30.11.07
Dia do Samba em verso e prosa
Aqui.
Pisadinha do Pé Firme é selecionado em Prêmio da Funceb

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Um tri-lema para a polícia e para a política
Se, de acordo com o que o filme deixa transparecer, não há como fugir deste tri-lema para ser um policial, me parece que para exercer a política, também não existe outra escolha. Os que se corrompem, os que se omitem e os que vão à guerra, são os tipos mais freqüentes no meio político. Tal ambiente, aqui descrito, não se resume apenas à política partidária ou profissional, mas também se refere à participação política, por assim dizer.
Os que se corrompem são os tipos que mais aparecem. E, por vezes, aparecem até, com relativa freqüência, nos grandes veículos de comunicação. Pessoas que usam influência ou participação em cargos públicos para benefício próprio e/ou de amigos.
Neste grupo também estão os popularmente conhecidos “políticos corruptos”. Pessoas sem escrúpulos e sem nenhum receio de ser descoberto um dia ou de se beneficiar à custa do suor alheio. Alguém acreditando no “todo mundo rouba mesmo”, que se achou no direito de meter a mão também. Afinal, como diz o ditado, ele não iria “dá uma de freira no puteiro”.
Os omissos figuram, basicamente, em duas linhas de atuação (se é que alguém omisso atua em alguma coisa). Há aqueles que enxergam no meio político muita roubalheira, falsidade, presunção, entre outros males, e pensam que é melhor ficar neutro, do que tomar qualquer posição possível. Outros desenvolvem uma visão fatalista, cheios de criticidade, pessimismo e uma boa dose de realismo, achando que o “mundo sempre foi assim”, e não será ele quem vai mudar.
De tal modo, é preferível não se estressar, não colocar em risco a própria vida, ou consumi-la, dando “murro em ponta de faca”. É o pensamento de que é melhor ficar de fora das situações políticas, ser apenas mais um cidadão a cumprir seus deveres, pagar impostos e nada mais. O tipo: “vejo, sei, mas não ligo”. Neste pensamento, a posição é mesmo ser asa de caneco. Ficar de fora.
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Em um belo texto intitulado “Sobre Política e Jardinagem”, o educador Rubem Alves, escreve para “seduzir jovens à vocação política”. Na sua diferenciação entre os políticos por vocação, que fazem política por amor, e os políticos por profissão, quem a exerce por dinheiro, Alves, com seus argumentos convincentes, pode até seduzir jovens a se alistarem para a guerra da política, mas não deixa de fazer um reconhecimento:
“O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundido com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs”.
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18.11.07
Vir ver
Nascer
Crescer
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Atravessar a vida e
sonhar...
Sofrer...
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Viver
Vir ver
O que?
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Pretensa produção poética, um dia rabiscada num pedaço de papel e por muitos - certamente alguns anos - esquecida no fundo de uma gaveta até ser encontrada no dia de hoje.
5.11.07
Cultura é o quê?
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Ainda no mês de julho, treinamento dos Mobilizadores Culturais em Salvador, o pessoal da TVE nos fez esta pergunta e pediu que falássemos um pouco da cultura em nosso município. Aí já sabe né? Falei do cenário cultural em Irará, da Filarmônica, de Zé Nogueira... enfim.
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E enquanto a resposta da pergunta... Bem! Cultura é o quê? É uma daquelas coisas que quanto mais a gente se informa sobre, menos sabe. Na hora que a questão foi feita, assim, em frente à câmera respondi de uma forma. Em outro momento, poderia ter respondido de outra...
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Confira o vídeo gravado pela TVE.
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Obs: Estando na pagina procure por Marcos Roberto Martins – Mobilizador Cultural – Portal do Sertão.
1.11.07
Um comerciante sem pressa e amigo dos concorrentes
Estando no enterro ou sabendo da notícia é impossível, para aqueles que o conheceram, não lembrar de Sr. Lúcio no balcão de sua loja. Lá, no estabelecimento de nome fantasia e placa indicativa como “Casa Maria Luíza”, porém mais conhecido por toda a população como “Venda de Seu Lúcio”, ele atendeu gerações de iraraenses.
