28.4.08

Reiteramos o Colóquio

Cartaz de Marcilio Cerqueira para o Colóquio 2008.


E fizemos o Colóquio de novo. O terceiro. Para mim, além de uma produção/terapia, foi uma experiência gratificante. É legal ver o evento acontecendo e ser valorizado pela comunidade. Perceber o tema da literatura na pauta do Irará.
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A edição deste ano, tão especial quanto as outras, foi massa. As palestras, as oficinas, as bandas. Zimababwe e A Volante do Sargento Bezerra, literalmente, deram show. Valeu pela gloriosa participação da Quixabeira.
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O Sábado à noite, um evento inesquecível. Lançamento do livro de Messinho, de Franklin e de Geraldo; lançamento dos Cordeis de Kitute e de Barreto. Vinhos & Versos. E a ótima apresentação do grupo Arranjos.
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Parabéns à Casa da Cultura de Irará. Grande sonho de Aristeu Nogueira.
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Obrigado ao camarada Marcilio Cerqueira. À Kitute e Artur Modesto. Bonifácio, Katiene, Sérgio Cabelera, Fábio Calisto, Aristela, Dilma Leão, Messinho, Kau Santana. Ao Departamento Municipal de Cultura, Cestão Supermercado, Colégio Joaquim Inácio, Escola São Judas, Filarmônica 25 de Dezembro, Casa Jesus Maria José e Viva Irará; Secretaria de Educação, Sindicato Rural, Centro Espírita e ACEI, na pessoa de Kakal.
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E também muitíssimo obrigado aos nossos convidados artistas e poetas. Antônio Barreto, Geraldo Maia, Franklin Maxado. Representantes da SECULT, FPC e BNB. Gabriel Ferreira, Jotacê Freitas, Piter Leão, Luciana Balbino, Tony Andrade, Jai, Antônio Queiroz e Braúlio Pinto, Ricardo Reira.
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Aos que estiveram presentes. E a todos e todas que contribuíram para continuarmos teimando e fazendo esse evento.
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Vejam texto que escrevi para o Blog “Das Ruas” de Iuri Rubim sobre a apresentação de repentistas de na Feira Livre (clique aqui).

25.4.08

Luto

Tentei, mas não consegui. Depois da morte de meu pai, em fevereiro passado, seria esperado um texto, uma homenagem, um balanço, sei lá... Qualquer coisa que tentasse sintetizar tudo que eu estava passando. Não consegui. Já sou ruim de sínteses e nesse caso então...
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Faltou-me mesmo as palavras. E não sabia como fugir do clichê nesse momento de dor. E, podem apostar, doe de verdade. Sentido denotativo mesmo.
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Como diz a canção de Alisson Menezes, ficou tudo “muito confuso, na minha cabeça”.
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Não só de como o fato se deu, mas pela luta de mais de um ano contra uma doença estranha. Diante da qual amarguei a maior derrota dessa minha pequena existência. Perdi. Sei que não há jeito, vou ficar com essa ferida aberta enquanto viver. Pode ser até que ela sare, mas com certeza deixará uma cicatriz enorme.
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Depressão. Muitos ainda ridicularizam, minimizam o seu potencial ou não tem a mínima idéia do que essa doença maldita pode ser. Os casos não são poucos e já a denominam de “mal do século XXI”. O que pensar de uma enfermidade que tira do indivíduo até mesmo o instinto da sobrevivência?
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Confusão, insônia, dúvidas... Tantos e tantos sintomas me apareceram. Para fugir disso tudo, resolvi meter a cara no trabalho. Chamei os companheiros: “tá na hora de fazermos mais um Colóquio!”.
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Ainda bem que tudo deu certo. Refrescou os pensamentos e me fez ver que é ora de retomar algumas outras atividades. E, especificamente, este Blog. Espero um dia escrever um texto em homenagem ao velho Zé do Rádio... (são muitas histórias para contar)
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Por hora, agradeço a todos que sentiram a ausência de novidades neste espaço, agora com dois anos de criado. Especialmente a Lívia por ter manifestado essa falta em comentário.
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A batalha continua. E eu, busco forças e, ainda Luto.
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7.2.08

Cobertura carnavalesca

Até para quem não vai ao carnaval é difícil ficar alheio à folia. Vez por outra, entre todas as outras possibilidades de ouvir falar do reino momesco, o sujeito encontra um aparelho de TV, ligado numa emissora que faz a cobertura do evento. Destaque para Globo e Bandeirantes.


Ticiana Villas Bôas (esq), formada pela Facom/UFBA,
foi uma das repórteres da Band no carnaval de Salvador


A Band já há algum tempo, saindo do eixo Rio São Paulo, transmite o carnaval de Salvador. E agora em 2008, ano do centenário do frevo, resolveu brindar os foliões “at home” com os carnavais de Recife e Olinda.
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Dos trechos que vi, apesar da massante mechandising da Coca Cola, achei legal a interatividade entre os reportes trabalhando nos dois estados nordestinos. No mais, não percebi muita coisa que mereça “alfinetar” o trabalho dos caras, como diz um amigo meu.
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Já na Globo, tudo continua sem novidade. A emissora ainda pensa que o Brasil é uma das suas novelas das oito. Rio de Janeiro, Leblon, etc, etc, etc. Só que, como é Carnaval: “Desfile das Escolas de Samba! Ao vivo!”. Nada contra a transmissão dos desfiles. Nem do Rio e nem de Sampa. Porém, a cobertura...
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Câmeras especiais. Aquários montados em plena Marqueis de Sapucaí e um montão de repórteres a todo canto. O alvo para as entrevistas são integrantes e personalidades a desfilarem nas Escolas de Samba. “como é o sentimento de está aqui?”, “o coração tá batendo forte?”, “o que você acha?”, “é muita emoção né?”. Resumindo, as perguntas são quase todas neste estilo. “Aí, vamô pensar numas indagações mais espertas, aí”.
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“Oxente! Mas tu também não pode dizer que a Globo não dá espaço para a Bahia”. Claro que dá, né gente!? Lembre-se que tem a retransmissora local. A TV Bahia, da Rede Bahia, de... vocês já sabem quem.
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O pessoal estava lá trabalhando, o trio de Ivete ia chegando, os comentários iam aparecendo, mas de repente a cantora achou de simular um beijo no repórter da Band. Daí já viu! Na rede dos Marinhos, não se dá “Ibope” aos concorrentes. Câmara se afasta e... “roda , roda, roda Chacrinha, um minuto de comercial/ alô, alô Teresinha...”.
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Na segunda-feira, transmissão local na hora da Sessão da Tarde. Daniela Mercury dando entrevista no set da TV em pleno Campo Grande. O pessoal parecia babar diante da “Rainha do Axé”. Também, vale dizer, em certo sentido, ninguém pode condená-los por isso.
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De repente, resolveram mostrar imagens da apresentação de Daniela no dia anterior. A legenda dizia: “Barra - ontem há noite”. Agora imagine vocês se não tivesse existido a noite do dia anterior? Mas, se a frase se referia a ontem, deveria então ser: havia noite. A noite poderia deixar de ter existido? Ah, sei lá...
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Como, “não estamos aqui na condição de Observatório da Imprensa, visse!”, e sabemos que macaco não olha para o rabo, lembro-te que “tu falastes do erro dos outros, mas não visse os teus”.
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Então. Para não ser vitima e algoz, anunciamos que estar todo mundo perdoado. E depois, nesses momentos de festas de inversão da ordem, um pileque ou um gorozinho de leve é sempre bem-vindo. Se era Carnaval, é claro que a cobertura tinha de ser carnavalesca.


