14.5.08
5.5.08
Pavão Dourado lança CD em Salvador
Dona Bibi e sua turma do Pavão Dourado.
Com muita poesia, lirismo e ritmo, o grupo Pavão Dourado faz o show de lançamento em Salvador do seu primeiro CD, “Minha sabiá, minha zabelê”, que acontece no dia 11 de maio, às 11 horas, no Parque da Cidade (Itaigara).
.
O CD é uma reunião de cantigas e brincadeiras de roda que, como outras cirandas, abordam temas sobre o universo feminino, quase sempre em torno de amores pueris e não-correspondidos. Tudo isso emoldurado pelo bucolismo musical e percussivo, típico das caatingas do sertão baiano.
.
Formado essencialmente por mulheres da comunidade de Boa Vista II, em Serrinha, há no grupo uma proposta rara entre as outras manifestações do mesmo gênero: reunir a tradição das brincadeiras de roda, transmitidas através da oralidade ancestral, com ritmos que integram a aquarela sonora brasileira, principalmente as marchinhas-de-rancho e as toadas de aboios nordestinos.
.
Dona Bibi , nome pelo qual é conhecida a lavradora Maria José do Nascimento dos Santos, com seus 52 anos, é quem lidera o grupo. Segundo ela conta, as brincadeiras de roda que aprendeu sempre aconteciam (e acontecem) depois das batas (debulhamento das colheitas) de milho ou feijão ou em outras atividades domésticas, como, por exemplo, quando estão trançando palha de pindoba para fazer chapéus, esteiras ou sacolas.
.
Paticipações –
.
O grupo paulista A Barca A Barca, viajou mais de 10 mil quilômetros, entre os meses de dezembro de 2004 e fevereiro de 2005, por nove estados brasileiros, do Pará a São Paulo. Nessa turnê, cerca de 30 comunidades ou cidades foram visitadas, com o objetivo de pesquisar e transcriar gêneros mais tradicionais da música popular brasileira.
.
Os grupos Pavão Dourado e Comunidade Lagoa da Camisa foram os escolhidos no estado pelo projeto A Barca. Além de oficinas e apresentações dos grupos nas comunidades, foram registradas no CD Trilha, Toada e Trupé três músicas do grupo Pavão Dourado.
.
Na Bahia, o Pavão Dourado já se apresentou em várias cidades do semi-árido em ocasiões, como os shows realizados nas quatro edições da Festa da Cultura Popular (2004, em Barrocas, 2005, em Santa Bárbara , 2006 em Conceição de Coité, e 2007, em Tanquinho).
.
Em 2006 o Pavão Dourado foi selecionado para o Mercado Cultural, em Salvador. Este ano o projeto “Adeus Pavão Dourado” foi aprovado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, que liberou recursos para a prensagem do primeiro CD do grupo e para o show de lançamento no dia 11 de maio de 2008, no Parque da Cidade, em Salvador.
.
Ficha Técnica
.
Voz solo:
.
Bárbara de Araújo
Leinalva do Nascimento dos Santos
Luciana do Nascimento dos Santos
Lucivânia do Nascimento dos Santos
Gertrudes de Lima Silva (Tuninha)
Maria Lídia Pereira do Rosário
.
Violão:
.
Músicos convidados:
Percussão:
Frankinando Francisco de Matos
Luiz Silva Santos
.
Contatos:
Ainda Bolívia...
.
Os organizadores fazem ouvidos moucos para as autoridades internacionais que dizem não reconhecer a autonomia do Departamento (Estado) de Santa Cruz, mesmo com resultado favorável à autonomia.
Acompanhe:
Para governo boliviano, autonomia aprovada por referendo é inaplicável
2.5.08
Olhares à Bolívia

.
A Bolívia contrasta entre descendentes do povo indígena e os descendentes dos invasores (ou colonizadores de acordo á visão de cada um) espanhóis. Esta divisão ficou ainda mais acirrada, desde a chegada, pela primeira vez na história, de um índio ao poder.
.
O governo do Presidente Evo Morales não tem alcançado bons índices econômicos. Sediada em Santa Cruz de La Sierra, capital da província que reivindica maior autonomia, a elite empresarial da Bolívia acusa Evo de “índio incompetente”.
.
O mandatário, por sua vez, aponta a discriminação dos empresários com a sua condição índia. Salienta que a elite econômica do país não aceita a revolução em favor dos mais desfavorecidos e questiona o fato de que “eles”, só vêem falar em autonomia agora, após perderem o poder político da nação. Também percebe financiamento estadunidense nas ações dos seus opositores.
.
A situação da Bolívia merece atenção e não é diferente da vivida por várias outras nações. Ao que se percebe, ali se trava, de forma feroz e intensa, a disputa humana pela sobrevivência no mundo moderno.
.
Povos oprimidos lutam pelo direito de existência. O grande capital também. Ainda que o instinto deste último seja o de sobreviver destruindo etnias e culturas.
.
Alheamento e exceções
.
A imprensa brasileira segue alheia a tudo isso. Finge não perceber a miséria boliviana, suas reais causas e a contribuição da força do capital internacional para a perpetuação deste quadro. Tanto lá, quanto cá.
.
Afinal, por esses dias temos sangue (caso Isabela) e sexo (Ronaldo). Para os barões da comunicação, junto a seu público sedento por futricas e espetacularizações, não precisa de mais nada.
.
