25.2.07

O Zeca de Magalhães que eu conheci

Foi assim rápido e inesperado. O primeiro e-mail informava que Zeca de Magalhães tentava consertar uma goteira no telhado de sua casa. Caiu, bateu a cabeça, deu traumatismo craniano, estava no hospital em coma. Dias depois, o segundo e-mail fez acabar as nossas esperanças. Zeca não mais habita o mundo dos mortais.

Zeca: "Pensador"


Conheci Kzé, como também era chamado, no Colóquio de Literatura Popular, no mês de novembro do ano passado. Durante a pré-produção do evento, eu procurava um palestrante que falasse de poesia sem academicismos, na linguagem do povo.
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Gustavo Felicíssimo me mandou uma lista de poetas, os quais poderiam falar da Poesia Marginal. Vi o nome de Zeca lá. Lembrei que Vânia Medeiros trabalhava com ele no CRIA (Centro de Referencia da Infância e Adolescência) e fiz contato com ela.
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“Ró, Zeca é maravilhoso. É o cara que você tá procurando”, disse Medeiros. Confesso que achei que Vânia exagerava, mas mesmo assim liguei para o Zeca.
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Tivemos um contato rápido e ele demonstrou bastante interesse em se fazer presente ao evento. Não fez nenhuma exigência, depois me enviou cordéis do CRIA. Fui até a sede da ONG conversar com ele. Lá, fui recebido com bastante cordialidade. Zeca quis saber do Colóquio, deu idéias e ainda sugeriu nomes para ocupar a vaga de outro companheiro que, de última hora, não poderia estar presente. “Quero participar do evento todo, não só no dia da palestra”, me disse ele.

Recitando poema no Vinhos & Versos

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Em Irará, gostou muito do Vinhos & Versos. Observou e recitou poesias de sua autoria. No sábado, chegou cedo na feira-livre, trazia uma banquinha de cordéis. Mais do que assistir a apresentação dos repentistas, como havia combinado, queria “participar do evento”. A tarde não foi diferente. Assistiu a oficina de cordel de Gutenberg e observou a xilogravura sendo ensinada por Gabriel Arcanjo.

Vendendo cordeis na Feira-Livre

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Ao final das oficinas na Casa da Cultura, tivemos um pequeno bate-papo na descida até a sede da Filarmônica. Zeca queria saber onde seria a palestra da noite. Neste pequeno caminho ele contou a mim e a Marcílio um pouco das peripécias da sua vida.
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Foi muito interessante ouvir o relato daquele carioca que devido a uma desilusão amorosa, viveu literalmente o que tem naquela canção do Barão Vermelho. Ou seja, viajou a pé do Rio a Salvador.
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“Comprei uma lata de “Grand Prix” e encerava caminhões nos postos de combustíveis”. Relatou Zeca para demonstrar como conseguia dinheiro para se alimentar, nos vários dias da viagem em que, por algumas vezes, pernoitou no mato, debaixo da chuva, no seu saco de dormir.
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À noite, no horário combinado, Zeca estava na sede da Filarmônica 25 de Dezembro para a palestra. Gustavo Felicíssimo era o outro conferencista.
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Gustavo falou primeiro e abordou uma espécie de conhecimento para poder se trabalhar com poesia. Zeca olhava para Gustavo e fazia suas anotações. Chegou sua vez de falar. Foi de encontro a algumas das considerações de Felicíssimo. Falou simples, na linguagem do povo. Se fez entendível para aquele pequeno público presente. Abordou não só a poesia, mas a cultura, a vida e os sentidos da mesma.

