25.10.06

Páginas repetidas

Semana passada. O pobre telespectador zappeia em frente a TV. É horário nobre e ele pára em frente a um dos canais. A imagem mostra um casal semi coberto por um lençol numa cama. Os atores são: José Mayer, já na sua meia-idade, interpretando estado de exaustão; e Daniele Winits, na exuberância sedutora de sua beleza plástica e siliconada, provocativa. “Sua maquina parece enferrujada”, diz a moça. “Não se preocupe que eu vou dá um trato e deixar ela tinindo”, complementa a personagem, com ares de orientadora sexual.
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A cena pode parecer de Cine Privê da Band, mas, pelos nomes do ator e da atriz, o leitor já percebeu tratar-se da novela Páginas da Vida da Rede Globo. É novela de Manuel Carlos, daquele estilo que todos conhecem. Leblon; gente feliz; bossa-nova; ausência de pobre (com exceção dos empregados que nunca tem casa); mesa farta e cheia de gente, com os empregados em pé ao lado esperando os patrões acabar; problemas humanitários em discussão; José Mayer como galã; Helena... Com tanta repetição assim, só mesmo apelando pra ver se sobe a audiência.

15.9.06

Espetáculo “R$1,99” é tema de palestra na Facom

O autor, ator e diretor de teatro Ricardo Castro é o convidado, juntamente com a produtora Marlúcia Morais, do projeto “O Palco é Aqui”, dia 21 de setembro, às 11h, na Faculdade de Comunicação. A palestra sobre a peça “1,99”, é a terceira do ciclo de quatro exposições sobre os espetáculos de teatro em cartaz na cidade, tendo como convidados os seus realizadores. A peça teatral R$1,99 traz questionamentos sobre cidadania, mostrando a necessidade de se preservar os valores morais da sociedade civil, principalmente diante dos mais recentes episódios políticos do país. Ao final da palestra, serão sorteados convites para o público. A iniciativa é da Produtora Júnior da UFBA com objetivo de proporcionar aos alunos um maior contato com o campo teatral, desde produção, direção, viabilização das peças até sua comercialização.
Fonte: UFBA em Pauta 14/09/06 - www.ufba.br

9.9.06

Pedro de Tiano, Comunista da Velha Guarda

Por Juracy de Oliveira Paixão
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Idos dos Anos 60. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), na semi-legalidade, possuía ativo diretório no Município de Irará, no qual se destacavam Raul Cruz – o Intelectual e Pedro de Tiano – o Homem das Massas. Enquanto Raul sobressaia-se por sua capacidade de interpretar Lênin, Marx e Engels, transmitindo aos seus camaradas os ensinamentos dos Clássicos do Marxismo, Pedro dava lições de como “falar ao povo usando a linguagem do povo”.
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Pedro Ferreira da Silva entrou para o Partido pelas mãos de Tertuliano Teixeira (o Tiano do Depósito) com quem trabalhava. Um dia, a Direção Estadual do PCB resolveu encarregar Tertuliano da tarefa de organizar o Partido nas regiões de influência da Petrobrás no Recôncavo e ele se foi, deixando duas vagas para Pedro assumir: a do apelido e a do Diretório.
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Naqueles anos, ser comunista conhecido e oficial era um ato de heroísmo, não somente pelas perseguições promovidas pelas forças da repressão estatal mas, também, pelos estigmas que entidades como a Igreja Católica impunha aos ditos vermelhos. Muitas vezes, até os familiares do comunista o combatiam, dificultando-lhe a vida. Ao menos, Pedro teve sorte com seus familiares: desde o sogro João Pechincha até os irmãos mais velhos e mais moços, todos eram membros ativos do Partido e deles o camarada Pedro recebia todo o apoio e cobertura.
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Pedro de Tiano revelou sua suprema audácia e coragem quando, em plena ditadura militar, deu guarida e refúgio nas Terras do Manã a Percílio dos Santros, líder das Ligas Camponesas na Bahia, então caçado por carrascos de farda e por jagunços de latifundiários. Percílio sobreviveu aos anos de chumbo graças ao apoio de Pedro de Tiano e de outros que, como ele, souberam honrar os ensinamentos de Lênin.
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Irará tem filhos ilustres dos quais pode se orgulhar. Pedro merece destaque nessa constelação.

Um ano sem Pedro de Tiano.

Neste 05 de setembro, o falecimento de Pedro Ferreira da Silva, o Pedro de Tiano, completou um ano. No ano passado, poucos dias após o acontecido, fui solicitado para organizar um material sobre a trajetória de Pedro. A idéia era que o resultado fosse publicado e distribuído à população iraraense, naqule outubro de 2005, quando o homenageado faria aniversário.
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Entrevistei pessoas e solicitei escritos de outras que tiveram algum convívio ou conhecimento do homenageado. Escrevi alguns textos com base nas conversas que tive e algumas das pessoas solicitadas me enviaram considerações. Depois, infelizmente, diante da impossibilidade de publicação, este material foi arquivado.
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Agora, como forma de homenagear a memória de Pedro nesta data, resolvi publicar dois daqueles textos aqui neste Blog (leia abaixo). Caso alguém se interesse pelos outros, é só solicitar via e-mail.
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robertoirara@yahoo.com.br)
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Profissão e Negação, sem contradição

Por Roberto Martins*
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Pedro de Tiano vendia cachaça e fazia parte dos Alcoólicos Anônimos (AA). A principio, uma contradição. Há quem pense que assim agindo, ele seria um falso, atuando no armazen de bebidas contra a sua pregação no AA. Ou então, que ele seria um louco, discursando no AA contra o seu próprio comércio. Entretanto, devemos considerar a possibilidade de nenhuma das duas sentenças ser verdadeira.
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O grupo Nova Vida de AA foi fundado em 13 de maio de 1984. Dia que se comemora a Lei Áurea e que significa a alforria para alguns iraraenses, antes escravizados pelo álcool. Irará possuía um elevado índice de alcoolismo, onde até mesmo um bode que era criado próximo ao alambique, quando bebia a água do açude com alguns resquícios de cachaça, ficava bêbado e saia pelas ruas causando confusão. Em meio a tal cenário, houve quem estranhasse a fundação do AA, mas aos poucos a vergonha foi sendo vencida e a freqüência foi aumentando. As reuniões abertas, aquelas nas quais pode participar qualquer pessoa da comunidade, passaram a congregar maior número de ouvintes. Foi numa destas reuniões que Pedro de Tiano passou a freqüentar os Alcoólicos Anônimos.
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A chegada de Pedro no AA não causou admiração aos membros do grupo. Afinal, ele era um político e como homem público que se preza, gostava de participar e discutir os problemas da comunidade. Numa reunião, para a surpresa de muitos, Pedro manifestou que tinha problemas com o álcool. Era difícil acreditar, pois ele sempre se apresentava sóbrio e consciente de si. No entanto, essa é mais uma dura face do alcoolismo, uma doença que não escolhe as suas vítimas e nem sempre é perceptível. Então, Pedro continuou a freqüentar as reuniões, a ouvir os relatos, os conselhos e se interessar muito pela literatura de Alcoólicos Anônimos. E antes mesmo de se tornar um membro efetivo, garantiu a todos que já tinha o problema sobre controle. Consciente do papel do AA perante a comunidade, não abandonou o grupo, sentiu que era hora de ajudar a outros irmãos.
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Como membro efetivo de Alcoólicos Anônimos, Pedro de Tiano foi secretário, tesoureiro, coordenador, participou de todas as funções do Comitê de Serviços. Era um membro muito interessado e fez juz àquele lema de AA: se você quer beber o problema é seu, se quer parar o problema é nosso. Nesta tarefa, visitava localidades rurais, entrava nas casas, convidava as pessoas que tinham problemas com o álcool a conhecerem a filosofia de AA. Na sua pregação, viu que no Largo São José a problemática era séria, então incentivou a criação do grupo Vida Nova na comunidade. “Ele dizia que tinha falatite aguda, não esperava que as pessoas o procurassem, ele procurava as pessoas”, lembra o amigo Dante Barbosa, salientando que “ele era bom em convencer as pessoas; era um dom dele”.
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Numa palestra sobre alcoolismo e os seus malefícios, veio a provocação. “O Sr. fala isso tudo... e como o Sr. vende cachaça?”, perguntou uma senhora da platéia. Pedro respondeu com a comparação prática do homem que trabalha com a pólvora e nem por isso precisa se queimar ou explodir alguém. Ainda sobre este mesmo questionamento, costumava responder que o ofício de vender bebidas foi o que ele aprendeu, no qual ele foi criado e de onde ele tirava o seu sustento. Da mesma forma, sentenciava que vendia a bebida e não o vicio. Respostas comprovadas pelo perfil de Pedro de Tiano, que não era um capitalista mercenário para vender bebida para uma pessoa sem condições de beber.
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Desta maneira, Pedro Ferreira da Silva seguia na sua profissão e na sua pregação. Em mais estas duas frentes de atuação, Pedro se mostrava um homem de convicção e personalidade. Lutava pela sua sobrevivência e contra a doença do alcoolismo. E, certamente, os clientes da Casa São Pedro ainda deviam ouvir um conselho em forma de provérbio: “tudo demais é sobra”.
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* Texto feito com base em entrevista cedida por Dante Barbosa, na primavera de 2005, em sua residência na cidade de Salvador..