* imagem tomada de emprestimo no site da Band

2.2.08

A gestante no ônibus em tempos capitais

Diferente de Caetano ele ainda não tinha visto a mulher preparando outra pessoa. O tempo e os indivíduos em volta não pareciam preocupados com aquela barriga. O ônibus parou; era ponto de passageiros.
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A gestante subiu pelo fundo da condução mesmo. Torniquete, trocador, empurra-empurra e alguns outros sinais de lotação mais que máxima. A placa na frente indicava: “46 passageiros sentados”. Em pé, a olho nu, percebia-se no mínimo outra quantidade e meia daquela.
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Por entre todo este aperto, típico de corredor de ônibus urbano cheio, está em pé uma dama e a sua singela cria no ventre, com cinco ou seis meses de gestação.
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Quando percebe a cena, o passageiro não se contém. Saí do seu lugar à janela, espremendo-se entre as pernas do outro passageiro, sentado inerte no lado do banco próximo ao corredor. A moça ainda tenta sinalizar uma negativa ao oferecimento, mas é traída pelo seu belo sorriso. Este já denúncia o acatamento à proposta e ele já vai tomando seu lugar ao assento.
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Em pé, após ouvir alguns agradecimentos, tal qual Roberto Carlos, ele pensa: “Espero que tenha sido com muito amor e seja quem for, há de achar você também tão linda, esperando neném”.
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Que romantismo tolo! Não há mais espaço para isso. Hoje a coisa é feita de modo diferente. Há casos sem intenção. Um descuido, uma camisinha estourada, o esquecimento da pílula... Ou de modo intencional mesmo. Assim, como tão falando com grande freqüência nas rádios FMs da periferia. “Quer beber? Ou quer fazer bebê agora?”.
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Pelo sim pelo não, o gentil passageiro resolve começar um bate-papo. Estaria ele esteticamente encantado pela dama a quem fizera a gentileza? E se ela fosse feia? Será que haveria gentileza mesmo assim?
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Pára, pára, pára. Deixemos de desconfianças. Não é a todo momento que se está disponível para ser Brás Cubas. Quem é côxa pode ser bonita, ou vice-versa. Lembremos que a realidade não segue o padrão de perfeição imaginado ou inventado pelo ser humano.
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Divagações filosóficas à parte. Volte-mos ao bate-papo.
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- Por que você não entrou pela frente? – indagou o rapaz, pretendo informar à gestante que ela teria direito de ingressar na condução sem pagar e sem o constrangimento de passar pelo torniquete.
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- Eles tiraram esse direito. Agora a gente tem de pagar.
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- Absurdo!
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A informação ignorada pelo rapaz é confirmada por outra passageira ao lado. Ela re-afirma a noticia da gestante. Pode parecer absurdo, mas mulher grávida paga passagem. Entretanto, a passageira faz uma observação:
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- Você poderia ter entrado pelo frente e ir até o cobrador para pagar a sua passagem. Já pensou se esse ônibus rasta e você leva uma queda ou trompasso?
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Parece que a moça não estava mesmo atenta para isto. E nem todos estavam atentos para ela. E qual seria a novidade? Era apenas mais uma jovem grávida, entre tantas jovens grávidas que tem por aí, que não são apresentadoras de TV.
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O ponto do passageiro chegou, ele se despediu da bela gestante e ela respondeu com um “obrigado”, acompanhado de um sorriso encantador.
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É capitalismo. O que não tem fetiche ou não tem valor de mercadoria, paga a conta, está por fora. E olhe que há quem diga ser a placenta “a melhor das embalagens”.
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14.1.08

I Mostra de Midia e Múscia na UFPE


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Estarei apresentando o artigo Tom Zé: um tropicalista e sua aldeia neste evento, como parte da Mesa Temática, Hibridismo e Fluxos Musicais. Já apresentei o mesmo artigo no III Enecult em maio de 2007. A versão a ser apresentada em Recife possui algumas pequenas correções.

30.12.07

03 anos, 02 cartas, 01 pedido, 00 ação

Contagem regressiva. Sinal do regresso político-cultural iraraense. Os números decrescentes do título acima sintetizam minha saga na busca da efetivação de uma lei. A intenção era tornar isentas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) todas as entidades culturais e filantrópicas de Irará.
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A medida, além de beneficiar as entidades financeiramente, facilitaria os tramites das mesmas quando precisassem de certidões municipais para receber recursos de instâncias estaduais e federais.