Vantagens múltiplas. Os magnatas ficam cada vez mais ricos e as pessoas ganham informações para alimentar seus assuntos na mesa do bar.
.
Pode até ser que os acontecimentos da Bolívia ganhem algum espaço na grande mídia tupiniquim. Entretanto, não esperem nada fora do caricatural, sem tempo para qualquer tipo de aprofundamento da questão.
.
No noticiário brasileiro já é costume perceber o Presidente boliviano relegado à imagem de um “maluco”, amigo de outro “doido”, ou seja, o venezuelano Hugo Chavez.
.
.
Carta Capital e Projeto Bolívia
.
O primeiro é a Revista Carta Capital. Enquanto outras semanais se ocupavam da telenovelinha da vida real, do “reality show”, construído em cima da tragédia familiar que vitimou a menina Isabella, a Carta no dia 09 de abril, trouxe a relação entre Evo Morales e as “duas Bolívias” como tema de capa.
.
A reportagem esclarecedora e bem construída sintetizava a situação vivida pelo país. Mostrando os contrastes bolivianos, a reportagem apontava alguns erros e políticas sociais de Morales.
.
Já na internet, esse fantástico veículo que tem sido um refúgio para o pensamento livre (até quando?), vale destacar o blog do Projeto Bolívia. Uma iniciativa de alguns jornalista e estudantes de comunicação.
.
O diário virtual é uma espécie da cobertura da viagem que os colegas faconianos, Lucas Santana, Mateus Damasceno, Ricardo Sangiovani, Vitor Rocha e mais, a amiga deles, Tassia Novaes, fizeram à Bolívia em meados do ano passado.
.
Os textos, fotos e até um vídeo, disponíveis no Blog, nos mostram um belo país e seus contrastes. Da leitura dos escritos dá para perceber que a galera ralou bastante em solo boliviano. Enfrentaram estradas perigosas, visitaram minas e plantações de coca e conseguiram até uma entrevista com o presidente da nação.
.
Observando o blog, e é gratificante ler todo o conteúdo lá postado, podemos perceber a vivência e opiniões de um povo que se apresenta politizado e tem simpatia pelo Brasil. A rapaziada chegou a ser anunciada em estádio de futebol como uma “equipe da Globo”, presente no país.
.
Ainda bem que existe as publicações que excedem a regra e a internet. Assim podemos conhecer um pouco mais da realidade. No caso especifico do blog, é muito prazeroso lê-lo. Afinal, ninguém contou ao pessoal o que está lá escrito. Eles estiveram em solo boliviano, viram com os próprios olhos.
28.4.08
Reiteramos o Colóquio
Cartaz de Marcilio Cerqueira para o Colóquio 2008..
A edição deste ano, tão especial quanto as outras, foi massa. As palestras, as oficinas, as bandas. Zimababwe e A Volante do Sargento Bezerra, literalmente, deram show. Valeu pela gloriosa participação da Quixabeira.
.
O Sábado à noite, um evento inesquecível. Lançamento do livro de Messinho, de Franklin e de Geraldo; lançamento dos Cordeis de Kitute e de Barreto. Vinhos & Versos. E a ótima apresentação do grupo Arranjos.
.
Parabéns à Casa da Cultura de Irará. Grande sonho de Aristeu Nogueira.
.
Obrigado ao camarada Marcilio Cerqueira. À Kitute e Artur Modesto. Bonifácio, Katiene, Sérgio Cabelera, Fábio Calisto, Aristela, Dilma Leão, Messinho, Kau Santana. Ao Departamento Municipal de Cultura, Cestão Supermercado, Colégio Joaquim Inácio, Escola São Judas, Filarmônica 25 de Dezembro, Casa Jesus Maria José e Viva Irará; Secretaria de Educação, Sindicato Rural, Centro Espírita e ACEI, na pessoa de Kakal.
.
E também muitíssimo obrigado aos nossos convidados artistas e poetas. Antônio Barreto, Geraldo Maia, Franklin Maxado. Representantes da SECULT, FPC e BNB. Gabriel Ferreira, Jotacê Freitas, Piter Leão, Luciana Balbino, Tony Andrade, Jai, Antônio Queiroz e Braúlio Pinto, Ricardo Reira.
.
Aos que estiveram presentes. E a todos e todas que contribuíram para continuarmos teimando e fazendo esse evento.
.
Vejam texto que escrevi para o Blog “Das Ruas” de Iuri Rubim sobre a apresentação de repentistas de na Feira Livre (clique aqui).
25.4.08
Luto
Tentei, mas não consegui. Depois da morte de meu pai, em fevereiro passado, seria esperado um texto, uma homenagem, um balanço, sei lá... Qualquer coisa que tentasse sintetizar tudo que eu estava passando. Não consegui. Já sou ruim de sínteses e nesse caso então....
Faltou-me mesmo as palavras. E não sabia como fugir do clichê nesse momento de dor. E, podem apostar, doe de verdade. Sentido denotativo mesmo.
.
Como diz a canção de Alisson Menezes, ficou tudo “muito confuso, na minha cabeça”.
.
Não só de como o fato se deu, mas pela luta de mais de um ano contra uma doença estranha. Diante da qual amarguei a maior derrota dessa minha pequena existência. Perdi. Sei que não há jeito, vou ficar com essa ferida aberta enquanto viver. Pode ser até que ela sare, mas com certeza deixará uma cicatriz enorme.
