Confere, Confere, Confere... Conferência! Lembra bingo. Um monte de gente acompanhando, marcando e conferindo, sob o sol, no chão da praça. De cima do palanque, alguns conduzem o evento, para apenas uns poucos ganharem os prêmios. Conferências seriam mais válidas se fossem “deliberativas”. Quando o que lá é decidido tem força de Lei. E a gestão pública é obrigada a cumprir sob a vigilância da justiça. Enquanto a Conferência for apenas “Consultiva” não é de maior valia o seu significado. É colheita de opiniões. Às quais serão executadas, ou não, a bel prazer do gestor em exercício. Há muitos exemplos. E o povão segue na praça fazendo número, marcando a pedra cantada por quem tem o microfone e a situação nas mãos. E ainda por cima, validando o sistema, balançando a cabeça e repetindo: “confere, confere, confere!”.
16.7.13
10.7.13
Quase sempre, quase nada muda. E o vislumbre de esperança: Mais 02 de julho e menos 07 de setembro
02 Julho de 1823. Nasce o sol,
“com brilho maior que no primeiro”. Finalmente, os portugueses foram expulsos. Os
bravos braços do povo baiano foram decisivos para concretizar a independência
do Brasil.
A emancipação brasileira havia
sido declarada no ano anterior, ao 07 de setembro, com um “único grito”. Os
historiadores e suas pesquisas nos ensinam. Um arranjo. E a soberania do Brasil
nascia (sic) pagando indenização ao colonizador.
Do alto de seu trono bonachão, D.
João, certamente orientado por assessores, teria sentido os ares da mudança e profetizou.
“Se tem de ser alguém, que sejas tu meu filho”.
De tal sorte, D. Pedro I assumiu
o império brasileiro e o país continuou sendo
governado pela mesma família real
que aqui mandava durante a monarquia. Mudança
pouca.
Os ventos libertários, ocorridos
em outras partes do globo e percebidos pelo clã de Orleans e Bragança, tiveram
como inspiração a consagrada Revolução Francesa. Lá, a história demonstra uma
situação um pouco mais diferenciada. O rei caiu e cabeças rolaram.
No entanto, não demorou muito e a
“revolução” pareceu se adequar ao status
quo. O revolucionário Robespierre guilhotinou companheiros. Eram os
reflexos de outra classe social no comando. Ao invés da realeza, a burguesia.
E assim seguiu-se a história no
mesmo ritmo anterior. Dominantes e dominados. Quase “tudo como dantes, no quartel de Abrantes”.
Exemplos, não faltam na trajetória humana e brasileira. O povo pediu
para crucificar Cristo e libertar Barrabás. Foi um “Marechal” quem proclamou a República do
Brasil. Trosky foi assassinado no México, a mando do companheiro Stalin. E
Júlio César perguntou: “até tu Brutus?”.
No Brasil pós Regime Militar (1964-1985), o mesmo modus operandi. Ainda com a Ditadura na
UTI, os arranjos políticos já sinalizavam. Evidenciou-se depois, diante da morte
de Tancredo e ascensão de Sarney à presidência.
O Tancredo eleito indiretamente
era o mesmo que personificou o “parlamentarismo arranjado” em 1963, para evitar
a posse integral de Jango.
Já o Sarney, hoje no PMDB (partido que desde 1985 é
base de apoio ao governo federal seja ele de que lado for), assim como muitos dos
seus, era recém oriundo da ARENA (Aliança Revolucionária Nacional).
A expressão “Revolucionária” da
sigla testifica que aquela agremiação política, de laços tão próximos com o
primeiro presidente civil pós golpe de 1964, tinha sido o partido de apoio aos
governos militares. Esta era a cara da Nova
República que já nascia velha.
Aqui no nosso Irará a história não é lá muito diferente. Uma
geração inteira assistiu a alternância dos mesmos no poder. A ponto de uma
campanha eleitoral derrotada na época usar como slogan uma espécie de desabafo:
“Chega de Repeteco!”.
Enquanto isso, outros gritavam
“Renova Irará!”. Parecia um desejo novo, uma vontade diferente. Ao invés de uma
única família, um único grupo, sobre as ordens de um único chefe, a proposta de
um governo de parceria com o povo. Experiência frustrada e a volta dos mesmos.
No Irará de agora, os três
“mosqueteiros”, que propagavam o “renovar”, junto de outros que se proclamavam
diferentes dos “renovadores” e dos “conservadores”, são a linha de frente do
governo da cidade.
“E o que temos pra hoje?”. Titulares
de cargos de confiança daquela época, para a qual se pedia renovação, ocupam os
mesmos cargos estratégicos na gestão de agora. E até mesmo “o chefe” de antes,
contra o qual os “renovadores” pregavam, faz parte do governo de hoje e se diz
apoio político ao executivo. É mais do
mesmo.
Em um grupo no Facebook, criado para discutir política de Irará, o
qual conta com mais 2,5 mil pessoas cadastradas, Danilo Pires nos lembrou o
dito do final do filme “Tropa de Elite 02
- O inimigo agora é outro”:
“O sistema entrega a mão pra
salvar o braço. O sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas
lideranças. Enquanto as condições de existência do sistema estiverem aí, ele
vai existir”.
E vem existindo há muito tempo. Na
Roma antiga, na França pós-revolucionária, no Brasil Independente, em Irará, em
todo lugar. “Eles têm vencido e o sinal tem ficado fechado para nós que somos
jovens”.