4.9.06

Festa da Cultura Popular movimenta Conceição do Coité

Cartaz do evento


A cidade de Conceição Coité, na Região Silaleira, será tomada por diversas manifestações da cultura popular no final de semana dos dias 15, 16 e 17 de setembro. Trata-se da Terceira edição da Festa da Cultura Popular.
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O encontro nasceu da necessidade das comunidades rurais em celebrar seus ritos, cantos, musicalidades e tantas outras manifestações da cultura sertaneja. Esta é a terceira edição da Festa que desta vez conta com o incentivo do Ministério da Cultura. O patrocínio foi conseguido através de Edital realizado pelo Fundo Nacional de Cultura, destinado a contemplar projetos sem fins lucrativos e que expressem rico valor cultural.
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A fortuna da cultura popular estará proclamada pela variedade de manifestações presentes ao evento. São shows, palestras, oficinas, exibição de vídeos e apresentações de diversos grupos e folguedos populares. Está previsto ainda, um cortejo folclórico pelas ruas de Coité.
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A ampla programação é basicamente constituída de grupos e personalidades oriundas da própria Região Sisaleira, da micro-região de Feira de Santana e do Recôncavo Baiano. Áreas geográficas de destaque no sincrético mapa da cultura da Bahia. E que juntas, certamente, se converterão num grande caldeirão de cultura popular.

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PROGRAMAÇÃO:
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SEXTA – 15/09
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8:00h - Abertura: Café da manhã sertanejo (performance com Miudinho e Passarinho)
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9:00h - Oficinas de Samba de Roda, Chula e Pandeiro
Ministrantes: Dona Chica, Véio e Sr. Martinho
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11:00h - Show com a Banda de Pífanos de Euclides da Cunha
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12:00h - Almoço coletivo (performance com Lampião de Feira)
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14:00h - Oficinas de artesanato, cerâmica e vassoura
Ministrantes: Dona Raimunda, Maria José e Dona Antônia
Oficina de Literatura de Cordel
Ministrantes: Franklin Maxado, Jotacê Freitas e Antônio Carlos Barreto
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16:00h - Show com o Reisado de Cabaçeiras
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17:00h - Palestra sobre As manifestações culturais do sertão
Convidados: Carlos Neves e Pedro Paulo
Mediador: Sandro Santana
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18:30h - Jantar coletivo (Performance eco-cultural com Ermedita & Florzinha)
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20:00h - Show com a dupla de repentistas Ceará & Zeteir
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21:00h - Mostra do vídeo-documentário I Festa da Cultura Popular em Barrocas
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22:00h - Show com Paulinho Jequié
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11:00h - Forró pé-de-serra
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SÁBADO – 16/09
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7:00h - Café da manhã sertanejo (performance com o Boi-roubado de Malhada Nova)
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8:00h - Oficinas de cavaquinho e viola
Ministrantes: Guda Moreno e Antônio Queiroz
Oficina de dialeto sertanejo
Ministrante: Prof. Lucas Campos
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10:00h - Show com o grupo de samba de roda São Domingos
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11:00h - Show com o grupo de samba de roda da Melancia (Nova Soure)
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12:00h - Almoço coletivo (performance com Lampião de Feira)
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14:00h - Oficinas de capoeira e maculelê
Ministrantes: Mestre Paraná e Reny
Oficina de dança folclórica
Ministrantes: Genivaldo, Gigi e Andréa
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16:00h - Palestra sobre Memória, Oralidade e Identidade Cultural
Convidados: Sr. Maurício França e Asa Filho
Mediador: Erhi Araújo
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17:30h - Concentração dos grupos na Praça Pública
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18:00h - Cortejo folclórico com o Lindro-Amor de Malhada Nova
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19:00h - Mostra do vídeo-documentário II Festa da Cultura Popular em Santa Bárbara
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19:30h - Queima da Lapinha da Lagoa do Caminho
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20:00h - Gabriel, o menino aboiador
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20:15h - Antônio Queiroz & Paraíba da Viola
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20:45h - Show com Asa Filho, Cescé e o Reisado de São Vicente
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21:30h - Grupo Cultural Korró-Korró
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22:00h - Grupo Pavão Dourado (Cantigas de Roda)
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22:15h - Jejê Nagô
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22:30h - Arraiá da Lagoa da Cruz
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23:00h - Quixabeira da Lagoa da Camisa
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23:30h - Comunidade de Dois Coqueiros (Reisado e Samba de Roda)
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24:00h - Veteranos de Ouro de Candeal (Samba Martelo)
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00:30h - Show com Zé Araújo
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01:00h - Quixabeira da Matinha dos Pretos
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DOMINGO – 17/09
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06:30h - Café da manhã sertanejo
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08:00h - A Voz do Trabalhador de Ichú
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08:30h - Grupo de Mulheres que Cantam e Encantam do MMTR
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09:00h - Samba de Roda de Salgadalha
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09:30h – Grupo de Teatro Caçuá
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10:00h - Grupo de Capoeira Regional e Maculelê ACEM
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10:40h - Batuques do Seu Anastácio
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11:20h - A Burrinha e o Bumba-meu-boi de Lustosa
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12:00h - Almoço (Performance musical com Lampião de Feira)
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14:00h - Show com Cescé, Asa Filho e Noca do Forró
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14:30h - Cordelistas: Franklin Machado – Antonio Carlos Barreto – Jotacê Freitas
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15:00h - Antonio Queiroz & Os Meninos da Ladeira
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15:30h - Samba de Roda de Juazeirinho
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16:00h - Bumba-meu-boi da Barreiras
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16:30h - Farinhada de São Nicolau
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17:00h - Quixabeira da Matinha dos Pretos
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18:00h - Encerramento com a benção de Dona Antônia
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Informações:

Assessoria de Comunicação: Sandro Santana
Tel.: (71) 8805-3187/3347-6247
http://br.f421.mail.yahoo.com/ym/Compose?To=sandro_santana@hotmail.com

Noite do interior no Sarau do Gregório

É recital, é mesa-redonda, é exposição. É mais uma edição do Sarau do Gregório que acontece nesta terça-feira, dia 05, às 19h, com entrada franca, no Teatro Gregório de Mattos (Praça Castro Alves) em Salvador.
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O Sarau é uma realização da Gerência de Arquivos e Bibliotecas da Fundação Gregório de Matos (FGM), coordenada pelo poeta Douglas de Almeida. O projeto acontece toda primeira terça-feira do mês desde fevereiro deste ano.
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Desta vez, a mesa-redonda será formada por poetas da chamada novíssima geração da literatura baiana. Os três nomes do evento são do interior da Bahia. Nívia Maria Vasconcellos (foto) e Silvério Duque, de Feira de Santana e Wesley Barbosa Correia, de Cruz das Almas.
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Os três, além recitar poesias, debater e interagir com público, estarão lançando livros durante o Sarau. “... para não suicidar (contos)”, Nivia Maria. “Baladas e outros aportes para viagem” (poesia), Silvério Duque. E “Palmas para um beijo e outros poemas” (poesia), Wesley Barbosa.
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O cenário do ambiente será composto pelas telas do artista Gabriel Ferreira (
www.sougabrielferreira.blogspot.com). Gabriel é natural de Tanquinho e tem se destacado na cena cultural de Feira de Santana, onde reside e estuda na Universidade Estadual.
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Informações: (71) 8163-9484

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Nepotismo. Mais um!

