12.6.06

Fotos do Domingueiras viram filme

O projeto Curta no Extudo, do restaurante Extudo (Rio-Vermelho), exibe, na terça-feira - dia 13, às 20:30h, mais uma obra audiovisual baiana. A parte visual são imagens de caretas, reisado, bumba meu boi, filarmônicas, entre outras manifestações populares. O áudio será o toque de uma banda de pífanos.
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Juntas, as duas linguagens fazem os vinte minutos do curta-metragem feito a partir dos livros Fotografias - Domingueiras Ano 1 e Fotografias – Domingueiras Ano 2. Kau Santana e Valeria Simões assinam as produções fotográficas nos dois livros. A obra conta ainda com as imagens de Thiana Biondo, autoria em trabalhos no primeiro livro, e Gina Leite, integrante do segundo.
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O filme mostra fotografias das manifestações da cultura popular de cidades incluídas nos dois primeiros anos do Domingueiras. Entre elas, Irará, Mucugê e Rio de Contas, da edição 2004, e Muritiba, Jacobina e Ribeira do Pombal, 2005.
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A exibição segue o programa do restaurante Extudo. Todas as terças-feiras, a casa tem realizado mostras de produções audiovisuais baianas. São diversas formas de expressões, trabalhos profissionais e amadores, curtas e médias metragens (em vídeo e película), exposições fotográficas e instalações, entre outras.
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Evento: Exibição de audiovisual – Fotografias-Domingueiras
Local: Restaurante Extudo (3334–0671) – Rua Lídio Mesquita, 04 - Rio Vermelho.
Data: Terça-feira, 13 de Junho
Hora: 20:30
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Entrada Franca
Livro Domingueira Ano 2: R$ 50,00.

Com voto secreto, Câmara garante permanência do nepotismo

Os vereadores de Irará aprovaram a permanecia do nepotismo no Executivo municipal. Em votação secreta, o parlamento iraraense aprovou o veto do prefeito ao Projeto de Lei nº. 236/2006, de autoria do vereador Elesbão Neto (PTN), que previa o fim do emprego dos parentes diretos do Prefeito Juscelino Souza (PP).
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O resultado da votação foi de apenas um voto de diferença pela permanecia do veto e consequentemente do nepotismo. Para tal fato acontecer, um dos vereadores que antes votou contra a pratica do emprego dos parentes, nesta nova votação optou pelo posicionamento favorável. Entretanto, como o pleito foi secreto, não é possível saber ao certo quem foi o parlamentar responsável por tal ato.
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De acordo com nota publicada no Informativo “A Gazeta de Irará” o resultado provocou um bate-boca entre os vereadores Cesinha (PRP) e Elesbão. Um acusava ao outro de ter sido a pessoa que mudou de posicionamento na votação secreta, mesmo sendo Elesbão o autor do projeto de Lei que previa o fim do nepotismo. A nota informa ainda, que o vereador Genival (PL) declarou ter recusado oferta de “vantagens” por parte dos parentes do prefeito para que ele votasse pela manutenção do veto.
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O nepotismo agora continua, independente que se saiba ou não quem foi o vereador responsável pela sua permanência. A aprovação do veto pela Câmara funciona como uma espécie de referendo por parte da Casa Legislativa para que o prefeito continue a empregar familiares. A prática, considerada ilegítima, em Irará, agora é legal.
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Desrespeito ao direito do representado
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Entre muitas falhas que se pode atribuir à democracia representativa, o voto secreto no parlamento está entre as mais veementes. É impensável que o representado não possa acompanhar os passos do seu representante. De tal forma, fica difícil – ou praticamente impossível - avaliar melhor o trabalho parlamentar.
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Um movimento nacional está recolhendo assinaturas de voluntários para mudar esta realidade. A iniciativa foi motivada após a absolvição, através de voto secreto, de quase todos os deputados apresentados como envolvidos no chamado escândalo do mensalão. Além de lutar pelo direito que o representado tem de saber como o seu representante está atuando, o abaixo assinado busca mostrar que o voto aberto no plenário é fundamental em todas as votações, até mesmo nas de cassações de mandatos.
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No caso de Irará, se o voto secreto for uma norma do Regimento Interno da Câmara ou da Lei Orgânica do Município é preciso que estes instrumentos da Lei sejam revistos. Não sendo, caberia a presidente da Casa, vereadora Maria Bacelar (PRP), base de apoio ao prefeito e mãe do vice, conduzir a votação de modo aberto, pelo bem da democracia.
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Um pedido de desculpas.
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Cabe aqui um humilde pedido de desculpas ao vereador Cesinha (PRP). Na semana seguinte a votação, ocorrida em 22 de maio, várias pessoas afirmavam ter sido Cesinha o responsável pela mudança de voto, havendo até quem falasse em valores recebidos pela atitude. Nada era informado sobre o fato da votação ter sido secreta. Nem mesmo o texto da “Gazeta de Irará" falava disto. De tal forma, sem o devido cuidado na apuração dos fatos, foi aqui posto de modo equivocado que o vereador teria votado favorável ao veto. Tão logo se soube da votação secreta, a noticia foi imediatamente retirada deste blog. Fica aqui, os sinceros pedidos de desculpas ao vereador. A ele, está resguardado o direito e o espaço, caso queira se manifestar.
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O texto “E os parentes continuam” também aborda sobre o assunto.

6.6.06

Cinema BR em Movimento vai a Massaranduba

Depois de ter passado por Bento Simões e Caboronga, a comunidade da Massaranduba é a próxima a receber o projeto Cinema BR em Movimento, no domingo, dia 11. A localidade é situada na região leste do município de Irará, já quase na divisa com a vizinha Ouriçangas. A programação segue exibindo os filmes disponibilizados pelo Circuito Comunitário do Cinema BR, Tainá 2, com sessão marcada para as 16:30 e Bendito Fruto, às 19:30.
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No domingo passado, dia 04, o cinema BR esteve na Associação Rural da Várzea que compreende as comunidade de Várzea e Caboronga. A população local, principalmente o público infantil, ficou motivada com a apresentação do filme e lotou o salão da Associação dos moradores. Por motivos de força maior, não aconteceu a sessão que estava programada para a Escola São Judas Tadeu na quinta-feira passada.
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Publico começa a chegar à sede da Associação da Varzea
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quem chegou mais tarde assitiu de pé....

e um momento de desatenção, para a foto.

O Circuito Cinema BR é uma realização da BR distribuidora, subsidiária da Petrobrás. Em irará, o projeto é coordenado pela Charanga Comunicação, contando com o patrocínio do Cestão Supermercado e o apoio da Casa da Cultura de Irará e das Associações Comunitárias do município.
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Veja outras notícias do projeto no arquivo deste Blog.