Um bom debate com Felicíssimo (de amarelo)
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Ouviu muitos comentários positivos com relação às suas falas. Lembrando do momento em que Zeca discorreu sobre os vícios da academia, Edma Oliveira aproveitou para fazer uma constatação: “Zeca você é muito inteligente, se você tivesse o curso universitário, nem sei onde você estaria”, disse a professora para frisar que alguns só valorizam quem tem o diploma.
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Vendo todos empolgados com Zeca, eu já não achava que Vânia tinha super-valorizado o seu amigo. Pelo contrário, acreditava agora que minha colega havia sido modesta, porque a satisfação do público para com o palestrante foi muito maior do que eu poderia prever.
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No domingo, encontrei Zeca de Magalhães pela manhã, lá na Pousada de Dona Emília. Ele havia acordado há pouco tempo. Depois foi à Casa da Cultura e gravou entrevista para o vídeo do evento com Daniel Cortês, Mateus Damasceno e Bruno Buke. Deu aula abordando a resistência da cultura popular perante a cultura massiva. Na seqüência, tentei levar Zeca até a casa do amigo Zé Nogueira, mas fomos impossibilitados pelo avançar da hora.
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“Não se preocupe Robertinho; gostei de Irará. Achei muito interessante a cidade, as pessoas, a feira-livre daqui. Um final de semana desses, eu volto e trago minha esposa. Ela está precisando sair para espairecer. Perdemos um filho há pouco tempo em um acidente automobilístico, ela está muito deprimida”, me relatou Zeca de Magalhães preocupado com sua companheira. Ele ainda avaliou que seria bom ela trocar idéias com Nogueira, pois, assim como ela, Zé trabalha com artesanato e faz oratórios em miniaturas.
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À tarde, na hora da despedida Zeca me sugeriu uma idéia. “Vamos colocar Irará no projeto Ser-tão Brasil!”. Gostei da sugestão. Ele me falou que poderíamos criar uma representação através da Casa da Cultura. E já em 2007 entraríamos como cidade convidada. Uma excelente proposta para os iraraenses se integrarem a este movimento que a cada ano une, numa cidade sede diferente, a arte e a poesia de onze municípios do interior baiano, escolas e representações de mais de vinte bairros de Salvador e da RMS.
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Outro dia, vou subindo a ladeira em direção a Biblioteca Central do Estado, nos Barris, quando ouço um chamado. “Robertinho Irará!”. Era Zeca visual um pouco modificado devido a barba, mais crescida com relação ao dia do Colóquio. Parei para falar com ele. Brevemente me contou seus planos de mudança para Cachoeira, de montar uma livraria lá. Sua filha passou no vestibular para a Federal do Recôncavo e ele pensava em fixar residência no interior.
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Conversa prazerosa. Lembramos de projetos a serem feitos. Fiquei de procurá-lo para ver a idéia do Ser-tão. Idéias, planos, vivencias... Tudo abruptamente interrompido. Por uma goteira. Uma queda. Uma morte estúpida. Fatalidade humana, cujo sentido relutamos em compreender, sobretudo quando se parte ainda jovem de modo totalmente inesperado.
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Daquele último bate-papo, fica a lembrança do sorriso e do sotaque de alguém que acreditava na vida. Foram poucos encontros, poucas conversas, mas, ainda assim foi possível aprender algo com aquele poeta.
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José Narciso de Magalhães Carvalho de Moraes Filho era mais do que um dos poetas na praça, agitadores da Praça da Piedade nos anos 1970/80. Mais do que um nome da Poesia Marginal. Mais do que um produtor cultural. Zeca, pelo que pude perceber, foi um guerreiro em prol da cultura. Um humanista. Captei essa mensagem no Zeca que conheci. O “tempo” nos tirou a oportunidade de conhecê-lo mais.
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Fotos:

Vinhos & Versos - Emerson Nogueira

Outras - Daniel Cortês, Bruno Buke, Mateus Damasceno - não necessáriamente nessa ordem, ou nessa composição.

20.2.07

Era uma vez...

...duas grandes árvores na Praça da Bandeira (Jardim do Coreto) em Irará.









* Cliques feitos em 25 de janeiro de 2007.



16.2.07

Salvador Negroamor: imagens do verão

A exposição Salvador Negroamor com certeza está entre as imagens marcantes do verão soteropolitano. São 1.501 painéis expostos ao ar livre por toda parte da capital baiana. O destaque das imagens são pessoas do dia a dia da cidade de Salvador e de Angola.


Painel na esquina da Av. Ademar de Barros com Av. Oceânica

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Vendedores ambulantes, cobradores de ônibus, transeuntes do cotidiano da cidade, entre outros, configuram os “anônimos” apresentados na mostra. Claro, pessoas com nome e identidade, apesar da mídia parecer não considerar assim. Daí, as aspas.
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É notório que para se fazer a exposição e seus painéis gigantescos nos prédios, outdoors, fotografias em postes, entre outros mídias, gasta-se muito dinheiro. O projeto captou cerca de R$ 2 milhões via Lei Rouanet. Fato que tem gerado questionamentos e algumas polêmicas em torno da mostra.
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Discussões à parte, a repercussão da exposição também encontra espaço para comentários sobre o seu sentido e impacto social. Entre eles, os dos próprios fotografados. "Quando fui ver a foto da minha filha, na Linha Verde, fiquei parada, muda, sabe por quê? Estamos vendo a revolução dos humilhados", diz a dona de casa Hilda Almeida dos Santos, 48 anos, em entrevista para a reportagem do A Tarde On–line.
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Postes foram usados como suporte em quase toda a cidade
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Elevar a auto-estima destas pessoas é outro ponto defendido na exposição. Em entrevista ao programa Soteropolis, que vai ao ar pela TVE-Bahia, Sérgio Guerra, fotografo e produtor da exposição, também defendeu esta idéia.
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Numa outra entrevista para o jornal Correio da Bahia, Guerra vai além: “Quando olho para Salvador, vejo uma cidade dividida, preconceituosa e muitas vezes racista. O conceito de cidade alta e cidade baixa aqui é literal”, desabafa.
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É bom lembrar que Salvador Negroamor não se resume à mostra fotográfica. O projeto também compreende a produção de um CD, o edição de um livro e a fundação de uma ONG, a qual já criou uma escola para alfabetizar adultos na Feira de São Joaquim.
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“A Riqueza” - prima pobre
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De todos os argumentos, contra ou a favor, da exposição Salvador Negroamor, um me incomoda. Especificamente o comentário de alguns analistas sobre o “ineditismo da idéia de evidenciar pessoas “anônimas”” – olhe as aspar de novo.
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A mesma abordagem foi feita pela exposição a “Riqueza de Irará”, realizada pela Casa da Cultura de Irará em janeiro de 2005, dois anos antes de Salvador Negroamor. E, quem sabe, neste imenso Brasil, outros já tenham tentado fazer o mesmo sem sucesso.
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O diferencial é que na mostra realizada em Irará, não houve leis e, quase, nenhum outro tipo de incentivo. E, sem a magnitude da prima soteropolitana, a exposição iraraense não atingiu o grande público ou mobilizou a cidade.
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No entanto, o pouco destaque atingido pela mostra iraraense fez cumprir o seu objetivo. Ou seja, mostrar que pessoas são o maior patrimônio. E a maior riqueza de um lugar são as pessoas que o compõe. Prerrogativa que também marca Salvador Negroamor ao chamar atenção para a riqueza da capital baiana e de Angola.
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- visite portal do projeto Salvador Negroamor: www.salvadornegroamor.org
- leia abaixo texto publicado na época sobre a exposição “A Riqueza de Irará”.
Fotos de Shirley Stolze "tomadas de empréstimo" no site do Salvador Negroamor

