7.12.09
O passeio de Tom Zé em Irará
18.11.09
Não é de hoje que defendemos um show de Tom Zé em Irará...
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14.11.09
A 25 também é tropicalista. Azar das outras
Tom Zé entre Filarmônica e público
A sede da Sociedade Litero Musical 25 de Dezembro estava lotada. Junta-se o calor do ambiente ao aquecimento dos refletores, utilizados para as câmeras filmadoras, e aquilo se aproximava de uma fornalha.
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Tom lembrou fatos. Os elogios para a banda e o trabalho dos músicos não foram poucos. Contou histórias e, como sempre, arrancou risos do público. Lembrou aos iraraenses, ao tempo em que comunicava a seus parceiros, a condição de hours concours da 25 de Dezembro. “Eles ganharam tanto, que teve concursos que proibiram eles de concorrer”.
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Liderada pelo maestro Leandro Maciel a Filarmônica executava os números, anunciados pelo presidente Diógenes Barbosa. “Irará e Mundo Novo”, composição de Almiro Oliveira foi um deles. Entretanto, o destaque e a expectativa da noite era pela composição “Renato de Ceci”.
Mestro Leandro rege Filarmônica em frente a músicos de Tom Zé
Trata-se de uma autoria de Tom Zé, junto a dois parceiros, composta especialmente para a Filarmônica de Irará. A música é feita em homenagem ao saudoso amigo Renato Portela, pessoa que apresentou o violão à Tom Zé e lhe deu várias outras dicas. Ceci era a mãe de Renato. “De Ceci” é sobremenome em Irará.
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A música mereceu um bis no final. “Quem chegou atrasado pediu para ouvir a composição”, disse o presidente Diógenes. “A segunda vez é mais difícil, a responsabilidade é grande”, brincou Tom Zé com o maestro Leandro. E a Filarmônica mandou ver.
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“Eu to tão feliz, que se eu encontrar um jegue debaixo da jaqueira eu dou boa noite”. Assim Tom Zé tentava descrever a sensação estética daquele momento, ao tempo em que remetia a um dos casos iraraenses contados antes.
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Com olhos marejados, Dr. Deraldo ouviu a composição e as palavras de Tom Zé sobre Renato. “Eu que também sou filho de Ceci quero lhe agradecer Tom Zé”. Assim o presidente de honra da 25 de Dezembro, sendo dirigente da entidade por 40 anos ininterruptos, agradeceu a Tom Zé em nome de toda a banda.
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“Renato de Ceci”, ou “Ré Nato”, como estava escrito na pauta musical dos músicos, não parece ser uma música fácil de ser executada. O próprio Tom falou disso, mencionando subidas e descidas da música, exemplificando com nomes que quem é músico deve entender.
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Eu, particularmente, nunca tinha visto uma filarmônica tocar algo tão inventivo. Gostei muito da espetacular entrada do naipe de clarinetes. Fiquei viajando naquela canção como trilha sonora. Suspense, comédia, aventura, sei lá o que... E, cá com meus botões pensei: “isso é tropicalismo puro”.
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Era uma sexta-feira 13. Imaginei a Filarmônica de Irará executando aquele número em concursos Brasil á fora. Azar da outras...
vejam video com trecho da exucação da música, pena que não tem as partes finais quando vai ficando ainda mais revolucionário...
13.11.09
Na varanda com Tom Zé
“Estou no Edén”, fala Tom. “Para quem cuida de um pequeno jardim em São Paulo, isso aqui é o paraíso mesmo”, comento com ele. Árvores, galinhas, grama... sem falar da deslumbrante paisagem. Como o bate papo é bom, o tempo passa depressa.
A chegada de Tom Zé no Irará para a Feira da Mandioca
“Aê cambada de vagabundo!”. Foram as primeiras palavras que ouvi Tom Zé dizer. A face risonha evidenciava um misto de irreverência, de emoção, de irmandade, de carinho naquelas palavras. Me aproximo. “Salve Tom Zé!”. É a saudação. Um a um, vão vindo outros. Apresentam Tom Zé ao Prefeito Derivaldo e ele o cumprimenta com vigor.