5.6.06

Enfim, o calçamento da Oito de Agosto

A data era 27 de maio, feriado municipal, dia em que se comemora a emancipação política de Irará. O local era a Rua Oito de Agosto, aquela que começa na Praça da Bandeira (Coreto), ao lado da agência do Banco do Brasil, e segue até a ladeira do Alambique. Não me recordo o ano, mas foi na década de noventa que, cansados de esperar pelo pavimento da rua, os moradores da Oito de Agosto resolveram reclamar.
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O protesto foi feito de modo bastante criativo, em forma de uma faixa. Na data de aniversário da cidade o escrito apenas afirmava: “Rua Oito de Agosto, 154* anos sem calçamento”. Nada de falar do prefeito, de vereador ou de quem quer fosse. Simples e direto, o texto do tecido afixado bem no local onde o calçamento terminava (nas proximidades do Bar de D. Luiza), mostrava o desrespeito histórico para com aquela parte da cidade. De tantos personagens e movimentos do Irará.
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Por aquele trecho passaram todos que iam até a fonte da nação lavar roupas ou buscar água. Ali, por onde se sai de Irará para ir até o povoado da Caroba, um dos mais antigos do município, passaram muitas pessoas em busca da cachaça do alambique. Outras tantas percorreram aquele espaço para jogar ou assistir futebol no “Estádio” Elpidio Nogueira, popular campo de Telê. Lá também já esteve localizado o cemitério da cidade. E atualmente a delegacia. Naquela rua viveu Alfredo da Luz e lá ele montou o estúdio do seu Serviço de Alto de Falante “A Voz da cidade”.
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Ainda que não fossem todas estas referências, a Rua Oito de Agosto sempre mereceu o respeito do poder público. Pois, além de estar localizada no que poderia se chamar de “centro-histórico” de Irará, ali residem várias famílias, as quais sentem o desgosto de viver na poeira, estando em área central da cidade. E deve mesmo ter sido isto que motivou os moradores, na época, a escrever aquela faixa. Um protesto criativo assim como foi nos anos 1950, se não me engano, a canção que Tom Zé compôs cobrando o prometido calçamento ao prefeito José Valverde.
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Faixa estendida, protesto feito, mas nada de obra. Em sendo a data, meados dos anos noventa, passaram três governantes municipais, que não providenciaram o pavimento para rua. Mas agora, o problema pode ser solucionado. O governo atual, do Prefeito Juscelino Souza (PP), a Rua Oito de Agosto começa a assistir as obras para a sua tão sonhada pavimentação. Bem verdade que não é nenhuma obra suntuosa, sim um pequeno trecho de rua a ser calçada, mas que os outros governos não tiveram a sensibilidade de fazê-lo. Pode ser que a pavimentação esteja pronta no dia 08 de agosto, data que empresta o nome à rua e que se comemora o decreto de 1895 que elevou Irará a categoria de cidade.
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Deu roupa nova a quem tava vestido, esqueceu quem tava nu

No governo anterior, do Prefeito Amaro Bispo (PHS), a Rua Oito de agosto sentiu-se próxima do calçamento. No último ano do seu mandato, Bispo promoveu reformas de pavimentação nas ruas 27 de Maio e Alberto Nogueira. Esta última, conhecida popularmente como “Quixabera” ou “Coréia”, faz esquina com a Oito. Todas elas, ruas históricas da cidade.
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Das três, somente a Oito de Agosto não era pavimentada. As outras duas, com cobertura antiga, estavam com o ladrilho precisando de recomposição em alguns trechos. O piso das ruas era feito à base de pedras e não dos chamados paralelepipados que cobrem as demais áreas da cidade. De tal forma, as ruas eram algumas das pouquíssimas a ainda resguardar o caráter centenário da cidade. No entanto, o perfil histórico foi desconsiderado pelo Prefeito Amaro, que retirou todo o pavimento de pedras antigas colocando paralelos em seu lugar. E enquanto isso, a Oito de Agosto continuou sem pavimento algum, apesar da esperança dos moradores, devido ao monte de paralelos que estavam armazenados nos fundos do Sobrado dos Nogueiras.
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Agora que a prefeitura municipal de Irará trabalha na pavimentação da 08 de Agosto, fica uma dúvida. Será que o governo também vai “resgatar” o antigo calçamento das outras? É uma idéia difícil de se imaginar, devido ao alto investimento e dificuldade de recomposição do assoalho, mas como “resgate” é uma palavra que tão na moda ultimamente... Não é de estranhar se de repente surgir a idéia de “resgatar” as pedras da Quixabeira.
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* Usei 154 como número aproximado, realmente não lembro quantos anos de emancipação estavam comemorando.

30.5.06

O cinema estará quinta na escola e domingo na roça

O Projeto Cinema BR em Movimento tem seqüência esta semana em Irará. Na quinta-feira, dia 01, às 10h, será a vez dos alunos da Escola Municipal São Judas Tadeu assistir ao filme Tainá 2 – A aventura Continua. No final de semana o projeto vai até a Associação Rural de Várzea e Caboronga. Lá acontecerão duas sessões. A primeira com Tainá 2 às 16:30 e a segunda exibindo o filme Bendito Fruto, às 19:30.
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O “Cinema Itinerante” teve estréia no domingo passado em Bento Simões. À tarde a sede da Associação Rural da localidade foi tomada por crianças para assistir o longa Tainá 2. Olhinhos atentos, ele riam bastante nas cenas mais engraçadas, principalmente nas falas do papagaio, um dos personagens do filme. Ao final, o ambiente foi tomado por um breve silêncio. Tão logo este foi quebrado, devido ao barulho das pessoas que levantavam, algumas crianças tomaram a iniciativa e começaram a aplaudir a obra cinematográfica. Assim demonstrando estarem satisfeitas com a mensagem ecológica do filme. À noite, após a missa na Igreja Local, as 21h, foi iniciado o filme Bendito Fruto, que por motivo do avançar da hora foi ficando com o público cada vez mais diminuto.
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Antes da exibição dos filmes, o público pode conferir a exibição de curtas-metragens nacionais. O curta Mitos do Mondo – como surgiu a noite?, animação baseada numa lenda indígena, abre para Tainá 2. Já o curta Momento Trágico que inicia Bendito Fruto, narra o sentimento de um homem após ter sido abandonado pela esposa uma sessão de terapia.
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O Cinema BR em Movimento em Irará é uma produção da Charanga Comunicação, com o patrocínio do Cestão Supermercados e apoio da Casa da Cultura de Irará e de Associações Rurais do Município. Outras parcerias estão sendo negociadas.
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Saiba mais sobre o projeto em outras noticias abaixo já publicadas aqui.

29.5.06

Aristeu Nogueira, sinônimo de Cidadania

Por Juracy de Oliveira Paixão

Amigos, parentes e a Internet me informaram da viagem derradeira de Aristeu. Recebida a notícia, abriu-se-me a lembrança para fatos dos Anos 50/60, quando as lutas sociais atingiram seu ápice no Brasil que se redemocratizara – embora os ditos “guardiões da democracia” já articulassem novo e cruento golpe.

Aristeu, naqueles anos, era membro do Comitê Central do então PCB (Partido Comunista Brasileiro) na semi-legalidade e dirigente máximo da organização no Estado da Bahia. Seu escritório, sobre uma loja de sapatos da Avenida Sete - quase sob a proteção do Relógio de São Pedro, era o centro estratégico dos movimentos revolucionários na Bahia. Dali, Aristeu definia rumo para as greves e passeatas, acalmava radicais que pensavam no poder pela via do confronto, animava os que punham pouca fé na disposição reformista de Jango, distribuía instruções aos “funcionários” do aparelho - aqueles que viviam do e para o Partido.

Naqueles anos, nenhuma força política progressista julgava-se capaz de dispensar a participação do PCB em qualquer ação pública, fosse ela uma simples passeata de estudantes secundaristas ou o mais radical avanço das Ligas Camponesas.

Aristeu, com seu jeito maroto de sorrir sisudo, sabia reconhecer no mais humilde companheiro o mérito revolucionário. Punha, contudo, - leal e fiel homem de partido que era - a organização partidária acima de posições, importâncias e conveniências. A ele aplicava-se, sem perda de vírgulas, a afirmativa de Bertold Brecht: “Mostre-nos o caminho a tomar que nós o seguiremos com você, mas não tome o caminho certo sem nós. Sem nós, este é o mais falso dos caminhos”.

Sobrevivente sofrido dos anos de chumbo, Aristeu agasalhou-se em seu Irará, talvez atraído pela imagem do velho sobrado dos Nogueira. Em sua cidadezinha voltou à faina do Direito, opção da juventude e porta escancarada que o conduziu ao caminho político escolhido. Faleceu como viveu: na humildade, na lealdade, na solidão – mas comunista de quatro costados.