Novela quando faz sucesso, a emissora sempre tenta prolongar os seus capítulos. Isto também tem acontecido com a novela do Nepotismo na Prefeitura Municipal de Irará.
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No mês passado, foi anunciado na mídia local, mais um capítulo deste intrigante folhetim. Melhor dizendo, foi divulgada a contratação de mais um parente do chefe do executivo municipal.
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Agora foi a vez do Gilmar Souza, irmão do Prefeito Juscelino Souza, assumir a Secretária Municipal de Obras. O prefeito nomeou o irmão, sem se preocupar com a repercussão negativa que o emprego de outros parentes, a exemplo de sua esposa e de uma irmã, já tinha lhe causado.
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Assim a novela “Nepotismo” vai a cada dia aumentando os seus capítulos e os seus personagens. O que diminui é no numero de parentes que ainda não assumiram cargos públicos.
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A população iraraense acompanha com expectativa o desenrolar deste “dramalhão mexicano”. Depois que a Câmara de Vereadores “autorizou” o nepotismo, o povo então aguarda as cenas do próximo capitulo. Ou, melhor dizendo, o emprego do próximo parente. Quem será? Façam suas apostas!
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Sobre o assunto leia no arquivo deste Blog:
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E os parentes continuam”
“
Com voto secreto, Câmara garante permanência do nepotismo”
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24.8.06

Cinema BR volta à Irará.

O Projeto Cinema BR em Movimento está de volta a Irará. Depois de um intervalo, após as exibições de Tainá 2 e Bendito Fruto em três comunidades rurais, o retorno do Cinema BR traz outro filme infantil (Cine Gibi 2) e uma comédia (Se Eu Fosse Você), ambos de produção nacional. Dois curtas-metragens também serão exibidos, antes dos longas, são eles: “O amigão Zão” e “A Última do Amigo da Onça”.
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A execução do projeto em Irará é uma iniciativa da Charanga Comunicação numa parceria com o Cinema BR. A empresa iraraense é responsável pelo desenvolvimento e acompanhamento das exibições. Os custos são divididos entre a própria Charanga e o Cestão Supermercado (projetor - transportes - apoio - etc), patrocinador do projeto em Irará.
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Na primeira fase das exibições, a Charanga também contou com o apoio da Casa da Cultura de Irará (CCI). A sonorização das sessões foi realizada através do empréstimo da caixa de som amplificada desta entidade cultural.
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A Charanga espera poder repetir essa parceria e contar com a adesão de novos parceiros. Através da participação de um maior número de colaboradores, será possível continuar com a execução do cinema itinerante no município.
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O Cinema BR em Movimento tem o objetivo de estimular a produção cinematográfica nacional e incentivar a formação de platéias. Ao longo de todo o projeto, já foram realizadas mais de 8.820 em cerca de 629 municípios brasileiros.
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Confira abaixo o roteiro das exibições e as sinopses dos filmes:

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CINEGIBI 2 (longa-metragem)
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Coletânea das aventuras que deram origem ao desenho animado. São sete episódios que reúnem a turminha do Bairro do Limoeiro, além de uma participação especial do caipira Chico Bento.

Animação - 2005 - Colorido
Direção: Maurício de Souza
Duração: 64 min
Faixa Etária: Livre
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AMIGÃO ZÃO (curta-metragem)

Dizem que não é certo chamar meu melhor amigo de amigãozão, mas eu não consigo achar um jeito melhor pra falar dele. Quando ele está perto de mim, eu sempre apareço!

Animação - 2005 - Colorido
Direção: Andrés Lieban
Duração: 1 min

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SE EU FOSSE VOCÊ (longa-metragem)

Cláudio é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência, e casado com Helena, uma professora de música. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles volta e meia têm uma discussão. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam reverter a situação. Porém, antes disso, eles terão que assumir por completo a vida do outro.

Comédia - 2005 - Colorido
Direção: Daniel Filho

Elenco: Glória Pires, Tony Ramos, Glória Menezes, Patrícia Pillar, Thiago Lacerda, Danielle Winits, Lavínia Vlasak, Ary Fontoura, Jorge Fernando, Dênis Carvalho e outros.
Duração: 104 min
Faixa Etária: 10 anos
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A ÚLTIMA DO AMIGO DA ONÇA (curta-metragem)

Encontro do cartunista Péricles de Andrade Maranhão com sua criatura, o Amigo da Onça, no último dia do ano de 1961.

Ficção - 2005 - Colorido
Direção: Terêncio Porto
Elenco: Chiara Pascotini, Fabio Lago e Osvaldo Mil
Duração: 17 min

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Calendário das Sessões
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Dia

Comunidade

Local

Filme

Hora

Dia 27/08 (domingo)

Boca de Várzea

Associação Rural

Cine Gibi 2

16:30




E se Eu fosse Você

19:00

Dia 29/08 (terça)

Largo

Escola M. Santa Bárbara

Cine Gibi 2

10:00




E Se Eu fosse Você

16:00

Dia 03/09 (domingo)

Sto. Antônio

Associação Rural

Cine Gibi 2

16:30




E Se Eu fosse Você

19:00

Dia 05/09

(terça)

Boa Vista

Boas Vista Espaço Fest

Cine Gibi 2

16:30




E Se Eu fosse Você

19:00

21.8.06

De homem a mito, no 21 de agosto.

É 21 de agosto, uma segunda-feira. Poderia ser mais uma data entre tantas outras datas. E é. Todavia, nós, tolos humanóides, gostamos de guardar, marcar e rememorar as datas. Pra que vão servir depois? Não sei. Mas guardamo-nas.
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Achamos que com as datas iremos re-viver os eventos, os momentos, as pessoas. Sim, as pessoas. E foi por conta de uma pessoa que re-lembrei desta data (21/08). O que teria acontecido neste dia? De que pessoa estaria eu falando? Por que desta lembrança agora?
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Não sabia e nem me lembraria dela (a data), se não tivesse ido ao teatro no último sábado (19/08). É que eu, que cheguei do interior, inocente puro e besta, não vim morar no “apipema”, mas ver teatro e ver cinema é a minha diversão. Confesso que, mais teatro do que cinema. “Emoção ao vivo!”.
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Não compareci a nenhuma sessão das dez e nem tão pouco ninguém me ofereceu pipoca. Mas, o desafio eu aceitei e logo em troca com o leitor comentarei. Talvez você já saiba de quem eu vou falar e o porquê da data, mas mesmo assim, dou-lhe uma explicação.

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Raul Seixas e Raulzito sempre foram o mesmo homem. E lá estão eles. Os dois. Em cartaz no teatro do ISBA, na peça “Raul Seixas, a metamorfose ambulante”. No texto, a trajetória de um homem surpreendente, um “maluco beleza”.
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É o Raul humano, o Raul artista, o Raul sonhador. Os vários Rauls num só. A
história se passa desde a infância do protagonista até a sua última viagem. O bloqueio às regras escolares, as mulheres, os sonhos, a ânsia pela liberdade do ser. Seus problemas e seu fim, que poderá ser o começo. “Plut, Plat, Zum”, pode partir Raul, sem problema algum.
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Morre o homem - Raul dos Santos Seixas - a 21 de agosto de 1989, nasce o mito. Raul que viu dentro do mambo e da consciência o segredo do universo, já tinha deixado sua mensagem na terra. E muitos foram os ensinamentos do “Profeta do Apocalipse”. Eles estão aí gravados, musicados, a quem interessar possa. Basta ouvir com atenção suas canções.
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O menino que sonhava ser escritor e se disse ator, porque fingia que era cantor e todo mundo acreditava, teve uma vida conturbada e da mesma forma foi o período em que ele viveu. Conheceu Elvis e “aquele ritmo quente, vindo dos Estados Unidos”. Amou os Beatles e entre o pessoal do diretório na faculdade era visto como entreguista devido a sua paixão pelo Rock and Roll – som estrangeiro. E sem xenófobismos, foi revolucionário em fundir rock e baião.
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Quebrou regras, evitou padrões. Ao fundo da sua narrativa, como se fosse um filme intimista, a peça mostra momentos históricos da vida brasileira. O Golpe de 1964. Os anos de chumbo do governo Médici. A abertura. Está lá, encenada, a morte do estudante Edson Luiz.
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Algumas cenas emocionam. Outras fazem rir. Ta tudo lá. Se o assunto é cultura de massa e indústria cultural, o texto da suas pinceladas, através da opinião do personagem Raul. As normas da escola, da família, a indecisão entre o sonho e a vida estável, também estão presentes.
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Todo enredo, ganha o atestado de veracidade quando lembramos que Plínio Seixas, irmão mais novo de Raul, é co-autor da peça. A participação de Plínio, também personagem, na montagem do espetáculo, garante a certeza da narrativa fiel.
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Entre uma cena e outra, um momento e outro, as músicas de Raul ajudam a contar a estória. Vale destacar a preciosidade da hora certa, com que algumas músicas aparecem.
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É isto. Para o leitor saber mesmo a emoção do espetáculo, só indo assistir a peça que fica em cartaz até o mês de outubro. A encenação já foi vista por mais de 50 mil pessoas em Salvador e outras tantas, em mais de seis cidades do interior.
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Eu, conforme já deu pra perceber, gostei muito. E gostei tanto, que me motivei, ao voltar para casa, entre uma cerveja e outra, escrever estas linhas.
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Vale salientar também a montagem do cenário da peça. O movimento constante de vários baús para revirar o baú do Raul. O ator Nelito Reis, se mostra bastante a vontade vivendo o personagem Raul Seixas. Seus colegas também não deixam por menos.
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O sotaque dos americanos aparece nas atrizes que fazem as mulheres estadunidenses de Rualzito. Por vezes elas fazem o público rir nas palavras ditas com a língua dobrada. O que não me agradou muito foi a encenação do “personagem” Marcelo Nova.
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Coisas da vida. Algumas coisas agradam, outras não. O que não empolga é a situação de muitos artistas na Bahia e no Brasil. Ao final do espetáculo, vi uma das atrizes, ainda com marcas de maquiagem no rosto, apressadamente pegando o seu Buzú.
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Por fim, recomendo, e muito, a peça. E é bom que estejamos no 21 de agosto. Quem sabe a publicidade que se dão as datas “comemorativas”, não incite mais pessoas a verem a história de Raulzito, filho de Sr. Raul que naquele dia 21 de agosto de 1989, partiu no seu trem das sete e deixou um legado para nos fazer pensar. Toca Raul!!!
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Raul Seixas – A metamorfose Ambulante
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Sex, Sab e Dom, às 20h, até Outubro no Teatro do ISBA – Ondina
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Ingressos: Sex (R$ 20,00 – inteira), Sab (R$ 30,00 - inteira) e Dom (R$ 24,00 – inteira).
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Ficha Técnica –
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Autores:
Deolindo Checcucci
Plínio Seixas
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Direção:
Deolindo Checcucci
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Elenco:
.Nelito Reis, Karla Ralin, Narcival Rubens, Pedro Henriques, Adriana Mandi, André Tavares, Bruno Neves, Edvard Neto, Uirá Iracema e Mônica Gedione.
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Assistente de Direção:
Gideon Rosa
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Direção Musical:
Tadeu Mascarenhas