Carta de 2005

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Setembro de 2005. Encaminhei a solicitação à Câmara Municipal de Vereadores. Coloquei anexa, como exemplo, uma carta do ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbhassay, datada de 2004. Nela, o executivo, após a ameaça de penhora do Teatro Vila Velha, pedia à Câmara Municipal a aprovação de um projeto de lei para isentar o Vila do imposto. A missiva anexa intencionava exemplificar que não havia impedimento legal para a isenção.
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Não pude acompanhar a sessão na qual a carta foi lida. Entretanto, tive informações de que o texto havia sido apresentado na ordem do dia. Segundo meus informantes, nenhum comentário, nenhuma indicação, nenhum posicionamento. Nada! Era como se aquela mensagem não houvesse chegado ali.
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Carta de 2006

Setembro de 2006. Percebi que o pedido havia completado um ano e a solicitação não havia sido atendida. Resolvi mandar outro comunicado aos parlamentares. Só que desta vez agi de modo diferente. Mandei o texto em forma de carta aberta. Fiz algumas cópias e distribui entre os presentes na sessão.
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Parecia que era uma carta bomba. Houve consulta ao assessor jurídico da casa. Teve parlamentar que, antes do início da sessão, me chamou para conversar. “Você mandou no ano passado?” – perguntou e diante da resposta afirmativa respondeu: “Então eu não estava na sessão que foi lida”.
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Apresentada na ordem do dia, a “bomba” foi logo detonada. Um parlamentar pronunciou-se com nervosismo. Desconfiou de motivação eleitoreira. “Por que esperou um ano para mandar de novo agora, na véspera da eleição?”. Reflexo do clima “tenso” da cidade naquela campanha para deputados, senadores, governador e presidente. Outro foi taxativo: “É porque o rapaz não entende nada de lei de responsabilidade fiscal, só quem pode fazer esse projeto é o Prefeito”.
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O vereador tinha razão. Assim como no caso de Salvador, necessitava haver uma iniciativa do executivo. Afinal, só a esse poder é permitido elaborar projetos que possam gerar despesas ou recusar receitas (no caso nem tanta recusa assim, já que quase nenhuma entidade social iraraense pode de fato pagar o imposto).
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No entanto, mesmo cheio de razão, o vereador ao invés de apontar a “ignorância” do rapaz, deveria se por ao lado da causa social. Como legislador e “funcionário público” é dever do edil auxiliar o cidadão comum, que, diferente dele, não recebe salário para ter obrigação de conhecer com afinco os tramites legislativos.
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Peraí! Abre um parêntese. Nada de desculpas ou procurar erro no edil. Quer saber? A carta soa mesmo como um desaforo. Os legisladores estão acostumados a receber pedidos de blocos, cimento, madeira, remédio, dinheiro para festa... Aí vai esse menino pedir uma lei. Uma lei!? Onde já se viu!? Uma lei! É mesmo muita provocação. Fecha parêntese.
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Um terceiro vereador apontou a importância da idéia por beneficiar a cultura e, assinalou, “cultura é lazer”. Como mais ninguém usou da palavra para este assunto, os parlamentares passaram a tratar de outros temas e a sessão continuou.
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No final daquele mês, veio a confirmação de que o vereador da “reunião informal”, antes da leitura da carta na ordem do dia, havia cumprido o que prometera. Ele afirmou que iria dirigir um requerimento ao prefeito indicando a lei de isenção. E, na edição logo após aquela reunião, o informativo mensal A Gazeta de Irará publicou em suas páginas a notícia de que o vereador havia “pedido isenção de impostos para entidades municipais”.
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Setembro de 2007. Nada. O pedido para isenção de IPTU para entidades filantrópicas e culturais entrou no seu terceiro ano e não foi atendido. Em 2007, resolvi não mandar mais carta alguma. Nem para vereadores, nem para o prefeito.
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Ademais, acho que não precisava ficar lembrando o prefeito disto. Ele já sabe da necessidade desta isenção do IPTU para entidades filantrópicas e culturais. Este é um desejo das pessoas que fazem cultura em Irará, conforme reforço do pedido expresso pela sociedade civil durante o Encontro Municipal de Cultura, acontecido no dia 04 de setembro de 2007 (olha o pedido completando 3 aninhos...).
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E porque o executivo ainda não formulou o projeto?
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Sei lá. Deve ser porque ele é artista, gosta muito da cultura de Irará e como disse a Secretária de Educação no dia do Encontro de Cultura, ninguém canta melhor essa “aldeia” do que o prefeito.