Ao longo da história, têm sido
assim. Quase sempre, quase nada muda. O surpreendente é que, mesmo com este
histórico, mesmo diante de tantas experiências, toda vez que assistimos o povo
tomar as ruas, as esperanças renascem. E mesmo sendo “Cowboy Fora da Lei” vislumbramos
perspectivas de que seremos mais 02 de julho e menos 07 de setembro.
7.6.13
Alô juventude! O conhecimento os levará à verdade e “a verdade os libertará”
Por algumas oportunidades professores me convidaram para fazer falas motivacionais em escolas públicas. A intenção é sempre a mesma. Levar uma palavra de esperança aos jovens, quase sempre descrentes no futuro.
Hoje, embora o país tenha notoriamente mais oportunidades do que em um passado não muito distante, grande parcela da juventude segue sem motivação. Talvez por desesperança, quem sabe por falta de perspectivas, ou ainda possivelmente, por pressa.
É notório que a rapaziada de hoje não vive o tempo dos jovens de outrora. A hora continua tendo sessenta minutos. Os minutos, por sua vez, sessenta segundos. No entanto, observamos que “o tempo de hoje corre mais rápido”.
Se a juventude de outras épocas esperavam cartas de amor. Daquelas que demorariam horas intermináveis para chegar através um colega de escola, ou então em dias ou em semanas, via correios. A molecada de hoje se corresponde em instantes. Estão aí os celulares e as redes sociais da internet.
Por isso, para muitos destes jovens, é difícil vislumbrar o “distante” tempo do futuro. É “tudo ao mesmo tempo, agora”, como na canção dos Titãs. Para eles, mesmo que o amanhã possa está ali no virar da esquina, demora muito pensar ou esperar por ele. Vale viver o agora.
De tal maneira, para mim, conversar com estes jovens de hoje, dizendo que o estudo é importante porque lhes trará benefícios amanhã, não é a maneira mais eficiente de seduzi-los.
O propalado e batido “estude para um dia ser alguém na vida”, já “não cola” mais. Tão pouco, o incentivo ao estudo para se conseguir bens materiais no futuro. Como já dito, eles tem pressa. São do mundo do instantâneo. Nem todos pensam ou imaginam o futuro.
Penso que a melhor maneira então, seria mostrar-lhes os benefícios que o estudo pode lhes proporcionar no presente. E, para mim, o maior deles é deixá-los “ispertos”.
Parafraseando Raul Seixas, não posso entender como, em um mundo de tão fácil acesso ao conhecimento e a informação, exista muitas pessoas “aceitando a mentira”, sem esboçar qualquer dúvida ou questionamento.
Milhares de pessoas vão a uma fila, criando tumulto, sacar um “bônus”, sem qualquer confirmação oficial da fonte pagadora de que o mesmo seria dado, só porque “ouviram falar”.
Outros tantos retransmitem notícias falsas na internet, muitas delas sem cabimento algum, porque não possuem condições mínimas de analisar ou diferenciar um fato de um boato.
“Quem lhes garante de que vocês não estão sendo enganados?”. Pergunto aos jovens estudantes. Enganados pelas marcas, pela publicidade, pelas notícias, pelos políticos, pelas situações...
Digo-lhes que o estudo é a proteção que eles têm de melhor. Um escudo, para lhes deixarem menos vulneráveis a tantas enganações do cotidiano de nossa vida social. E este benefício, eles já podem começar a usufruir imediatamente. Os outros, certamente, virão como conseqüência.
Importante lembrar, que não há nada de novo no que estou falando. Já é dito há muito tempo. Está, inclusive, na Bíblia! João 8:32: “e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
10.4.13
Diz que... “teve um caminhão aí vendendo galinha ôca”
Zé: O que? Um caminhão?? Galinha ôca??? Como assim????
Tonho: ôca Zé, pura,
vazia, sem nada dentro...
Z: Onde já se viu isso???
T – Aqui mermo, oxente!
Z:
Saí daí... que ninguém vai comprar uma galinha sem nada dentro, o povo só gosta
é de frango com tudo dentro...
T:
Né assim não Zé. O povo gosta é da vantagem. Diz que passou um caminhão
anunciando, que era R$ 10 (Dez Real)...
Lá tinha um pacote tudo embalado, bunito, arrumado, com galinha
congelada... Aí a turma caiu pra dentro...
Z:
Dez real??? Sai daí Tonho. É ruim de acreditar.
T:
Mais diz que foi...
Z:
Ainda que fosse pelo preço, mas num é só o preço. Essas coisa tem regra, tem
Lei, num se pode vender comida congelada assim de quarquer jeito no meio da rua
não. Onde já se viu???
T:
Num sei se já se viu... Também num sei se tem Lei. Só sei que diz que o povo
caiu pra dentro. O caminhão parou na praça e vendeu as galinha tudo rapidim...
Z:
Imagino o resultado dessas galinha...
T:
Diz que o resultado... é que quando o povo chegou em casa e abriu o pacote, se
deu o sucedido... Era tudo pôde... E o povo
abrino, abrino e lá vai pé, lá vai pé... gurdura do sobrecu, carcaça... O povo
só via o petho, achando que era petho, mas quando batia na bacia assim oh (toc,
toc, toc) só tinha osso... o petho era fechado, mas era ôco, não tinha carne
não... Tiveram foi de dá pros
cachorro...