- Seu Lúcio? Tem borracha?
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“Bar de Zé Petu” é demolido
A edificação que era situada à Rua Manoel Julião (Calçadão) e já há alguns anos ostentava uma placa com a inscrição “Bar 07 de Setembro”, com propaganda do refrigerante “Crusch”, foi demolida. O prédio era do tempo em que se colocava a data de construção na fachada. E a data que estava lá, se não me falha a memória, ainda marcava os primeiros anos do Século XX. Agora é poeira, escavações e o sinal de uma nova construção.
24.10.07
Eu viajo quinta-feira, Feira de Santana
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Agora, deságuam na Terra de Lucas muitos dos anseios dessa gente. Sentimentos das pessoas presentes nos encontros que mobilizei e de outros quase quatrocentos acontecidos por todo o Estado.
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É para o Sertão virar mar. Imensidão de proposições, de vontades, de diferentes visões de mundo. Evidência sutil do caldeirão cultural de uma terra chamada Bahia.
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Durante as discussões, acontecidas nos encontros municipais e territoriais, o baiano do interior expressou em nomes maiusculosos, para evitar engano, o seu entendimento de cultura.
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Para esse povo, quase sempre esquecido, reascendeu uma chama de esperança. Expectativa que desta vez algo de bom pode acontecer. Ou então que o destino se destrave longe...
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Porque no curto prazo não há totais garantias. O processo todo é meticuloso. Ouvir, discutir, planejar e executar uma política cultural consistente pode ser custoso e demorado. Maior que a impaciência, só mesmo a vontade de vê-la funcionando. Este prazer não tem medida.
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Por essas e outras, a II Conferência sinaliza para um passo importante. A intenção é criar subsídios para um Plano de Cultura para a Bahia. Planejamento este, a ser feito com base em consulta à mais de 35 mil pessoas no Estado. Um plano que possa virar lei, assim como palavra de homem, daquela que racha, mas não volta diferente.
Tão certo é que o cumprimento da missão depende também do acompanhamento, participação, colaboração e cobrança da sociedade civil. Caso contrário, todo esforço pode significar um desencontro choroso, da missão desincumprida e o plano será só mais um plano, como uma carta sem destino, nem chegando, nem voltando, ficando sem tem pousada, como uma alma penada.
Viajo quinta-feira, Feira de Santana. E é simbólico este grande encontro, com representantes de quase todos os municípios baianos, acontecer lá. A cidade é maior encontro rodoviário do norte nordeste do país. Destino certo de muitas das cartas remetidas do Correio da Estação do Brás em Sampa, para que chegando na Feira pudesse, pelas mãos de algum emissário, seguir caminho sertão adentro. Se a proposta é interiorizar, Feira de Santana é a rota de passagem.
Tal interiorização - é bom que se esclareça, porque odeio disse-me-disse e condeno a bisbilhotice - não significa o esquecimento da soteropolis e toda sua potência cultural. É apenas uma atenção especial para aquela parte da casa, outrora quase nunca apresentada às visitas.
A II Conferência Estadual de Cultura que acontece na Feira da Senhora Santana, do vaqueiro, do couro e do gibão, de 25 (quinta) a 28 (domingo) de outubro, no Campus da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), também tem espaço para o lúdico. Daí a participação de atividades artísticas, assim como a Universidade, públicas, gratuitas e de qualidade.
Tem Filarmônicas, Zabiapunga, cantiga de roda, e entre outros, Zé Celso Martinez e Elomar. De Irará estão presentes a Filarmônica 25 de Dezembro, a Burrinha de Dinê e depois de dezesseis anos sem fazer show na região e, acredito, em apresentação inédita em Feira de Santana, o iraraense tropicalista, Tom Zé. Pode crer, Tom Zé também vai... ele também viaja na quinta-feira, Feira de Santana.
* O trechos em negritos são passagens da música "Correio da Estação do Brás", de Tom Zé, integrante do LP de mesmo nome de 1978. Em The Hips of Tradicion (1992), o autor revisou a canção, mudando o nome para "Feira de Santana" e trocando o dia da semana de quinta para segunda-feira.