Soube que ao seu funeral apenas compareceram familiares, alguns poucos amigos e um ou outro cidadão conterrâneo, além de colegas do Direito. A elite (falida e hipócrita) da cidade ignorou sua marcha final. Os políticos de ocasião – aqueles que ainda julgam ter o comando dos cabrestos - puseram venda nos olhos. Os primeiros, certamente marcaram ausência pela discriminação que sempre dedicaram aos comunistas declarados; os segundos, por julgarem que “Aristeu não tem votos”.

Aristeu foi feliz neste seu último momento: desceu seus sete palmos sem a presença hipócrita da falsa elite e sem as lágrimas de crocodilo dos supostos donos do poder. Desceu seus sete palmos para, em novo aparelho, encontrar-se com Raul Cruz, com Pedro de Tiano, com Lenine e com Karl Marx, a fim de discutirem sobre uma nova tese que logo será o dilema dos que permanecem vivos: “a Revolução se dará, mesmo que, para tanto, as décadas se sucedam”. Quando chegar a hora, serão aristeus, lenines e semelhantes que estarão à frente da ação e da marcha, priorizando aquilo que a pretensa elite e os falsos políticos mais abominam: a Cidadania.

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26.5.06

Emancipa!

Vai e grita. Os teus 25% de analfabetos e compradores descréditos. E a mão que não vacila. Emancipa.
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Da tua indecisão histórica. Não sabe se é luz, formiga ou mel. E se do incerto passado, o presente não faz. Emancipa.
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Já tivestes representantes na Assembléia e na Câmara Federal. Hoje te faz representar pelo Neto do “marvadeza” e outros de tantas espertezas. Emancipa.
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Tua saúde na UTI. Teus filhos quando doentes não têm pra onde ir. Busca a carona, a espera na fila do hospital e a garantia do voto no final. Emancipa.
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São os aposentados sustentam a tua economia. A produção já não vale o que há muito valia. Emancipa.
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E o malandro que arrombou uma escola pra roubar a merenda... Se fosse malandragem, não seria melhor furtar outra oferenda? Emancipa.
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O vigor da juventude muito interessada, astuta e esperta. Ta querendo saber qual é a próxima festa. Emancipa.
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No comércio esta o teu cabedal. Compra no vizinho, e não se estrutura pra ganhar seu espaço, uma vez pro ano vai rolar o churrasco. Emancipa.
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Rezar,reza e não muda o teu pensamento. Diz que faz e não faz. Palavras ao vento. Aponta a solução pra tudo, parecendo antever o grande final.
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Emancipa! Emancipa! Emancipa! Emancipa! Emancipa! Emancipa!
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Dia 27 de maio, feriado municipal em Irará, data de comemoração da emancipação política. Emancipa!
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Bento Simões abre circuito Cinema BR

O circuito do Cinema BR em Movimento, núcleo de Irará, será iniciado neste domingo, 28, na vila de Bento Simões. Num único dia serão exibidos dois filmes na Sede da Associação Rural de Bento Simões e Juazeiro. A primeira sessão é dedicada às crianças e traz o longa infantil Tainá 2 – A aventura continua, com hora de inicio marcada para as 16:30. A segunda começa às 19:30, apresentando o filme Bendito Fruto.
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A idéia de levar o Cinema BR a Irará, através do circuito comunitário, é uma iniciativa da Charanga Comunicação e Marketing. A agência de publicidade e produtora, com quase dois anos de atuação em Irará, tem como uma de suas motivações, aprimorar o processo de comunicação no município. Para realizar o projeto, a Charanga está contando com o patrocínio do Cestão Celulares e o apoio de institucional do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, de Associações Comunitárias e da Casa da Cultura.
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A intenção é que os filmes possam ser exibidos num maior número de localidades possível, para isso, a Charanga esta discutindo parcerias com a Câmara Municipal de Vereadores e com a Secretária Municipal de Educação e Cultura.
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Veja abaixo as sinopses dos filmes:
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TAINÁ 2 – A AVENTURA CONTINUA (longa-metragem)
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A pequena índia Catiti anda pela floresta seguindo e imitando Tainá. Elas inutilizam as armadilhas dos traficantes de animais silvestres e um dia encontram Carlito, garoto da cidade à procura de seu cachorro perdido, que Catiti resgata e quer adotar. Quando uma quadrilha se apodera dos animais de estimação (xerimbabos) da aldeia, as crianças esquecem as diferenças culturais para socorrer os bichos.
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Infantil- 2005 - ColoridoDireção: Mauro LimaElenco: Eunice Baía, Vitor Morosini, Arilene Rodrigues, Kadu Moliterno, Chris Couto, Aramis Trindade, Leandro Hassum, Roney Villela, Daniel Munduruku Duração: 80 min
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BENDITO FRUTO (longa-metragem)
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Durante os 9 meses de duração da novela "Primeiro Amor" Maria (Zezeh Barbosa), Edgar (Otávio Augusto), Virgínia (Vera Holtz), Telma (Lúcia Alves), Choquita (Camila Pitanga) convivem juntos. O ponto de encontro é o pequeno salão de cabelereiro de Edgar, localizado em Botafogo, no Rio de Janeiro, por onde todos passam. Neste período Maria, que é amante de Edgar, tem sua vida transformada para sempre. Virgína, amiga de infância de Edgar, sofre um acidente com uma tampa de bueiro. Anderson (Evandro Machado), filho de Maria, volta da Europa com uma novidade: Marcelo Monte (Eduardo Moscovis), seu namorado, que é também o galã da nova novela das oito.
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Drama - 2004 - ColoridoDireção: Sérgio Goldenberg Elenco: Otávio Augusto, Zezé Barbosa, Vera Holtz, Evandro Machado, Lúcia Alves, Eduardo Moskovis e Camila PitangaDuração: 90 min

23.5.06

E os parentes continuam

A Câmara aprovou, mas o prefeito, Juscelino Souza (PP), respondeu com o veto ao projeto de Lei nº. 236/2006 de autoria do vereador Elesbão Neto (PTC). A iniciativa de Elesbão previa o fim das contratações de parentes “em linha reta ou colateral até o terceiro grau”. No plenário do Legislativo o projeto venceu por cinco votos a três. Votaram a favor, além do autor, os vereadores Beto Pinto (PL), Cesinha (PRP), Genival (PL) e Josafá (PT). Contra, defendendo a continuidade dos parentes do prefeito nos cargos do executivo, votaram: Juarez (PSC), Zé Bispo (PHS) e Carlinhos (PHS), líder do governo.
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Na redação do veto, Juscelino alega uma possível inconstitucionalidade do projeto. De acordo com o texto do prefeito, a proposta de emenda à Constituição Federal dispõe sobre empregos de parentes no Poder Judiciário e não no Executivo e Legislativo como prevê o projeto aprovado na Câmara. Em depoimento para a Gazeta de Irará, o vereador Elesbão responde que a sua iniciativa é constitucional e encontra embasamento na Lei Orgânica. Segundo o legislador, o Artigo 13 da Carta Municipal autoriza a Câmara a legislar sobre assuntos de interesse do município. Com o veto, o projeto voltará a Casa Legislativa para nova apreciação dos vereadores.
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“Bom Senso”
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Ainda que a Lei não proíba, a contratação de parentes do gestor na administração pública é um ato repugnado pela população. O caso de Irará tem chamado atenção, sendo noticia em jornais e programas de rádio e TV a exemplo do Balanço Geral, dirigido por Raimundo Varela. Nas ruas, a comunidade iraraense demonstra apoiar a iniciativa da Câmara. Caso o poder legislativo derrube o veto do prefeito, serão atingidos diretamente ao menos quatro cargos do primeiro escalão do governo. São eles:

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O assunto faz rememorar as declarações do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal Severino Cavalcante, do Partido Progressista, coincidentemente o mesmo partido do prefeito Juscelino. Quando deputado, “Severinho Cheque Cheque”, como era chamado pelo colunista Zé Simão da Folha, afirmava que se o cargo era de “confiança” ninguém melhor para ocupa-lo do que sua esposa, ou seja, aquela que dormia com ele. Em casos como este, antes das questões de legalidade ou de confiança, esta o popular “simancol” do gestor em conhecer as limitações éticas que a vida pública lhe impõe. Talvez, seja este um caso do reclamado bom senso, como pontuou um grande amigo na comunidade “irará” no Orkut.
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Na hora do voto, um pouco de senso crítico.
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Volto a dizer, como naquele debate do Orkut, com relação à iluminação natalina, que tão importante quanto o bom senso é o senso crítico. Na hora do voto, este pensamento deve ser mais observado ainda.
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Não lembro de ter visto o atual prefeito, em sua campanha eleitoral, ter sinalizado nenhum posicionamento contra a pratica de emprego de parentes. Entretanto, os seus mais entusiasmados eleitores e apoiadores de campanha, vereador Elesbão incluso, bradavam constantemente contra o nepotismo do governo anterior. Talvez imaginassem que seu então candidato iria acabar com o exercício do ato.
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Veio o novo governo e a impressão que fica é que o processo foi ainda mais acelerado. Diante do fato, só me resta reagir igual a torcedor no estádio, com cartaz na mão, querendo ser captado pela lente da Globo. Em conversas com eleitores arrependidos, tento sintetizar o caso com uma resposta simples: “Eu já sabia!”.
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Tal desconfiança me foi confirmada no dia da posse. Em análise ao fato, escrevi um pequeno texto sobre o assunto nepotismo. Na época, não divulguei o escrito. Eram os primeiros momentos do governo. Portanto, preferi não perpetuar minha fama de desafinado nos coro dos contentes, em plena lua de mel governamental. Hoje, com o assunto na ordem do dia, resolvo divulgar o texto aqui. Cabe a observação de que naquela época a primeira dama ainda não tinha entrado no governo e o “filho adotivo” ainda não havia saído.
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Acho o texto pertinente. Ele chama atenção para fato de observar o comportamento e história das pessoas quando elas se propõem ao exercício público. E também deixa entender, com certa dose de ironia, de que não se pode fazer na vida pública, tudo aquilo que se faz na privada.
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Tocando em família
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Roberto Martins (janeiro/2005)
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Recomenda-se harmonia para se tocar um bom projeto. Seja ele musical, empresarial ou político. A idéia de trabalho em grupo fortalece o conjunto e possibilita um maior entrosamento entre os pares. Falando em grupo ou conjunto, nada mais natural do que lembrar da família. Ela é o primeiro grupo social a que o ser humano esta vinculado. Primeiro os pais e irmãos, depois os avôs, tios, primos... e assim vai.
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Trabalhar em família parece mesmo ser o perfil do novo prefeito de Irará. O administrador público, também empresário e cantor, sempre demonstrou ter na família, a sua equipe ideal de trabalho. A empresa dele funciona através de uma sociedade com o irmão, num ramo de atividade inspirado pelo pai. Na banda de música, onde o prefeito é cantor e violonista, a composição familiar vai além. Um dos filhos toca acordeon, ou outro contra baixo, e a filha faz backing vocal. E agora na prefeitura, o músico e empresário parece repetir o mesmo repertório de composição familiar.
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Já no seu discurso de posse ele dizia: “meu tio já foi prefeito, meu pai foi prefeito, esse que acaba de sair da prefeitura é meu primo, e eu agora serei prefeito”. Mas o “método mais moderno” de administração pública começou a aparecer mesmo quando ele anunciou a sua equipe de governo. “Secretária de Finanças e Planejamento, minha irmã. Chefe de Gabinete, minha cunhada. No conselho administrativo, meu pai. Na secretária de administração, esse menino que eu considero filho adotivo...”. Orquestração muito semelhante à anterior, chamada pela então oposição de nepotista.
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Tocando em família, o prefeito de Irará segue, agora na administração pública, o seu costume empresarial e artístico. Uma metodologia talvez mirada no exemplo do seu pai que quando foi prefeito, convidou o sobrinho para ser secretário. Ironia do destino, o sobrinho virou prefeito e disputou a última eleição contra o filho dele. E a orquestra familiar soou dividida.

Miguel Almir defende Tese sexta, 26

Não precisa de tese. Não precisava ir a Madri. Nada disso! Para ser doutor em educação. Basta ser assim... Miguel Almir. “Desmedido e sem cabimento” para exercer a sua docência. Mas já que a academia “exige” e ele fez o doutoramento, só nos resta lhe dar os parabéns.
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Felicitações por vencer mais essa batalha Miguel!
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Tese analisa a sensibilidade no educar
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Ascom/UFBA
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“Feixes de arco-íris: uma compreensão ontológico-policrômica da sensibilidade e sua fruição no fenômeno do educar”. Este é o tema da tese de doutorado de Miguel Almir Lima de Araújo com defesa prevista para o dia 26, às 8h30, no Auditório I da Faculdade de Educação. O trabalho analisa “a compreensão ontológico-policrômica da sensibilidade e sua fruição no fenômeno educar”, diz o autor. A sensibilidade é apresentada como estado de disposição e de abertura vasta dos sensos perceptivos em que o corpo e espírito coexistem de modo implicado, numa compreensão e vivenciação dos sentidos do existir. Algo que se constitui “desde os fulcros magmáticos da corporeidade, da intuição, da afetividade, do mito poético e da razão-sentido”, teoriza Miguel Amir. O trabalho será examinado pelos professores Dante Augusto Galeffi (orientador/UFBA), Roberto Sidney Macedo (UFBA), João Francisco Regis de Morais (Unicamp/Puccamp), João Francisco Duarte Jr. (Instituto de Artes/Unicamp) e Marcos Ferreira Santos (USP).

Nota extraída (crtl c + ctrl v) do UFBA em Pauta -
www.ufba.br

Quero meu “zum reau”!

O caro leitor e as belas leitoras devem lembrar do texto que abordava a Semana Santa. Pois eh! Nele continha o argumento de que a doação de peixe naquele período não era novidade. Dizia ainda, que fatalmente se repetiria esse ano e que a mídia de Irará, se não reportasse o fato em abril, deveria noticiá-lo em maio.

Pois bem. Aconteceu como no script. A Gazeta de Irará de maio, traz em seu informe publicitário, mais precisamente no “O Tabuleiro dentro da Gazeta”, um texto abordando tal fato. Com o titulo “Prefeitura trabalhando pelo social” (sic), a nota afirma que “3 mil famílias carentes tiveram a oportunidade de celebrar a páscoa com peixe na mesa”.
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O escrito ainda chama a doação de peixes de “ação social inédita”. Tá escrito social mesmo, não é assistencial. O termo “inédito” também é importante, se for levado em conta que esta é a mesma categoria dos filmes da sessão da tarde (rs, rs, rs). E para fechar com chave de ouro, é celebrado como resultado da “ação social” o “resgate da tradição cristã”.
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São tantos os "resgates" promovidos neste governo, que a PMI já deve ter gastado uma fortuna para pagá-los. Só não estamos sabendo quem seqüestrou o que. Se a policia participou das negociações ou se essa onda de seqüestros e resgates, não está provocando um trauma na população iraraense.
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Contudo, não me cabe aqui ficar discutindo isto. Até porque, eu não tenho dinheiro para pagar resgates... só sei que fiz uma aposta. E por isso mesmo, eu quero os meus “zum reau”!