Z:
Mas... Tonho... foi verdade mermo que
teve esse caminhão aí vendendo galinha ôca????
T: Diz que foi.
PS - Tonho e Zé são personagens fictícios, que moram em algum lugar improvável, e vez em quando aparecem conversando sobre histórias difíceis de acontecer.
Imagem meramente ilustrativa
24.3.13
Inferências sobre o Futsal do Paraguai e o Futsal “do Paraguai”
Assistia agora a pouco a um jogo de futsal Brasil X
Paraguai. A partir dos uniformes das duas seleções fiz algumas inferências. Vislumbrei
possíveis diferenças quanto aos níveis de organização e atenção ao esporte nos
dois países.
A seleção paraguaia de futsal usa um uniforme, ao que
parece, idêntico ao da seleção de futebol de campo daquele país. O escudo é o
mesmo, o material esportivo é da Adidas e não há qualquer marca de patrocínio.
Enquanto isso, o padrão da seleção brasileira de futsal,
difere totalmente do uniforme canarinho do futebol de campo.
A diferença está não tão somente no escudo, no modelo e no
fato de ter distintos fabricantes de camisa (enquanto a deles é uma marca top a
do Brasil é a Fila da... Itália), mas como também pela profusão de
patrocinadores.
Correios, Banco do Brasil e Chevrolet, foram as três marcas que
consegui identificar na camisa do escrete tupiniquim de Futsal (duas delas são
estatais).
O que inferir daí?
Ao meu ver, no Paraguai o Futsal deve receber atenção da
Federação de Futebol de lá. Eles devem ter uma federação de “Futebol” e não uma
federação de “Futebol de Campo”, como temos aqui.
Também me parece que, ao julgar pelas minhas inferências, o
Futsal Paraguaio necessita menos de “correr o pires” para sobreviver do que o
brasileiro. Afinal, exibição de marcas de inúmeros patrocinadores nem sempre
significa arrecadação de grandes fundos.
A profusão de logos na camisa pode representar o estilo “cada
um dá um pouquinho”, que é “pra ajudar”.
Sendo assim, imaginemos que a situação do Futsal em âmbito
nacional, embora em proporções dessemelhantes, não difere muito da luta do professorWiliam César para organizar o Campeonato Iraraense. Aqui, costumamos ver uma
profusão de patrocinadores e recursos em escassez.
Dentro de quadra, nos brasileiros temos o melhor futsal do
mundo. Uma seleção heptacampeã mundial, atual dona do título e bem situada no
raking, com aproveitamento, ao contrário do que a seleção de campo tem mostrado em tempos mais recentes, de dá inveja.
No entanto, os feitos dos jogadores “futsalisticos”,
infelizmente não parecem refletir no desenvolvimento brasileiro do esporte.
Pelo que percebo, enquanto nossa qualidade esportiva é de
primeira, a organização, atenção e apoio ao esporte, aqui no Brasil, são “do Paraguai”.
Mas, tão “do Paraguai”, tão "do Paraguai”, que nem lá no Paraguai deve ser assim.
PS – São tão somente inferências
12.3.13
Conselho pra “gostosa”. Pense grande!
Um conselho para as “gostosas” que ficam o tempo todo
querendo exibir seu “corpicho”.
Pensem que vocês podem ir além da geral dos amigos do Facebook.
Quem sabe até chegar à capa de uma revista de grande circulação e ainda ganhar
uma grana com isso?
Quer saber como?
Saca só:
Esqueça os concursos de misses, os testes do sofá, as
seletivas pra modelos ou qualquer coisa do tipo [ainda corre-se o risco de ser
vítima de tráfico humano].
Deixe de lado todas as estratégias convencionais e...
Arme um barraco!
Mas, não é um barraco qualquer. Tente ser “A” protagonista
de uma situação na grande mídia.
Não sei como, mas pense em algum alvoroço. Seja na política,
no futebol, na rua. Pense em qualquer situação que gere mídia. Muita mídia.
Envolva algum famoso. E... Pronto!
Fatalmente, a depender de quanto midiática for a situação,
você nem precisa ser tão “gostosa” assim.
Com certeza vão surgir várias propostas, talvez até para pousar nua.
Recorra a sua memória e comprove que, por reincidências, no
Brasil acontece desta forma.
Fizeram proposta pra fogueteira do Maracanã, para
funcionária do Senado que vazou vídeo do celular, pra gandula do Botafogo e até
para moça que tascou beijo no Fred do Fluminense, entre tantas outras.
É simples assim. Estamos em terras brasileiras. Arme sua
cena [uma grande cena] e o convite vai aparecer.
É claro que você corre o risco de “pagar o maior mico” do
momento. Mas, ainda assim, o tiro saindo pela culatra você tem a grande chance
de acertar o alvo com seus 15 minutos de fama.
Vai que o “mico” vire “meme” e você faça sucesso nas redes
sociais???
E, a depender do tamanho do sucesso na rede, a revista pode até
lhe chamar. Olha o alvo sendo atingido...
Então, arrisque-se. Pense grande.
Se não conseguir o alvo de uma grande revista de circulação
nacional e entrevistas em programas de auditório, no mínimo, sua ação [ou
fotos] terá vários “curtir”.
Ah! E se conseguir o grande objetivo, não se esqueça de me
dá... a comissão por ter passado a dica.
Abraço!