.
Depressão. Muitos ainda ridicularizam, minimizam o seu potencial ou não tem a mínima idéia do que essa doença maldita pode ser. Os casos não são poucos e já a denominam de “mal do século XXI”. O que pensar de uma enfermidade que tira do indivíduo até mesmo o instinto da sobrevivência?
.
Confusão, insônia, dúvidas... Tantos e tantos sintomas me apareceram. Para fugir disso tudo, resolvi meter a cara no trabalho. Chamei os companheiros: “tá na hora de fazermos mais um Colóquio!”.
.
Ainda bem que tudo deu certo. Refrescou os pensamentos e me fez ver que é ora de retomar algumas outras atividades. E, especificamente, este Blog. Espero um dia escrever um texto em homenagem ao velho Zé do Rádio... (são muitas histórias para contar)
.
Por hora, agradeço a todos que sentiram a ausência de novidades neste espaço, agora com dois anos de criado. Especialmente a Lívia por ter manifestado essa falta em comentário.
.
A batalha continua. E eu, busco forças e, ainda Luto.
.
7.2.08
Cobertura carnavalesca
Ticiana Villas Bôas (esq), formada pela Facom/UFBA,
foi uma das repórteres da Band no carnaval de Salvador
Dos trechos que vi, apesar da massante mechandising da Coca Cola, achei legal a interatividade entre os reportes trabalhando nos dois estados nordestinos. No mais, não percebi muita coisa que mereça “alfinetar” o trabalho dos caras, como diz um amigo meu.
Já na Globo, tudo continua sem novidade. A emissora ainda pensa que o Brasil é uma das suas novelas das oito. Rio de Janeiro, Leblon, etc, etc, etc. Só que, como é Carnaval: “Desfile das Escolas de Samba! Ao vivo!”. Nada contra a transmissão dos desfiles. Nem do Rio e nem de Sampa. Porém, a cobertura...
.
.
.
.
.
.
.
2.2.08
A gestante no ônibus em tempos capitais
.
A gestante subiu pelo fundo da condução mesmo. Torniquete, trocador, empurra-empurra e alguns outros sinais de lotação mais que máxima. A placa na frente indicava: “46 passageiros sentados”. Em pé, a olho nu, percebia-se no mínimo outra quantidade e meia daquela.
.
Por entre todo este aperto, típico de corredor de ônibus urbano cheio, está em pé uma dama e a sua singela cria no ventre, com cinco ou seis meses de gestação.
.
Quando percebe a cena, o passageiro não se contém. Saí do seu lugar à janela, espremendo-se entre as pernas do outro passageiro, sentado inerte no lado do banco próximo ao corredor. A moça ainda tenta sinalizar uma negativa ao oferecimento, mas é traída pelo seu belo sorriso. Este já denúncia o acatamento à proposta e ele já vai tomando seu lugar ao assento.
.
Em pé, após ouvir alguns agradecimentos, tal qual Roberto Carlos, ele pensa: “Espero que tenha sido com muito amor e seja quem for, há de achar você também tão linda, esperando neném”.
.
Que romantismo tolo! Não há mais espaço para isso. Hoje a coisa é feita de modo diferente. Há casos sem intenção. Um descuido, uma camisinha estourada, o esquecimento da pílula... Ou de modo intencional mesmo. Assim, como tão falando com grande freqüência nas rádios FMs da periferia. “Quer beber? Ou quer fazer bebê agora?”.
.
Pelo sim pelo não, o gentil passageiro resolve começar um bate-papo. Estaria ele esteticamente encantado pela dama a quem fizera a gentileza? E se ela fosse feia? Será que haveria gentileza mesmo assim?
.
Pára, pára, pára. Deixemos de desconfianças. Não é a todo momento que se está disponível para ser Brás Cubas. Quem é côxa pode ser bonita, ou vice-versa. Lembremos que a realidade não segue o padrão de perfeição imaginado ou inventado pelo ser humano.
.
Divagações filosóficas à parte. Volte-mos ao bate-papo.
.
- Por que você não entrou pela frente? – indagou o rapaz, pretendo informar à gestante que ela teria direito de ingressar na condução sem pagar e sem o constrangimento de passar pelo torniquete.
.
- Eles tiraram esse direito. Agora a gente tem de pagar.
.
- Absurdo!
.
A informação ignorada pelo rapaz é confirmada por outra passageira ao lado. Ela re-afirma a noticia da gestante. Pode parecer absurdo, mas mulher grávida paga passagem. Entretanto, a passageira faz uma observação:
.
- Você poderia ter entrado pelo frente e ir até o cobrador para pagar a sua passagem. Já pensou se esse ônibus rasta e você leva uma queda ou trompasso?
.
Parece que a moça não estava mesmo atenta para isto. E nem todos estavam atentos para ela. E qual seria a novidade? Era apenas mais uma jovem grávida, entre tantas jovens grávidas que tem por aí, que não são apresentadoras de TV.
.
O ponto do passageiro chegou, ele se despediu da bela gestante e ela respondeu com um “obrigado”, acompanhado de um sorriso encantador.
.
É capitalismo. O que não tem fetiche ou não tem valor de mercadoria, paga a conta, está por fora. E olhe que há quem diga ser a placenta “a melhor das embalagens”.
.