Leia entrevista com ator e diretor no portal ibahia:

http://ibahia.globo.com/entrevistas/artigos/default.asp?modulo=1446&codigo=108750

“Muito peido pra pouca obra”.

Já faz alguns dias, mas o som ainda ecoa. O verbo reverbera. Pelo telefone, pela internet, via msn, e-mail e orkut. Alguns amigos me relataram, mas custo a acreditar.
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Quem acompanha este Blog deve ter lido o texto “Enfim, o calçamento da Rua 08 de Agosto”. Nele, era noticiada a obra de pavimentação da via e também feito um elogio ao prefeito Juscelino Souza (PP) pela realização. Só para lembrar: “um pequeno trecho de rua a ser calçada, mas que os outros governos não tiveram a sensibilidade de fazê-lo”, dizia o texto.
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Pois bem. A obra foi feita, mas causa estranheza o episódio da inauguração. Ainda reluto em acreditar no que os amigos me contaram. Não é possível. Dizem que foi realizado um grande evento pela inauguração de tal obra.
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Como não me foi possibilitado ver pra crê, peço às pessoas que, por ventura, lerem este texto e que estavam em Irará, comente-o, confirmando ou desmentindo as informações a mim transmitidas.
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A primeira foi de que o Sr. Prefeito decretou feriado no dia da inauguração, ocorrida na mesma data que empresta o nome à rua. Não me recordo disto acontecer nos anos anteriores. Apesar do 08 de Agosto marcar a elevação de Irará à condição de cidade desde 1895, acho que o dia nunca havia merecido decreto, para a suspensão dos trabalhos escolares e/ou fechamento do comércio. .
Em sendo a data um feriado a partir de agora, Irará terá três feriados municipais. O 02 de Fevereiro, dia da Padroeira; o 27 de Maio, emancipação política; e o 08 de Agosto, elevação á condição de cidade. Juntando-se os estaduais, nacionais e religiosos, a cidade deve entrar pro guinnes, no tópico das localidades que mais têm “dias inúteis” no mundo.
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Depois me contaram que foi organizada uma grande lavagem. Com direito a baianas, charanga e tudo mais. Estranho! Lavar o que? Se a rua acabava de ser pavimentada, deveria estar novinha em folha. E, ao que me consta, diante do pequeno trecho calçado (cerca de 300m), não deve ter havido necessidade de licitações para contratação de grandes empreiteiras.
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E também disseram que foi a maior festa, com a presença de um mine-trio e uma banda musical. Aí protestei: “Gente! Isso não é festa! É projeto.”. Sim projeto. O qual chama-se: “Terça na rua”. É só o leitor lembrar da campanha do nosso ilustre Prefeito.
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Durante o período eleitoral de 2004, o então candidato Juscelino e toda a sua comitiva, visitaram várias localidades do município mostrando os seus projetos para a população. Tinha o “Domingo na Roça” - palco, banda de arrocha e discurso; na zona rural. O “Sábado no Bairro” - palco, banda de arrocha e discurso; numa área próxima ou na sede do município. E o “Sexta na Praça” – palco, idem, idem; na Praça da Purificação.
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Agora que o grupo – ou parte dele – está na prefeitura, nada mais natural do que querer completar a semana. Além do “Terça na Rua”, deve vir por aí: O “Segunda na Esquina”, o “Quarta no Beco” e o “Quinta na Avenida”.
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Mesmo que ainda não tenha completado o ciclo, o prefeito Juscelino (PP), com os seus projetos e – ao que parece - inaugurações, já fez por merecer a simpática alcunha de Jú Festinha. Alguns assim o apelidaram em referência a outro prefeito, que a todo ato público, organizava a festa e levava convidados especiais.
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Aparições ilustres na inauguração da obra da 08 de Agosto também não faltaram. Presenças como a da gloriosa Filarmônica 25 de Dezembro e do músico iraraense Gigi, filho de Alfredo da Luz e baixista da banda de Ivete Sangalo, me foram igualmente relatadas. Não faltaram também os discursos.
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Ainda segundo as informações transmitidas, o Prefeito apresentou um dos seus motivos para ter calçado aquela rua. É que ali reside Dona Caboquinha, a pessoa que faz o licor que ele - Juscelino - leva para a governadoria, toda vez que vai falar com o governador Paulo Souto (PFL).
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Segredo revelado, agora falta saber de onde se origina a farinha e o litro de mel. Foram estes três itens (licor - farinha - mel) que o atual prefeito, na sua campanha de 2000, prometeu em praça pública que levaria ao governante toda vez que fosse visitá-lo, “e assim trazer as obras que irará precisa”.
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As estórias foram tantas que naquele final de manhã de terça, ao ouvir alguns foguetes aqui em Salvador, pensei que o som tivesse vindo da inauguração iraraense. Aí um entusiasta da vitoriosa e esperançosa campanha eleitoral do prefeito em 2004, me disse que deveria ser a inauguração da “Rua 04 de Agosto”.
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Na versão dele, a 08 de agosto já era pavimentada em sua metade. Ou seja, do trecho do Banco do Brasil até o bar de D. Luisa. Portanto, a Prefeitura teria calçado apenas a “04 de agosto”, que se refere a outra metade da rua, a qual vai do Bar de Dona Luisa até pouco depois da Delegacia de Policia.
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Mesmo sendo obra pela metade e que tenha acontecido comemoração por inteiro, vale algumas ponderações. Poucos dias antes da dita inauguração, passei perto da Rua 08 de Agosto, e percebi a feliz iniciativa da Prefeitura em ter plantado árvores na rua. Pena que não colocaram as mudas na calçada, mas sim embaixo, na rua mesmo, o que pode trazer problemas se as árvores conseguirem vencer as adversidades e crescerem fortes.
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Quanto a isso, outros me fizeram queixas da espécie da árvore plantada e dos níveis da rua também. Mas prefiro não comentar. Não entendo da matéria, e agora não tenho como pedir socorro às minhas primas, futuras engenheiras, civil e ambiental.
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Nos mais, para concluir, volto a afirmar que ainda estou duvidoso, quanto a todo este relato. Por isso, peço encarecidamente outra vez, que as pessoas comentem o texto, dizendo se os acontecidos da inauguração se deram ou não.
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Penso que não. Deve ser fantasia da galera, querendo me aprontar uma pegadinha. Afinal, nestes tempos de contenção de despesa, a prefeitura não iria gastar para comemorar a inauguração do calçamento de um pequeno trecho de rua, o valor equivalente a calçar outro pequeno trecho.
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Ao considerar a hipótese surreal do caso ser verídico, lembrei de um dos muitos provérbios que eram ditos por minha vó. “Quando se ver muito peido, é sinal de pouca bosta”.
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“Obrar”, em outras palavras, relatar suas “obras” é prática preferida de muitos políticos. Enquanto eles “obram” o povo vai perdendo a fé. Se antes tinham fé e não sabiam “fé em que”, agora pedem apenas que se dê fé cá. Porque lá, entre os governantes, tudo é fé-licidade.
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P.S. – Sugestões, encaminhamentos e comentários também podem ser enviados para: robertoirara@yahoo.com.br . Para comentar nesta página, clique em “comments”.