22.2.13
João Martins colore programa de TV
Por Roberto Martins
em abril de 2004
O Programa de entrevista Gente.Com da TVE –Bahia, que foi ao ar às 23:30 de quarta 28 de abril, teve um colorido especial.
Como um dos entrevistados da edição, cujo tema foi "Artistas baianos que fazem sucesso lá fora", João Martins contou um pouco da sua trajetória no mundo das artes, para a entrevistadora Denny Fingergut.
Num bloco todo dedicado a ele, o iraraense lembrou do seu passado, inspiração de sua obra; revelou projetos futuros, que pretende realizar em breve; e até contou como foi apelidado de "O poeta da Cor".
O menino que gostava de contemplar o por do sol, ouvir o canto dos passarinhos e saborear as frutas da fazenda de seu avô, saiu de Irará aos vinte e sete anos para conquistar o mundo.
"Eu já era artista e nem sabia", revela João Martins que antes de morar em Salvador desenvolveu um pouco de sua arte na terra natal, onde têm registrado marcas importantes, a exemplo do símbolo da gloriosa Filarmônica 25 de Dezembro.
Todavia, nem tudo fora tão colorido na caminhada do artista. Antes de ser reconhecido, ele foi bilheteiro de cinema e bancário. Conforme atestou em seu depoimento, revelando ter convicção dos seus dotes artísticos desde cedo, mas precisava de garantias, pois ainda não era possível viver da arte.
Quando acreditou estar no momento certo, João foi para escola estudar, "por respeito a arte, porque não basta ter o Dom", justificou.
Foi em seus estudos artísticos que João Martins encontrou a obra de Floriano, seu mestre, em quem o trabalho dele se inspira e pessoa que o batizou com a alcunha de "Poeta da Cor", nascida numa exposição com o título de "Poesia das Cores".
Apelido merecido, não só pela exuberância de cores em sua obra, mas também porque o artista escreve e expõe poesias, as quais, servem de roteiro para quem deseja "viajar" em suas telas.
Poeta e pintor, este iraraense que já conta pouco mais de 40 anos e pai de três filhos, tem a honra de já ter visto suas poesias e pinturas publicadas numa série de cartões telefônicos da Telemar e de ter exposto os seus trabalhos na cidade de Milão na Itália.
"Exagerei nas cores, e fiz de propósito, queria mostrar aos europeus as frutas brasileiras. As mais bonitas e mais gostosas do mundo". Diz Martins, com o bairrismo típico de quem é iraraense e não esquece as suas raízes.
Dentre as muitas lembranças de Irará marcantes nas pinturas de João, uma ave tem lugar cativo. Perguntado sobre esta freqüência, ele respondeu tratar-se de um pássaro de nome "sofrer", o qual ele via sempre na casa de Tonho de Neca, seu sogro, em Irará. Nomeado de Inácio, o passarinho tem trazido sorte ao artista, que busca além da natureza, outras inspirações na sua terra de origem.
Situada entre o recôncavo e o sertão, Irará possui diversas manifestações culturais, mas é na arquitetura que o pintor vai colher inspiração para o seu mais novo projeto.
"Uma cidade antiga, com casarões lindos que estão sendo destruídos", lamenta. Entretanto, para não ficar só no lamento, João Martins está registrando a imagem daquelas edificações nas suas pinturas, através de um projeto chamado "Igrejas e Casarões", idealizado por um amigo chamado Edson, "um empresário sensível a arte", nas palavras do pintor.
Durante o programa foram exibidas imagens das obras e dos cartões telefônicos com a arte de João. Ao final, ele se despediu com a graça e cordialidade que lhe são típicas.
Assim um artista das cores e das palavras, levou um "colorido" a mais para um programa televisivo e este que vos escreve, já não via mais em sua frente um modesto monitor de TV 14 polegadas, mas sim uma obra artística, como se fosse uma tela exposta na parede da sala.
15.1.13
O passeio de Tom Zé em Irará
Publicação original em 04/12/2009 site da Lupa Digital
Feira da Mandioca de Irará teve show de Tom Zé
Como diz a citação de Tolstoi, Tom Zé “tornou-se universal cantando a sua aldeia”. Ele não se cansa de mencionar as suas origens e, assim, tornou-se o principal garoto propaganda de sua terra natal, Irará.
A maioria da população iraraense, por sua vez, não conhece a obra de Tom Zé. Ainda há os que o criticam devido certo distanciamento presencial de Tom com a terra. Esta relação de Tom Zé com sua “aldeia” já chegou até ser discutida em artigo acadêmico.
No sábado, dia 14 de novembro, esta dicotomia foi colocada à prova. Naquela data, Tom Zé fez uma apresentação inédita numa praça pública da cidade. E, também pela primeira vez, os conterrâneos viram um show de Tom Zé acompanhado da sua banda. A apresentação aconteceu dentro da programação cultural da Feira da Mandioca de Irará.
O show causava apreensão no próprio Tom. Quase um mês antes, o tropicalista postou no seu blog um pouco da expectativa descrita como “véspera de natal e coração assustado”. Na hora da passagem de som a sua preocupação era visível.
Passagem de som
Tom parecia tenso. Queixou-se à produção da Feira. “Eu to com um disco sofisticado (referia-se ao Estudando a Bossa), como é que vocês querem que faça uma apresentação aqui? Tem muita barraca de bebida, vai ter gente bebendo… não vão prestar atenção na música”.