Reconhecimento da própria fortuna

Mostra fotográfica surpreende fotografados
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- texto escrito e enviado para grupo iraraense (iraraense@yahoogrupos.com.br ) em fevereiro de 2005 -
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A Casa da Cultura de Irará realizou no sábado, dia 29 de janeiro, a segunda mostra fotográfica do mandato atual. Com imagens captadas por Zé Falcón, estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA, a mostra pretendia chamar a atenção da população iraraense para a beleza que existe “escondida” no dia a dia da comunidade.


Cartaz da Exposição mostra foto de transeunte da Feira Livre

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O titulo, “A Riqueza de Irará”, foi inspirado no pensamento de Edimário Duplat. Estudante do curso de Produção em Comunicação e Cultura da mesma Universidade. Edimário, quando conheceu Irará em julho de 2003, afirmou que “o maior patrimônio de Irará são as pessoas” e diante da própria afirmação se questionava: “O que faz essa gente ser assim? É a água?”. Seja pela água ou pelo fogo abrasador de quem é “nascido da luz do sol” (1), o certo é que a revelação reflete a riqueza de um de povo que parecia estar se descobrindo.

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Açougueiro admirado com própria imagem

Fotos expostas nas paredes, olhos brilhando nas faces. Para alguns, era difícil se imaginar retratados em reproduções, digamos... artísticas. D. Andreza, vendedora da barraca de sandálias na feira de Irará, confessou: “Eu já tirei muitas fotos rindo, mas nunca com um sorriso assim”. Emoção mesmo sentiu o açougueiro, apontando em estado de contemplação para sua imagem. Saiu, voltou, trouxe amigos para ver. O mesmo se deu com a senhora que vende mangaba.
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A jovem grávida exclamou, “aqui!”. Na foto, o policial alisava o seu ventre aguardando um próximo rico iraranese. A menina do caldo de cana e sua mãe concederam entrevista para a TV Subaé. Depois de se reconhecerem em fotografias, identificar-se-iam no vídeo, via jornalismo televisivo de Feira de Santana. A TV reportou, cartazes, “mosquitinhos”, “boca a boca”, ainda assim, nem todos ficaram sabendo do evento. Talvez por isso, não foram se ver retratados. Outros, como o moço que teve sua imagem publicada no cartaz, ouviram dizer por terceiros. “Ele é meu sobrinho, vou contar pra ele”, disse a tia do “modelo”. Teve quem saísse sem nada comentar. E para alguns, aquilo tudo era estranho.
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“Eles tiraram fotos até dos feirantes”. Pobre senhora, nem percebeu na sua afirmação a discriminação arraigada na sociedade brasileira há séculos. Aquela de que gente só são os nobres, políticos, celebridades, os VIPs (do inglês, very important person). Pessoas importantes mesmo, são eles. Os construtores do município, aqueles que fazem o dia a dia e movem a economia e a vida local. Quem sabe já com esta percepção, a funcionária da limpeza pública municipal questionou: “Por que não faz uma com os garis também?”. “Boa idéia”, respondeu Roberto Martins, presidente da Casa da Cultura, certificando seu pensamento de que uma verdadeira política cultural deve mexer ai, na auto-estima das pessoas. Assim eles se sentirão gente, povo, nação, edificando a sua identidade.
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Noção de política pública não pura e simplesmente apaixonada, mas já com a sua dose de racionalismo. Admitindo a não rejeição do pensamento vigente, mas pensando em maneiras de como usufruí-lo para depois nega-lo. Sendo assim, nada de mais estando em pleno circuito festivo, colocar um bar na exposição. Isso permitiu o seu parcial funcionamento durante a noite, visto que as fotos maiores permaneceram nas paredes e possibilitou sua visão até para aqueles que não se importavam em ver a Mostra Fotográfica. “Isso aqui não é exposição não. Isso aqui é um bar. Só que botaram esse negocio ai”. Explicou um popular em plena festa, não percebendo a riqueza de Irará e ficando um pouco mais pobre.
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Com uma exposição que mostrava as pessoas de Irará em meio à maior festa popular do município, a festa da padroeira, a Casa da Cultura realizou mais uma etapa de sua atividade. Gratos a todos que contribuíram. Sr. Raimundo Ribeiro pelo espaço, Viva Irará pelas esteiras, Casa do Artesão pelos potes e especialmente ao camarada Zé Falcón. Ele é desses que, como diria o conterrâneo Tom Zé, nasceu com defeito de fabricação e acredita que se apresentarmos a este povo a sua própria fortuna, pode começar a “nascer Jesus Cristo e Fidel Castro pra todo lado”.
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(1) Existe um quase consenso popular de que “Irará” em linguagem indígena quer dizer: nascido ou criado da luz do sol ou do dia. No entanto há dicionários de línguas indígenas a classificar “Irará” como animal mamífero que gosta de se alimentar de mel. Existem outras versões populares para o significado do nome da cidade.