João Martins faz as honras da cidade. Tira a própria camisa que vestia e passa para Tom Zé. A roupa trás o desenho dele (João), feito em homenagem a Mãe Melânia por ocasião da Lavagem 2009. Ajudo com a retirada do microfone. O aparelho auditivo de Tom cai a meus pés. O alerta vem de Guilherme. Daí, pego o aparelho e devolvo ao mestre que passa para sua esposa/produtora Neusa guardar.
Depois é só alegria. Tom Zé cumprimenta a charanga e abraça as meninas que estão logo à frente, se acabando de dançar. Ele segue, rua de baixa à cima, em direção à Purificação. Com destreza vai ao passeio e cumprimenta D. Dôra. A residente da casa 40 é, certamente, uma amiga de infância.
As crianças saíram da escola para ver Tom Zé. Elas estão acompanhadas dos professores e gritam: “Tom Zé, Tom Zé, Tom Zé...” . No meio do corredor formado, ele pula, acena, beija, abraça, cumprimenta. Vai ao passeio e fala com Leo. É o rapaz que minutos antes tocava os foguetes para anunciar Tom Zé. “Ele quis saber da loja de Eduardo”, informa o “fogueteiro”, dizendo-lhe ter comunicado que ali agora é a Panificadora Victor.
A Chegança da comunidade da Loja faz uma apresentação. “Ainda tem chegança em Irará?” Era um questionamento de Tom Zé antes de vir. Agora, com a chegança na sua chegada, ele tinha a comprovação. Recepção especial.
Tom Zé fica ali ao lado admirado. Acompanha o ritmo, faz movimentos com os pés. Tenta imitar os passos. Parece estar ali interpretando, viajando em algo... Ou, quem sabe, estudando a Chegança.
Muitos se aproximam, querem fotos. “Quero esse retrato para botar num quadro”, diz dona Noelia Pinho. Minutos depois, muitos orkuts também já estariam abastecidos. E assim, Tom Zé volta a sua terra para um show especial na Feira da Mandioca. E todos os olhos se voltam pra ele.
vejam video:
http://www.youtube.com/watch?v=5BPw0AsAkHM
Depois estarei postando mais videos. É que a internet aqui no Irará anda de jegue... rs.
10.11.09
Primeiro Perfis Artísticos: Apresentamos Tom Zé
Cartaz da primeira edição de Perfis Artíticos - Tom Zé
Depois assumi o controle do barco. Lendo parte do artigo mencionado acima, fiz um resumo da trajetória de Tom Zé, desde o nascimento em Irará até quando David Byrne lhe fez renascer para o mundo artístico. Depois mostrei, com alguns exemplos, como o da entrevista na Revista Caros Amigos (“o gênio de Irará”), a forma como o nome de Irará aparece na mídia pegando carona no nome de Tom Zé.
Tom Zé fará show na Feira da Mandioca de Irará
Trecho de entrevista no Programa do Jô foi exibido
Filme tem exibição na Quarta 11/11,
20 h, no mesmo auditório do Seminário
com Tom Zé "no lugar de Deus"
* imagens: Roberto Martins; Sérgio Ramos e Google Imagens
** design cartazes: Roberta Rodamilans
9.10.09
O cordelismo de Antônio Barreto
O “esconderijo” de Antônio Barreto
O ambiente tranquilo e ventilado contrasta com o movimento e o calor infernal da rua. Numa parede, um quadro tem a imagem de uma pomba e três letras abaixo: P, A e Z. Outro, localizado ao lado oposto da sala, traz a imagem do indiano Mahatma Gandhi.
Os sinais que poderiam evidenciar o ambiente como casa de um adepto da cultura oriental terminam por aí. Nada de elefantes, mandalas ou incensos. Estamos no “esconderijo” de um baiano nato. Um divulgador e fã da cultura nordestina. A rede no centro da sala e a bagunça ao redor, confirmam. E é assim que o proprietário da casa sente-se melhor.