Com certeza, o ambiente não era o mesmo do concerto da noite anterior acontecido na sede da Filarmônica 25 de Dezembro.
A ansiedade aparente de Tom contrastava com a tranqüilidade do VT de divulgação da Feira da Mandioca. O vídeo foi veiculado pela TVE – Bahia e o próprio Tom Zé era o anunciante. “Estou levando para Irará o mesmo show que levo para França, pra Suíça…”
O alivio, contudo, voltou tão logo foi evoluindo a passagem de som. Aos poucos juntaram-se curiosos e fãs. Eram admiradores iraraenses e de outras cidades que já haviam chegado para o show.
Ao final da passagem de som, Tom Zé já se apresentava mais calmo. Era visível uma sintonia entre a banda e a técnica da sonorização. O tropicalista agradeceu ao pequeno público que se postava em frente ao palco. “Obrigado pela participação de vocês, mais tarde a gente volta e vai dá tudo certo”.
Show
Repertório precisou ir além do Estudando a Bossa
Quando voltou para o show, Tom Zé já demonstrava bastante tranqüilidade. Retrucou a apresentação feita pela organização do evento, tecendo loas á sua carreira. Suas primeiras palavras foram: “Com vocês, Tom Zé, o vagabundo de Irará. Agora sim, sei que estou devidamente apresentado”.
Sabendo que tocava para um público bastante heterogêneo, num local onde minutos antes do show, imperava em alto volume nos carros e barracas os sucessos de arrocha e do forró eletrônico, Tom Zé não concentrou o show no repertório do Estudando a Bossa.
O set list, definido minutos antes do show, mesclou a apresentação com antigos sucessos e, claro, músicas que mencionam Irará, como o “Abacaxi de Irará” e a “Lavagem da Igreja de Irará”. Esta, espécie de hino da Lavagem da Cidade, é quase a única música conhecida por grande parte da população.
Também fizeram parte do show Nave Maria (primeira da noite); Augusta, Angélica e Consolação; Jimi Renda-se; Ogodo Ano 2000; entre outras conhecidas de quem acompanha a carreira de Tom, como 2001. “Dona Rita Lee mandou um abraço para vocês”, disse Tom Zé antes de cantar a música fruto da parceria entre ele e a rainha do rock brasileiro.
Considerações
Kitute de Licinho escreveu cordel para o idolo
Na platéia, envolvendo cerca de 6 mil pessoas, a demarcação do Território era nítida. Da House Mix para frente, o público que curtiu o show e pediu bis. Para trás, as pessoas que se queixavam “isso não vai acabar não?”.
Para o jovem Produtor de Eventos e colunista de site de forró, Antônio Ricardo (o Kaká D’Irará), “o show de Tom Zé é algo para um teatro”. Ele complementa dizendo que ouviu os comentários na rua de que a organização do evento teria trazido a atração que “eles gostam não que o povo gosta”.
Próximo de um dos stands da feira, uma jovem da zona rural avaliava a apresentação como “um maluco, uma banda maluca, todo mundo com cara de maluco”. Já outra, mais próxima ao palco, ria muito, dançava e até tentava aprender as canções na hora do show.
A estudante Janete Bispo, que sempre disse não gostar da música do conterrâneo tropicalista, no dia seguinte confessou: “Mudei meu conceito sobre Tom Zé”.
Já o cordelista Kitute de Licinho disse sem arremedo. “Eu sou fã”. A admiração de Kitute rendeu edição especial em homenagem ao ilustre iraraense. “Tom Zé: Brilho – Anonimato – Ostracismo – Estrelado”.
Tropicalista entre membros da Chegança
Chegança
O folheto de Kitute resume a trajetória de Tom Zé e, assim como um seminário realizado na cidade, na semana anterior ao show, serve de introdução rápida à carreira do tropicalista, desconhecida por grande parte da população do Irará.
A exceção fica por conta dos amigos, fã e admiradores, de ontem, de hoje e do amanhã. Alguns deles estavam concentrados na Praça da Purificação na quinta-feira, dia 12 de novembro, aguardando a chegada do ilustre conterrâneo.
O espaço era dividido com crianças de uma escolada cidade que, talvez nunca tenha ouvido uma música de Tom Zé, mas conhecem a “fama” do Filho de Sr. Everton Martins. E eles estavam lá para receber Tom, junto da Banda de Charanga e da Chegança.
A apresentação do Folguedo Popular, cujo enredo dramatiza a chegada dos marujos mouros em terras portuguesas, da qual Tom Zé desconfiava que nem mais existisse no Irará, agora funcionava como saudação a ele próprio.
Um artista aclamado no mundo e com sua obra quase que totalmente desconhecida na sua cidade natal. A alguns não incomodava desconhecer a obra. O importante naquele momento era a badalação. Fotos para Orkut, comentários, estar perto, falar da importância do evento…
Assim Tom Zé voltou a Irará. Com os “óculos e escuros”, como disfarçando a sua visão aguçada, quem sabe analisando aquele momento histórico. Com o “relógio de pulso”, contanto o tempo de sua vida, dos tempos de menino tímido e rejeitado à aclamação de agora. E o seu ”rádio de pilha”, para cantar a sua música aos quatro cantos, dando “inveja nos barbados e barbados e frisson nas mocinhas”.
É como na canção Menina Jesus, Tom Zé voltou “a passeio, no gozo do seu recreio”.