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Texto do Cartaz:

"É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana"*

As pessoas. O povo. Na feira, nas ruas, no seu trabalho diário. Os indivíduos que constroem o Irará de cada dia. Alguns deles, sempre vemos, mas não sabemos nome, ou mesmo onde moram. Estas personalidades, e todas as outras não captadas pela lente de Zé Falcón, cada uma a seu modo, fazem este município ser o que é. Elas são o nosso maior patrimônio. A riqueza de Irará.

* Aspas de Carlos Drummond de Andrade.

19.1.07

Uma onda pra bater além da praia

Clima de verão na capital da Bahia. Salvador é sol e mar. E por falar em mar, é bom lembrar que as “ondas vêm e vão com o tempo”, como diria a canção. No noticiário, a moda do momento volta a ser o nepotismo.
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O assunto foi destaque nas edições do A TARDE de quarta 17/01 e de quinta 18/01. As reportagens publicadas pelo diário informam sobre dois inquéritos civis instaurados pelo Ministério Público para averiguar a prática de nepotismo na Prefeitura e na Câmara Municipal de Salvador.
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Se a onda pega, podem começar a investigar nepotismos em todo o canto. Em tempos de marés revoltosas, a ondas podem ir além da praia. Será que chegam ao interior?
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16.1.07

O bom, o mau, o feio e a fotografia digital

Há filosofias defensoras de que os contrários sustentam o mundo. A dialética, a disputa entre forças opostas, a necessidade do conflito. O equilíbrio seria a chave para o viver melhor. Imagine um mundo sem contrários. Sem oposição entre bom e mau, entre feio e bonito, por exemplo.
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Até para poder servir de referência o contrário deve existir. “O que seria do azul se não existisse o amarelo?”, pergunta a velha frase. Sem o ruim, diante do que iríamos comparar o bom para saber se é bom mesmo? Estava pensando no uso da fotografia digital e acabei esbarrando nessas idéias...
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Sim. Porque na fotografia de hoje, corremos o risco de acabar com o feio, o inesperado, e também o “pêgo de surpresa”. Até mesmo naqueles aniversários familiares, regados a cerveja e carne na brasa, onde a fotografia sempre flagrava um com a boca toda suja de farinha.
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Agora é diferente. “Tira a foto!”. Logo o “fotógrafo” diz: “Ficou bom não. Vou deletar e fazer de novo. Perái! Agora sim, ficou legal!”. O “legal” quer dizer sem falhas, sem erros. E os “erros” que conseguirem passar na hora do clique, com certeza não escaparão a impressão. E se tiver photoshop, aí que eles não passam mesmo.
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Que fotos teremos para a posteridade? Tudo certo, sem erros? Não sei. Só sei que as fotografias documentais não podem perder a graça de alguns dos seus equívocos. Principalmente as falhas imperceptíveis no momento, mas que no futuro estarão lá, para, quem sabe, re-afirmar as dualidades, possíveis motores da vida.

13.1.07

Devolução já!

Alguns carros circulam pelas ruas de Salvador com o adesivo da campanha: “Devolva meu Bahia”. A iniciativa tem sido incentivada por Mário Kertézs, ex-prefeito de Salvador e âncora da rádio Metrópole FM.
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Toda vez que vejo esta propaganda só me lembro de um jornalista amigo nosso. Ele fez a cobertura jornalística da prefeitura quando, o hoje “radialista”, Kertézs era prefeito. O cara, ao que parece, não conseguiu pegar o “Mário atrás do armário”, mas não perde a oportunidade de pegar no pé do rapaz.
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Quando pode, ele não deixa de dizer que na gestão de Mário a prefeitura da Capital baiana teria sofrido grandes desfalques. Certa feita, num seminário cujo objetivo era discutir mídia independente e credibilidade em veículos de comunicação, ele chegou a questionar a moral do Sr. Kertézs para dirigir programas jornalísticos.
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Não quero entrar no mérito da questão. No entanto, toda vez que vejo a propaganda pela “devolução do Bahia”, lembro do jornalista e penso num outro apelo publicitário, com necessidade de lançamento urgente.
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Afinal, já passou da hora de ser criada uma campanha para que políticos corruptos devolvam dinheiro aos cofres públicos. Sugiro até um slogan: “Devolva meu dinheiro, vagabundo, trambiqueiro. Já!”

Uma questão de fé coletiva

“É só juntar a minha fé com as fezes de vocês”. Assim disse um vereador, com relação as suas perspectivas, após ter sido eleito presidente da Câmara Legislativa de seu município.
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O fato, que me foi contado por uma fonte segura, aconteceu numa dada cidade do interior baiano. O relator do caso, por sua vez, não foi capaz de se lembrar o nome da cidade. Será que alguém pode nos ajudar?
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A percepção do observador/eleitor é que, no calor do seu discurso o vereador não lembrou que a palavra “fé” não flexiona, muito menos observou o trocadilho que esse aparente plural faz.
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Para alguns, está tudo em casa, já que “há políticos que só falam merda mesmo”. Só com a fé de todos para mudar isso.