19.12.07

Moska na sopa do parque

Domingo no parque. Crianças brincando, churrasquinho, pipoca, algodão doce, bicicleta. Gente fazendo panfletagem. Comércio, política, arte. Tudo em divulgação. É certo que o movimento no parque cresce, e muito, quando tem música.
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Neste domingo último, o Parque da Cidade em Salvador recebeu um grande público para ouvir as canções do carioca Paulinho Moska, ou simplesmente Moska, como vem sendo chamado já há um bom tempo, não sei se por decisão própria ou indicação de um numerólogo qualquer.
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O ambiente é bucólico. Um belo palco encravado em meio aquele exuberante pedaço de mata atlântica. O público vai chegando e se acomodando aos poucos. Após a apresentação e os reclames de Jéferson Beltrão, Moska sobe ao palco. Somente ele e dois vilões.
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Cumprimenta a platéia, mas quase que não se ouve a sua voz. De repente o som cresce. Agora dá pra ouvir. O artista anuncia a primeira música. “Tudo novo de novo”. A canção sugere começarmos de “onde já caímos”.
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Moska então segue embalando as pessoas, desde os mais tímidos ao fundo, aos mais empolgados, na frente do palco fazendo pedidos. O artista conversa com o público, apresenta suas canções e conta um pouco de como se dá o processo de criação das mesmas.
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Revela: “uma vez comprei uma maquininha, dessas digitais que todo mundo tem hoje, e resolvi sair fotografando o meu reflexo em objetos metálicos de banheiro (torneiras, maçanetas, saboneteiras, etc) dos hotéis por onde eu passava. Isso virou mania e depois obsessão”.
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E durante o show ele ia contando. O vicio de fotografar o próprio reflexo lhe rendeu mais de duas mil imagens. Ia catalogando, separado-as em pastas no computador, dando nomes a algumas. Títulos e imagens que se tornaram frases, poemas e canções. Músicas que viraram álbuns.
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No meio de um destes relatos o som cai. A voz de Paulinho só é ouvida no retorno do palco. Para o público fica baixinho, quase que não se dá para ouvir. Nada de desespero. Nem xingamentos, nem reclamação com a equipe técnica, nem ameaça de cancelar o show, alegando o som ser uma “porcaria” ou falta de respeito com a sua arte. Nada disso.
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Moska começa a bater palma. O público lhe acompanha. Sem o uso do violão, vai cantarolando. Os versos falam de miscigenação, da branquinha que aceita o rapaz de cor, da formação do mulato brasileiro.
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Enquanto as pessoas se encantam com o voz e palmas, os técnicos seguem frenéticos na mesa de som. É um emaranhado de cabos. Uma porção de plugues pra sair de um canto e entrar noutro. A mesa é grande. Muitos canais. Vai ver que foi um único daqueles, o causador de todo o problema e... Já viu.
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Alguns poucos minutos depois o áudio das caixas externas retorna. Moska termina a cantarolisse em alto e bom som. “Tá vendo!? Não doeu nada e ainda ganhei um Martinho da Vila”, diz o carioca, como quem deixa implícito saber que imprevistos acontecem. Nem sempre é necessário pilhar a equipe ou colocar o público contra a produção do show.
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Aí ele aproveita para falar de samba. “Tudo começou aqui”, diz, salientando ser Salvador a cidade “mais mulata do Brasil”. Comunica, a quem não sabe, ser neto da Bahia. “Minha mãe nasceu nesta terra”. “Meu sangue é baiano também”.
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Entre falas e sambas, julga que a “bagunça” foi boa. Daí arranca gritos do público quando fala ser Raul Seixas “a maior ‘bangunça’ deste país”. Anuncia que é preciso retornar ao show, mas diz que ao fim do repertório pode ter a volta da “bagunça”. Parece que desta vez, nem vai ser necessário o velho grito de guerra: “Toca Raul!”
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Moska começa de onde caiu. Volta para seu repertório. Enganou-se quem pensou que o samba estaria fora dele. Paulinho da Viola (“meu xará duas vezes”), Herivelton Martins, Pixinguinha e outros. “Baiana é aquele que entra na roda de qualquer maneira”. Canta e depois confessa nunca ter tocado esta música ao vivo. “Só cantava em casa”. E tocava pra maiínha dele.
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No leque de canções tem músicas próprias; parceria com outros cantores; como “relampiando” com Lenine; e composições e canções executadas por outros interpretes. Tem a presença de Zélia Ducan. É tocado um blues do “príncipe Cazuza”.
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O público é insaciável. Quer mais, pede mais. Moska fala em democracia, “tem gente que já pediu e tá pedindo de novo”. Lembra de quem está no fundo. Prejudicados porque o artista não os escuta. Simula um tit-tic nervoso, um chilique no palco. Muita gente vai à gargalhada.
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Em meio a tantos pedidos diz ter um limite. “Lembrem-se que aqui no palco tem uma mosca”, brinca com seu apelido para falar que tem um limite físico e o show vai acabar a qualquer momento.
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Casais, crianças, coroas. Dava para perceber a presença forte de Maria Joana também. Tá calor? Vai de água, de refri ou uma cerva. Apesar daquele tempo quente do meio-dia do domingo, as nuvens colaboraram e esconderam o sol. O clima era alegre, descontraído, agradável e de nublado a parcialmente nublado.
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Paulino Moska termina o show. Acena e saí do palco. O público pede biz. Será que ele volta? Há quatro ou cinco anos atrás, em apresentação no Parque Costa Azul em Salvador, ele disse que não iria fazer “aquela idiotice” de sair do palco esperar o pedido do público e depois voltar. Preferia ficar tocando músicas fora do set list até a hora que a vontade desse. Desta vez, foi diferente.
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Tal qual o boêmio, ele voltou. Mostrou o seu lado metamorfose ambulante. Diante do calor do público, tirou a camisa. “Vocês vão ver um monte de ossos”. Falava de seu próprio corpo magro, talvez nem imaginando que na platéia tinha alguém mais ceco do que ele.
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Sem camisa e de viola elétrica na mão, empolgou o público. O que toda aquela gente faria se só restasse aquele dia? Se o mundo fosse acabar? O mundo não, mas pouco depois, o show estava terminado e Moska não tocou Raul.
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Talvez nem precisasse mesmo uma canção. A participação do maluco beleza era implícita na energia da festa. O morro e as árvores do lugar fazendo um cerco como um caldeirão. Mistura de pessoas, de cores, de ritmos, de emoções. Uma sopa. E lá pousou um Moska que chegou pra zumbizar.
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Foto: Luis Batista/Fotopress/divulgação, tomada de "emprestimo" no site do terra, com texto de Lucas Esteves.

15.12.07

Franklin Maxado lança livro em Salvador

Nesta terça-feira, 18, o Conjunto Caixa Cultural estará mais nordestino e maxadiano. O poeta, cordelista, professor, jornalista, teatrólogo, advogado, acadêmico... Franklin Maxado estará lançando, pela Editora Hedra (São Paulo), um livro com alguns dos seus cordéis.
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A publicação do feirense Maxado faz parte da coleção Biblioteca do Cordel, publicada pela editora. A série aborda a obra de grandes nomes da literatura de cordel no Brasil, a exemplo de Cuíca de Santo Amaro, Rodolfo Coelho Cavalcante, Patativa do Assaré e João Martins de Athayde.
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Listado como verbete no Dicionário dos Folcloristas Brasileiros, Franklin já publicou cerca de trezentos títulos de folhetos de cordel em mais de trinta anos de dedicação ao gênero. Além disto, há a publicação de ensaios, artigos e livros sobre o tema, entre eles: Antologia da Literatura de Cordel – em braile (1997), O que é literatura de Cordel (1980) e O Cordel Televivo (1984).
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Pelos causos, cordéis e pelo canto de tudo que é canto, vale apena conferir a obra do Maxado Nordestino. Certamente, neste livro tem muitas estórias pitorescas, como a revelada por ele próprio durante sua participação no Colóquio de Literatura Popular 2005, em Irará. Na ocasião, Franklin, que já defendeu Lucas da Feira num “tribunal do júri”, contou ao público iraraense como ele “fez um jumento virar gente”.
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Durante o lançamento será também aberta uma exposição de xilogravuras.
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O que? Lançamento de Livro
Quem ? Franklin Maxado
Quando? Terça-feira, dia 18, às 20h.
Onde? Conjunto Caixa Cultural – Rua Carlos Gomes, 57, Salvador- Ba.
Quanto? Lançamento: De grátis / Livro: R$ 18,00 (preço no site da editora)
[compre aqui ]