14.1.08
I Mostra de Midia e Múscia na UFPE

Estarei apresentando o artigo Tom Zé: um tropicalista e sua aldeia neste evento, como parte da Mesa Temática, Hibridismo e Fluxos Musicais. Já apresentei o mesmo artigo no III Enecult em maio de 2007. A versão a ser apresentada em Recife possui algumas pequenas correções.
30.12.07
03 anos, 02 cartas, 01 pedido, 00 ação
A medida, além de beneficiar as entidades financeiramente, facilitaria os tramites das mesmas quando precisassem de certidões municipais para receber recursos de instâncias estaduais e federais.


Carta de 2005
Setembro de 2005. Encaminhei a solicitação à Câmara Municipal de Vereadores. Coloquei anexa, como exemplo, uma carta do ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbhassay, datada de 2004. Nela, o executivo, após a ameaça de penhora do Teatro Vila Velha, pedia à Câmara Municipal a aprovação de um projeto de lei para isentar o Vila do imposto. A missiva anexa intencionava exemplificar que não havia impedimento legal para a isenção.
.
Carta de 2006
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
19.12.07
Moska na sopa do parque
Domingo no parque. Crianças brincando, churrasquinho, pipoca, algodão doce, bicicleta. Gente fazendo panfletagem. Comércio, política, arte. Tudo em divulgação. É certo que o movimento no parque cresce, e muito, quando tem música..
Neste domingo último, o Parque da Cidade em Salvador recebeu um grande público para ouvir as canções do carioca Paulinho Moska, ou simplesmente Moska, como vem sendo chamado já há um bom tempo, não sei se por decisão própria ou indicação de um numerólogo qualquer.
.
O ambiente é bucólico. Um belo palco encravado em meio aquele exuberante pedaço de mata atlântica. O público vai chegando e se acomodando aos poucos. Após a apresentação e os reclames de Jéferson Beltrão, Moska sobe ao palco. Somente ele e dois vilões.
.
Cumprimenta a platéia, mas quase que não se ouve a sua voz. De repente o som cresce. Agora dá pra ouvir. O artista anuncia a primeira música. “Tudo novo de novo”. A canção sugere começarmos de “onde já caímos”.
.
Moska então segue embalando as pessoas, desde os mais tímidos ao fundo, aos mais empolgados, na frente do palco fazendo pedidos. O artista conversa com o público, apresenta suas canções e conta um pouco de como se dá o processo de criação das mesmas.
.
Revela: “uma vez comprei uma maquininha, dessas digitais que todo mundo tem hoje, e resolvi sair fotografando o meu reflexo em objetos metálicos de banheiro (torneiras, maçanetas, saboneteiras, etc) dos hotéis por onde eu passava. Isso virou mania e depois obsessão”.
.
E durante o show ele ia contando. O vicio de fotografar o próprio reflexo lhe rendeu mais de duas mil imagens. Ia catalogando, separado-as em pastas no computador, dando nomes a algumas. Títulos e imagens que se tornaram frases, poemas e canções. Músicas que viraram álbuns.
.
No meio de um destes relatos o som cai. A voz de Paulinho só é ouvida no retorno do palco. Para o público fica baixinho, quase que não se dá para ouvir. Nada de desespero. Nem xingamentos, nem reclamação com a equipe técnica, nem ameaça de cancelar o show, alegando o som ser uma “porcaria” ou falta de respeito com a sua arte. Nada disso.
.
Moska começa a bater palma. O público lhe acompanha. Sem o uso do violão, vai cantarolando. Os versos falam de miscigenação, da branquinha que aceita o rapaz de cor, da formação do mulato brasileiro.
.
Enquanto as pessoas se encantam com o voz e palmas, os técnicos seguem frenéticos na mesa de som. É um emaranhado de cabos. Uma porção de plugues pra sair de um canto e entrar noutro. A mesa é grande. Muitos canais. Vai ver que foi um único daqueles, o causador de todo o problema e... Já viu.
.
Alguns poucos minutos depois o áudio das caixas externas retorna. Moska termina a cantarolisse em alto e bom som. “Tá vendo!? Não doeu nada e ainda ganhei um Martinho da Vila”, diz o carioca, como quem deixa implícito saber que imprevistos acontecem. Nem sempre é necessário pilhar a equipe ou colocar o público contra a produção do show.
.
Aí ele aproveita para falar de samba. “Tudo começou aqui”, diz, salientando ser Salvador a cidade “mais mulata do Brasil”. Comunica, a quem não sabe, ser neto da Bahia. “Minha mãe nasceu nesta terra”. “Meu sangue é baiano também”.
.
Entre falas e sambas, julga que a “bagunça” foi boa. Daí arranca gritos do público quando fala ser Raul Seixas “a maior ‘bangunça’ deste país”. Anuncia que é preciso retornar ao show, mas diz que ao fim do repertório pode ter a volta da “bagunça”. Parece que desta vez, nem vai ser necessário o velho grito de guerra: “Toca Raul!”
.
Moska começa de onde caiu. Volta para seu repertório. Enganou-se quem pensou que o samba estaria fora dele. Paulinho da Viola (“meu xará duas vezes”), Herivelton Martins, Pixinguinha e outros. “Baiana é aquele que entra na roda de qualquer maneira”. Canta e depois confessa nunca ter tocado esta música ao vivo. “Só cantava em casa”. E tocava pra maiínha dele.
.