21.10.07
Prova de arrancada tem adiamento para fim de semana seguinte.
18.10.07
“Zé Adilson agora é piloto de arrancada”
Paulinho Sorriso, estudante de publicidade, atacava como assessor de imprensa do tio Zé Adilson (Zé de Juju). A sua intenção era divulgar na internet a atuação deste calouro do automobilismo que, segundo Paulinho, já em sua primeira prova na Copa de Arrancada, realizada em Salvador, foi o segundo piloto mais rápido de sua categoria. Depois, para mostrar que não era somente sorte de estreante, Zé conquistou por duas vezes a terceira posição no Campeonato Baiano de Velocidade, conforme informação do sobrinho motivado.
E a trajetória de Zé Adilson não deixa dúvidas quanto a suas qualidades automotoras. Ele tem um perfil sete artes, como se diz no popular, já consertou relógio, trabalhou com apiário, foi candidato a vereador, presidente do Colégio São Judas e da Casa da Cultura de Irará, entre outras possíveis atividades. No entanto, é trabalhando junto aos automóveis que conseguiu lograr maior destaque. Com o nome de Adilson Carburadores (Adilson Car – depois da injeção eletrônica de combustível nos veículos) conquistou reputação, garantindo grande clientela na sua oficina mecânica em Salvador.
O nome da terra natal vai na frente do Fusca
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Agora Zé Adilson ataca de piloto de arrancada. Sai de trás dos motores, usando o seu conhecimento sobre os mesmos, para pilotar o Fusca 37, azul e amarelo, na vontade de estar sempre à frente dos seus concorrentes. No pára-brisa vai a merchandising da terra natal: “visite Irará”. Assim comunica amar o seu torrão, da mesma forma em que fez quando daquele jingle de campanha, paródia do hit “Florentina” de Tiririca, no qual eram repetidos exaustivamente os versos: “Zé Adilson, Zé Adilson/ Zé Adilson vereador/ Ele ama a sua terra/ Ele é meu vereador”.
24.9.07
Artistas “como quaisquer outros”
Dupla de dançarinos em cadeira de rodas faz show sensual
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23.9.07
Fábio Calisto marca presença em Encontro Territorial
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Fábio Calisto, vulgo Zé Colméia, estava lá. Ele não era representante do poder público e nem muito menos fora eleito para representar a sociedade civil iraraense. Esta vaga fora concedida no Encontro de Irará à professora Dilma Leão que lá também estava. No entanto, Colméia marcou presença e roubou a cena. Fez perguntas e atacou de porta voz.
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Também entraram na roda de samba alguns diretores da Secretária de Cultura do Estado (Secult), a Superintendente de Cultura, Ângela Andrade, e até mesmo o Secretário de Cultura, Márcio Meirelles, interpelados diretamente por Fábio Calisto.
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10.9.07
BA 084 registra elevado índice de acidentes
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26.8.07
A tarefa de mobilizar

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O desejo da Secretaria é que a Conferência possa contar com a participação efetiva de todos os municípios baianos. Para isto, abriram-se vagas para a contratação de 30 Mobilizadores Culturais, os quais serão responsáveis por mobilizar o poder público e a sociedade civil organizada de cada cidade, incentivando-os a participar do processo.
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Topei o desafio. Entrei no site da Secult e me candidatei à vaga para o Território Portal do Sertão, formado por Feira de Santana e outros 16 municípios à sua volta, Irará incluso – é claro. Análise de currículo, entrevista e prova discursiva, fui selecionado! Logo em seguida, estávamos em Salvador para uma semana de treinamento.
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Aulas com técnicas para reuniões, palestras e apresentação. Em sete dias, posso falar com precisão, conheci gente de vários jeitos e lugares da Bahia. Diferenciados olhares, modos e sotaques de um Estado que, como já foi dito, é singular e plural. Muitos empolgados, alguns inseguros e todos conscientes do seu papel de organizar encontros municipais e depois territoriais de cultura, elegendo representantes para a Conferência.