7.12.07

Feira Regional da Mandioca

veja programação em www.irara.com - notícia de 30.11.2007
(Leia trechos de entrevista com destaque para a cultura da mandioca em Irará abaixo)

Mandioca e agricultura em debate

Em maio de 2001, o Diretório Municipal do PT (Partido dos Trabalhadores) de Irará publicou a edição de número cinco do seu informe-ativo, denominado “O TREZE”. Contribui com a edição, co-produção, escrita de alguns textos e até com a diagramação. Nosso amigo Marcilio Cerqueira, além de co-produzir, também fez ilustrações para o jornal.
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A edição trazia uma entrevista com o técnico agrícola Cássio Alvim. Mineiro de nascimento, Cássio veio para a Bahia trabalhar na EMATERBA (atual EBDA) e, depois de passar por outras cidades, atuou em Irará, até ser transferido para Conceição do Jacuípe. Nos anos que trabalhou em Irará, Alvim se tornou um conhecedor da agricultura local, das suas dificuldades e potencialidades.
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Por ocasião da Feira Regional da Mandioca, momento em que se evidenciam os debates acerca da cadeia produtiva mandioqueira, aproveito para publicar aqui algumas das considerações feitas por Cássio Alvim na referida entrevista, com relação a mandioca e a agricultura local.
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Como serão observadas pelo leitor, algumas das afirmações feitas por Cássio, naquela noite de abril de 2001, ainda são atuais, para o bem ou para o mal, seis anos depois.
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Trechos da entrevista com Cássio Alvim

O TREZE: intenção de discutir temas do município

Cenário iraraense

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“Em Irará se tem uma reforma agrária natural, só temos basicamente pequenos produtores, a média de área de propriedade rural é cinco hectares, conta-se nos dedos os que têm mais, e não são o que podem se chamar de grandes produtores”

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“Outra questão observada em Irará, que talvez não aconteça em outro lugar, é a concentração da população no meio rural. Uma média de 65% da população vive no meio rural, se observarmos outros municípios brasileiros a média não chega a 20%.”
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“A economia do município [Irará] é agrícola, não temos indústrias e, se o comércio existe, ele existe em função do meio rural e depende das pessoas que vendem a farinha e o fumo, sendo este último, outra questão problemática”

Relação Irará e outros mercados

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“Muitos atribuem a [má] situação à lei da oferta e da procura, mas não é bem assim. Se houvesse oferta em outros municípios da região, poderíamos falar que tal lei seria uma realidade, mas farinha se produz em Irará e a diferença do preço de um saco de farinha em Irará com relação a outros lugares distantes, trinta ou quarenta quilômetros, é muito grande”
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“Apesar de Nazaré das Farinhas ter essa fama toda, a farinha de Irará é considerada uma das melhores farinhas que existem e, mesmo com uma séria de misturas feitas com a farinha vinda do sul, a farinha de Irará é reconhecida e tem respeito na região.”
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“O Paraná não planta mandioca com o objetivo de produzir farinha. Na realidade eles produzem fécula, o povilho, o que conhecemos como tapioca. A parte que sobra é a parte fibrosa, vem pra cá e juntamente com a farinha iraraense, possuidora de um alto teor de amido, consegui-se um produto intermediário com um custo mais barato. Tanto que se a farinha do sul prestasse, não precisaria vir pra cá misturar com a nossa, eles venderiam direto para o consumidor. E para dá qualidade, ou seja, um melhor teor de amido, eles fazem essa mistura.”
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Produção e comercialização


“Irará é um dos maiores produtores [de mandioca] do estado. Temos de observar que a mandioca não produz somente a farinha, existem uma série de outras alternativas, porém só vemos os produtores de Irará explorando única e exclusivamente a farinha”
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“Sabemos que existem subprodutos da mandioca que poderiam ser aproveitados, por exemplo, na pecuária ração ou como adubo na agricultura”
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“Eu passei quatro anos trabalhando aqui na EBDA [Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário – Irará] e trouxemos uma boa variedade de mandioca, não só se falando em produtividade, mas também em coloração, afinal sabemos que a farinha produzida aqui é colorida artificialmente, então entendemos que existem variedades com a mesma condição de coloração da artificial”
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“Talvez [a coloração] não seria tão forte quanto a artificial, mas em termos de saúde seria bem melhor”
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“No que diz respeito ao preço, a mandioca teria condições de melhorar e muito com relação ao preço que está. Um Saco de farinha hoje [maio 2001], à media de oito reais, não cobre de forma nenhuma o que se chama de custo de produção, ou seja, aquilo que se gasta para a mesma. Aí você poderia perguntar: 'mas como é que ele planta se não cobre o que gasta?'Na realidade, ele só consegue produzir, porque usa a própria família, se fosse fazer comercialmente para pagar mão de obra externa, ele não poderia de forma alguma porque não haveria condições de se trabalhar no vermelho”
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“Se você for a um supermercado e vê farinha de Irará empacotada sendo vendida, verá que o preço dela é bem diferente do preço pago ao agricultor”
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“Organizando uma cooperativa teríamos condições de exportar para outros municípios, o nosso beiju empacotado e padronizado, porque pode-se ver lá fora, onde chega o produto de Irará todos elogiam, porém, individualmente não iremos conseguir nada. ”
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“Se tivéssemos uma instituição formal com CNPJ, nota fiscal e tudo, teríamos plena condição de vender a farinha às grandes redes de supermercado, sem a necessidade de intermediários”

Obs: Após a Primeira Feira da Mandioca (2004) foi criada a COOPRIL – Cooperativa dos Produtores de Rurais de Irará. Desde sua fundação, a entidade vem se esforçando na luta, para sanar dificuldades no setor agrícola.
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A íntegra foi publicada em O TREZE – Informe ativo do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores – Irará – Maio de 2001 – pag. 3 a pag. 6.
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Entrevista foi realizada por Roberto Martins e Agnaldo Francelino em uma dada noite de abril de 2001, na casa do entrevistado, situada à Rua de Ouriçangas em Irará – Ba.