PS.
Tom Zé esteve por três dias em Irará. Gravou programa de TV, um documentário para TVE, participou do Concerto na Filarmônica, almoçou com amigos, re-encontrou parentes, passou por ruas e lugares surgidos depois que ele foi embora de Irará. O passeio rendeu lembranças e descobertas, conforme comentário dele próprio em post no seu blog.
O passeio de Tom Zé em Irará
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7.1.13
“Ajudar-se a si próprio”
“Evite a automedicação, procure um médico”, diz o alerta em caixas de remédio. Frase de alerta ao final de campanhas publicitárias, também chamam atenção para os riscos da medicação por conta própria.
É como já mencionei noutro texto. Existe muita preocupação com a saúde do corpo. Quase nenhuma acerca do bem estar da mente.
As situações são diferentes. Por exemplo, nunca vi um alerta sobre os riscos de se lê livros de auto-ajuda. Não seriam eles também uma espécie de automedicação?
Muitas publicações daquele estilo parecem apresentar a panacéia. E para todos. Trazem dicas de superação, aconselham, ensinam, incentivam, enfim...
É como se todos os problemas fossem iguais. E todo mundo pudesse solucionar os seus utilizando-se dos mesmos métodos e tendo o mesmo sucesso do vizinho.
Uma das lições presentes em alguns destes livros é a de “nunca desistir”. Será que a persistência é sempre a medida certa ou a mais inteligente?
Cada caso é um caso. Já diria o velho Einstein com a sua teoria da relatividade.
A quase totalidade da literatura de auto-ajuda parece alheia ao ensinamento einsteiniano. Afinal, até mesmo ele pode ser relativo...
Certos ou não em suas vicissitudes, muitos livros de auto-ajuda se tornam rapidamente sucesso de vendas. Costumam aparecer até em prateleiras de supermercados. E funcionam como se fossem “psicólogos de pobre”. Afinal, não é todo mundo que pode, consegue ou tem paciência para buscar uma “ajuda profissional”.
O termo soa até meio estranho. Alguém, com necessidade e interesse em retorno financeiro, estaria interessado em ajudar? Há controvérsias.
Já fora do âmbito dos profissionais, uma alternativa seria a conversa com um amigo, um parente próximo ou pessoa íntima. Mas, nem sempre há confiança ou abertura para tal.
Aí, para alguns, sobram as redes sociais. Lamentações, desabafos e confissões codificadas pipocam nestes ambientes. É como se o individuo desabafasse para todo mundo ao tempo que não confia seus mistérios a ninguém.
Mais complexas que as dores do corpo, as dores da alma exigem muito mais que remédios, leituras fáceis e serviços profissionais. Talvez um tratamento à base de colheres de sopa de um complexo e nutritivo caldeirão sociocultural.
Uma espécie de “Terapia” necessária para o corpo não somatizar. “Abra seu coração, antes que um cardiologista o faça”, dizia a frase-título no MSN de um amigo.
É mais ou menos por aí. O difícil é tentar e não se sentir vulnerável. Na dúvida, há quem recorra a “ajudar-se a si próprio”.
31.12.12
Flash Back à infância
Brincadeira antiga. Dos tempos em que ter relógio com cronometro era novidade. Funcionava como um teste de alerta e rapidez. Tentar fazer o cronometro parar em cima de uma marca precisa.
Voltei neste desafio outro dia. O celular pifou e enquanto a solução não chegava, recorri ao uso de um antigo aparelho Nokia. Meu velho socorro das situações emergências.
Botei o aparelho no cronometro e fiquei por alguns instantes tentando cravar à marca do 10s precisos. Não conseguir por um apenas um centésimo... Talvez se tentasse mais um pouco, chegasse lá.
Atingir a marca, no entanto, era o de menos. O barato mesmo foi ter voltado à infância rapidamente naquele instante. É sempre bom visitar os lugares de onde temos boas recordações.
21.12.12
A sociedade na pista pra negócio
A sociedade na qual vivemos vem sendo chamada por muitos de “Sociedade de Consumo”. É fácil perceber como a noção de consumo se expande para tudo nesta sociedade.
Tudo é para consumir. Aqui, “valor de uso” e “valor de troca” ganham o mesmo sentido. Afinal, não se “usa” para ser “usufruído”. O que estaria nos remetendo a “fruição”. Mas, tão somente para ser “consumido”. Gasto, usado e “sumido”.
Seja “com sumido” ou “sem sumido”, não importa, logo será descartado.
O econômico-financeiro prevalece. Em todas as relações parece ser assim. Não se estranha de vermos tantas entidades, leis e gritarias pelos “direitos dos consumidores”. Enquanto há pouca verborragia ou medidas para a defesa dos direitos do cidadão. O mesmo acontecendo com relação aos direitos humanos ou até para os “direitos animais”, como o direito à liberdade e ao alimento.
E a noção e vontade de consumir se dá não somente nas relações comerciais, mas são igualmente expandidas para os relacionamentos pessoais.
Antes, uma garota atraente, era o “sonho idealizado” de um rapaz. Já há algum tempo a “princesa” virou o “sonho de consumo”. A palavra deixa implícito. Se o sonho for realizado, logo será consumido e, conseqüentemente, descartado.