24.7.06

Política, religião e saúde, nos cordéis de Kitute

Após mais de um ano de invernada, Kitute de Licinho nos brinda com a publicação de novos cordeis. Os últimos até então, “O Namoro da Biba na Festa de Fevereiro” e “O Dia em que a Depinho foi Roubada”, haviam sido lançados na Festa da Padroeira de 2005. Agora, no São João 2006, Kitute lançou mais três títulos.
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No enredo dos cordéis, política, religião e saúde. Advertências, histórias, fé, malandragem... tudo isto sem perder o toque humorístico. Kitute, tal qual afirma a descrição na contracapa de seus livretos, “narrar em seus versos o universo iraraense, misturando figuras e situações reais com a ficção”. Sacada perfeita para relembrar momentos e personagens do Irará.
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Tudo pronto para o velório, só faltava mesmo o morto. Será que ele vem? Isto, o leitor só vai saber se ler “O Velório do homem que não Morreu”. Um cordel longo, nas suas 84 estrofes em septilhas, mas não cansativo. São muitos os personagens e as situações. Tem judeu que rouba ouro de nazista, menino de recado que engana o patrão e delator de comunista. O enredo se dá na Irará do fim dos anos 1960 e faz menção à política daquela época, com pequenas alusões à de hoje.
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(...)
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Por causa da ditadura
Que estava decretada
De terra de comunista
Irará era chamada
E por isso ser verdade
Toda gente da cidade
Tava meio assustada
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(...)
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Os policiais é claro
Confirmaram a versão
Pois cada um recebeu
Um pomposo “mensalão”
Quatro barras pra cada
Osório pela sacada
Ficou com as dez na mão.
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O passado de Irará também é lembrado em “O Padre que era Viciado em Jogo do Bicho”. Numa história fictícia, plenamente inspirada na realidade, Kitute relembra figuras iraraenses como Reginaldo da Empresa, Sr. Pipita Bicheiro e, é claro, Padre Bruno, personagem principal da história. Algumas regras da religião católica ainda são pontuadas no enredo.
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(...)
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Dona Cida não perdia
A missa dominical
Rezada por padre Bruno
Um pastor especial
Também figura histórica
Engraçada e folclórica
Sonhava ser cardeal.
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(...)
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“-Faço o que Jesus disse
Cuido do povo sofrido
Já basta não ter mulher
Que pra mim é proibido.
Não poder também jogar?
Vou ser Padre de Irará
Pois lá tudo é permitido”
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Em “O Exame de Próstata de Zeca Magarefe” o autor trata do problema do câncer de próstata e a resistência em fazer a averiguação médica. Para contar como Zeca venceu o pré-conceito, Kitute de Licinho descreve um pouco do cotidiano dos magarefes. Menciona a freqüência de alguns deles aos bordeis da cidade e faz uma breve diferenciação entre as amadoras e as profissionais do sexo.
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(...)
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Chegando lá no açougue
Para fazer a entrega
Já tava amanhecendo
Sábado de feira e brega
Com o seu dinheiro ganho
Zeca vai tomar um banho
E capricha na esfrega
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(...)
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Não que Irará não tenha
Meninas na profissão
Tem algumas bem bondosas
Que fazem por vocação
E gostam de dar na hora
Basta o cara ser de fora
Ou tá dentro de um carrão.
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As três obras confirmam o talento de Kitute de Licinho para escrever livretos de cordel. O caso do “Velório do Homem que Não Morreu” rendeu ao autor uma Menção Honrosa no Concurso Nacional, realizado pela Fundação Cultural do Estado. Os outros dois, seguem a tendência de mostrar personagens e causos do Irará. Se bem que no “exame de próstata” pode ser que exista algo de autobiográfico.
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Explico melhor. É que Kitute está nos meados dos trinta, portanto, vai se aproximando a “idade da dedada”. Ele deve estar ansioso, pelos avanços da ciência e a popularização dos exames a raio laser.
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Brincadeiras a parte, este cordel vem para... digamos... “botar o dedo” na ferida. Pois o tema abordado ainda é do desconhecimento de muitos.
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E a próstata de Zeca
Se mostrou estar doente
Mas por ter se consultado
Foi curada facilmente
“Venci a enfermidade
Perdi minha virgindade
E fiquei mais consciente”.
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Interessados nos cordéis devem enviar e-mail para
kitutedelicinho@yahoo.com.br .

Uma manhã de domingo, um quintal e um desejo.

O sol do domingo raiou há poucas horas. Não demora muito e o sino da igreja começa a badalar, conclamando os fieis para o encontro dominical. Do quarto, de uma casa situada próximo à matriz, a menina acorda ao som da missa. A reza é proferida estrategicamente aos quatros quantos da cidade, pelas cornetas posicionadas no alto do templo católico.
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Ela, a menina, não entende de estratégias de comunicação ou devoções religiosas, só acha aquilo tudo meio engraçado e gosta de estar ali. Esperou muito por este final de semana, momento de ir ao interior visitar seus avôs. Através das cornetas, a voz do pároco fica um tanto quanto rouca e a faz rir. De repente, seu riso é interrompido pela sua mãe que acabara de adentrar o quarto.
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Cumprimenta a mamãe, pula da cama e vai às primeiras tarefas da higiene diária. Escova seus dentinhos de modo apressado. Saí do banheiro e toma a direção da cozinha. Lá está a mesa, farta e bonita, cheia daquelas guloseimas que só a sua vó sabe fazer. Sob os mimos e carinhos da vovó, sem se importar de dividi-los com seus primos e primas, ela saboreia o café, imagina o dia que está por vim e olha ansiosa para o quintal. Ah! O quintal.
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Aquela é, sem dúvida, a parte da casa que ela mais gosta. Faz do quintal da casa de sua vó, a sua floresta encantada. Basta estar ali, para a brincadeira começar. Surge um mundo de imaginações entre as árvores daquele quintal enorme. Mangueiras, Jaqueiras e Cajazeiras, entre tantas outras, se transformam. É o cenário perfeito para o faz de conta. Ela e suas primas representam aquele último capitulo vivido pela heroína do desenho animado.
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A dimensão do lugar é engrandecida pelos seus olhinhos de criança. Atravessar todo o quintal e ir até a casa do tio, irmão de seu avô, que mora na casa ao lado, parece mesmo uma viagem, um passeio pelo bosque. A brincadeira empolga, ela tenta subir numa das árvores. Logo é repreendida pela avó. “Meu Deus! Desce daí menina!”. Ela obedece e desce. Se sente reprimida, mas de alguma forma sabe que a vó está ali vigilante, porque se preocupa com ela e com os outros.
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É estranha essa gente adulta. Um quintal enorme, mil motivos para brincar e eles ficam na varanda, só jogando conversa fora. O pai, o avô, alguns tios, todos ali sentados, enquanto ela e os primos corriam picula, pulavam amarelinha, se divertiam a danar. Os meninos, quando não conseguiam uma bola, usavam uma laranja. As meninas, com ou sem casa na árvore, simulavam a vida das mamães. Davam às suas bonecas o mesmo tratamento recebido de maínha no dia a dia.
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Logo chega a hora de almoçar. A comida que a menina fez para as bonecas, infelizmente, não servirá de alimento, porque “é de bricadeirinha”. As crianças têm o seu espaço próprio, os adultos dividem a mesa, em meio as suas conversas estranhas. O doce tempero da vovó sacia o apetite da menina, mas a sua atenção ainda é o quintal. Não vê a hora de acabar a refeição e voltar para lá.
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Ao fim do almoço, ela pára e olha para os adultos. Ainda conversam. Observa-os como se quisesse saber o que tanto existe naquele mundo onde “criança não pode entrar”. Fecha seus olhinhos contemplativos. Por alguns instantes se perde em lembranças, como se estivesse a percorrer um túnel do tempo. A surpresa se dá, quando suas pálpebras se abrem.
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Diante do espelho não há mais reflexo de menina. A sua imagem agora é de uma mulher feita. Junto a todas as dificuldades da vida adulta. Ela se tornou uma linda morena tropicana, fruta de vez temporana. E assim tão bela, poderia ter o mundo a seus pés. Mas tudo que ela desejava agora, era o quintal da casa de sua vó, como naqueles tempos de criança.