No leque de canções tem músicas próprias; parceria com outros cantores; como “relampiando” com Lenine; e composições e canções executadas por outros interpretes. Tem a presença de Zélia Ducan. É tocado um blues do “príncipe Cazuza”.
.
O público é insaciável. Quer mais, pede mais. Moska fala em democracia, “tem gente que já pediu e tá pedindo de novo”. Lembra de quem está no fundo. Prejudicados porque o artista não os escuta. Simula um tit-tic nervoso, um chilique no palco. Muita gente vai à gargalhada.
.
Em meio a tantos pedidos diz ter um limite. “Lembrem-se que aqui no palco tem uma mosca”, brinca com seu apelido para falar que tem um limite físico e o show vai acabar a qualquer momento.
.
Casais, crianças, coroas. Dava para perceber a presença forte de Maria Joana também. Tá calor? Vai de água, de refri ou uma cerva. Apesar daquele tempo quente do meio-dia do domingo, as nuvens colaboraram e esconderam o sol. O clima era alegre, descontraído, agradável e de nublado a parcialmente nublado.
.
Paulino Moska termina o show. Acena e saí do palco. O público pede biz. Será que ele volta? Há quatro ou cinco anos atrás, em apresentação no Parque Costa Azul em Salvador, ele disse que não iria fazer “aquela idiotice” de sair do palco esperar o pedido do público e depois voltar. Preferia ficar tocando músicas fora do set list até a hora que a vontade desse. Desta vez, foi diferente.
.
Tal qual o boêmio, ele voltou. Mostrou o seu lado metamorfose ambulante. Diante do calor do público, tirou a camisa. “Vocês vão ver um monte de ossos”. Falava de seu próprio corpo magro, talvez nem imaginando que na platéia tinha alguém mais ceco do que ele.
.
Sem camisa e de viola elétrica na mão, empolgou o público. O que toda aquela gente faria se só restasse aquele dia? Se o mundo fosse acabar? O mundo não, mas pouco depois, o show estava terminado e Moska não tocou Raul.
.
Talvez nem precisasse mesmo uma canção. A participação do maluco beleza era implícita na energia da festa. O morro e as árvores do lugar fazendo um cerco como um caldeirão. Mistura de pessoas, de cores, de ritmos, de emoções. Uma sopa. E lá pousou um Moska que chegou pra zumbizar.
.
Foto: Luis Batista/Fotopress/divulgação, tomada de "emprestimo" no site do terra, com texto de Lucas Esteves.
15.12.07
Franklin Maxado lança livro em Salvador
Nesta terça-feira, 18, o Conjunto Caixa Cultural estará mais nordestino e maxadiano. O poeta, cordelista, professor, jornalista, teatrólogo, advogado, acadêmico... Franklin Maxado estará lançando, pela Editora Hedra (São Paulo), um livro com alguns dos seus cordéis. .
.
.
O que? Lançamento de Livro
Quem ? Franklin Maxado
Quando? Terça-feira, dia 18, às 20h.
Onde? Conjunto Caixa Cultural – Rua Carlos Gomes, 57, Salvador- Ba.
Quanto? Lançamento: De grátis / Livro: R$ 18,00 (preço no site da editora) [compre aqui ]
7.12.07
Feira Regional da Mandioca
Mandioca e agricultura em debate
A edição trazia uma entrevista com o técnico agrícola Cássio Alvim. Mineiro de nascimento, Cássio veio para a Bahia trabalhar na EMATERBA (atual EBDA) e, depois de passar por outras cidades, atuou em Irará, até ser transferido para Conceição do Jacuípe. Nos anos que trabalhou em Irará, Alvim se tornou um conhecedor da agricultura local, das suas dificuldades e potencialidades.
.
Como serão observadas pelo leitor, algumas das afirmações feitas por Cássio, naquela noite de abril de 2001, ainda são atuais, para o bem ou para o mal, seis anos depois.

O TREZE: intenção de discutir temas do município
Cenário iraraense
.
“Em Irará se tem uma reforma agrária natural, só temos basicamente pequenos produtores, a média de área de propriedade rural é cinco hectares, conta-se nos dedos os que têm mais, e não são o que podem se chamar de grandes produtores”
.
“Outra questão observada em Irará, que talvez não aconteça em outro lugar, é a concentração da população no meio rural. Uma média de 65% da população vive no meio rural, se observarmos outros municípios brasileiros a média não chega a 20%.”
.
“A economia do município [Irará] é agrícola, não temos indústrias e, se o comércio existe, ele existe em função do meio rural e depende das pessoas que vendem a farinha e o fumo, sendo este último, outra questão problemática”
Relação Irará e outros mercados
.
“Muitos atribuem a [má] situação à lei da oferta e da procura, mas não é bem assim. Se houvesse oferta em outros municípios da região, poderíamos falar que tal lei seria uma realidade, mas farinha se produz em Irará e a diferença do preço de um saco de farinha em Irará com relação a outros lugares distantes, trinta ou quarenta quilômetros, é muito grande”
.
“Apesar de Nazaré das Farinhas ter essa fama toda, a farinha de Irará é considerada uma das melhores farinhas que existem e, mesmo com uma séria de misturas feitas com a farinha vinda do sul, a farinha de Irará é reconhecida e tem respeito na região.”
.