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“Mobilizar”, essa agora é a nossa tarefa. Organizar e chamar as pessoas para pensar e discutir a cultura em seus municípios, nos seus territórios e no nosso estado. O tempo é curtíssimo e o trabalho imenso. Que Deus seja por nós!
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23.8.07
As visitas de governadores e seus feitos.
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mas não fizer estradas, não
fez nada; ao passo que
um Governo que não fizer quase
nada, mas fizer estradas, fez tudo."
(Coronel Andreazza, em entrevista a um matutino)
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5.8.07
Na rede: A militância política e cultural de Aristeu Nogueira
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O texto é fruto da pesquisa sobre a atividade militante de Aristeu Nogueira nos campos da política e da cultura. Entre episódios da história do Brasil e da Bahia, o leitor pode conhecer a participação deste grande homem público iraraense, desde sua entrada no movimento estudantil em 1938, a sua atuação no Partido Comunista, até seu papel de liderança na elaboração da Lei Orgânica do Município de Irará. No segmento cultural, o trabalho evidencia as iniciativas de Aristeu na fundação do CDC (Centro de Diversões e Cultura – 1942) e da CCI (Casa da Cultura de Irará – 1983).
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A monografia foi apresentada como Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Social com habilitação em Produção de Comunicação e Cultura da Universidade Federal da Bahia. O texto sofreu críticas pertinentes e, juntamente com a pesquisa, foi elogiado pela banca que incentivou a continuação da pesquisa num possível projeto de mestrado e, quem sabe, uma posterior publicação.
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Particularmente fiquei muito feliz pelos comentários e principalmente por poder dá essa contribuição para a história e memória de Irará, valorizando a figura ilustre de Aristeu Nogueira.
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Para ter acesso ao texto em PDF clique aqui e procure por:
Santos, Marcos Roberto Martins dos. Aristeu Nogueira: A militância política e cultural de um comunista.
23.7.07
Outra chance para MM
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Fora a patacoada de querer vender o Teatro Castro Alves por 30 moedas na gestão Waldir/Nilo Coelho (1987-1990), nada consta contra Márcio Meirelles (MM), o novo titular da Secretária de Cultura da Bahia. Não é ironia.
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A cultura, em todo lugar, é área estratégica desde que perdeu a inocência com o desenvolvimento capitalista. Com novos contornos adquiridos a partir da virada do século XX, tornou-se objeto de investimento, virou mercadoria. Confundida por Arte, presta-se à manipulação político-ideológicas de toda ordem, despindo-se da “aura” dos tempos românticos e quejandos, como observou Walter Benjamin (1892-1940).
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Simploriamente dita “o amálgama” que liga ou distingue indivíduos na sociedade, levando-os a compartilhar gostos, crenças, tradições, isto é, definindo identidades, a cultura também é arma poderosa. De combate ou subserviência.
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Entregue às mãos de arrivistas (aqui não falo de Paulo Guadenzi e seu séquito anterior, ele que entendia tanto de cultura como eu de mecatrônica), seu papel tem sido fortalecer e manter o status quo.
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É o que em larga medida acontece na Bahia/Brasil. A gestão cultural, invariavelmente, se dá à revelia daqueles produtores que resistem ao cabresto. É um negócio, no sentido comercial do termo, que vem enriquecendo os afortunados de sempre ou àqueles - empresários e artistas - admitidos na corte por competência ou em sua submissão. O espetáculo do Carnaval é o palco do puxa-saquismo que mais uma vez se repetirá, ontem como hoje.
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MM precisa romper com este circulo. Seu ex-chefe, José Carlos Capinam, quando no comando, frustou as expectativas do “governo da mudança”, derrubando parte da tese de Platão, de que a sociedade deveria ser comandada por filósofos e poetas. Na época, nada mudou e até piorou, a exemplo do fechamento do TCA depois que o plano de sua venda a empreiteiras foi frustrado.
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Dirigir-se ao interior do Estado, não apenas o Recôncavo, deveria ser uma tendência. Não como ato de cooptação partidária de políticos e agentes culturais, porque desta taboada estamos fartos.