17.7.06

Brevitas e Bravatas do São João

Ornamentação elogiada
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Diferente de 2005, a ornamentação do São João iraraense este ano foi bastante elogiada. O trabalho é creditado a K. Maia, o mesmo artista que produziu os adereços da Festa da Padroeira. A repetição dos “traços K-maianos” estava bem nítida no palco da festa. A obra de K. Maia se espalha por todo Irará, seja em festas ou na decoração de prédios públicos, como as escolas. O artista, ao que parece, é natural de Feira de Santana. A “capital baiana da arte”, segundo apregoava certo jornal iraraense, não possui mão de obra qualificada para tal. Ou possui? Capital?
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“Arco do Triunfo”
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Irará não é Paris, mas o “arco do triunfo” já vai virando cartão postal da cidade. Com tão glamourosa presença, os blocos festivos, sejam com trios grandes ou pequenos, continuam sem entrar na praça para fazer a sua festa. “A praça é do povo, como o céu é do condor”, diria o poeta Castro Alves. Os condores que aproveitem! Enquanto o triunfo do arco não chegar ao céu, tá tudo azul para eles.
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Intriga da oposição
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Apesar de arco e candeeiros sem chamas, a ornamentação vai melhorando a cada ano. No entanto, os opositores continuam procurando chifres na “k-beça” de “K-valo”. Imagine vocês. Passarinho me contou que os honorários do artista teriam sido R$ 15 mil reais. Questionei ao interlocutor, se o valor por ele mencionado, não foi o custo de mão de obra e material juntos. Ele não soube responder. Como diria um conhecido “jornalista”: “Com a palavra, o vereador Elesbão”. Ele gosta de apresentar gastos de festas lá na casa da cidadania.
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Nos barracos da cidade
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Por falar em casa, é preciso comentar o cenário de entrada da festa. Parece que a idéia era produzir uma típica casa de taipa daquelas da zona rural. Das duas uma. Ou produziram uma casa com um “método mais moderno”, o que já não é típico. Ou não fizeram a réplica de uma casa de taipa, mas sim de um barraco típico das favelas metropolitanas. A construção era a base de telhas de eterniti e ripas ao invés de varetas. Sem falar, no formato equivocado do que seriam as janelas. Lembrei daquela música de Gilberto Gil. “Nos barracos da cidade (...)/ ô uou uou...”
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Um chá de simancol para Preta
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Gil é bom cantando funk, ijexá, reggae, rock, forró... enfim. Agora, não podemos dizer o mesmo de sua filha. Fiquei abismado com a cena que vi na “TV” neste São João. Era um tradicional show de Gilberto Gil, mas a sua filha Preta também estava no vocal da banda. Que cena triste. O pai ainda incentivava, mas a voz da moça não embalava ninguém. Alguém pode oferecer um chá de simancol pra ela? O fato do pai ser Ministro não lhe permite tudo. Olhe o nome do pai...
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Atrações da Festa
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Muita gente pede atrações de peso para o São João. E este ano, Irará anunciou Renato Fechine, Tio Barnabé e Dr. Xote. Eles se apresentaram, mas em horários pouco convenientes. Quando não foi muito cedo, era quase no amanhecer. Quem estava esperando “banda de nome” no melhor da festa, teve de se contentar com as bandas locais. E quem quer novidade, nunca se satisfaz com feijão com arroz, seja da casa de qualquer Dona Beltrana ou Fulana de Tal.
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O campeão da azaração
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Quem deve ter encontrado muitas fulanas, sicranas e beltranas foi o meu brother Marcílio Cerqueira. Tiro esta conclusão dos comentários na comunidade do Jeguerê no Orkut. Todos afirmavam que Vinicius Barcelar pegou todas. No entanto, não prestaram atenção quando Marcílio disse ter sofrido uma “overdose de amor”. Se assim foi, ele deve ter amado de todo jeito, em altas doses e com várias experiências. Título incontestável! Marcílio foi o Campeão da azaração. Nosso amigo Vinicius, assim como o vasco e o vitória, foi o vice.
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Comunicação direta
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Quem é vice, espera a sua hora de ser titular. Mas acho que o vice-prefeito de Irará, Vital Barcelar, foi pego de surpresa ao receber o maior cargo público da cidade, em plena noite de São João, com a Prefeitura fechada. A transferência foi feita verbalmente pelo prefeito-cantor, Juscelino Souza, durante o show de sua banda. Enquanto o prefeito cantava o vice governava. “Vital! Você agora está no comando”, disse Juscelino, sem mandar recado.
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Sub-liminar
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Recados não faltaram no show da banda do prefeito. Pra amigo, pra deputado, e pra tantos outros. Como já de praxe, ele voltou a afirmar “toda nega faz amor comigo”. Até aí nada de novo. A novidade da festa foi a participação especial do cantor Xexéu da Tribahia. Juntos, ele e Juscelino cantaram para o povo de Irará: “E aí? Chupa toda!”
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De boca suja...
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Quem mediu palavras para cantar neste São João foi Capitão do Saracú. Talvez de tanto ouvir que a banda era boa, mas o cantor tinha a boca suja, Capita esteja revendo seus conceitos, com vistas ao universo mainstream. Quem prestou atenção percebeu a ausência do trocadilho, “eu gosto de Juazeiro e adoro a putaria”, como era de costume. Ele também se controlou na hora da reza, dizendo “filho de P. chamado Júnior”. Isso mesmo, ele disse filho de P.
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... à boca ácida
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Não quis falar durante a reza, mas falou o que quis quando acabou o show. Em tom de desabafo, Capita deu um tapa com luvas especiais na organização da festa. Anunciou que o Saracú iria tocar na praça, só que não tinham colocado o nome deles no cartaz. “A gente agora é muito mais” disse o vocalista. E no dia do show, reclamou do som, pra todo mundo ouvir. Sei não viu. Ácido assim, ano que vem não vão contratá-lo, ou então colocam o nome dele no cartaz, com letras de néon e tudo. Quem quiser que mexa em produto de publicitário.
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Para estourar a boca do balão.
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A equipe de merchandising do governo municipal parecia querer estourar a boca do balão. Cartaz, outdoor, banners, panfletos, vídeos, anúncio na TV, várias mídias para difundir a festa. No entanto, nada que surpreendesse. Fica os parabéns pela filmagem, edição e mostra de imagens no mesmo dia, apesar da falhas técnicas do material.
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Deu xabú
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Já o outdoor não teve a mesma sorte do vídeo. Foi muito positiva a idéia, “o candeeiro se apagou”, para anunciar a chegada da luz elétrica em algumas comunidades rurais. Contudo, faltou direção de arte ao trabalho. O Lay-out do Outdoor tava muito ruim. E como se não bastasse o defeito estético, a peça ainda continha um problema ético. O anúncio sequer mencionava os outros parceiros da execução das obras, como se tudo tivesse saído exclusivamente dos cofres da prefeitura. Será? Ou “esqueceram” os “companheiros”?
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Arrasta a massa
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Companheirismo mesmo era daqueles do “São João na roça, no terreiro do vovô”. Os tempos mudaram, e até na roça a onda agora é banda e arrastão. No interior da Bahia, o nome da maré de violência das praias do Rio de Janeiro, virou sinônimo de bloco carnavalesco. Basta um carro de som, um padrão de camisas e forró elétrico. Em muitas comunidades rurais de Irará carnavalizaram o São João. Agora não é mais massa de bolo e sim de gente, nos caminhos da roça.
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Valentia suicida
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E se tem muita gente, bebo, carro, carroça, cavalo... Pode acabar em confusão. Num dos arrastões teve engarrafamento no trânsito e dois motoristas discutiram. Um deles puxou a arma para outro, mas não atirou. A vitima em potencial ao invés de agradecer a Deus, ficou foi chamando o sujeito de frouxo por não ter atirado. “Quem já se viu”. Deve ser por isso que dizem ter muito valente preso no cemitério.
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Quadrilhas
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Quem não quer ficar preso no passado são as quadrilhas. De São João, é claro. Este ano elas voltaram a aparecer na praça. Som de Trio de Sanfoneiro, iluminação inadequada, piso enlamaçado. Caminho da roça! Depois do São João, logo, logo, começam as campanhas eleitorais. No blá, blá, blá, da disputa de votos, uns vão acusar os outros de formadores de quadrilhas nada juninas. Deputados e cabos eleitorais. Cada quá, com seu cada quá.
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10.7.06

Jeguerê! Um campeão de dá inveja.

