas no governo conduzido por Miguel Arraes em Pernambuco, deposto pelo golpe militar de 1964.

Lembramos de uma fala do Professor André Lemos, nos tempos das aulas de Comunicação e Tecnologia na Faculdade, e soltamos a paráfrase:

“Muito se fala em inclusão digital; mas a informática é um advento recente na história da humanidade. A escrita tem milhares de anos e ainda temos pessoas que não tem acesso a este mecanismo”.

Diante do índice alarmante de analfabetismo em Irará, em torno de 20%, conclamamos a amiga, professora, agora Secretária de Educação, Marize Batista:

“imagine que marco não séria se, ainda que não conseguíssemos zerar, chegássemos ao final desse mandato com índices ínfimos de analfabetismo em Irará?”.

A fala da Professora Cristina, coordenadora da EJA, nos mostrou várias iniciativas que já vem sendo adotadas no município. Casos interessantes de descoberta das letras.

As histórias eram diversas. Tinha o caso do Senhor que quis aprender a ler para não depender de ninguém lhe indicar o ônibus para chegar na casa do filho em Salvador.

E também a Senhora que, emocionada mostrou uma cicatriz nas costas, disse ter sido a marca de uma surra recebida para não “aprender a ler e escrever carta pro namorado”.

Casos de um trabalho que talvez a publicidade não tenha tido interesse em divulgar. Afinal, alfabetização não dá voto... Talvez até tire...

Em meio a tantas histórias, me vem à mente a idéia de uma forte campanha pela alfabetização. O Sonho de transformar Irará em referência na erradicação do analfabetismo.

Comento a idéia com Marize. Passo os rabiscos que fiz pra ela. A Secretária marca uma hora para que possamos conversar sobre o assunto.

As idéias

Após o termino da Jornada, já na Sexta-feira, vou ao Gabinete da Secretária de Educação. A conversa flui. Idéias são muitas. É preciso buscar apóio e exemplo em experiências bem sucedidas. Listamos alguns possíveis parceiros:

Instituto Paulo Freire; MOC (Movimento de Organização Comunitária); TOPA (todos pela alfabetização – Governo Estadual); MEC (Ministério da Educação); e, porque não?, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), fazendo um estudo nas suas iniciativas educacionais.

Marize trás a constatação de que o primeiro passo é um mapeamento sério da realidade acerca do analfabetismo em Irará. De tal sorte, temos mesmo de fazer parcerias, levar a idéia a outros setores do governo e buscar recursos.

Percebo que a campanha só seria possível depois que todo um projeto de alfabetização estivesse pronto. Nada é fácil.

Não tenho certeza se conseguiremos. Ou se faremos o projeto e a campanha. A idéia é continuar lutando. É como falei para Marize, num determinado momento: “se não derrubarem a gente, ainda vamos fazer muitas cócegas nas tradições”.

Obs: O termo "fazendo cocegas nas tradições" é dito na canção Tatuarambá de Tom Zé.

[1] Artigo apresentado no I EBECULT (Encontro Baiano de Estudos da Cultura) acontecido na UFBA em Salvador, em Dezembro de 2008. – Em breve disponível nesse blog.

15.2.09

Sobre os Festejos Populares 2009*

Viva Irará re-viveu Lavagem do tempo do chitão

Agradecemos à população iraraense pelas várias manifestações de carinho e apoio que recebemos. Agradecemos pelas diversas mostras de felicitações e parabéns com relação aos Festejos Populares de Irará.

Somos gratos também pelas críticas. Ainda que algumas delas carreguem o fel da ironia, resquício de avaliações balizadas pelo calor da acirrada disputa eleitoral do ano passado.

Estamos tranqüilos. O trabalho realizado, apesar do pouquíssimo tempo disponível, agradou á maioria e esteve sintonizado com a Política Cultural a qual queremos propor à população iraraense (Política esta que não terá nas Festas sua principal preocupação, mas sim na qualidade de vida e formação cultural das pessoas).

Entre Noveneiras e Palco da Praça da Purificação diversificamos estilos. Investimos em estrutura de qualidade. Possibilitamos toda assistência ao trabalho da Polícia Militar. Divulgamos a Festa de Irará na nossa micro-região, com uma comunicação bela e muito bem apresentável.

Outdoor em Feira, BR 116 e BR 324. Panfletagem na Festa de Água Fria e na UEFS (segunda-feira do Vestibular). Carro-de-som e colagem de cartazes em Coração de Maria, Conceição do Jacuípe, Santa Barbara, Santanópolis Ouriçangas e Água Fria, também na sede e zona rural de Irará.

Investimos em uma reconhecida atração como âncora (Margareth Menezes). E trouxemos atrações deste verão (Adão Negro e Assombra – público jovem urbano / Pablo e Grupo Arrocha – sucesso em meios populares e zona rural). Valorizamos bandas locais, dando-lhes a mesma estrutura de som e palco recebida pelas atrações de fora.

O resultado mais satisfatório de todo o trabalho foi uma festa com grande índice de participação popular e alegria. Os iraraenses, os visitantes e os nossos irmãos que retornam à Irará nessa época, tomaram conta das ruas, mostrando que a Festa é do povo.