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Veja uma explicação na net sobre o plural fé.

2.1.07

"Irará nada!" Na virada.

Virada de ano. Teve festa na roça, mas no centro da cidade, nada. Os foguetes, de particulares, que brindaram a chegada do ano foram bem tímidos.
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Uma senhora me disse que: “uma prefeitura tá de luto; a outra tá falida...”. Hei! Cidade com duas prefeituras??? Nunca vi. Mas, mesmo sem “cascata de fogos”, Irará “nada” na virada do ano.
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É melhor não ter foguetório. Porque é bom não desperdiçar dinheiro com fogos. Preferível gastar com água. Ainda mais nesse verão que promete ser de arrasar.
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Mas bem que podiam arranjar uma coisinha para o povo fazer na virada. Esperar até os primeiros acordes da charanga já próximo do sol nascer, é dose. E bota dose e copo nisso.
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Como costumava dizer um cidadão num certo palanque. “Tal lugar tem isso; não sei onde tem aquilo outro; e Irará... Nada!” Agora nada de braçada nesse mar-asmo. Eitha. Isso é que uma cidade onde a vida cultural “vai bem”. A lavagem vem aí, lá, lá, lá!

"Novo" presidente

O vereador Juarez (PFL) tomou posse no dia de ontem (01/01/2007), como presidente da Câmara de Vereadores de Irará, para o biênio 2007-2008. Ele assume o cargo após três mandatos consecutivos da vereadora Maria Bacelar (PRP).

Juarez chega a presidência da Casa, após vencer as eleições como candidato único. Antes, os nomes de Maria Barcelar e Josafá Ferreira (PT) haviam sido anunciados pela mídia local como prováveis postulantes ao cargo.

O “nome do consenso”, Juarez, está longe de ser um novato, pois, agora em seu quarto ou quinto mandato de vereador já teve a oportunidade ter ocupado o posto mais alto do legislativo na década passada.

Faces da mesma moeda?

As falas foram altamente cordiais. Tantos o ex-governador Paulo Souto (PFL), quanto o – agora – atual, Jaques Wagner (PT) rasgaram seda. Falaram do trabalho da transição. Da consciência democrática no processo, etc, etc.

Tudo como manda o figurino. Ou talvez o protocolo da posse. Discursos pontuados em nome da respeitabilidade democrática. Um pouco (só um pouco) diferente da campanha eleitoral.

Dentro deste mar de cordialidade, chamou atenção uma frase de Jaques Wagner: “Governo e oposição são duas faces de uma moeda chamada democracia”.

Lembrei então que este ditado também é usado pela “patuleia”, bem verdade que sem o adendo “democracia”, para dizer que político é tudo igual, com “poquinha” diferença. Torço para que os governos não sejam tão parecidos assim.

Três palavras da moda nestes dias

Feliz ano novo!

27.12.06

Obra de arte sem conservantes

Venhamos e convenhamos. “Artifício” tem, lá em algum lugar da sua etimologia, um pouco de “arte”. E, quero crer, “artificial” também. O natural quando precisa se “artifcializar” pode até ser que use alguma conserva. Arte contemporânea, arte digital. Diálogos. Natural ou artificial. Ninguém pode avaliar o preço da contemplação alheia. Se for para ser produto, melhor que não contenha conservantes. A dica é: visite o blog de Samara – www.esteprodutonaocontemconservantes.blogspot.com

20.12.06

BNB de cultura 2007 tem dois projetos iraraenses

Foi divulgada esta semana a lista dos projetos selecionados no Edital BNB de Cultura 2007. Das 2.179 propostas habilitadas a concorrer, 157 foram selecionadas. Dois projetos de Irará figuram na lista dos contemplados. São eles: O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura; e o CD – Tocata e Retreta, da Filarmônica 25 de Dezembro.
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As entidades contaram com a assessoria técnica da Charanga Comunicação para elaborar os projetos que resultam num patrocínio de quase dez mil reais do Banco do Nordeste para cada uma delas.
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Com os nomes na relação dos selecionados, cabe agora a Casa da Cultura e a Filarmônica, organizarem os documentos e aguardar comunicação do BNB. Depois de resolvido os tramites burocráticos, é só realizar os projetos.
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Repentistas se apresentam no Colóquio 2006
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O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura, foi selecionado na área de literatura e visa incentivar o exercício da leitura no município de Irará. Aprovado nas três edições do edital BNB de Cultura, O Colóquio, em suas duas edições (2005 e 2006), tem conseguido chamar a atenção da comunidade iraraense.
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A atividade é constituída de palestras, oficinas, apresentações de folguedos populares e grupos musicais, além de recitais de poesias e cordéis. A temática abordada é a literatura popular, com manifestações de caráter tipicamente nordestino.
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Sede da Filarmônica 25 de Dezembro