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Valeria a pena MM chamar para uma conversa gente dos rincões, pessoas como Roberto “Irará” e Zé d`Abel. O primeiro tenta realizar sério trabalho no município do qual empresta o nome. O segundo, autodidata lá do sertão brabo do Raso da Catarina, há anos tem sido, para o bem ou para o mal, o mais importante produtor de eventos da região do norte, nas duas margens do Rio São Francisco.
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MM tem sorte. Wagner deu-lhe a quarta chance, depois de sua melancólica passagem anterior pelo poder. A terceira foi oferecida pela associação gestora do Teatro Vila Velha, que Meirelles com hábeis alianças a torto e à direita, recuperou e transformou em referência. A segunda e mais importante, deve a João Jorge Rodrigues, o putativo presidente do então bloco afro Olodum. Foi este que resgatou-o do limbo no qual foi largado pelos waldiristas, permitindo-lhe que montasse uma companhia de teatro que se tornou revelação nacional.
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A marca fortemente identificada com o capital simbólico da “cultura negro-mestiça” do Olodum, faz com que MM tribute a esses negros o cargo que ora ocupa. Embora tais negros e todo aquele capital permanecem no mesmo lugar de sempre: com poder esvaziado e com o saldo bancário em vermelho.
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* Fernando Conceição é jornalista, Doutor em Ciências da Comunicação pela USP e Professor da Facom-UFBA. Tem história de militância no movimento negro e quando da escrita deste artigo estava como professor visitante da Universidade de Berlim / e-mail: ferconc@ufba.br
16.7.07
A ética entre estéticas
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É sintomático estarmos vivendo o efeito do que em jornalismo costuma-se chamar “Disfunção Narcótica”. Em outras palavras, diante um bombardeio de notícias de roubo, é como se o indivíduo ficasse sob efeito de algum narcótico e, assim “dopado”, não mais se indignasse com os atos arbitrários. De tal forma, o sentimento e a disposição com relação à boa conduta vão ficando em segundo plano.
Rui Barbosa chegou a prever que de tanto ver triunfar as más ações o homem chegaria a rir da honrar e ter vergonha de ser honesto. A preocupação do jurista com o comportamento ético do ser humano parece alertar para um tempo de inversão de valores. As ações que antes seriam motivo de orgulho se transformariam em razão de vergonha. A ética então deixaria de ser uma prática e, ainda que fosse uma regra normativa por algum tempo, depois tenderia à completa desaparição.
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Sensações como orgulho ou vergonha, nós fazem perceber que a ética estar permeada de componentes estéticos. De tal modo, a prática ética é também um sentimento estético, do campo da sensibilidade do indivíduo. Entre outras assertivas, o receio da opinião pública ou a possibilidade de decepcionar pessoas do seu círculo de convivência é um dos principais motivos que impedem o “sujeito normal” de cometer uma atrocidade. É o popular “vergonha na cara” que, pelo visto, anda faltando a muita gente por aí.
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Herman Parret considera que: “justificamos o valor da prática humana, das relações intersubjetivas, da produção discursiva, apelando para categorias éticas que, por sua vez só podem ser legitimadas por categorias estéticas”[1]. E mais adiante complementa: “É a categoria estética do sensu communis que nos serve de valoração legitimadora de toda a prática intersubjetiva da vida quotidiana”[2]. Este tal “sensu communis” aqui entendido, de acordo com a visão de Kant, como uma “capacidade de julgar que, em sua reflexão, considera (a priori) em nosso pensamento o modo como todas as outras pessoas representam uma determinada coisa”[3].
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Na busca pela “valoração legitimidadora” para os seus atos, o indivíduo tende a agir de forma similar aos outro sujeitos sociais, ou seja, priorizar “o modo como todas as outras pessoas representam”. Aí é que, para usar um termo do dito popular, a “porca torce o rabo”, pois, sendo um ser social, não é da natureza do homem viver isolado. E como ninguém quer “estar por fora”, tal o qual se diz na gíria, a intenção é fazer da mesma forma que todos os outros (sensu communis) fazem. Logo, o honesto se trans-forma no otário, aquele que “não soube aproveitar as oportunidades”.