19.5.06

"Devagar com o andor que o Santo é de Barro"

A Gazeta de Irará, edição de maio, comemora o fato de que os alunos do Ensino Médio do Colégio Joaquim Inácio de Carvalho (CEJIC) tiveram resultado acima da média das escolas pública baianas no Enem. Segundo a nota, o coeficiente médio na Bahia foi de 37.059 pontos, enquanto os cejicanos obtiveram média de 38.250. A nota faz alusivas considerações de que o Enem serve como ajuda para o aluno chegar a uma faculdade particular.
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O texto elogioso, no entanto, carece de algumas análises. Não sinaliza qual seria a media satisfatória (caso o total do exame, seja de 0 a 100.000 pontos, o índice atingido pode ser considerado bom?). E deixa de observar a qualidade do ensino público na Bahia, de um modo geral. Olhando a realidade dos números, por um outro ângulo, os índices não são tão animadores. Percebe-se que ainda é pouco o número dos alunos que saem do Joaquim e entram nas Universidades Públicas, mais concorridas, sem precisar de reforços nos cursinhos.
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Claro que não quero tirar o mérito dos estudantes do CEJIC e de seus professores. Conseguiram um feito? Sim. Mas, dados e números, são apenas dados e números, se não forem relacionados ao contexto no qual estão inseridos. Além do mais, listas de aprovados no vestibular não medem qualidade de ensino algum. A formação de cidadãos é que deve ser o coeficiente para avaliar um trabalho educacional e não a criação de meras máquinas decorebas, prontas para responder a uma prova. “Uma árvore se conhece pelos seus frutos”, diz o ditado.
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Devo muito ao Joaquim, no meu caminho contínuo em busca do aprendizado. Por isso desejo que o Colégio possa trilhar a sua história, embasado numa realidade de sucesso. Assim, poderá continuar formando pessoas que trabalhem no sentido de um Irará melhor, de um mundo melhor. Uma tarefa árdua, mas que com a dedicação de todos que fazem o CEJIC, não enem tão difícil assim.

17.5.06

Irará se despede de Aristeu Nogueira

Dr. Aristeu Nogueira faleceu, aos 92 anos, às 4h da manhã de hoje em Irará. O corpo do advogado será velado no Sobrado dos Nogueiras, prédio histórico, construído por seu avô Pedro, e que já foi sede da prefeitura e da câmara legislativa do município. A previsão é que o sepultamento aconteça ainda hoje por volta das 16h.
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Aristeu Nogueira: Militante político e cultural


A história de vida de Aristeu está intimamente relacionada com a política e cultura de Irará. Além de importante militante do partido comunista, também no cenário estadual e nacional, Aristeu exerceu papel de destaque na cena cultural da cidade. Na década de cinqüenta do século passado, foi um dos fundadores e principais gestores do CDC (Centro de Diversões e Cultura) e nos anos 1980, fundou a Casa da Cultura de Irará.
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Cabe à comunidade iraraense fazer, além das homenagens de praxe, um merecido tributo a Aristeu Nogueira. Não aqueles direcionados aos típicos eventos memoriais. Mas sim, um sério trabalho político e cultural, focado na lembrança dos ideais de Aristeu e na consolidação das suas realizações para o município.

12.5.06

“Soteropolis” e “Família Drama Show” homenageiam Wilson Mello

O programa Soteropolis da TVE Bahia faz uma homenagem especial aos sessenta anos de carreira do ator Wilson Melo. A programação vai ao ar neste sábado, 14 de maio, às 14h, com reprise no domingo, dia 15, às 18h.
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Wilson Mello, 73 anos, é figura reconhecida no teatro baiano e, em fins da década de 1980, inicio dos 1990, ensinou teatro na Casa da Cultura de Irará (CCI). A parceria entre Wilson e Casa da Cultura, aconteceu graças à amizade e aproximação de parentesco entre o ator e o Presidente Fundador da Casa, Dr. Aristeu Nogueira. Mello ministrava aulas aos domingos no Sobrado sede da CCI. Do curso, nasceu a montagem “A Farsa de Mestre Pantaleão” que foi encenada no Colégio São Judas. No elenco, pessoas como Jorge Ramos, Dante Barbosa, Reinaldo Dias, Everaldo Martins e, o clássico do teatro iraranse, Iuri “Gagari”, entre outros.
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Com 60 anos de serviço, Wilson poderia estar aposentado duas vezes, no entanto, ele continua firme e forte atuando nos palcos da capital baiana. Prova disto é que o ator celebra a data encenando a peça “Família Drama Show” (ver abaixo).
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É uma pena que o teatro iraraense, de tantos talentos, não tenha o mesmo vigor.
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Família Drama Show
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Comédia que discute temas polêmicos como incesto, sexualidade, família, consumismo, nacionalismo fama e mídia e tecnologia genética; tudo sob a óptica feminina.Data: 05/05/2006 a 28/05/2006 Acontece em: Salvador
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Informações:Local: Teatro ACBEUEnd. Av. 7 de Setembro - Corredor da Vitória
Horário: 20hIngressos: Sexta a domingo - R$16Sábado - R$20
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sinopse:
Os personagens são chamados por nomes genéricos. A protagonista, Gordinha, uma apresentadora de TV sexy, sagaz e bem articulada começa a história em mais uma transmissão diária de “O Mundo é Fofinho”, seu programa de variedades e amenidades. Gordinha é sacoleira e vizinha de Ela (que se caracteriza como Marylin Monroe). Ela, recebe a visita de Estranho, que é rico e bonito e vem lhe oferecer uma fortuna para inseminar o seu útero. Pai e Irmão (que são realmente pai e irmão de Ela) ficam chocados com a proposta de Estranho. Com orgulho ferido por ser preterida por Estranho, Gordinha briga com Ela. Texto de Júlio Góes e Alberto Soares. Direção de Júlio Góes. Com Wilson Mello, Cristiane Araújo, André Nunes, Camila Motta e Leandro Rehem.Teatro ACBEU, sexta a domingo às 20h. Ingresso: R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia) às sextas e domingos; R$ 20 (inteira) e R$10 (meia) aos sábados. Classificação: 16 anos.
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sinopse extraída de: www.jornalssa.com.br/roteiroa.php

11.5.06

Irará entra no roteiro do Cinema BR em Movimento

Em sua sétima edição o circuito Cinema BR em Movimento vai à Irará. Tanto a zona urbana e a rural do município integram a proposta para a exibição de filmes aprovada pela MPC (Produtora de Cinema e Televisão – Rio de Janeiro) no final do último mês abril. A Produtora coordena o projeto que é patrocinado pela Petrobrás e tem funcionado em todo o território brasileiro desde maio de 2000.
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O Cinema BR em Movimento consiste na exibição de filmes de longa e curta metragem da recente produção brasileira. Entre os seus objetivos, está a necessidade de aumentar o alcance social e geográfico do cinema nacional e promover o incentivo ao debate acerca do conteúdo das obras exibidas. Desde seu lançamento o projeto já chegou a 629 municípios, realizando 8.820 sessões cinematográficas, para um público de mais de um milhão de espectadores. Para desenvolver as atividades o projeto é dividido em dois circuitos, um direcionado ao público universitário e outro para as comunidades populares.
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No circuito comunitário, como é o caso de Irará, o projeto é realizado em parceria com a comunidade local. O Cinema BR entra com o treinamento dos agentes culturais, a autorização para os direitos de exibição da obra e os cartazes para a divulgação das sessões. Os parceiros locais precisam ter os equipamentos e um espaço disponível para exibição das obras.
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A disponibilidade de equipamentos era o maior empecilho para a chegada do projeto à Irará. Desde 2004 pretendíamos levar o Cinema BR à cidade. Infelizmente naquela época, não tínhamos como conseguir o equipamento. A solução para esta dificuldade começou a ser visualizada após algumas conversas com José Carlos Cerqueira (Kakal dos Pinto) quando ele nos acenou a possibilidade de disponibilizar um projetor de imagens.
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Com confiança no entusiasmo do amigo, buscamos contato coma produtora carioca e elaboramos uma proposta para levar o projeto à Irará. Diante da informação de que o Cinema BR aceitava a participação de apoiadores locais, encaminhamos uma sugestão à MPC, demonstrando a necessidade e importância que o acesso às produções da cinematografia nacional teria para a comunidade iraraense.
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Nesta semana recebemos a informação de que nossa proposta havia sido aceita. Agora estamos participando dos tramites burocráticos para a efetivação do projeto em Irará. Assim que tudo estiver pronto, esperamos estar divulgando outras informações como dia, local, sessões e os filmes que o Cinema BR levará a Irará. Aí é só preparar a pipoca e esperar o filme começar!