O projeto aprovado para a Filarmônica 25 de Dezembro consiste na prensagem dos LPs Tocata (1983) e Retreta (1993) no suporte CD. O lançamento deste material, já gravado e remasterizado, foi planejado para acontecer durante as comemorações dos 50 Anos da entidade. Contudo, não foi possível devido a falta de recursos para prensagem dos CDs.
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Agora, com o Patrocínio do Banco do Nordeste, a Filarmônica devera lançar o CD com o conteúdo dos seus dois LPs. De acordo com o projeto, parte do CDs a serem prensados serão doados a escolas, instituições e outras Filarmônicas, parceiras da 25.
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O Programa BNB de Cultura tem como objetivo apoiar prioritariamente a realização de projetos culturais que estão fora da evidência do mercado e que contemplem a cultura popular nordestina.
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Leia noticia sobre resultado do Programa em:
http://www.bnb.gov.br/Content/aplicacao/Grupo_Principal/Nordeste_Noticias/conteudo/nordeste_noticias_detalhes.asp

Queremos saber

Dias desses a Nasa, Companhia espacial norte-americana, disse ter descoberto provas da existência de água em estado liquido no Planeta Marte. O site do Uol e do Ig noticiaram o fato em suas respectivas colunas de ciências.
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A notícia, claro, divulgada através de uma coletiva convocada pela Nasa, é dada como uma certeza. Entretanto, quando observamos o texto de um dos sites descritos acima, feitos com base em nota emitida pela Agência Efe temos:
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Foto "prova" existênica de água em Marte

“Edgett, da empresa Malin de Ciências Espaciais, mostrou uma série de fotografias feitas em 2000 e 2005 das encostas das crateras vulcânicas nas quais se pode ver o que PARECE ser leitos de cursos de água, estreitos em seu começo e que se abrem em deltas ao chegar à base.”
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Lembrando da série, “perguntar não ofende”, menino curioso questiona logo: “E parecer, é ser?”. E olha que são justamente as tais fotografias que representam as “provas” alardeadas.
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Primeiro me veio à mente uma citação de Raul, parte da incrível letra de “Eu também vou reclamar”. Grita o maluco beleza: “Gelo em Marte, diz a Vicking, mas, no entanto, não há galinha em meu quintal”.
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Depois tive a lembrança de um clássico poema de Drummont, “O homem; as viagens”, o qual minha irmã gosta muito de recitar. Basta dá uma olhada no trecho abaixo.
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"Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem,
o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
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Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
(*).
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Já passamos de “2001”, o mundo não acabou, e a humanidade continua a sua “odisséia no espaço”. Em meio aos tradicionais questionamentos, bilhões de dólares são gastos em programas espaciais. Enquanto aqui na terra, “lugar de muita miséria e pouca diversão”, milhares e milhares ainda carecerem de necessidades básicas. Entre as carências, dormir e se alimentar que, antes de serem necessidades humanas, são necessidades animais.
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Seca no Nordeste Brasileiro

De tal modo, o que importa saber se há água em Marte? Queremos saber, se há água nos sertões do nordeste brasileiro. Queremos saber, se há alimento na África sub-saariana. Queremos saber se há paz no Oriente Médio, ou em tantas outras partes do mundo.
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Depois de tanto querer saber, difícil foi não rememorar uma linda canção de Gilberto Gil, cujo título é: “Queremos saber”.
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Queremos Saber
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Queremos saber
O que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
E suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades,
Das estepes, dos sertões
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Queremos saber
Quando vamos ter
Raio laser mais barato
Queremos de fato um relato
Retrato mais sério
Do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente e sofredor
Tão perdido na distância
Da Morado do Senhor
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Queremos saber
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário
Prevê qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer
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Queremos saber
Queremos saber
Todos queremos saber
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Gilberto Gil.
(*) Leia integra do poema de Drummond:

Coopril consolida Feira da Mandioca

A Feira Regional da Mandioca está sendo consolidada no calendário de eventos iraraenses. Antes mesmo de terminar a terceira edição, nos últimos dias 08, 09 e 10 de dezembro, as pessoas já começavam a falar da Feira 2007.
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Entusiasmado, Agnaldo Francelino, Guido, representante da Coopril (Cooperativa dos Produtores Rurais de Irará – Ltda), entidade que organiza o evento, anunciou a Feira do próximo ano. Antes agradeceu o patrocínio da Petrobrás e do Governo Federal e, crendo no potencial de crescimento da feira, também apostou numa maior participação do governo estadual.
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“Acreditamos que com o a gestão que vai se iniciar em janeiro, com o Governador Jaques Wagner e o companheiro Geraldo Simões, novo Secretário de Agricultura, teremos o apoio necessário”. Discursou Guido.
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Público prestigia a Feira em "massa"
A movimentação era grande nos estandes. Neles, além de bebidas e artesanatos eram comercializados, tapioca, beijus e outros produtos, como pizza e lasanha, todas estas guloseimas feitas à base da mandioca.
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E não só de bar, culinária e artesanato viveu a feira. Estandes também foram disponibilizados para Associações e empresas, como a Moveis Bemfeito. A Prefeitura Municipal de Irará também montou o seu.
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Já o estande que visava enfatizar a diferença entre o modo artesanal e a técnica mecanizada do processamento da farinha teve localização desprestigiada, ao fundo da feira, e acabou passando despercebido por algumas pessoas.
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Quem viu a “Casa de Farinha” lembrou do “barraco da cidade”, aquele feito pela Prefeitura no São João. Porque lá estavam novamente as ripas, material nada convencional para se fazer a representação de uma típica casa de taipa.
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Irará, tantas vezes campeã da feira do interior, representando suas casas de Farinha, deve ter desaprendido como fazer casa de modo artesanal.
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Uma queixa quase unânime foi quanto ao espaço da Feira. Era comum, em meio ao aperto e a dificuldade dos transeuntes, ouvir pessoas reclamando que a Feira da Mandioca não pode mais ser realizada na Praça Antônio do Oliveira Borges, em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Fica a dica para os organizadores.
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A parte das apresentações artísticas, motivo principal para ida de muitos à feira, agradou. A abertura aconteceu na sexta à noite com Manele do Arcodeon e Eletrofole, sendo encerrada na noite do Domingo com Futuca Menino.
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A chegança, repentistas, forrozeiros e grupos de Samba de Roda também se apresentaram. A noite do sábado teve encerramento com as apresentações de Saracú de Nazareno e Raimundo do Sodré.
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Raimundo Sodré canta para a massa
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O cantor da “massa” botou a “massa” pra sambar. E enquanto uns apreciavam a “massa”, ao longo de toda a praça percebiam-se rodinhas de samba se formando. Não falei. Foi “massa”!
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“E haja vasilina moço, pra escorregar com essa menina”. Os ritmos tocados por Sodré, quando não combinavam tanto com a roda de samba, eram acompanhados pelos casais dançando forró coladinho. “Torna repetir meu amor”.
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Repetir a Feira no ano que vem é o desejo de todos. Devem ser repensados pontos como a localização e também as estratégias para chamar atenção da população para as palestras e os ensinamentos e discussões disponibilizados pela Feira da Mandioca, com ao melhoramento da cultura mandioqueira.
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Enquanto a feira do de 2007 não chega, fica a expectativa e a certeza de que a Feira da Mandioca, já vai sendo consolidada como um grande evento no calendário do município. Nada mais natural para Irará e sua agricultura, com índice de 80% de representação para a cultura da mandioca.

8.12.06

Vai ser “massa”


Raimundo Sodré na Feira Regional da Mandioca em Irará. Sodré que ficou conhecido internacionalmente depois do Festival da Nova MPB 80, onde apresentou a canção “A massa”, vai poder mostrar suas canções ao vivo para “a massa” iraraense que planta, cultiva e consome mandioca. .
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Não só “a massa”, mas tantas outras da suas belas canções. Músicas que cantam “a dor da gente”. A “dor de menino acanhando, menino-bezerro pisado, no curral do mundo a penar”. Som autêntico “que salta aos olhos, igual a um gemido calado” e assim espanta “a sombra do mal assombrado, a dor de nem poder chorar”.
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Sodré na Feira é mais um presente para “a massa” iraraense. Principalmente para os jovens. Os jovens da geração de antes que testemunharam Raimundo no Festival. Os jovens de hoje, tão carentes de opções culturais e submissos aos ditames da cultura de massa. Interesses mercadológicos que tratam todos, e a sua cultura, como se fossem um “moinho de homens, que nem girimus amassados, mansos meninos domados, massa de medos iguais”.
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Para lutar contra os seus medos, a principal arma da “massa” é a resistência. Assim como Tiago de Melo insiste em não dormir, a cultura da mandioca teima em resistir. Resiste ao descaso, resiste às pressões, aos que desejam indústrias para poluir em detrimento de suas potencialidades. Massa de homens batalhadores. Todos os que resistem e insistem em seguir “amassando a massa” com “a mão que amassa a comida, esculpi, modela e castiga”. Essa é “a massa dos homens normais”.
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“Quando eu lembro da massa da mandioca, mãe”. “Da massa”. Lembro dessa gente sofrida. Lembro da força da raiz da mandioca. Lembro... “nunca mais me fizeram aquela presença, mãe”. Triplo sentido. As três massas na composição de Raimundo Sodré e Jorge Portugal. Um orgasmo literário. Prato cheio para quem curte as metáforas e os trocadilhos.
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“Da massa que planta mandioca”. A “massa que falo é que passa fome, mãe”. Alguns já viciados nas esmolas governamentais, deixam suas lavouras, esquecem o “amor de lelé”, perdem a esperança da resistência de poder um dia bradar com fé: “no cabo da minha enxada não conheço “coroné””.
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E assim como essa indecisão de se acomodar ou de se rebelar “eu quero, mas não quero, camarão, mulher minha na função, camarão, que está livre de um abraço, mas nunca de um beliscão”. E a “massa” que tanto parece indecisa, assim como Arnaldo Antunes, não quer só comida, quer comida, diversão e arte. Por isso, quando Sodré terminar o seu show, certamente os pedidos serão: “tornar repetir meu amor, ai, ai, ai!”.
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Aí então, com as massas conscientes do que querem e se quererem bem, pouco importa se “o guarda civil não quer a roupa no quarador”. Por outro lado, se “as massas” deixarem transparecer que ainda dormitam, Sodré continuará com seu questionamento. “Meu Deus onde vai parar, parar essa massa?”.
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Em Irará, Raimundo só não deve ficar sem resposta quando perguntar: “Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa...”. Entre dúvidas e questionamentos, só me vem a certeza de que a apresentação de Sodré em Irará vai ser “massa”. Sentido quádruplo. Gozei!
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PS. “junte as partes aspeadas e forme a letra de A Massa” (rs, rs, rs)