“Quando arrumam, fico sem inspiração, depois que desarrumo tudo é que começo a criar. Eu preciso de certa desorganização para me organizar no meu processo criativo”, revela.
Universo infantil trouxe inspiração a Antônio Barreto
26.9.09
Ras Sidney Rocha

Publiquei o texto “Sidney Rocha: Rastafári, homem bom e nada maluco”, na Revista Lupa. O escrito foi construído baseado em conversas com Sidney, na palestra que ele fez na comunidade da Sucupira e na entrevista concedida a Emanuel Mirdad, publicada no Blog do Jornalista. Leiam!
8.8.09
8. Oito
Minha mãe vinha em meu socorro. Ela me ensinou que se eu desenhasse dois círculos, um a cima do outro, teríamos um “oito (8)”. Mas, isso não me agradava. Sei lá. Parecia jeitinho, atalho, facilidade. Queria o desafio. A vontade era aprender aquela outra forma “mais complicada” de fazer “o oito”.
Outra lembrança infantil do oito era no futebol. Naquela época, começo dos oitenta, quando o mengão ganhava tudo, o camisa oito daquele super time era o Adílio.
As jogadas do rapaz ajudaram a popularizar o algarismo na minha mente. Se, por acaso (por acaso mesmo), tivesse uma vaga pra mim no time dia de jogo, sem chance nenhuma de pegar a camisa 10 (era a que todo mundo queria, pela mística: Pelé, Rivelino, Zico, Maradona...), eu perguntada logo pela a que tinha o oito grafado.
Hoje, lembrando destes fatos, faço correlações. Estava ali, diante de mim, um número engraçado, com aquelas curvas sinuosas. Talvez, já – quem sabe - meio combalido pela libido da primeira infância, a visão de um número sensual. (Freud explica. Será?). Aquela cintura fina... Imagino uma lingerrie sobre o oito...
Duas vezes quatro. Dois elevado ao cubo. O oito lembra prazer. É só acrescentar um “c”, pra chegar a “coito”. Se quiser repetir, é só pedir “bis”; com oito fica gostoso e vira “biscoito”.
Numa dada canção, Gilberto Gil lembra que o número oito invertido é o símbolo do infinito (∞). O tempo sem fim não pede medida. Entretanto, a ampulheta, aquele negócio que serve pra medir o tempo, tem um formato parecido ao numeral do qual estamos tratando.
“Aff ! - você e suas manias de relacionar, comparar, ver letra de música em tudo”. Só não tenha pressa, dizem que o tempo tem respostas pra tudo. E eu, não quero ser taxado como: “affoito”.
Manias de nos mortais. Contar e esperar tempos. Pode-se até se medir em intervalos de oito. Oito horas, oito dias, oitos meses... O oitavo dia, do mês oito, do oitavo ano. A semana tem sete dias. Não falta quem diga que ela tem oito. E daqui a oito dias, tudo pode ser igual ou diferente. Talvez seja oito, ou, seja oitenta.
29.7.09
O pedido agora é Lei
Como já publicado aqui neste Blog (03 anos, 02 cartas, 01 pedido, 00 ação), essa luta já durava algum tempo. Em setembro de 2005, mandei uma carta para a Câmara de Vereadores, solicitando a criação da lei. Não tive nenhuma resposta. Em 2006 repeti o pedido. Nada. Em 2007 publiquei a situação no Blog. Nenhum comentário me foi feito sobre o fato.
Depois afirmei: “Ele (o prefeito) só iria gastar tinta de caneta pra assinar”. Justifiquei a fala apontando que a Lei não traria grandes prejuízos aos cofres do município. Ao que sabemos, grande parte das entidades já não tinham mesmo como pagar os impostos. A maioria inadimplente tinha era dificuldade na hora de celebrar convênios, pois lhes constavam dívidas municipais.
O pedido agora é Lei. Lei Municipal nº 617 de 25 de junho de 2009. Outras entidades que também desejarem a isenção devem procurar o setor financeiro da Prefeitura. Lá poderão obter informações de como proceder para conseguir a isenção, de acordo com o que prevê o texto da lei.