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Assim, a inversão dos valores vai atuando desde a formação do pequeno cidadão. As crianças são estimuladas à competição, ao consumismo e ao uso de comportamentos dignos de reprovação. Não é difícil ver pais incentivando filhos a falarem palavrões para outras pessoas e depois rirem da sonoridade causada por um vocabulário em construção. Diante do riso coletivo, a criança sente aprovação geral (sensu comunnis) do ato e entende a sua fala como digna de elogio.
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Comportamento diferente teve a mãe que vangloriou um gesto nobre do filho. O fato da criança ter corrigido o troco errado de um caixa de supermercado foi motivo para que o menino tivesse ouvido sucessivos elogios da genitora entre as amigas dela. Em busca de novas “condecorações” diante de sua mãe (representação maior para uma criança) e do público (sensu communis), o garoto torcia pelo erro do troco toda vez que ia ao supermercado, somente para poder praticar a sua boa ação e ganhar elogios.
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Os casos descritos acima, são apenas exemplos simplórios de contribuições para a formação de valores pessoais. É correlato imaginar que a criança do segundo exemplo, diante de atitudes como a descrita, cresceria tendo a honestidade e a coerência como valores a serem perseguidos e admirados socialmente. Quando adulto teria por principio agir honestamente nas suas ações. Consequentemente teria dificuldades e sofreria muito para viver numa sociedade, onde os valores estão em processo de inversão.
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Entre outros, os valores estéticos apresentam-se com freqüência nesta rota invertida. Confundem-se entre o termo introduzido por Baumgarten para designar Estética como a “ciência (filosófica) da arte e do Belo”[4] e a nomenclatura com vista constante em letreiros anunciando centros de “beleza e estética”. O primeiro termo se apresenta como a “doutrina do conhecimento sensível”[5], estando ligado à sensibilidade apontada noutros pontos deste texto. O outro, diz respeito a beleza efêmera do mundo das aparências, do fugaz, da moda.
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É nesta segunda perspectiva estética que a ética têm aparecido no noticiário. Principalmente quando surgem com maior freqüência os casos sobre desvio de dinheiro público para beneficio particular. “Ética” passar a ser usada como a palavra da moda. Nos discursos políticos, nos programas de debates televisivos, no pátio da escola. De repente, todo mundo tem soluções mágicas e formulas prontas para o exercício da ética. No entanto, é na própria vivência do dia a dia que a mesma não é exercitada. O velho “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.
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Se os indivíduos ainda pensam em solucionar problemas éticos, é preciso agir na própria sensibilidade. Para isso é importante o papel da família (como no exemplo descrito), da escola, do governo e da mídia, entre outros agentes sociais. É necessário ir na contra-mão da disfunção narcótica. Mostrar, valorizar e vangloriar práticas e comportamentos éticos. A intenção é que o indivíduo sinta prazer e orgulho de agir com responsabilidade para com outro. E que os “bons meninos” não tenha dificuldades para sobreviver.
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Pode até soar estranho falar em “Ética” neste momento em que as manchetes, diferente de outrora, estão um pouco escassas de escândalos políticos. Época em que o termo “Ética” não está na moda. Não obstante, a intenção é esta mesmo. Valer-se de um assunto “démode”, para ter possibilidade de falar ao sensível. Direto à sensibilidade e não a aparência efêmera.
[2] Idem
[3] Idem, p. 194, 195.
[4] ABBAGNANO, Nicola. 1901 - 2ed, pag. 348. Tradução coordenada e revisada por Alfredo Bosi. Ed. Mestre Jou - SP. 1982.
[5] Idem.
A escrita se deu num curto espaço de tempo sem escândalos de corrupção no Brasil. Logo em seguida, começou a aparecer os juizes que vendiam sentença, a Gautama, Renan, Roriz...