27.4.06

Nilson Aquino participa de Festival Nacional

O músico Nilson Aquino, conhecido em Irará como Nilsinho, é um dos participantes do 8º Música Fenae. Nilsinho foi classificado para a competição nacional, após vencer a etapa baiana do concurso dedicado a artistas, que como ele, pertencem ao corpo de funcionários da Caixa Econômica Federal. Este ano, o Fenae acontece em Salvador com etapas eliminatórias nesta quinta (27) e sexta (28), no hotel Blue Tree Towers (Rio Vermelho), e a grande final no sábado, na Sede de Campo da Apecef/Ba. São dezoito artistas de diversos estados do Brasil, concorrendo aos prêmios de melhor letra, melhor arranjo e melhor interprete. Aquino apresenta a composição “Zoeira” (ver/ouvir abaixo) de sua autoria. As apresentações serão sempre a partir das 20:00 hs, sendo que no sábado, também ocorrerá um show do cantor Flávio Venturine.
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Outras Informações: www.fenae.org.br .
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Ouça a música !
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[ No site da Fenae, vá no link do “Núsica Fenae”, acesse o menu “musicas” e clique em “letra” na linha correspondente à música de Nilson Aquino. Depois é só clicar em “ouvir”, logo acima da letra da música. ]
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Apcef/BA
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“Zoeira”
Intérprete e Compositor: Nilson Aquino
ouvir
Ana que andou
Rosa que cheirou
Clara derramou em mim
Rita me irritou
Quando em deixou
numa solidão sem fim
Diana chorou
Me comoveu
Nas noites sem graça
sua cabeça era eu
Ai que zoeira, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo
Ai que zoeira, tum, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo
Iracema me flechou
Na fogueira do amor
Usou seu ritual em mim
Vera me amou
Mas verá que não passou
Toda sua verdade pra mim
Graça não cobrou
Também não deu
Jurou que ainda volta
seu coração vai ser meu
Ai que zoeira, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo
Ai que zoeira, tum, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo
Amélia deu um show
Me trocou por meu avô
Tinha tudo que sonhei pra mim
Maria em cada canto têm
Quero pra mim também
Pois não sobrou aqui
Zizi fez zumzum
seu mel não deu
Bárbara, calundú
Me bateu
Aparecida desapareceu
Eu pedi a dadá, dá
Ela não deu
Ai que zoeira, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo
Ai que zoeira, tum, tum, tum, tum
Meu coração (bis)
Tá na beira do abismo

20.4.06

Casa da Cultura é Bi em Edital do BNB.

Saiu na segunda-feira, dia 17, a lista dos selecionados para o Edital de Cultura do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para o ano de 2006. Entre os projetos aprovados esta o Colóquio de Literatura Popular da Casa da Cultura de Irará (CCI). O projeto consiste em palestras, debates, oficinas e apresentações artísticas (literárias e musicais) com temática na cultura popular de matriz nordestina. O investimento a ser liberado pelo banco para o Colóquio corresponde a pouco mais de R$ 9 mil e devem estar disponíveis assim que a diretoria da CCI receber o comunicado do BNB e proceder com as obrigações contratuais necessárias.
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O Colóquio de Literatura Popular também foi selecionado na edição 2005 do mesmo Edital e aconteceu graças ao investimento do BNB, contando com o apoio da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e da Prefeitura Municipal de Irará. Para 2006 espera-se re-afirmar parcerias e constituir novos parceiros. A idéia é que o evento seja ainda mais representativo para a comunidade iraraense do que foi o primeiro, quando estiveram presentes cordelistas de renome como Franklin Maxado, Antônio Vieira e Jotacê Freitas, entre outras personalidades.
Um total de 145 projetos, entre 2.354 inscritos, foi selecionado pelo Programa BNB de Cultura 2006. Dos 145 projetos, foram aprovados 30 de Artes Cênicas, 32 de Artes Visuais, 19 de Audiovisual, 32 e Literatura (Caso do Colóquio – “evento de promoção literária”) e 32 de Música.
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Os 145 projetos selecionados procedem de 95 cidades nordestinas diferentes. 78 propostas (53,8%) foram oriundas de 72 municípios com menos de 100 mil habitantes. As outras 67 (46,2%) foram originárias das nove capitais da Região e mais 14 cidades do interior nordestino, com mais de 100 mil habitantes.
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Lista dos selecionados e maiores informações em: (www.bnb.gov.br).

18.4.06

O Vinhos e Versos da Semana Santa em 15 estações.


1º Estação - A Condenação

Naquela noite de quinta passada, 13 de abril, véspera da Sexta-feira da Paixão, estávamos mesmos condenados a recitar vinhos e beber versos noite a dentro. A ansiedade por recitais traia qualquer receio e, ainda que estivéssemos passíveis de julgamento, nos motivava a começar o recital.



Conversa descontraida em meio a poesia

2 º Estação - Carregando a Cruz.

Esta foi a oitava edição do recital Vinhos e Versos sob a organização da Casa da Cultura de Irará (CCI). O evento vem acontecendo desde julho de 2003, quando o grupo iraraense tomou posse da CCI. Em 2005 foi iniciado um novo mandato, tendo na presidência o cordelista Kitute de Licinho. Diante da falta de participação e/ou motivação das pessoas convidadas por ele para participar da diretoria, Kitute praticamente organizou todo o recital e a exposição sozinho. “Jogou nas onze”, como ele próprio diz.


Público acompanha o Vinhos e Versos
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3º Estação - Primeira queda.
O costumeiro atraso no começo do recital faz cair o número de espectadores. Há quem chegue e não agüente esperar e também a ida e vinda de pessoas, somente interessadas em beber vinhos que nem se quer olham as obras expostas, arranham o sentido do evento. Nesta edição, em específico, aconteceu o evento do sarigüê , uma cena nada poética. Mas, mesmo diante de todos os imprevistos, há sempre a vontade de continuar, em nome da poesia.


Exposição apresentou obras de Juveraldo
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4º Estação - O recital re-encontra alguns dos seus.
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A sétima edição do Vinhos e Versos foi marcado como a do recital, no qual não se recitou. O evento acontecido em novembro de 2005, não contou com a participação de muitos dos seus tradicionais freqüentadores e recitadores. Este último pôde novamente contar com as presenças de Juci Freitas, Sérgio Ramos¸ Fábio Calixto, e Roberto Martins, entre outros.



Fábio Calixto (esq de azul) foi socorrido em seus versos
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5 º Estação - Roberto ajuda Fábio Calixto a recitar.
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Logo no inicio, o Vinhos e Versos parecia não engrenar. Havia uma terrível lacuna entre a declamação de uma poesia e outra. Roberto então sugeriu a Kitute que ele recitasse um poema de Castro Alves já seu costumeiro no Vinhos e Versos. Em contra partida, logo na seqüência, Roberto recitaria “Versos Íntimos” de Augusto do Anjos, habitual em seu repertório e Fábio Calixto entraria com a repetidissíma “E agora José” de Drummond. Por incrível que pareça, Calixto esqueceu os versos do poema Drummondiano e logo foi socorrido por Roberto num breve improviso. A rima de-repente a qual lembrava que o tempo acabou e Fábio esqueceu, arrancou risos no público presente.