A. A.

Uma apresentação. “Eu gosto de ficar só, mas gosto mais de você”. Ao fundo uma enorme tela de projeção. Imagens em preto e branco, lindas e simples. Cisnes, pombos, gaivotas, texturas, água. Ondas, correntezas, cascatas, pingos de chuvas caindo. Círculos, muitos deles, são formados.
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Mais círculos. Agora no chão. É feito de luz. Efeito de iluminação. Uns lembram flores, outros, buracos. E o do “espelho está fechado, agora temos de ficar aqui, com um olho aberto, outro acordado, do lado de cá onde eu saí”.
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Música suave. Perna pra frente, pra trás. Gestos simples e evasivos, assim como as palavras. Parece composição de criança. “Sujar o pé na areia pra lavar com água. Molhar o pé na água pra sujar na areia”.
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Criança não tem o “senso do ridículo”. E por temer o ridículo, ou sei lá qual outra convenção, o adulto não ama. Ainda que tenha possibilidade bem pertinho. Ridícula é a humanidade. Pena que as crianças crescem.
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Sombra na parede. Movimento. É preciso que o fio acompanhe. Atenção total do rodeie para evitar que se formem os nos. Pedestal vai e vem. Como num passo de dança por cima da cabeça, repousa nos ombros. Figurino quase lembra uma camisa de força. Gestos robotizados e às vezes explosivos.
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Corre, vai até a enorme projeção e se joga. Parece querer transpor um portal. Procurar outra dimensão. “Socorro! Alguma alma mesmo que penada, me preste suas penas, já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada”. Então busca “qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimento deve ter algum que sirva”.
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Apresenta o novo trabalho. “Qualquer”. Canta as coisas, “qualquer coisa”. O bezerro grita “mam-mãe”. Mensagens em refrão e olhares não codificados. Volta pro centro das luzes. A voz é grave e cativante. Ao fundo violões, guitarra e teclados, sob o comando de três competentes companheiros. Faz a já esperada e corriqueira encenação. Sai e volta. Vem “exagerado” só pra lembrar que o “pulso ainda pulsa”.
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“Acabou choraré”. Boa parte das abelinhas sai a procura de zum-zum e mel. Lá fora alguém havia gritado: “eu gosto é de arrocha”! Teatro Castro Alves, Salvador, Bahia. “No palco, um amigo da gente, Arnaldo Antunes”.

5.12.06

Maconha e amnésia

“Lembrando pra vocês que maconha trás amnésia e outras coisas que Aurelino já esqueceu”.
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A frase cantada por uma banda de reggae faz alusão a um caso de um suposto maconheiro que ao fumar era questionado: “Rapaz; você não sabe que isto causa amnésia?”. E ele então respondia: “Ah! É!? Esqueci”.
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Enquanto os cientistas se debatem com a questão (uns falam que sim, outro falam que não, outros dizem que só para usuários pesados...) as versões se multiplicam. Já existe casos até em vídeo.
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Sucesso no Youtube, o nome da obra é “Tapa na Pantera” e trata a relação maconha e amnésia de forma bem humorada, entre uma baforada e outra de uma senhora, enquanto presta seu depoimento sobre a canabis.
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Com duração de pouco mais de três minutos, o vídeo é uma obra ficcional de Esmir Filho, Marina Bastos e Rafael Gomes. A produção é da Substância Filmes e apresenta Maria Alice Vergueiro. Confira no link: www.youtube.com/watch?v=2PWNRzfx8zU
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Obs: caso o link não abra, entre no site
www.yuoutube.com e no campo onde tem “search” digite: Tapa na Pantera.

ACM e o espelho

A Rádio Band News noticiou o discurso de Antônio Carlos Magalhães (PFL–Ba), semana passada no plenário do Senado. A fala era em defesa da ética na relação entre governos e veículos de comunicação (sic). De acordo com a reportagem, o Senador teria dito que governos deveriam ser proibidos de anunciar em empresas de comunicação cujos donos sejam “políticos, filhos de políticos ou parentes de políticos”.
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Concordo com o Senador. O difícil vai ser encontrar, principalmente quando se referir a grande mídia, grupos que estejam fora do perfil traçado. O próprio ACM quando foi Ministro das Comunicações, durante o governo de José Sarney, distribuiu o maior número de concessões de Rádio e TV, para políticos e parentes de políticos, da história. Na Bahia, por exemplo, é grande a quantidade de emissoras em poder de políticos.
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Neste cenário, é a própria família do ilustre Senador (um político) que detém a maior rede de comunicação do estado. Rádios, TVs, Jornal, entre outros, completam o império dirigido pelo Júnior, filho do Antônio Carlos. E nos últimos anos, os veículos da família receberam, sim senhor, publicidade oficial, até mesmo quando o próprio ACM era governador do Estado.
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Será que só agora Antônio Carlos percebeu a falta de ética nesse tipo de prática? Ou será que tem algo a ver com o fato de que – parece - ele vai ser oposição total (Prefeitura de Salvador, Governo Estadual e Federal)? Comentei o discurso do, agora quase folclórico e histórico, Senador com alguns colegas que disseram: “deviam ter colocado um espelho na frente dele”.