Daí, Festejos Populares de Irará. Da mesma forma como eram chamados noutros tempos. Festejos que não se limitam simplesmente à Lavagem. Vão desta, que é mais tradicional festa do povo de Irará, até o Cruzeiro, passando por outro tantos momentos, como no desfile do irreverente Bloco das Nigrinhas.

Tivemos desacertos. Entre os quais, consideramos os cometidos na Festa do Cruzeiro como os maiores. Agora, nos resta avaliar, aprender com os erros e trabalhar para que na Festa seguinte possamos fazer ainda mais e melhor.

Por fim. Agradecemos a Deus; à população iraraense; ao Prefeito Derivaldo Pinto, pela autonomia e confiança em nós depositada; à Vice, Professora Darci; ao amigo Edson Barbosa, aos Secretários do Governo: Marize Damiana – Educação; Paulo Dantas – Serviços Públicos; Reginaldo Campos – Desenvolvimento Econômico; Erinaldo - Finanças; Vital Bacelar – Saúde.

Agradecemos também a Jorge Nunes, Jean a toda equipe da Prefeitura; aos parceiros de Departamento de Cultura, a Kakal, Capita, Marcilio e Alessandra Doria, aos prestadores de Serviços, aos colaboradores e a todos que trabalharam, contribuíram e participaram desta festa.


Muito Obrigado!!

Vale também um agradecimento ao Movimento Viva Irará e sua representação do Cortejo da Lavagem como era antigamente. Com direito a saia de chitão e tudo!


Com relação a erros e críticas.

Tempo -

Como já publicado antes, fomos convidados a assumir o Departamento de Cultura no dia 17 de Dezembro de 2008. Em 14 dias planejamos a Festa, fizemos contatos e reuniões. Só podíamos falar e trabalhar como Departamento a partir de 02 de Janeiro, daí até o começo das Noveneiras (dia 24/02) foram 21 dias para organizar os Festejos. Sem contar a Festa de Brotas que aconteceu no dia 11 de Janeiro.

Palco

A entrada mais espaçosa na Praça da Purificação é pela rua Cel. Elpídio Nogueira. Pela mesma rua, com acesso até a Matriz, segue o circuito dos Festejos Populares. Sendo essa rua a entrada principal das Festas. Sempre achamos esquisito as pessoas entrarem e encontrarem o fundo como cenário. Por isso mudamos a localização do palco, deixando-o de frente para quem entrava na Praça.

Toldos

Foram disponibilizados na Praça a mesma quantidade de Toldos para Barracas de Bebida das Festas anteriores.

No projeto inicial os toldos estavam dispostos em “L”. Sendo uma fila no sentido de “Amandinho da Bicicleta ao Viagra” e a outra da “Venda de Sr. Lúcio a IFEMCOL”. As Barracas de Capeta ficariam em frente ao mercado.

Após pedido dos Barraqueiros (que reclamavam da localização em relação ao sol), o projeto foi alterado, trocando-se de local a segunda fila de barracas com os capetas.

O cadastramento, seleção e posicionamento das Barracas, não ficou a cargo direto do Departamento de Cultura, mas sim de uma comissão com representantes deste Departamento, da Secretaria de Serviços Públicos e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Mercado

Entendemos o Mercado como um patrimônio público do nosso município, construído em três gestões municipais (Elpidio Nogueira, Oscar Santana e Elísio Santana), com obras de reformas e reestruturação realizadas por outras gestões (ver –
“O Mercado novo, de novo” em 10/07/2008).

E como valorizamos o Mercado, assim como outros monumentos da nossa cidade, resolvemos banhar-los com uma iluminação especial durante os festejos. Mercado, Praça da Cruz, Obelisco, Coreto – receberam iluminação.

Tamanho da Praça

Contratamos o mesmo técnico em edificações que fazia os projetos de ocupação do espaço da Praça no governo anterior. Ele trabalhou com as mesmas medidas das festas anteriores, no que se refere a distancia dos toldos, capetas e ambulantes, dos passeios. Assim não diferindo muito no espaço reservado para a circulação de pessoas.

Cortejo da Lavagem

Ainda em Dezembro, em reunião com a Charanga (banda), quando acertou-se todas as Alvoradas e iniciou-se a negociação para a tocata da Lavagem, foi discutido a questão do som baixo com relação ao grande público.

Os músicos pediram paciência, solicitaram que avaliássemos a “coisa de dentro” e no próximo ano, sugeríssemos as mudanças (as mais prováveis seriam aumentar o número de músicos ou colocar outra Charanga). De tal sorte, o acerto foi feito então para que mantivesse o mesmo número de músicos do ano anterior.

Realmente faltaram os sambas-de-roda no Cortejo. Falhamos no acerto prévio. E houve grupos que não puderam se apresentar. Contudo, três grupos de samba-de-roda de Irará se apresentaram em noites diferentes durante as Noveneiras.

Cruzeiro

Como já dito, aqui esteve nossa maior falha. Erramos na estrutura. Atrasamos na montagem da Festa e contratamos um Trio que decepcionou, e muito.

Vamos trabalhar para sanar esses erros ano que vem, quando o Cruzeiro vai poder acontecer na segunda-feira, já que o Feriado do dia 02 de Fevereiro será na terça.

* considerações pessoais
Foto: Guto Jads.