Pois bem, dentro desta mesma lógica, agora também há um bordão para as moças solteiras. Há alguns dias ouvi uma personagem de novela, enquanto falava sobre sua disponibilidade para relacionamentos, afirmar: “Tô na pista pra negócio”.
Acho que a sociedade, quase que por completo, também está.
19.12.12
Fim do Mundo Maia
Esse negócio de fim do mundo é verdade. Refere-se ao o fim do mundo Maia. E não destes tempos atuais.
Explico: Um sujeito Maia estava tranquilamente produzindo o calendário, quando, de repente, foi surpreendido com vários gritos. A gritaria era constituída “daquela frase": “Corre Negada!!!”. Assim mesmo, nos moldes de Moiseis em Hermanoteu no Egito. Os avisos desesperados alertavam sobre o avanço dos europeus a dizimar toda a Civilização Maia.
Depois, o calendarista, assim como todos os outros, foi alcançado e exterminado. No entanto, antes da fuga, ele deixou cair o calendário confeccionado até a data de 21/12/2012. Esta é mais uma marca do fim do mundo Maia. O resto é conversa de escafandristas e semiólogos.
25.10.12
Da série “Teoria da Conspiração”: “Salve Jorge”.
Matéria de Thaís Britto para a agência O Globo, reproduzida no A Tarde do último domingo, 27, a respeito da novela “Salve Jorge”.
“As Forças Armadas tiveram mesmo boa impressão de Rodrigo [Lombardi – ator principal de “Salve Jorge”], que defende como uma das funções da novela desmistificar a áurea de sisudez que paira sobre o militares”
Segue a matéria: “Queremos realmente dizer para os espectadores que nós somos”, ele para e ri do ato falho: “Tá vendo como estou envolvido? Que eles são tão humanos quanto nós?”.
Mídia denunciando governo como “o mais corrupto da história”... Glorificação das Forças Armadas... Quando não se vence pelo voto.... Acho que esse filme já passou na TV há décadas atrás...
24.10.12
Música, comida,dicas sexuais e até filme pornô para o público evangélico
Os cristãos evangélicos costumavam ser vistos como pessoas afastadas do “mundo”. Diante de costumes e vivência própria, o esperado sempre foi que, ao aderir a uma religião evangélica, o individuo abdicasse de prazeres e costumes de antes.
Hoje, já não sei avaliar se a vivência evangélica é assim tão afastada “do mundo”. Teriam os evangélicos criado uma nova interpretação do mundo? Ou seriam apenas adaptações?
Música
Na música, o rock, que é cantado por Raul Seixas como um dos “filhos do diabo”, já tem a sua versão evangélica. As variantes também chegam aos outros ritmos.
“Pagode de Jesus”, “Samba pra Jesus”, Forró, Pop, Sertanejo, Axé... e segue a infinidade de gêneros musicais tocados em forma de louvores. Ou seriam louvores em forma de gêneros musicais?
As variações também chegam a outra culturas como a culinária e o sexo.
Acarajé
Na Bahia, é emblemático o caso da venda dos acarajés. A iguaria tem origem nos ritos de religiosidade de matriz africana. No entanto, os evangélicos também começaram a produzi-lo. Para eles, o quitute tem o nome de “bolinho de Jesus”.
Segundo argumento de alguns, a diferença é que, quando produzido por um irmão evangélico, a pessoa tem a certeza de que a comida não foi “oferecida” a qualquer entidade espiritual.
Filmes pornôs
Também já virou notícia a produção de filmes pornôs direcionado ao público evangélico. A ação é explicada, em inglês, por um site disponível na internet, cuja tradução livre do seu título por ser entendida como “sexo em Cristo”.
Discutindo sobre o assunto, a colunista Carol Patrocínio, do blog “Preliminares”, ligado ao Portal Yahoo, disse que “a ideia desses filmes é ensinar aos casais cristãos como eles podem ter e proporcionar prazer de acordo com a Bíblia — incluindo posições sexuais e tratamentos respeitosos ao órgão do outro”.
Poli dance e Sex Shop
Patrocínio também comenta sobre a criação de um sex shop online para casais religiosos. Segundo a colunista o objetivo da loja é “apimentar a relação de acordo com preceitos da Bíblia”.
Ela apresenta o Book 22 (em inglês), o primeiro a ser lançado e que, segundo o site NPR.com, foi criado por um casal “cansado de buscar soluções para sua vida sexual e só encontrar pornografia”.
Outro fato comentado por Carol Patrocínio é a criação do “Pole Dance para Jesus”. De acordo com a colunista, “uma americana resolveu criar o esporte e fez algumas mudanças nas aulas convencionais de pole dance, ou dança do poste.
Primeiro, as músicas: nada de música de boate, apenas louvores cristãos ou músicas gospel populares. Depois, os movimentos, que não são tão sensuais quando nas aulas normais, afinal, é um momento de adoração”.
Site dá dicas
Uma notícia publicada na Folha OnLine apresenta um site criado com o intuito de dá dicas de sexo para evangélicos. Segundo a matéria, o site SexoCristão.com responde a perguntas como: “Sexo anal é pecado? O que a Bíblia diz sobre fantasias sexuais? Transar no noivado, pode?”
De acordo com a publicação o site, que tem o slogan “o sexo como Deus planejou”, sugere debates sobre relacionamentos gospel. A página contém artigos, fóruns, notícias relacionadas ao tema e enquetes. Numa delas, foi pesquisado a opinião dos visitantes sobre o fato de cristãos irem a motéis. A opção “é pecado” foi a mais votada com 5787 de quase 14 mil votos.