Juci Freitas, a voz feminina da noite
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6 º Estação - A fala de uma “Verônica” faz do vinho o verso.
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Juci Freitas foi a única mulher a recitar naquela noite. Seria pouco dizer que ela “faz versos como quem morre”. Recitando poemas de sua autoria, de outros autores e também, a pedidos, de Cecília Meireles, Juci incorpora a poesia, surpreende a quem ainda não a conhece e deixa sua marca, assim como o rosto de Jesus ficou gravado no pano cedido por Verônica.
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7º Sétima Estação - É preciso superar as quedas.
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A qualquer intervalo que já pareça longo Roberto provoca os presentes a recitarem. Alguns não aceitam o convite e outros resolvem dá a sua contribuição antes mesmo de serem convocados. Joel Gomes então não se faz de rogado e vai ao centro do salão, onde recita um poema de Shakespare. É preciso continuar, seguir a “via crucis”, superando as quedas.



Roberto em leitura dramática de "Triste Partida"
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8 º Oitava Estação - O consolo.
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Nem sempre a poesia serve de consolo, mas poemas que retratam realidades transmitem sentimentos de compaixão e reflexão. De livro na mão, Roberto Martins faz uma leitura do poema “Triste partida”, escrito por Patativa do Assaré e musicado por Luiz Gonzaga. Os versos retratam a dor do retirante nordestino nos difíceis tempos de longas estiagens. É solicitada a participação de todos e como se chorassem por nós e por nossos filhos e irmãos nordestinos, o público vai no refrão: “meu Deus, meu Deus!”, “aí, aí, aí, aí,”.
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9 º Estação - Nova queda, na tentação por reprises.
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Sérgio Ramos traz a figura do caipira ao recitar versos de Wilson Aragão, no qual constata que “morre muitha menas gente se a guerra for de facão”. Ao ver Sérgio representando o tabareu, Kitute não resiste e pede para que seja revivida a parceria de Sérgio e Roberto para recitar o matuto no futebol. Os dois então caíram na tentação e reviveram a parceria já conhecida de outros Vinhos e Versos.
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10 º Estação - “Rasgam-se as vestes” de um visitante, revela-se um poeta.
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Ricardo Castelar estava quieto observando tudo. Derrepente, vai ao meio do salão e recita um poema. Mas esta não é a sua única participação. Ele sabe que “dois e dois... são quatro”. Então Ricardo volta algumas vezes e surpreende o público até mesmo com versos de Olavo Bilac, o príncipe do parnasianismo.
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Tone, Joel e Tarcísio, frequentando o recital

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11º Estação - Pregados no Vinhos e Versos.
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Alguns dos freqüentadores que estão sempre presentes ao recital, acompanham com atenção e alguns deles até recitam. Os casais, Tone e Taise; Tarcísio e Gilda, marcaram presença mais uma vez. Nanuse não perdeu mais uma oportunidade de ver “seu kitutinho recitando”. Edma acompanhava seu esposo, Sérgio. E Rejane se fez presente mais uma vez. Entre os “pregadores” do V & V, Tone foi quem foi ao centro e, com livro na mão, recitou versos de Jotacê.
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Mauricio que depois atacaria de "Romeu e Julieta"
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12 º Estação - Acaba o vinho, mas o recital não morre.
Por volta de meia noite e meia ou uma da manhã os sete garrafões (35 litros) de vinho secaram. Enganou-se quem pensou que o recital acabaria com o fim do vinho. Fosse a base de coca-cola, ou de bico seco mesmo, a rapaziada continuou a recitar. Algumas pessoas já tinham ido embora, outras estavam apenas chegando. Sabão integrou a recitação de um rap de Gabriel O Pensador (Retrato de um Playboy) e Maurício Pereira, até subiu na caixa de som para dramatizar versos do romance Romeu e Julieta de Shakespeare..
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13 º Estação - O recital “desce” da cena.
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Com o avançar da noite, o número de presentes já era pequeno e o recital terminou. Final do Versos, volta o som ambiente. No aparelho, toca o mesmo CD que se repetiu exaustivamente antes do recital começar. Entretanto agora, a voz de Nei Matogrosso parecia narrar a proximidade do horário: “são duas horas da madrugada/ assim/ assim...”. E assim, assado todos se despediam do Vinhos e Versos.
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14º Estação - A luta contra o sepulcro.
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A cada Vinhos e Versos o recital se renova. É como se fosse uma luta constante contra a morte de prática e espaços para a poesia na cidade. Uma prova disto é que a cada edição o recital atrai novas pessoas, que por um motivo ou por outro, ainda não o conhecia. Importante frisar que o Vinhos e Versos e toda a sua conjuntura incentivaram algumas pessoas desenterrar suas idéias e talentos. Prova disto é o próprio Kitute de Licinho que graças ao movimente empreendido despertou seu talento de cordelista, virou editorialista em cordel, e pôde criar obras memoráveis como “O Namoro da Biba na Festa de Fevereiro”. Livreto que, quando recitado no Vinhos e Versos prende a atenção do público que fica num silêncio sepulcral ouvindo cada lance da estoria.
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Dra Surama (esq) e Gina motivadas com o V & V
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15 º Estação - A ressurreição.
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Dra. Surama Vilas Boas ficou empolgada com o V & V. Na ausência da Diretora de Cultura do Município, a Chefe de Gabinete falava como se fosse a titular da pasta. Fazia planos e dava idéias para melhorar a estrutura dos recitais. Ao tempo em que planejava, ressuscitava lembranças do seu tempo de juventude “transviada” em Irará. Aqueles deviam ser jovens que “acreditavam nas flores vencendo o canhão”. Infelizmente, hoje o pensamento critico parece não mais habitar as cabeças dos iraraenses juvenis. Idéias libertárias que poderiam começar a ser ressuscitadas caso houvesse uma política séria para a área da cultura. Como diria Raul Seixas: “Espero em Deus, por que ele é brasileiro, pra trazer o progresso que eu não vejo aqui!”.
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*Fotos por Kitute de Licinho (jogou nas 12).
**Cartaz de Marcílio Cerqueira.

Jovens matam sarigüê no Sobrado dos Nogueiras

O acontecido se deu por volta das 21:30h, na noite do último dia 13 de abril, no Sobrado dos Nogueiras, em Irará. Era mais um recital de poesias Vinhos e Versos, promovido pela Casa da Cultura, acompanhado da exposição das telas de Juveraldo, artista iraraense. Enquanto aguardavam o inicio do sarau poético, as pessoas tinham acesso ao local, onde podiam apreciar as obras do pintor e tomar um pouco de vinho.

A característica de servir o vinho gratuitamente e o fato da data ser véspera da sexta-feira da paixão, atraiu um público pouco ambientado ao Vinhos e Versos. Muitos jovens se dirigiram ao Sobrado dos Nogueiras, sem a devida noção de como acontecia o recital de poesias, deixando claro que seu único interesse ali era beber vinho de graça. Um deles, mais cauteloso, chegou a interrogar se era preciso recitar alguma poesia para tomar o vinho. Diante da reposta de que a bebida estava disponível à todos, encheu seu copo, saiu e voltou algumas vezes, sempre acompanhado de uma turma de amigos. A noticia foi se alastrando pela praça da matriz e num determinado momento parecia que havia uma peregrinação rumo ao vinho da Casa da Cultura.

Os jovens enchiam seus copos de vinho quando perceberam a presença de um visitante inesperado. Tratava-se de um sarigüê de tamanho médio, demonstrando que o animal ainda não atingira a idade adulta. Diante do grito de alerta com relação a presença do bicho, a grande maioria dos jovens pareciam ter sido tomados por um instinto selvagem. Então se deu a correria com vistas a caçar e matar o animal. Após muitos pontapés e chineladas o sarigüê morreu ali mesmo, no salão principal do andar térreo do Sobrado dos Nogueiras, onde acontece o recital de poesias. Um dos jovens vangloriava-se do ato, enquanto narrava como ele deu varias chineladas na cabeça do “sujeito”. O estado eufórico do rapaz não lhe fez “cair na real”, nem mesmo diante de uma provocação irônica. “Você é o maior, é o valentão, matou o bicho”, ironizou um dos presentes.