Tá, Tá, Tá, Taratatá, Tá, Tá, Tá!!! Concentração. Depois de tanta euforia e expectativa o jogo iria começar. Todos os ingressos colocados a disposição estavam esgotados. Recorde de público pagante. A emoção era certa para a hora de cantar o hino.

A seleção Jeguerê entrou em campo. Na escalação Manele do Acordeon, Nilson Aquino e Saracú de Nazareno. Um time pra jogar bonito e empolgar a torcida. Manele bateu bola na preliminar e passou para o Saracú. Os meninos fizeram uma bela jogada, atravessaram todo o campo e tabelaram com Nilson Aquino já lá na frente. É Gol! A torcida foi ao delírio. Ahñs, Ahñs, Ahñs, Ahñs! Rezou, cantou, bebeu, beijou!

Antes da chegada ao gol, uma barreira no caminho. O desvio anunciava a virado do jogo. A chegada na Campos Martins foi pelo sentido inverso. O Capitão do time Saracú nem esperou a rua se estreitar de fato. “Pára tudo! Não vamos entrar nesta rua tocando xote”, alertou o irreverente vocalista. O seu aviso fez o público delirar e acelerar. Forró galope e alguns trocam socos, outros trocam abraços. A efervescência do momento revelou a perfeita dupla de ataque que formam Saracú e Jeguerê.

A parceria foi oficializada em 2004. Coincidência ou não, ano do casamento do jegue. O Jeguerê levou o Saracú ao conhecimento de todo o público iraraense. O Saracú deu ao Jeguerê a afirmação do seu caráter irreverente e jovial. É como se um tivesse nascido para o outro. Nem o tempo dado na relação em 2005, quebrou o ritmo do jogo da dupla. Mais que casamento, entrosamento perfeito.

A sintonia dentro do campo, ou das cordas, não seria suficiente caso não houvesse dedicação fora dele. Nos bastidores, o Jeguerê conta com o trabalho de uma variada comissão técnica. O espectro de composição é amplo. Tem os cordeiros, para garantir que o “pelanca” não invada o campo; o pessoal de apoio, pronto para atender qualquer eventualidade; e os comissários, tão empolgados quanto chefes de torcidas organizadas.

O esquema tático é definido por uma dupla de organizadores. Artur Modesto (só no sobrenome) tá mais pra Felipão do que pra Parreira. Gosta de ver o time “brigando”, dando tudo de si, jogando na raça e na vontade. Eder Martins, mais cauteloso, prefere o jogo coerente para evitar furos na defesa financeira da agremiação.

Os dois contam com a participação de um conselheiro. Idealizador do bloco, o amigo é uma espécie de Zagalo para o Jeguerê. Ele Representa a história, a tradição, os títulos conquistados anteriormente. “L-u-c-i-a-n-o--d-e--R-e-g-e”, 13 letras.

Dr. Lú talvez não imaginasse em 1998, ano de criação do Jeguerê, que aquela “brincadeira da galerinha” (grifo meu) fosse tão longe. Ele, junto com Omar, Neto e Zé, dentre outros, simplesmente fundaram o bloco de maior público, repercussão e, ao menos até onde sei, o de maior longevidade da história de Irará.

O Brasil não foi hexa, mas o Jeguerê continuou sendo um arrastão campeão. Honrou a camisa. Assim como fez um conterrâneo nosso lá na Alemanha. Nilson Aquino, artilheiro de composições para o bloco, foi quem estava certo. “O Jeguerê é Dida/ é de dá inveja”.

30.6.06

Dêem uma olhada nos links

Recomendo que os amigos e amigas dêem uma olhada nos Links ao lado. Recomendo todos eles. Os responsáveis são bons no que fazem. Em breve deverei estar postando aqui alguma coisa do São João de Irará. Era pra ser esse fim de semana, mas parece não vai dá. Fim de semestre... sabe como é. Artigos pra entregar, provas, notas... e ainda por cima tem o 02 de julho e o aniversário de uma colega de copo e de cruz. Inté.

Quero vingar 86 e não 98

Incrível a falta de memória do brasileiro. Institucionalizou-se mesmo aquela balela que diz: “quem gosta de passado é museu”. O Brasil vai jogar com a França, jogo de quartas de finais e, até agora, só vi a mídia pontuar que é revanche da final de 1998. Neste ponto eu tenho de concordar com Parreira. Este jogo não pode ser um troco daqueles três a zero que Zidane e Cia deram no Brasil.
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Sim. Não pode. Primeiro porque este jogo não é uma final, como bem disse o dirigente da Seleção Brasileira. Depois, porque aquela decisão não parece ter sido assim uma disputa acirrada com glórias pelo triunfo no campo. E olhe que esta desconfiança não é pela amarelação do Ronalducho. Quem lembra das entrevistas dadas por Edmundo, o “animal”, quando ele retornou de Paris, sabe do que falo. Ou seja, se houve algo estranho, não haveria motivo para revanches.
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A partida de amanhã (01/07) precisa ser mesmo é um revide de 1986. Foi num sábado à tarde que a França de Platiní, mandou o Brasil embora da segunda Copa do México, justo nas quartas de finais. Quartas de finais, sábado à tarde. Compreenderam? Aí residem algumas semelhanças, perfeitas para uma desforra ainda mais saborosa, alimentando-nos do cardápio francês.
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Em 1986 a seleção brasileira era dirigida pelo saudoso Telê Santana. Telê havia sido o treinador do time de 1982. Uma das maiores seleções que o Brasil já teve. Era um time show de bola, com Zico, Júnior, Sócrates, Mozer, Eder, Oscar e tantos outros. Jogou bonito, encantou o mundo, mas infelizmente não ganhou a copa. Resultado: um quase esquecimento. Diferente do time de Parreira em 94. Quem sabe, não é por isso que Parreira diz que “show é ganhar”?
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Em respeito aos que acham que o futebol bem jogado é que merece vencer, chego a conclusão de que a França precisa de um castigo. Eles devem pagar por ter eliminado a seleção de Telê. Um técnico que gostava de ganhar, mas valorizava o futebol espetáculo. E o ideal seria se eles pagassem na mesma moeda.
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Naquelas quartas de finais, quando o jogo estava empatado em dois gols, o Brasil teve um pênalti a seu favor. Era a esperança brasileira de decidir a partida. Para cobrar a penalidade, foi escalado o craque Zico. O ídolo flamenguista vinha de algumas cirurgias, foi pra copa como dúvida e havia acabado de entrar no jogo. Zico chutou e o goleiro defendeu. O certame permaneceu empatado e acabou indo para as cobranças de pênaltis. A França ganhou. Naquele dia, o Brasil tava com tanto azar que até um pênalti que o francês chutou na trave, bateu nas costas do goleiro Carlos e entrou.
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Amanhã é mesmo dia de revanche. É sábado, é um jogo de quartas de finais. Para ficar ainda mais parecido, quero que tenha um pênalti a favor da França no meio da partida. Que Zidane cobre e o conterrâneo Dida defenda. Assim, Zidane termina sua vencedora carreira estigmatizado pela perca de um pênalti. Tal como ficou Zico na década de 1980. Se, por um acaso, tudo isso acontecer, a vingança será maligna.
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P.S – Cheguei a pontuar lá me cima, mas não lembro das entrevistas de Edmundo. Não lembro o que poderia ser o “algo estranho”. Devo estar com memória fraca. Afinal, sou brasileiro né?