3.5.09
Memórias de João Falcão; histórias da Bahia
No sofá de casa, João Falcão exibe novo livro de sua autoriaTive a felicidade de encontrar João Falcão, 89 anos, por três oportunidades. Uma foi quando do lançamento do livro, “Não deixe essa chama se apagar”, no qual ele discorre sobre a história de resistência do Jornal da Bahia, do qual era diretor. As outras duas, quando fiz as entrevistas com ele, para escrever a monografia sobre as militâncias (política e cultural) de Aristeu Nogueira.
No hotel da Bahia a conversa foi rápida. João estava em noite de autógrafos. Apenas lhe fui apresentado através do amigo cordelista Antônio Carlos de Oliveira Barreto. Anotei o telefone dele, liguei e marquei uma entrevista.
Após a leitura de “O Partido Comunista que eu conheci – 20 anos de clandestinidade”, cheguei à casa de João Falcão, autor da obra, para a entrevista. Fui recebido de forma bastante cordial. Ele respondeu os questionamentos, relatou fatos e me presenteou com outro livro de sua autoria.
Na publicação “Giocondo Dias – A vida de um revolucionário”, encontrei informações sobre o PCB (Partido Comunista do Brasil) e, melhor ainda, uma breve descrição da fuga de Aristeu Nogueira para o Rio de Janeiro, quando do regime militar. A saga foi contada a João Falcão pelo próprio Aristeu em entrevista.
Após a leitura deste outro livro voltei à casa de João. Lembro-me do meu caráter empolgado nesses encontros. Sentia-me feliz por estar diante de um personagem vivo da história do Brasil. João Falcão, destacado integrante do Partido Comunista na Bahia, chegou a trabalhar como motorista de Luís Carlos Prestes, o legendário Cavaleiro da Esperança.
Outro dia, Claúdio Leal telefonou comunicando-me que João tinha lançado mais um livro. Em “A história da Revista Seiva” ele conta a trajetória de uma publicação baiana, dirigida por ele, que reunia texto de renomados intelectuais, desafiando a censura do Estado Novo de Getúlio Vargas.
Fiquei feliz. Certamente neste livro poderei colher mais alguma informação para acrescentar ao texto da monografia que escrevi. Afinal, além de Aristeu ter sido um dos colaboradores da Revista, ele foi sócio de Falcão na gráfica onde rodavam os exemplares. E, por ser um “homem muito oraganizado”, como bem lembra João Falcão, Aristeu era responsável por toda organização burocrática da gráfica.
Além disto, a leitura do livro é mais uma oportunidade para conhecer momentos importantes da história da Bahia. Ainda bem que João Falcão esta nos dando a oportunidade de compartilhar suas memórias.
Feliz dos homens que quando chegam à melhor idade tem boas histórias para contar. João Falcão é um deles.
Claúdio Leal entrevista João Falcão e Armênio Guedes
Por conta do lançamento do Livro “A história da Revista Seiva”, o amigo Claúdio Leal, Repórter de Terra Magazine, entrevistou João Falcão e Armênio Guedes.
Residindo hoje em São Paulo, Guedes foi companheiro de Falcão e de Aristeu Nogueira no Partido Comunista. Além de atuarem juntos no Partido, Armênio Guedes e Aristeu Nogueira, atuavam na mesma célula partidária e eram colegas de turma na Faculdade de Direito.
Leia entrevista -
Foto: Haroldo Abrantes – ag. A TARDE - tomada de “empréstimo” da notícia do A TARDE.
5.4.09
Banda de oportunidade
Saíram, tentaram, andaram mundo, mas os acontecimentos não se deram conforme os seus desejos. Então, entraram no momento citado.
Sem alcançar as metas pretendidas passaram um período “atendendo à pedidos”. Se o contratante quisesse uma banda de axé, lá iam eles tocar axé. Se era época de São João; lá estavam tocando forró. E se a onda é salsa? Nada melhor do que se remeter ao semba de Angola, país africano onde passaram uma temporada.
9.3.09
Salve-me Já!