1.7.07
Defesa de Monografia

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Apresentação de um trabalho que demandou boa dosagem de pesquisa, leituras, conversas, entrevistas, avaliação de material e redação. Esta última, desenvolvida em pouco mais de um mês de “confinamento”. Empolgação, ansiedade, preocupação. Por vezes, cheguei a pensar que não concluiria o trabalho a tempo. Enfim, conseguimos. Agora, cabe à banca avaliar.
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De antemão, acreditamos que o assunto poderia ser ainda mais explorado. Entretanto, as condições não possibilitaram um maior aprofundamento e pesquisa acerca dos quase setenta anos da atividade militante de Aristeu Nogueira. Quem sabe noutro momento.
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Aproveito para agradecer a todos que contribuíram para a realização desse trabalho, familiares de Aristeu, professores, colegas, amigos, entrevistados, familiares, e tantos outros. Espero que vocês possam estar presentes no dia da apresentação e que possa acontecer tudo da melhor maneira possível.
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Aos que desejam ir à apresentação, uma dica:
Na mesma sala, às duas horas da tarde, irá ocorrer a defesa da monografia da amiga Vânia Medeiros, formanda em Jornalismo. O trabalho de Vânia discute o CPC da UNE (Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes) da Bahia. O histórico desta entidade cultural, também é marcado pela influência de militantes do Partido Comunista.
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Como se percebe, será um dia de comunistas. Primeiro os “comunistinhas” do CPC, depois o comunistão Aristeu Nogueira. Se você for criança, cuidado para não ser comida... rsrsrsrrsr.
29.6.07
Brevitas Bravatas - São João 2007
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O período joanino este ano foi curto. Curtíssimo. A festa foi limitada a um fim de semana comum. Sexta, Sábado e Domingo, sem feriadão. Junto com este fato, a condição pessoal de estar, de alguma forma, participando da produção do Bloco Jeguerê, limitou ainda mais o tempo para curtir a festa. Fiquei com pouco espaço para se divertir e para observar. Porém, de qualquer sorte, sempre aparece algumas resenhas e informações para a gente prolongar os assuntos.
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Arrasta Pé da J.E. o São João de Irará começava lá
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Na expectativa de aumentar o tempo dos festejos, sair já na quinta-feira à noite pensando em ir até o Arrasta Pé da J. E.. Entretanto, este forró ficou só no pensamento mesmo. Na cidade ninguém dava notícia da Festa da Rua José Epaminondas, que nos últimos anos têm sido uma espécie de abertura extra-oficial do São João de Irará. Fiquei sem informações até que um “e-mail” me comunicou a suposta razão pela inviabilização do Arrasta Pé. Segundo o informante, a Prefeitura não teria cumprido a promessa de fornecer palco e sonorização para o evento. Entretanto, antes que começassem os rumores dos oposicionistas, soube que o apóio houvera sido transferido para a data de São Pedro. Da próxima vez, a transferência pode ser para a data de São Tomé.
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A viúva. Sempre “erlas”
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Ê viúva que gosta de ser comentada viu-ô! No Orkut o povo danou a protestar sobre a programação da festa pública. Assim fica difícil deixar de falar na viúva que como canta Bem Jor, “tem um dote físico-financeiro invejável”. Para cuidar de todo esse patrimônio e assumir a responsabilidade é preciso ter equipe. Contudo, na república da farinha a palavra decisiva só poder vir do namorado da viúva. Então fomos saber do Excelentíssimo Senhor Prefeito, se a Praça da Purificação poderia ou não receber o encerramento do Bloco Jeguerê.
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Conversando a gente se entende
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Enquanto isso no gabinete do prefeito... A conversa foi amistosa. Bate papo quase que informal. Impasse resolvido. Diante do retrato de Paulo Souto, que ainda se encontra por lá (??) a autorização foi dada. O Bloco teve liberação verbal para entrar na Praça pela Rua Campos Martins, desde que não quebrasse nenhuma bandeirola da ornamentação pública. Para o Jeguerê foi fácil, com alguma manobra no mine-trio, chegaria à Praça, difícil ficou para o Pé de Mula. Mesmo tendo, mais uma vez, na sua programação o maior nome artístico do São João de Irará (Adelmario Coelho), o bloco não teve acesso à praça principal.