20.6.06

Show da Zacatimuana no especial da TVE

A TV Educativa da Bahia destaca o Forró e grupos ligados à Cultura Regional durante toda esta semana. A banda Zacatimunana será a atração do Especial São João, que vai ao ar às 20h desta terça-feira, dia 20. O programa exibe um show da banda que tem como proposta musical a prática da MCB, ou seja, Música Cultural Brasileira, como o próprio grupo define. Uma boa dica do que pode ser a MCB, está presente na introdução de uma das músicas da Zaca (conforme transcrição abaixo). Contudo, para conhecer com maior profundidade, só mesmo ouvindo o som ou assistindo ao show.
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"Samba-de-roda, Xaxado, Ciranda, Ijexá
Agogô com tambor em Salvador
Maracatu, Bumba-meu-boi, Coco, Afoxé
Funk com cara de Baião-de-dois
No berimbau a cabaça...
Repique, cuíca fazendo graça
Chula, Xote, Cavalo-marinho,
Capoeira, umbigada no trio"
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Durante a semana os especiais da TVE seguem com as seguintes atrações:
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Quarta 21/06 – 20h - A Volante do Sargento Bezerra
Quinta 22/06 - 20h - Concerto de Borgnetti e OSBA
Sexta 23/06 - 20h - Renato Fechine

16.6.06

Cordel é Fogo e é Encantado

Na frente só voz e violão. Deixa que a percussão toma conta do resto. Assim é o Cordel do Fogo Encantado. E muitos são os que foram vê-los ou ouvi-los na Concha Acústica. Antes, na abertura, a presença dos igualmente pernambucanos do Mundo Livre SA, também responsáveis pela casa cheia.
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Um aboio a banda entra. Música meio calma. É como se o céu tivesse parado. Eis que de repente surge um trovão. Um som, mas não vem do céu. São os repiques dos tambores. Rufam, refutam e botam a massa pra pular. É mesmo musica pra pular, inspirada na cultura do sertão. Não há como não se empolgar com a energia dos rapazes vindos de Arcoverde, uma pequena cidade, no semi-árido de Pernambuco.
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Lirinha, vocalista da banda, parece ser ainda o ator de antes. Faz da concha acústica do TCA o seu teatro. Pula, gesticula, brinca com o pedestal. Movimenta pra cima, pra baixo, deixa lá e sai. Vai buscar o fogo. Traz e faz malabarismos com o candeero. Como se tivesse num circo sem futuro. Como se seu pai tivesse lhe ensinado a ser o palhaço. Aquele que conduz a alegria por onde a companhia Cordel passa.
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Vai chegando o tempo de ir embora. Respeitável público, é hora de apresentar a banda. Após a apresentação, o anúncio: “Vamos pegar o avião no Aeroporto Dois de Julho”. A multidão delira em aplausos. E pensar que disseram que eles não viriam mais à Bahia porque fizeram a mesma declaração noutro show.
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Empolgação a parte, é bom lembrar que vivemos numa democracia e a repetição do ato deve ter um preço sim. Talvez o Cordel não seja mais contratado por quem pensa que o nome de um homem pode substituir a história. Contudo, eles não devem se preocupar com isto, podem voltar a Bahia por outras mãos, porque sempre há espaço para um grupo que faz cultura. Sem precisar cecear a sua arte e pensamento.
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O som encerra. A banda vai ao fundo e volta. Só pra lembrar que nunca mais “eu vi o zoim do meu amor, o zoim dela briá”. Ah se juntin nós se bulisse e assistisse aquele show... E o Cordel do Fogo encantou até o clima. Nestes tempos de cair água pra boi nadar, a chuva deu uma trégua, só para deixar aceso o fogo do cordel.

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* Na saída da concha já tinha camelô gritando “DVD do Fogo Encantado”. Com a graça de Walter Benjamin, Deus salve a reprodutibilidade técnica.

Idéias, artistas e mundo livre

“Mas um batedor não come na mão de ninguém/
Nosso combustível é som/
Não aquele que as donas de casa
disputam nas prateleiras dos magazines incorporados/
Só porque já ouviram um milhão de vezes/
Nos templos sagrados de San Nike”

Trecho da Letra de “Batedores”, música do Álbum “Por Pouco” do Mundo Livre S/A.


Sexta-feira, 09 de junho, um bate papo na Facom (Faculdade de Comunicação) – UFBA. Da mesa Fred Zeroquatro, vocal do Mundo Livre S/A e Alexandre Matias, jornalista da Gravadora Trama, atiravam as suas idéias. Na platéia um público disposto a ouvir as considerações de ambos sobre os “ataques do fronte”, uma discussão acerca de música independente, industria musical, proliferação de bandas na internet e outras coisas do gênero.
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Voz calma, pausada, óculos pretos e de armação grossas, junto ao tradicional chapéu. Zeroquatro começa lembrando do passado e a dificuldade que as bandas tinham para difundir o som. Lembra os grupos do movimento punk, as fitas cassetes, os zines de mimeografos e relata a vontade de se expressar que todos tinham. “Era mais um grito do que música”, confessa o pernambucano. Logo depois fala do cenário atual, diz que sente a coisa mais democrática, apesar da dificuldade com alguns critérios.
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Matias entra na fala. Também comenta a revolução punk, retomando o “faça você mesmo” daqueles tempos. Assim como já fazem alguns estudiosos, trás o conceito pra a chamada revolução digital. Lembra dos blogs, fotologs, bandas disponibilizando músicas a doidado na rede. Só no site do Trama Universitário são 53 mil donwloads disponíveis. “O grande barato é poder colocar as suas opiniões no ar”, diz o jornalista, complementando que “as pessoas estão gostando de produzir informações, mesmo sem saber se tem gente lendo ou não” (me senti contemplado, rs, rs, rs).
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O debate na verdade, não era uma coisa seqüencial. Os dois falavam, comentavam a fala do outro e tentavam não dá espaço para a formalidade. Tratavam como se não tivesse minutos, tempo para o orador ou qualquer coisa do tipo. Era tudo meio sampleado, assim mesmo.
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Ai a platéia entra no samba. Antes da pergunta, o jovem dá uma de tiete e confessa: “adoro as músicas do mundo livre, gosto muito das letras e tal...” Fred Zeroquatro interrompe com um gracejo: “tem gosto pra tudo”. Risos no auditório.
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Outro colega quer saber como fica a Gravadora Trama diante das novas configurações. Do creative commons, da facilidade de copiar discos, do universo de musicas disponíveis na internet, etc, etc.
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Alexandre Matias responde. Ele explica que mais que uma gravadora, a Trama é uma empresa de música. Diz que somente disco e DVD não paga as contas. Por isso a empresa busca interagir com as novas formas de produção musical. “Um pé no mercado anterior e outro no que vai acontecer” atesta. Recorre a alguns números para dizer que “não há uma crise na indústria da música, mas sim na indústria do disco”.
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Resolvo entrar na festa. Começo falando em abrir espaços para bandas locais em eventos como o promovida pela Trama, com o Mundo Livre e Cordel do Fogo Encantado, no dia seguinte. Antes que termine a questão. Alexandre responde que vai ter um grupo soteropolitano sim. Tento continuar. Falo das bandas no mundo presencial, os sem internet, os que não conseguem chegar aos produtores. Vou até a mesa e entrego um CD demo do Solo Pedregoso a cada um deles. Na verdade, esta era a minha intenção, por isso me atrapalhei na pergunta.
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O ato de entregar aquela demo, ali presencialmente, num mundo onde as coisas são baixadas ou enviadas por e-mail, parece que não desagradou o público. Houve quem aprovasse aquele ato de “auto-publicação”. Fred levantou o CD e falou “Solo Pedregoso”. Em seguida fez o comentário sobre a importância do perfil empreendedor das bandas.
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Graduado em Comunicação Social, Zeroquatro afirmou que o músico hoje também precisa ser um pouco administrador. Saber gerir seu próprio negócio. Falou que o ideal é estimular que cada um tenha o seu próprio selo musical. Lembrou que numa única festa que tocou em Salvador vendeu 120 discos, coisa que, na época, não havia vendido seis meses nas lojas da cidade. Alexandre fez alguns comentários. O celular de Fred tocou. O ringtone não é o cavaquinho do Mundo Livre, mas sim a musiquinha da moça do Balcão BPN da Insinuante. Tem gosto pra tudo.
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Quando Alexandre Matias conclui e após atender a ligação, Zeroquatro retoma o microfone. Diz que tem várias bandas de conhecidos que ele queria dar uma força, salientando não ser tão simples assim. Lembra das rádios da política de massificação praticada por elas. “Sabe aquela música que você acha ruim, mas ouviu e ficou martelando na sua cabeça? É isso, o público menos criterioso acaba achando que a música é boa porque não consegue esquecer”. Exemplifica ao tempo que questiona: “Será que aquilo não é um jingle da gravadora disfarçado de música?”
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Muitos outros assuntos foram debatidos. A preferência por baixar as músicas e não o álbum das bandas na net. Questões de política internacional, tema recorrente em algumas letras do Mundo Livres S/A. Temas da mídia e da manipulação de informações.
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Zeroquatro lembrou o ocorrido com MLST em Brasília. Disse conhecer o Bruno Maranhão, um sujeito sangue bom e não aquela figura que a mídia tava tentando personificar. Salientou que a coisa é tão bem feita que até sua esposa, parente de Maranhão, quase se deixar levar pelo conteúdo da reportagem, na qual o Movimento não teve direito a voz.
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Questões políticas, sócias, culturais, todas elas estiveram presentes naquele debate. Do front e no confronto de idéias e percepções saímos todos ainda mais reforçados. No matulão de nossas cucas, a noção de que podemos ser batedores pela construção de um mundo livre
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