O episódio mostra um pouco da mentalidade de alguns dos jovens iraraenses. A idéia de que matar um animal ou se embriagar de bebida, simplesmente pelo fato de que a mesma é gratuita, é motivo para se sentir o maioral. Talvez, eram esses mesmos os que estavam no grupo dos que, ao assistir o recital de poesias, perguntavam uns aos outros, em tons de riso: “Quem é o próximo otário que vai recitar?”. Como se vê, será preciso muita “poesia” para operar transformações sociais em irará.
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Ambiente propício.
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Desconsiderando a noção do prazer no ato de rebeldia juvenil, vale a pena lembrar que muitas pessoas têm horror a sarigüê. É um animal estranho, feio e perseguido na zona rural, pela sua fama de atacar galinhas. É perceptível que o habitat deste animal é a mata e não o interior de residências e/ou prédios públicos. Mas o ambiente do Sobrado dos Nogueiras tem sido propicio à moradia de morcegos, ratos e agora sarigüês.

Diante do comentário de testemunhas de que o animal teria caído do primeiro andar do Sobrado, reforça a urgência por medidas providenciais para a situação do arquivo público do município. O arquivo está amontoado no andar superior da edificação há quase três anos. Desde de julho de 2003, quando o então prefeito Amaro Bispo - com aprovação da Câmara de vereadores - revogou a lei que dava direito à Casa da Cultura de Irará (CCI) usufruir o primeiro andar do Sobrado. Na época, Bispo com a certeza que tinha da aprovação de seu projeto, nem esperou o voto do legislativo e desarrumou o arquivo que funcionava no andar térreo, amontoando-o no andar superior do sobrado. A medida foi realizada a toque de caixa, para que pudesse abrigar a atual estrutura da Biblioteca Pública do Município. Prefeito e Governador inauguraram juntos as instalações da Biblioteca, ignorando a situação do Sobrado e o “entulho” jogado no primeiro andar.


Na gestão atual, iniciada em janeiro de 2005, o problema persiste. O Prefeito Juscelino Souza ainda não se pronunciou a respeito da situação da Casa da Cultura no Sobrado, tampouco promoveu melhorias na estrutura do mesmo, com relação aos problemas de infiltrações no telhado e nas instalações elétricas. Apesar do informativo “O Tabuleiro” ter pontuado que foi feito uma reforma na edificação, o que se viu foi apenas uma pintura e a retirada das elegantes pedras portuguesas do passeio do prédio. No andar térreo, foi instalado o escritório do Departamento Municipal de Cultura, organismo responsável pela política governamental para o setor, no atual governo. De tal forma, ficam o Departamento e a Biblioteca no andar térreo, enquanto o arquivo desarrumado e a CCI, ainda que não de forma legal, no andar superior.


Além do arquivo desarrumado e do amontado de papeis, a atual gestão vem usando o local como uma espécie de depósito de objetos decorativos das festas públicas da cidade. Estes fatos dificultam a limpeza do ambiente e favorecem a proliferação de animais peçonhentos. Assim, arquivos históricos e documentos de governos passados ficam entregues ás traças, baratas, morcegos, ratos e sariguês. Curioso é que a chefe do departamento, em entrevista ao “O Tabuleiro”, disse que no primeiro ano de gestão, o órgão “arrumou a casa”, parecendo esquecer a bagunça no andar superior do seu local de trabalho. Haja sarigüê e instinto de extermina-los.





Fotos realizadas na sexta-feira, 14 de abril de 2006.

10.4.06

Na pauta, a Semana Santa.

Chega Semana Santa e já dá pra prever os noticiários. Como em todo “bom jornalismo”, o repórter pode até repetir a matéria do ano passado, pois a pauta é a mesma. Na TV, vai ter reportagem de procissões, de auto flagelação, peregrinos subindo morro ou carregando cruz, católicos rezando diante do Papa na TV (ainda que Bento XVI não seja pop star), etc, etc, etc... O noticiário e os acontecimentos de Irará, também não devem variar muito.

Lá vai ter missa, vai ter festa no sábado de aleluia e as noticias no impresso local, também devem se repetir. Entre elas, destaco uma, que para mim é quase certa. Se não sair na edição de abril, com certeza deverá estar o fato registrado no mês de maio. Aposto um real que vamos ver a divulgação de que na Semana Santa, lideranças políticas distribuíram peixe à população carente. Mesmo sabendo que isto, certamente vai virar noticia, não vejo nada de novo. Novidade mesmo seria, se eles estivessem ensinando a pescar.

Devaneio meu, eu sei. Porque ensinar a pescar é um processo lento, gradual, que exige tempo e não rende elogios ou matérias nos informativos. Quem dirá uma abertura de parêntesis para um rasgado elogio. Lembro-me que num destes anos passados, o mensário local tinha tanta noticia de doadores de peixe, que cheguei a pensar tratar-se de um campeonato. Uma espécie de leilão, no qual quem desse mais seria o vencedor.

Enquanto a disputa for por quem dá mais peixe, tá tudo tranqüilo. Assim os supermercados irão vender mais, os recursos vão incrementar a economia da cidade e “as famílias carentes terão uma semana santa mais feliz”, conforme argumentam os doadores. Complicado será, se com o avançar da disputa, alguém resolver se antecipar aos adversários e além de peixe também dá vara de pescar aos carentes. Já pensou? O cidadão sofrendo, cheio de problemas nas costas, e os políticos tome-lhe vara! A doação traria outro agravante. É que perdendo o “conforto do supermercado” o individuo talvez percebesse que os rios do município estão secando.

Pois, ainda que a moda da vara não pegue você pode perceber que nem tudo é repetição na Semana Santa do Irará. Destaco aqui então duas mudanças. A primeira é com referencia aquele meu amigo que guardava a Quaresma e fazia todo tipo abstinência, mas neste ano eu já o vi tomando uma cervejinha, naquele intervalo de quarenta dias que separa o carnaval e sexta-feira da paixão. A outra é com reação aos Judas que aconteciam com maior freqüência na zona rural e hoje estão diminuindo.

O Judas era um negocio trabalhoso de se fazer e organizar, além do mais, as vezes trazia problemas aos organizadores. O diabo estava... – “opa! não ver que isso pecado menino... falar do tinhoso na semana santa” - Então desculpe-me. Melhor dizendo. O problema estava era no testamento do Judas. Oh! negoço desaforado! Eles diziam de tudo através do tal escrito. Hoje já não pode. E a comunidade que fizer isso corre o risco do político não dá peixe nem vara no ano que vem. Melhor então pedir aos “home” que fale a seu deputado pra mandar uma banda e fica tudo certo.

E se o povo quer banda, não se admire se tiver cabo eleitoral dando banda de peixe. Pode ser uma medida de contenção de despesa, ainda mais em ano de eleição como este, no qual os correligionários precisam mostrar maior número de atendidos para os seus deputados. Quanto mais gente beneficiada, maior chance de votos e maior reputação para o doador.

Assim vai formando a relação de amor e ódio assistencial. O político pensando que estar enganando o povo. E a população imaginando enrolar os políticos (eu pego, mas não voto) e parecendo esquecer, onde tá faltando o dinheiro daquela suntuosa doação. Situação que remonta ao estigma social do povo brasileiro que talvez seja quebrado no dia em que a paixão vir a habitar os corações e não somente o calendário.

P.S. – Estou apostando só um real não é por medo de perder, mas por estar sem condições de arriscar mais no momento. Vai que o pessoal me surpreende. Eu hein. Pé de pato mangalô três vezes! Fé em Deus! E que Jesus nos abençoe.