2.12.07

Colóquio tem quarta aprovação consecutiva em edital do BNB


Cordelsita Jotacê Freitas recitando
na feira-livre no primeiro Colóquio em 2005
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“Esse tar, desse de Colóquio, coloca pra fu...”, constata um amigo entusiasmado ao saber da notícia. “É tetra, é tetra, é tetra, é tetra...”, grita outro, parecendo imitar Galvão Bueno, após Roberto Baggio chutar a bola sobre o gol de Taffarel em 1994.
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Emoções à parte, a notícia é verdadeira. O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura de Irará, foi contemplado no edital BNB de Cultura 2008. Junto com as aprovações de 2005, 2006 e 2007, essa é quarta aprovação do Colóquio.
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A Casa da Cultura, que ainda não realizou o Colóquio previsto para 2007, tem agora à sua frente uma garantia de recursos por parte do Banco do Nordeste para a realização de dois Colóquios. Ambos orçados para receber do BNB cerca de R$ 10 mil e ainda podendo captar recursos de outros patrocinadores. Cabe à diretoria, apenas, organizar as suas questões burocráticas e produzir os eventos.
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Assim como as aprovações anteriores, esta também contou com a assessoria da Charanga Comunicação. No entanto, para que “esses caras” (nós) da Charanga não fiquem se achando, pensando que vão ser aprovados em todos os editais dos quais participem, houve um projeto que não foi contemplado. Trata-se do que intencionava ampliação e circulação da Escola de Música Aniceto Azevedo da Cruz, no qual a Filarmônica 25 de Dezembro pleiteava recursos junto ao BNB, mas infelizmente não foi aprovado.
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Acredito que as aprovações do Colóquio neste concorrido edital (este ano o Edital teve 3.260 inscritos e foram aprovados 192 projetos) têm acontecido pelo seu foco veemente nos objetivos propostos pelo BNB. O evento contempla o seguimento da literatura com ênfase na linguagem popular nordestina. A multiplicidade do Colóquio com diversas atividades (palestras, recitais, oficinas, exposições e apresentações artísticas), sua boa relação custo X beneficio e a inserção no município do interior nordestino (Irará), também ajudam bastante.
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Foto: José Falcón - Arquivo Casa da Cultura de Irará

Veja outras divulgações sobre o Colóquio aqui neste Blog.
(o vídeo não estar mais no ar)

30.11.07

Dia do Samba em verso e prosa

Domingo, 02 de Dezembro, é dia do Samba. Leia homenagem e histórico da data, produzida pelo poeta Gustavo Felicíssimo.

Aqui.

Pisadinha do Pé Firme é selecionado em Prêmio da Funceb


Pisadinha em apresentação no Colóquio 2005


O samba-de-roda Pisadinha do Firme, da comunidade da Boca de Várzea, liderado por Seu Juvam Gomes (pedreiro, barbeiro e sambador, dentre outras artes), foi um dos grupos selecionados no Prêmio Manifestações Tradicionais da Cultura Popular, realizado pela FUNCEB – Fundação Cultural do Estado da Bahia. Com a premiação, o Grupo receberá R$ 6 mil (com impostos a ser descontados) para investir na compra de instrumentos e indumentárias.
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A idéia de inscrever o grupo no Edital da Fundação, com prazo de inscrições encerrado no último dia 30 de outubro, partiu dos integrantes da Charanga Comunicação. Vendo no Pisadinha as potencialidades para conseguir o prêmio, a tarefa do grupo consistiu em orientar e assessorar Seu Juvam, para que ele pudesse cumprir todos os passos exigidos no Edital. Para comprovar que o Pisadinha tinha mais de dez anos de atividades ininterruptas (umas das clausulas do edital) foi usado uma ata de Reunião da Casa da Cultura de Irará (1994) e declarações de Dr. Deraldo Portela e Dr. Veríssimo Avelino.
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O prêmio vem num momento bom para o grupo, que recentemente gravou um DVD. No vídeo há entrevistas, contando um pouco de sua história; participação de convidados, como Dr. Deraldo Portela, Diógenes Barbosa, Kau Santana, Sr. João Lopes, Derivaldo Pinto, Professora Lindinalva, o Prefeito Juscelino Souza, entre outros; e muito samba. Este projeto do Pisadinha, junto a três Colóquios de Literatura Popular (2005/ 2006/ 2007) e o CD do Cinqüentenário (Filarmônica 25 de Dezembro) é o quinto projeto cultural aprovado para Irará que conta com apóio logístico da Charanga Comunicação.
* Foto de Periclés Mendes - fotográfo que esteve em Irará acompanhando o grupo Solo Pedregoso no Colóquio de Literatura Popular em 2005.