“O Paraná não planta mandioca com o objetivo de produzir farinha. Na realidade eles produzem fécula, o povilho, o que conhecemos como tapioca. A parte que sobra é a parte fibrosa, vem pra cá e juntamente com a farinha iraraense, possuidora de um alto teor de amido, consegui-se um produto intermediário com um custo mais barato. Tanto que se a farinha do sul prestasse, não precisaria vir pra cá misturar com a nossa, eles venderiam direto para o consumidor. E para dá qualidade, ou seja, um melhor teor de amido, eles fazem essa mistura.”
.
Produção e comercialização
.
“Sabemos que existem subprodutos da mandioca que poderiam ser aproveitados, por exemplo, na pecuária ração ou como adubo na agricultura”
.
“Eu passei quatro anos trabalhando aqui na EBDA [Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário – Irará] e trouxemos uma boa variedade de mandioca, não só se falando em produtividade, mas também em coloração, afinal sabemos que a farinha produzida aqui é colorida artificialmente, então entendemos que existem variedades com a mesma condição de coloração da artificial”
.
“Talvez [a coloração] não seria tão forte quanto a artificial, mas em termos de saúde seria bem melhor”
.
“No que diz respeito ao preço, a mandioca teria condições de melhorar e muito com relação ao preço que está. Um Saco de farinha hoje [maio 2001], à media de oito reais, não cobre de forma nenhuma o que se chama de custo de produção, ou seja, aquilo que se gasta para a mesma. Aí você poderia perguntar: 'mas como é que ele planta se não cobre o que gasta?'Na realidade, ele só consegue produzir, porque usa a própria família, se fosse fazer comercialmente para pagar mão de obra externa, ele não poderia de forma alguma porque não haveria condições de se trabalhar no vermelho”
.
“Se você for a um supermercado e vê farinha de Irará empacotada sendo vendida, verá que o preço dela é bem diferente do preço pago ao agricultor”
.
“Organizando uma cooperativa teríamos condições de exportar para outros municípios, o nosso beiju empacotado e padronizado, porque pode-se ver lá fora, onde chega o produto de Irará todos elogiam, porém, individualmente não iremos conseguir nada. ”
.
“Se tivéssemos uma instituição formal com CNPJ, nota fiscal e tudo, teríamos plena condição de vender a farinha às grandes redes de supermercado, sem a necessidade de intermediários”
Obs: Após a Primeira Feira da Mandioca (2004) foi criada a COOPRIL – Cooperativa dos Produtores de Rurais de Irará. Desde sua fundação, a entidade vem se esforçando na luta, para sanar dificuldades no setor agrícola.
.
A íntegra foi publicada em O TREZE – Informe ativo do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores – Irará – Maio de 2001 – pag. 3 a pag. 6.
.
Entrevista foi realizada por Roberto Martins e Agnaldo Francelino em uma dada noite de abril de 2001, na casa do entrevistado, situada à Rua de Ouriçangas em Irará – Ba.
2.12.07
Colóquio tem quarta aprovação consecutiva em edital do BNB

.
“Esse tar, desse de Colóquio, coloca pra fu...”, constata um amigo entusiasmado ao saber da notícia. “É tetra, é tetra, é tetra, é tetra...”, grita outro, parecendo imitar Galvão Bueno, após Roberto Baggio chutar a bola sobre o gol de Taffarel em 1994.
Emoções à parte, a notícia é verdadeira. O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura de Irará, foi contemplado no edital BNB de Cultura 2008. Junto com as aprovações de 2005, 2006 e 2007, essa é quarta aprovação do Colóquio.
A Casa da Cultura, que ainda não realizou o Colóquio previsto para 2007, tem agora à sua frente uma garantia de recursos por parte do Banco do Nordeste para a realização de dois Colóquios. Ambos orçados para receber do BNB cerca de R$ 10 mil e ainda podendo captar recursos de outros patrocinadores. Cabe à diretoria, apenas, organizar as suas questões burocráticas e produzir os eventos.
Assim como as aprovações anteriores, esta também contou com a assessoria da Charanga Comunicação. No entanto, para que “esses caras” (nós) da Charanga não fiquem se achando, pensando que vão ser aprovados em todos os editais dos quais participem, houve um projeto que não foi contemplado. Trata-se do que intencionava ampliação e circulação da Escola de Música Aniceto Azevedo da Cruz, no qual a Filarmônica 25 de Dezembro pleiteava recursos junto ao BNB, mas infelizmente não foi aprovado.
Acredito que as aprovações do Colóquio neste concorrido edital (este ano o Edital teve 3.260 inscritos e foram aprovados 192 projetos) têm acontecido pelo seu foco veemente nos objetivos propostos pelo BNB. O evento contempla o seguimento da literatura com ênfase na linguagem popular nordestina. A multiplicidade do Colóquio com diversas atividades (palestras, recitais, oficinas, exposições e apresentações artísticas), sua boa relação custo X beneficio e a inserção no município do interior nordestino (Irará), também ajudam bastante.
.
Veja outras divulgações sobre o Colóquio aqui neste Blog.
30.11.07
Dia do Samba em verso e prosa
Aqui.
Pisadinha do Pé Firme é selecionado em Prêmio da Funceb

.
.
Um tri-lema para a polícia e para a política
Se, de acordo com o que o filme deixa transparecer, não há como fugir deste tri-lema para ser um policial, me parece que para exercer a política, também não existe outra escolha. Os que se corrompem, os que se omitem e os que vão à guerra, são os tipos mais freqüentes no meio político. Tal ambiente, aqui descrito, não se resume apenas à política partidária ou profissional, mas também se refere à participação política, por assim dizer.