Brincadeira?
A notícia também comenta que segundo os idealizadores do site, cujos nomes não são revelados, o projeto não pertence a uma igreja protestante específica. “Não há e-mails ou telefones para contato, o que aumenta nos fóruns a suspeita de que tudo não passe de uma brincadeira. "Esse site é uma piada?", pergunta um dos visitantes”, segundo notícia da Folha OnLine.
17.10.12
Duas eleições e a lição das pesquisas
As tabelas acima mostram o nível de acertos das pesquisas eleitorais nas duas últimas eleições aqui em Irará (2008 – 2012).
A cada eleição as pesquisas exigem cada vez mais respaldo e responsabilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tipifica como crime a divulgação de pesquisas que sejam constatadas como fraudulentas. E, além disto, o TSE mantém regras rígidas para a divulgação e faz exigências aos institutos credenciados.
Uma das exigências do TSE é que o instituto tenha um estatístico responsável pela pesquisa. O estatístico é um profissional formado na universidade, que após a formatura recebe um credenciamento do Conselho Regional de Estatística, assim como os médicos tem o seu registro no Conselho Regional de Medicina e os advogados na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O estatístico corre o risco de perder o seu registro em caso de erros grosseiros.
Por isso, em centenas de eleições realizadas, são raros os erros grosseiros nas pesquisas eleitorais. O fato é que, quando acontece de uma pesquisa errar, o erro é mais lembrado pelo eleitor do que o acerto.
Interior
Nos grandes centros, as pesquisas eleitorais são geralmente contratadas e divulgadas por veículos de comunicação. Em cidades pequenas, como Irará, os veículos existentes não possuem condições financeiras de contratar um instituto de pesquisa. Por isso, só existem as sondagens contratadas pelos próprios candidatos.
Além de mostrar a intenção de voto do eleitor, a sondagem fornece diversas informações para o trabalho na busca por mais votos. Contudo, neste ambiente, só o candidato que tem vantagem na pesquisa costuma registrá-la no TSE e divulgá-la. Já quem tem situação desfavorável prefere a não divulgação, enquanto tenta a reversão do quadro.
É louvável quando um candidato, em situação inferior na pesquisa, trabalha o sentimento da “virada” e com isto consegue empolgar o seu eleitorado e, em alguns casos, até consegue a virada mesmo.
Re-make
Por outro lado, é deplorável quando um candidato, sem razão para contestar judicialmente uma pesquisa, entra na tática do “oba-oba”.
Assim, até quando uma pesquisa pode ter dados que lhe favoreça, o candidato em desvantagem ataca o resultado global e faz acusações vazias. Diz que a pesquisa é fraudulenta, mas não prova. E, sem elementos para entrar na justiça pedindo a impugnação da pesquisa, resumi-se às acusações de palanques, panfletos e carro de som.
Cria-se o “oba-oba” por tempo limitado. Porque, tão logo sai o resultado das eleições, as urnas comprovam o nível de confiabilidade de uma sondagem séria. Com isto, o candidato do “oba-oba” deveria ficar descredibilizado, mas nem sempre aos olhos de todos.
Infelizmente a cena aconteceu em Irará em 2008 e voltou a se repetir, como um “re-make” malfeito em 2012. O pior foi assistir pessoas as quais considero inteligentes descredibilizarem as pesquisas e preferirem acreditar nas acusações do candidato e nas aparências dos seus movimentos de campanha.
Lição
Espero que as duas experiências das eleições anteriores sirvam de lição para os políticos e para os eleitores iraraenses. Afinal, eleição deve ser um momento sério e não a hora do “oba-oba”.
Os políticos devem entender de uma vez por todas que a mentira tem mesmo perna curta. E por isto não vai longe. E que é possível comunicar numa eleição usando informações verdadeiras, porque, embora existam muitas maneiras de apresenta-la, a verdade é uma só.
Já para os eleitores, inclusive aos mais inteligentes, fica a dica para não se deixarem levar pelo “canto da sereia”. Felizmente, ao que demonstram as urnas, a maioria não tem cedido aos encantos.
17.8.12
Falta
É falta.
Falta grave!
Se Gringo
pudesse,
apitaria
esta fatalidade com todo fervor.
Falta de
amor,
falta de
respeito,
falta de
compreensão.
Ausência
completa de entendimento.
Nada,
absolutamente, nada
ou qualquer
motivo
Aqui na Terra
Vele mais do
que a vida.
Se Gringo
pudesse,
daria um
cartão vermelho.
Sem pestanejar.
Um cartão
ainda mais
vermelho
que o sangue
derramado
Ele não se
incomodaria.
Alguém
poderia esbravejar, xingar...
Tenta lhe
tirar do sério.
Ele daria o cartão.
E, convicto,
expulsaria a maldade.
Mas, muito
infelizmente.
Gringo já não
pode.
O seu apito
foi silenciado.
A morte é um
pênalti
Alerta a
todos e,
quando
marcado, não se volta atrás.
Depois desta
penalidade máxima,
Que Gringo não
pôde marcar,
Restará aos
iraraenses
Permanecer
sentindo
A falta que ele
faz.
PS - Escrevi este texto dianta das várias manifestações de iraraenses no Facebook lamentando a morte do Professor e Juiz de Futebol Deusdete Filho, "Gringo".
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