Um tri-lema para a polícia e para a política

Entre as questões e assertivas feitas pelo Capitão Nascimento, personagem-narrador, interpretado pelo baiano Wagner Moura, no filme Tropa de Elite, quero direcionar uma para o segmento da política. Trata-se do tri-lema: “policial ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra”.
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Se, de acordo com o que o filme deixa transparecer, não há como fugir deste tri-lema para ser um policial, me parece que para exercer a política, também não existe outra escolha. Os que se corrompem, os que se omitem e os que vão à guerra, são os tipos mais freqüentes no meio político. Tal ambiente, aqui descrito, não se resume apenas à política partidária ou profissional, mas também se refere à participação política, por assim dizer.
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Os que se corrompem são os tipos que mais aparecem. E, por vezes, aparecem até, com relativa freqüência, nos grandes veículos de comunicação. Pessoas que usam influência ou participação em cargos públicos para benefício próprio e/ou de amigos.
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Neste grupo também estão os popularmente conhecidos “políticos corruptos”. Pessoas sem escrúpulos e sem nenhum receio de ser descoberto um dia ou de se beneficiar à custa do suor alheio. Alguém acreditando no “todo mundo rouba mesmo”, que se achou no direito de meter a mão também. Afinal, como diz o ditado, ele não iria “dá uma de freira no puteiro”.
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Os omissos figuram, basicamente, em duas linhas de atuação (se é que alguém omisso atua em alguma coisa). Há aqueles que enxergam no meio político muita roubalheira, falsidade, presunção, entre outros males, e pensam que é melhor ficar neutro, do que tomar qualquer posição possível. Outros desenvolvem uma visão fatalista, cheios de criticidade, pessimismo e uma boa dose de realismo, achando que o “mundo sempre foi assim”, e não será ele quem vai mudar.
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De tal modo, é preferível não se estressar, não colocar em risco a própria vida, ou consumi-la, dando “murro em ponta de faca”. É o pensamento de que é melhor ficar de fora das situações políticas, ser apenas mais um cidadão a cumprir seus deveres, pagar impostos e nada mais. O tipo: “vejo, sei, mas não ligo”. Neste pensamento, a posição é mesmo ser asa de caneco. Ficar de fora.
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Na ponta final do tri-lema, estão os que vão para guerra. Na visão de muitos, são os “loucos”, os “utópicos”, os “certinhos”, os “radicais”, etc. Pessoas que não abrem mão de suas convicções e, por incrível que possa parecer, acreditam na política como o meio de transformação da sociedade. Para melhor, é claro. “Acreditam nas flores vencendo o canhão”. Em resumo, são seres dotados de paciência, com fé no futuro, mesmo que seja para usufruto das próximas gerações. Estes têm sido o tipo mais raro.
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Em um belo texto intitulado “
Sobre Política e Jardinagem”, o educador Rubem Alves, escreve para “seduzir jovens à vocação política”. Na sua diferenciação entre os políticos por vocação, que fazem política por amor, e os políticos por profissão, quem a exerce por dinheiro, Alves, com seus argumentos convincentes, pode até seduzir jovens a se alistarem para a guerra da política, mas não deixa de fazer um reconhecimento:
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“O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundido com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs”.
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Os corajosos que vão à luta precisam estar munidos de bons armamentos e munição precisa. Entre tantos “artifícios bélicos” necessários é imprescindível ter “estomago de avestruz”, “sangue de barata” e uma boa dosagem de paciência.
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Pois é. Como algum pensador (se não me engano Aristóteles) já disse, todo homem e toda mulher é um ser político. O tri-lema então está posto diante de todos. No script político que ai estar, cada um vai ter de definir o seu papel. Escolher entre um dos pontos do tri-lema é a missão. Oh! Missão.


18.11.07

Vir ver

Vim ver
Nascer
Crescer
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Atravessar a vida e
sonhar...
Sofrer...
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Viver
Vir ver
O que?
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Pretensa produção poética, um dia rabiscada num pedaço de papel e por muitos - certamente alguns anos - esquecida no fundo de uma gaveta até ser encontrada no dia de hoje.

5.11.07

Cultura é o quê?

Essa foi a pergunta exaustivamente feita pela Secretaria de Cultura desde os encontros municipais de cultura, incluindo os territoriais e até a II Conferência de Cultura em Feira de Santana.
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Ainda no mês de julho, treinamento dos Mobilizadores Culturais em Salvador, o pessoal da TVE nos fez esta pergunta e pediu que falássemos um pouco da cultura em nosso município. Aí já sabe né? Falei do cenário cultural em Irará, da Filarmônica, de Zé Nogueira... enfim.
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E enquanto a resposta da pergunta... Bem! Cultura é o quê? É uma daquelas coisas que quanto mais a gente se informa sobre, menos sabe. Na hora que a questão foi feita, assim, em frente à câmera respondi de uma forma. Em outro momento, poderia ter respondido de outra...
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Confira o vídeo gravado pela TVE.
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Obs: Estando na pagina procure por Marcos Roberto Martins – Mobilizador Cultural – Portal do Sertão.

1.11.07

Um comerciante sem pressa e amigo dos concorrentes

Nada de multidões. Amigos, familiares e antigos clientes foram os presentes ao sepultamento do Sr. Lúcio de Jesus, na manhã de ontem em Irará. Comerciante de tradição na cidade, “Seu Lúcio”, como era mais conhecido, contava 90 anos ao se despedir deste velho mundo; cruel na visão de muitos.
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Estando no enterro ou sabendo da notícia é impossível, para aqueles que o conheceram, não lembrar de Sr. Lúcio no balcão de sua loja. Lá, no estabelecimento de nome fantasia e placa indicativa como “Casa Maria Luíza”, porém mais conhecido por toda a população como “Venda de Seu Lúcio”, ele atendeu gerações de iraraenses.
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- Seu Lúcio? Tem borracha?
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- Tem meu filho; um momento.
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A pressa era mesmo inimiga do atendimento para Sr. Lúcio. Não é atoa que entre seus muitos clientes, há ainda quem se recorde que quando um comprador chegava muito apressado, com um chamado urgente do tipo “Seu Lúcio despacha aqui!”, ele então respondia: “Se tiver com pressa, pode ir comprar noutro lugar”. Às vezes as resposta vinham com um tom um tanto quanto áspero, contrastando com o perfil paciente do vendedor.
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E não foram somente os apressados os ouvintes de indicações para comprar em outra loja. Muitas vezes os clientes de Sr. Lúcio foram orientados por ele a ir comprar nos vizinhos, naqueles que poderíamos chamar de concorrentes.
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- Eu tenho aqui, mais ali em Fulano, você vai achar um com uma qualidade melhor – indicava Sr. Lúcio.
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- Olhe, aqui tem, mas, ali na loja A tem mais barato – alertava.
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Sr. Lúcio nunca deve ter freqüentado um curso de marketing, feito qualquer preparação em técnica de vendas ou lido algum método de como seduzir a clientela. Entretanto era com a sua sinceridade que ele, ao que parece, de modo nada intencional, conquistava a assiduidade do cliente. Comprar em Sr. Lúcio era ter a certeza de não estar sendo enganado.
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Diante de sua personalidade séria e popularidade, um dia acharam que Sr. Lúcio deveria ser prefeito de Irará. O calendário marcava o ano de 1970. A candidatura de Lúcio era adversária da juventude festiva da época que numa marcinha eleitoral tentava situar os lugares dos candidatos e, talvez, a “necessária” falta de seriedade na condução política. “Parrinha na Prefeitura e Sr. Lúcio no balcão”, dizia a música.
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Eleição perdida, ele continuou no balcão, ao qual foi ligada a sua imagem, onde o atendimento era personalizado. Quando não era o próprio Sr. Lúcio, estava lá Alfredinho sempre pronto para receber o cliente, portando o seu lápis na orelha. Gesto copiado pelos garotos na escola, quando brincavam de caixeiro.
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Certamente todos que freqüentaram a Casa Maria Luiza devem ter lembranças daquele ambiente. O balcão de mármore, com base de madeira; as prateleiras, algumas com portas ou gavetas; a balança típica com pesos para por num prato e fazer o equilíbrio com o outro onde estava a mercadoria; o cesto pendurado com o cordão para amarrar os embrulhos...
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Ninguém pensava em shopping centers ou mega estore, pois, lá naquele ambiente humilde se encontrava de tudo. Material escolar, cimento, cereais, ferramentas para o trabalho rural, pregos, anzol, sabão, papel jornal velho, artigos para o lar, linhas para costura, etc, etc, etc.
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Quantas e quantas crianças não já se debruçaram sobre aquele balcão para comprar “novelo de quarenta” para soltar pipa durante o verão?
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Há muito não ser ver garotos soltando pipa em Irará. Há algum tempo Sr. Lúcio não mais atendia no seu balcão. Aposentado, de vez em quando era visto à porta de sua casa, respondendo a um ou outro que passava e lhe dava um "bom dia" ou um "boa tarde". Talvez nem lembrasse quem era a pessoa, mas certamente devia saber se tratar de alguém que algum dia já foi atendido no balcão da “Venda de Sr. Lúcio”.
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* Estas linhas foram escritas com base na vivência e numa conversa com o amigo Zé Nogueira durante a missa de sepultamento de Sr. Lúcio de Jesus.