Os que se corrompem são os tipos que mais aparecem. E, por vezes, aparecem até, com relativa freqüência, nos grandes veículos de comunicação. Pessoas que usam influência ou participação em cargos públicos para benefício próprio e/ou de amigos.
Neste grupo também estão os popularmente conhecidos “políticos corruptos”. Pessoas sem escrúpulos e sem nenhum receio de ser descoberto um dia ou de se beneficiar à custa do suor alheio. Alguém acreditando no “todo mundo rouba mesmo”, que se achou no direito de meter a mão também. Afinal, como diz o ditado, ele não iria “dá uma de freira no puteiro”.
Os omissos figuram, basicamente, em duas linhas de atuação (se é que alguém omisso atua em alguma coisa). Há aqueles que enxergam no meio político muita roubalheira, falsidade, presunção, entre outros males, e pensam que é melhor ficar neutro, do que tomar qualquer posição possível. Outros desenvolvem uma visão fatalista, cheios de criticidade, pessimismo e uma boa dose de realismo, achando que o “mundo sempre foi assim”, e não será ele quem vai mudar.
De tal modo, é preferível não se estressar, não colocar em risco a própria vida, ou consumi-la, dando “murro em ponta de faca”. É o pensamento de que é melhor ficar de fora das situações políticas, ser apenas mais um cidadão a cumprir seus deveres, pagar impostos e nada mais. O tipo: “vejo, sei, mas não ligo”. Neste pensamento, a posição é mesmo ser asa de caneco. Ficar de fora.
.
Em um belo texto intitulado “Sobre Política e Jardinagem”, o educador Rubem Alves, escreve para “seduzir jovens à vocação política”. Na sua diferenciação entre os políticos por vocação, que fazem política por amor, e os políticos por profissão, quem a exerce por dinheiro, Alves, com seus argumentos convincentes, pode até seduzir jovens a se alistarem para a guerra da política, mas não deixa de fazer um reconhecimento:
“O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundido com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs”.
.
.
18.11.07
Vir ver
Nascer
Crescer
.
Atravessar a vida e
sonhar...
Sofrer...
.
Viver
Vir ver
O que?
.
.
Pretensa produção poética, um dia rabiscada num pedaço de papel e por muitos - certamente alguns anos - esquecida no fundo de uma gaveta até ser encontrada no dia de hoje.
5.11.07
Cultura é o quê?
.
Ainda no mês de julho, treinamento dos Mobilizadores Culturais em Salvador, o pessoal da TVE nos fez esta pergunta e pediu que falássemos um pouco da cultura em nosso município. Aí já sabe né? Falei do cenário cultural em Irará, da Filarmônica, de Zé Nogueira... enfim.
.
E enquanto a resposta da pergunta... Bem! Cultura é o quê? É uma daquelas coisas que quanto mais a gente se informa sobre, menos sabe. Na hora que a questão foi feita, assim, em frente à câmera respondi de uma forma. Em outro momento, poderia ter respondido de outra...
.
Confira o vídeo gravado pela TVE.
.
Obs: Estando na pagina procure por Marcos Roberto Martins – Mobilizador Cultural – Portal do Sertão.
1.11.07
Um comerciante sem pressa e amigo dos concorrentes
Estando no enterro ou sabendo da notícia é impossível, para aqueles que o conheceram, não lembrar de Sr. Lúcio no balcão de sua loja. Lá, no estabelecimento de nome fantasia e placa indicativa como “Casa Maria Luíza”, porém mais conhecido por toda a população como “Venda de Seu Lúcio”, ele atendeu gerações de iraraenses.
- Seu Lúcio? Tem borracha?
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
“Bar de Zé Petu” é demolido
A edificação que era situada à Rua Manoel Julião (Calçadão) e já há alguns anos ostentava uma placa com a inscrição “Bar 07 de Setembro”, com propaganda do refrigerante “Crusch”, foi demolida. O prédio era do tempo em que se colocava a data de construção na fachada. E a data que estava lá, se não me falha a memória, ainda marcava os primeiros anos do Século XX. Agora é poeira, escavações e o sinal de uma nova construção.
24.10.07
Eu viajo quinta-feira, Feira de Santana
.
Agora, deságuam na Terra de Lucas muitos dos anseios dessa gente. Sentimentos das pessoas presentes nos encontros que mobilizei e de outros quase quatrocentos acontecidos por todo o Estado.
.
É para o Sertão virar mar. Imensidão de proposições, de vontades, de diferentes visões de mundo. Evidência sutil do caldeirão cultural de uma terra chamada Bahia.
.
Durante as discussões, acontecidas nos encontros municipais e territoriais, o baiano do interior expressou em nomes maiusculosos, para evitar engano, o seu entendimento de cultura.
.
Para esse povo, quase sempre esquecido, reascendeu uma chama de esperança. Expectativa que desta vez algo de bom pode acontecer. Ou então que o destino se destrave longe...
.
Porque no curto prazo não há totais garantias. O processo todo é meticuloso. Ouvir, discutir, planejar e executar uma política cultural consistente pode ser custoso e demorado. Maior que a impaciência, só mesmo a vontade de vê-la funcionando. Este prazer não tem medida.
.