Em Irará também há consciência ecológica. Ainda que seja para uma minoria; mas há.
“Salve-me já!”. O Pedido apregoado na árvore parece um clamor dela própria. No entanto, trata-se de um alerta do Sr. José Américo. O “protesto” visa chamar atenção quanto ao padecimento de uma das grandes árvores da Praça Pedro Nogueira (Matriz).
A iniciativa lembra umas das ações do Greenpeace. Esta ONG (Organização Não Governamental) roda o mundo soltando balões, fazendo apitaços e colocando faixas, dentre tantas manifestações criativas. Recentemente, puseram uma faixa gigantesca, de alto à baixo, no Elevador Lacerda em Salvador, com vistas a provocar a discussão acerca do aquecimento Global.
Zé Américo fez uma ação menor. Sua placa não foi notícia no rádio ou na TV. Não lhe valeu a “Garota do Fantástico”. E, até onde sei, nem se quer uma linha em A Gazeta de Irará.
Apesar disto foi vista (oie eu aqui falando), um pouco comentada e até ridicularizada por alguns. Para mim, a atitude de Sr. José Américo foi tão válida e criativa quanto algumas ações do Greenpeace. Mais ainda, por ele ter me confessado ter consciência prévia da cacofonia que o texto da mensagem gera.
Dito desta forma, a duplicidade do protesto merece respaldo. Ao mesmo tempo Zé Américo alerta para o descaso ecológico e crítica o caso escatológico.
“Sanitário: sinal da civilização”
Pois sim. Não canso de citar o conterrâneo Tom Zé e algumas falas de suas entrevistas. Certa feita, ele disse ser “o vaso sanitário um dos sinais da civilização”. Penso que os sanitários públicos também devem ser.
Em Irará, Praça da Matriz, início do Século XXI, por volta do ano 2001 ou 2002. O então Prefeito Amaro Bispo (Marito), governando a cidade pela segunda vez, resolve fazer dois kiosques na Praça da Matriz.
Kioske envolta de árvore: crime ecológico?Colocaram energia, bancos em volta, grades de proteção... mas, parece que esqueceram alguma coisa.
Bar funcionando sem sanitário? Pois sim. Em Irará tudo pode acontecer. E se Octávio Mangabeira dizia que quando se pensa no absurdo ele já aconteceu na Bahia; em Irará ele já virou foi tradição.
Em dezembro de 2004 encerrou-se o segundo governo de Amaro Bispo. E o sanitário dos Kiosques? Nada!
No ano de 2005 inicia-se o governo Juscelino Souza. Em 2008, termina os quatro anos do mandato de Juscelino. E o sanitário dos Kiosques? Nada!
Cerca de oito anos sem sanitários nos bares da Praça da Matriz. Sem ter onde derramar as sobras da cerveja consumida, os clientes dos kiosques vão dando “seus pulos”.
Árvores e muro da escola
As mulheres, quando necessitam urinar, vão à lanchonete de Gauchinho, em casa de algum amigo ou sei lá o que é que fazem. Já os homens, se valem do muro da escola Dr. Juliano Moreira ou das árvores em volta.
(Numa novela, o personagem Jorge Tadeu regava uma planta com sua urina. A árvore da novela cresceu. Já as da vida real, na Praça de Irará, parece não suportarem tanto regamento...)
O efeito da cerveja aumenta; a vergonha diminui. Os fieis da Igreja Católica, logo ao lado da Escola e quase em frente ao Kiosque; todos os transeuntes e os moradores da Praça. Todos eles sujeitos às cenas do “mijatório”.
Nas proximidades do “banheiro improvisado” fica o odor de urina. As pessoas começam a sinalizar que o muro da Escola pode estar condenado e as árvores, visivelmente, vem perdendo sua saúde desde a instalação dos quiosques na Praça.
A comunidade tem reclamado. O próprio Zé Américo, em anos passados, já havia publicado texto em A Gazeta de Irará, falando da situação. Pelo visto, ele é mesmo um Nogueira. Madeira resistente. E além do mais, é um brasileiro: “não desiste nunca”.