“Bar de Zé Petu” é demolido

Quem tirou foto, tirou. Quem guardou na memória, guardou. Quem não fez isso, quando estiver diante do comentário de alguém ou nas leituras das páginas das “Janelas Abertas” de Juracy Paixão, só poderá ter uma vaga idéia de como eram as instalações do tradicional Bar de Zé Petu. Local que já foi marco do encontro juvenil e da boemia de Irará.
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A edificação que era situada à Rua Manoel Julião (Calçadão) e já há alguns anos ostentava uma placa com a inscrição “Bar 07 de Setembro”, com propaganda do refrigerante “Crusch”, foi demolida. O prédio era do tempo em que se colocava a data de construção na fachada. E a data que estava lá, se não me falha a memória, ainda marcava os primeiros anos do Século XX. Agora é poeira, escavações e o sinal de uma nova construção.

24.10.07

Eu viajo quinta-feira, Feira de Santana

Vou levando “recados e pacotes”. Experiências adquiridas ao longo de uma pequena jornada de encontros culturais em municípios do Território Portal do Sertão.
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Agora, deságuam na Terra de Lucas muitos dos anseios dessa gente. Sentimentos das pessoas presentes nos encontros que mobilizei e de outros quase quatrocentos acontecidos por todo o Estado.
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É para o Sertão virar mar. Imensidão de proposições, de vontades, de diferentes visões de mundo. Evidência sutil do caldeirão cultural de uma terra chamada Bahia.
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Durante as discussões, acontecidas nos encontros municipais e territoriais, o baiano do interior expressou em nomes maiusculosos, para evitar engano, o seu entendimento de cultura.
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Para esse povo, quase sempre esquecido, reascendeu uma chama de esperança. Expectativa que desta vez algo de bom pode acontecer. Ou então que o destino se destrave longe...
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Porque no curto prazo não há totais garantias. O processo todo é meticuloso. Ouvir, discutir, planejar e executar uma política cultural consistente pode ser custoso e demorado. Maior que a impaciência, só mesmo a vontade de vê-la funcionando. Este prazer não tem medida.
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Por essas e outras, a II Conferência sinaliza para um passo importante. A intenção é criar subsídios para um Plano de Cultura para a Bahia. Planejamento este, a ser feito com base em consulta à mais de 35 mil pessoas no Estado. Um plano que possa virar lei, assim como palavra de homem, daquela que racha, mas não volta diferente.

Tão certo é que o cumprimento da missão depende também do acompanhamento, participação, colaboração e cobrança da sociedade civil. Caso contrário, todo esforço pode significar um desencontro choroso, da missão desincumprida e o plano será só mais um plano, como uma carta sem destino, nem chegando, nem voltando, ficando sem tem pousada, como uma alma penada.

Viajo quinta-feira, Feira de Santana. E é simbólico este grande encontro, com representantes de quase todos os municípios baianos, acontecer lá. A cidade é maior encontro rodoviário do norte nordeste do país. Destino certo de muitas das cartas remetidas do Correio da Estação do Brás em Sampa, para que chegando na Feira pudesse, pelas mãos de algum emissário, seguir caminho sertão adentro. Se a proposta é interiorizar, Feira de Santana é a rota de passagem.

Tal interiorização - é bom que se esclareça, porque odeio disse-me-disse e condeno a bisbilhotice - não significa o esquecimento da soteropolis e toda sua potência cultural. É apenas uma atenção especial para aquela parte da casa, outrora quase nunca apresentada às visitas.

A II Conferência Estadual de Cultura que acontece na Feira da Senhora Santana, do vaqueiro, do couro e do gibão, de 25 (quinta) a 28 (domingo) de outubro, no Campus da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), também tem espaço para o lúdico. Daí a participação de atividades artísticas, assim como a Universidade, públicas, gratuitas e de qualidade.

Tem Filarmônicas, Zabiapunga, cantiga de roda, e entre outros, Zé Celso Martinez e Elomar. De Irará estão presentes a Filarmônica 25 de Dezembro, a Burrinha de Dinê e depois de dezesseis anos sem fazer show na região e, acredito, em apresentação inédita em Feira de Santana, o iraraense tropicalista, Tom Zé. Pode crer, Tom Zé também vai... ele também viaja na quinta-feira, Feira de Santana.

* O trechos em negritos são passagens da música "Correio da Estação do Brás", de Tom Zé, integrante do LP de mesmo nome de 1978. Em The Hips of Tradicion (1992), o autor revisou a canção, mudando o nome para "Feira de Santana" e trocando o dia da semana de quinta para segunda-feira.

21.10.07

Prova de arrancada tem adiamento para fim de semana seguinte.

Segundo informação que nos chega através da Assessoria de Imprensa do Piloto Zé Adilson, da equipe... (?) (... poxa ainda não sei o nome da equipe...), não foi possivel acontecer a prova de arrancada neste fim de semana e a mesma foi adiada para o próximo, dias 27 e 28 de outubro. O piloto e toda a sua equipe de trabalho agradece atenção de todos.