Por essas e outras, a II Conferência sinaliza para um passo importante. A intenção é criar subsídios para um Plano de Cultura para a Bahia. Planejamento este, a ser feito com base em consulta à mais de 35 mil pessoas no Estado. Um plano que possa virar lei, assim como palavra de homem, daquela que racha, mas não volta diferente.
Tão certo é que o cumprimento da missão depende também do acompanhamento, participação, colaboração e cobrança da sociedade civil. Caso contrário, todo esforço pode significar um desencontro choroso, da missão desincumprida e o plano será só mais um plano, como uma carta sem destino, nem chegando, nem voltando, ficando sem tem pousada, como uma alma penada.
Viajo quinta-feira, Feira de Santana. E é simbólico este grande encontro, com representantes de quase todos os municípios baianos, acontecer lá. A cidade é maior encontro rodoviário do norte nordeste do país. Destino certo de muitas das cartas remetidas do Correio da Estação do Brás em Sampa, para que chegando na Feira pudesse, pelas mãos de algum emissário, seguir caminho sertão adentro. Se a proposta é interiorizar, Feira de Santana é a rota de passagem.
Tal interiorização - é bom que se esclareça, porque odeio disse-me-disse e condeno a bisbilhotice - não significa o esquecimento da soteropolis e toda sua potência cultural. É apenas uma atenção especial para aquela parte da casa, outrora quase nunca apresentada às visitas.
A II Conferência Estadual de Cultura que acontece na Feira da Senhora Santana, do vaqueiro, do couro e do gibão, de 25 (quinta) a 28 (domingo) de outubro, no Campus da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), também tem espaço para o lúdico. Daí a participação de atividades artísticas, assim como a Universidade, públicas, gratuitas e de qualidade.
Tem Filarmônicas, Zabiapunga, cantiga de roda, e entre outros, Zé Celso Martinez e Elomar. De Irará estão presentes a Filarmônica 25 de Dezembro, a Burrinha de Dinê e depois de dezesseis anos sem fazer show na região e, acredito, em apresentação inédita em Feira de Santana, o iraraense tropicalista, Tom Zé. Pode crer, Tom Zé também vai... ele também viaja na quinta-feira, Feira de Santana.
* O trechos em negritos são passagens da música "Correio da Estação do Brás", de Tom Zé, integrante do LP de mesmo nome de 1978. Em The Hips of Tradicion (1992), o autor revisou a canção, mudando o nome para "Feira de Santana" e trocando o dia da semana de quinta para segunda-feira.
21.10.07
Prova de arrancada tem adiamento para fim de semana seguinte.
18.10.07
“Zé Adilson agora é piloto de arrancada”
Paulinho Sorriso, estudante de publicidade, atacava como assessor de imprensa do tio Zé Adilson (Zé de Juju). A sua intenção era divulgar na internet a atuação deste calouro do automobilismo que, segundo Paulinho, já em sua primeira prova na Copa de Arrancada, realizada em Salvador, foi o segundo piloto mais rápido de sua categoria. Depois, para mostrar que não era somente sorte de estreante, Zé conquistou por duas vezes a terceira posição no Campeonato Baiano de Velocidade, conforme informação do sobrinho motivado.
E a trajetória de Zé Adilson não deixa dúvidas quanto a suas qualidades automotoras. Ele tem um perfil sete artes, como se diz no popular, já consertou relógio, trabalhou com apiário, foi candidato a vereador, presidente do Colégio São Judas e da Casa da Cultura de Irará, entre outras possíveis atividades. No entanto, é trabalhando junto aos automóveis que conseguiu lograr maior destaque. Com o nome de Adilson Carburadores (Adilson Car – depois da injeção eletrônica de combustível nos veículos) conquistou reputação, garantindo grande clientela na sua oficina mecânica em Salvador.
O nome da terra natal vai na frente do Fusca
.
Agora Zé Adilson ataca de piloto de arrancada. Sai de trás dos motores, usando o seu conhecimento sobre os mesmos, para pilotar o Fusca 37, azul e amarelo, na vontade de estar sempre à frente dos seus concorrentes. No pára-brisa vai a merchandising da terra natal: “visite Irará”. Assim comunica amar o seu torrão, da mesma forma em que fez quando daquele jingle de campanha, paródia do hit “Florentina” de Tiririca, no qual eram repetidos exaustivamente os versos: “Zé Adilson, Zé Adilson/ Zé Adilson vereador/ Ele ama a sua terra/ Ele é meu vereador”.
24.9.07
Artistas “como quaisquer outros”
Dupla de dançarinos em cadeira de rodas faz show sensual
.
.
.
23.9.07
Fábio Calisto marca presença em Encontro Territorial
.
.
Fábio Calisto, vulgo Zé Colméia, estava lá. Ele não era representante do poder público e nem muito menos fora eleito para representar a sociedade civil iraraense. Esta vaga fora concedida no Encontro de Irará à professora Dilma Leão que lá também estava. No entanto, Colméia marcou presença e roubou a cena. Fez perguntas e atacou de porta voz.
.

Também entraram na roda de samba alguns diretores da Secretária de Cultura do Estado (Secult), a Superintendente de Cultura, Ângela Andrade, e até mesmo o Secretário de Cultura, Márcio Meirelles, interpelados diretamente por Fábio Calisto.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
10.9.07
BA 084 registra elevado índice de acidentes
.
.
.
.
.
.