Num sábado, 03 de Janeiro de 2009, eu estava no Kioske, quando fui abordado por algumas pessoas que, sabendo da minha condição de participar do Governo Derivaldo (2009-2012), me indagaram sobre a questão do sanitário na Praça.
Alguns eram eleitores de Juscelino, mas, preferi não contrastar os quatro anos sem providências, com o apenas um dia útil (sexta-feira dia 02 janeiro) do governo que se iniciava. Ao contrário, me irmanei a eles: “to nessa luta com vocês”.
Algumas semanas depois, uma distinta dama da sociedade iraraense, também me fez o mesmo pedido: “meu filho, você que tem mais contato com o Prefeito, fale com ele. Aquele absurdo não pode continuar”.
"Sanitário pra Advogado"
Não continuar tendo problemas com sanitários era tudo que queria os produtores de uma badalada festa de camisa de Irará. A cada ano, o problema histórico da festa vem tentando ser sanado.
Na edição 2009 do evento, além dos sanitários da AABB, que não foram suficientes no ano anterior, eles instalaram sanitários químicos. Contudo, a problemática persistiu.
Os sanitários da AABB, reservado ao público masculino, não suportaram a demanda e nem o mau comportamento de alguns. Virou lamaçal e daí, já sabe. Reclamações.
Um dos foliões da festa não tardou a falar: “eu paguei, mereço um tratamento decente”. A crítica justa dele, com a expressão “eu paguei”, também reflete o comportamento típico de uma geração que foi mais preparada para ser consumidor do que para ser cidadão.
Pagou, tem de “brigar” pelo devido funcionamento. Ninguém pagou pelas árvores na Praça. Talvez por isso, ninguém tenha que brigar pela sobrevivência delas.
Outro folião da festa, também foi exigir seus direitos de consumidor. Neste caso, o interlocutor falou com mais propriedade. Faltou apenas citar números de leis, artigos ou incisos.
O rapaz chamou um dos Produtores da Festa e disse:
“velho arranje um lugar para eu ‘mijar’ aí. Eu sou um advogado. Não posso ‘mijar’ em qualquer canto”.
O Produtor apenas respondeu: “aqui todo mundo é igual”.
Sendo esses tipos que bastam tirar uma graduação em qualquer Faculdade e já sai achando-se os “doutores”, “raça superior”; bem que merecia uma resposta mais ampla. Pena que não teve.
Agora. Fico me questionando. Como séria uma sanitário de advogado? Será que seria personalizado? Como um “trono” em forma de Toga? Do jeito que temos visto o comportamento de alguns Juízes aí...
“É urgente é urjá”
Voltando ao assunto do sanitário público, já que a privada, digo, o privado não é um problema de todos, mas sim dos consumidores do evento, quero dizer da necessidade da providência dos sanitários na Praça da Matriz.
Passadas as agonias das festas de fevereiro, período no qual, instalou-se sanitários químicos na praça, embora alguns tenha se negado ao uso, coloquei o assunto em questão diretamente com o Prefeito.
A conversa ficou mais ampla. Derivaldo também pontuou necessidades de outras mudanças estruturais na Praça. Concordei e fiquei esperançoso. Entretanto, não deixei de pontuar a urgência de resolver a problemática da falta de sanitários.
Como diz a canção de Tom Zé, o caso dos sanitários “é urgente é urjá”.
Em sendo uma situação emergencial, não precisa fazer nada muito elaborado. Muito menos seria necessário colocar um “banheiro de advogado” na Praça.
Tenho certeza que, quanto antes o Prefeito Derivaldo resolver este caso, toda a gente iraraense, independente de quem tenha votado, vai gostar da atitude. E quem sabe até reserve uma salva de palmas pra ele.
“Só Jesus Cristo Salva”. E eu vou salvar este texto, pra ver o que o tempo vai me dizer.
Enquanto o tempo não diz, nós vamos pedindo por solução, pelos problemas ecológicos e pelos escatológicos. Pedindo socorro, clamando por ajuda: “Salve-me já”.