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São João da Bandeirola
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Não tem Jeguerê, nem Adelmário Coelho certo, após a conversa com o chefe do executivo do município, fiquei com a ligeira impressão de que a atração principal do São João de Irará são as bandeirolas. É, a moral da bandeirola anda mesmo alta, percebi isso diante da preocupação do prefeito e da explanação do fato de que, em 2006, o Jeguerê quando entrou na praça quebrou algumas fileiras de bandeirolas. Ele fez questão de pedir que o fato não se repetisse de maneira alguma. Por isso, se fez de tudo para que as bandeirolas continuassem reinando imponente, sobre os postes enferrujados que, ao que parece, foram retirados do canteiro central da Av. Elisio Sant’ana, para serem camuflados com tecido decorativo na praça. Como se percebe, essa administração dedica atenção especial para o item ornamentação, parece que a festa funciona em função do ornamento e não o contrário.
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A cereja sem bolo
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O item decoração é importante em qualquer festa. É como o próprio nome já sugere, seja falando “de coração” ou “de coroação”, a decoração dá toque final para abrilhantar o evento. É como se fosse a chamada “cereja do bolo”. Nesse setor, a organização das festas públicas de Irará tem demonstrado interesse. Seja na lavagem, com a montagem de uma boneca vestida de baiana derramando água, na grata homenagem a personagens iraraenses ilustrados nas suas caricaturas; ou no São João, através dos “pórticos” e representações de elementos como fogueiras e cisternas. Todavia, parece que se preocupam tanto com a ornamentação que esquecem de outras partes da festa e da estrutura da cidade para a mesma. Não dá só pra comer a cereja, sem o bolo.
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E por falar em estrutura...
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Irará, com suas praças, comporta tranqüilamente o desfile simultâneo dos blocos Jeguerê e Pé de Mula. Bastaria organizar os serviços de segurança, saúde e, claro, a estrutura da festa. Todavia, com a instalação de “pórticos”, impedindo a passagem de blocos, e a não sinalização e regularização do trânsito, fica difícil. Na reunião com o prefeito foi garantido que não seria liberado o estacionamento nos trechos do circuito do Bloco Jeguerê. Só que na hora do desfile o bicho pegou. Quem acompanhou o arrastão viu a atrapalhação que foi o bloco tendo de parar, de pedir para retirar carro, de decidir se desviava rota ou não, de... “Um absurdo” – como diria risadinha do “seu Valela”. Ainda bem que sem chuva, não tinha carro atolado, já pensou?
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Atoleiro artístico
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Se carro não atolou a mesma sorte não teve a programação artística do palco principal. A deste ano foi muito criticada e parece refletir a idéia de que o São João de Irará não tem merecido o devido planejamento. Entre os ilustres grupos desconhecidos, chamou atenção da cidade a banda Vaca Atolada. O ônibus da banda, trazendo seus integrantes, chegou com uma semana de antecedência. Depois permaneceu, porque dia 02 de Julho se apresentam em Ouriçangas. Um popular logo bradou, “uma banda que numa época dessas não tem onde fazer show, ficando esses dias todos em Irará, é porque não presta”.
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Sem ver o show, mas sabendo das conseqüências do atoleiro
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O cansaço e os compromissos me impediram de acompanhar os shows na praça. Malmente assistir à consulta do Dr. Xote na sexta. Não conseguir averiguar se o Bondy da Loirinha era uma banda de forró ou de Funk, como desconfiou nosso amigo Vitor Oliveira. E, consequentemente, não assistir apresentação de nenhum senhor beltrano e muitos menos da Dona Fulana. Houve quem me dissesse que a banda Vaca Atolada é ruim, que tinha um repertório desconhecido e usava de muita baixaria. Como eu não vi, não sei e também não posso julgar. Só sei que no dia seguinte, a distribuição de leite numa Padaria da cidade foi comprometida. Os clientes chegavam e a entrega do produto estava atrasada. Acho que teve vaca atolada na fazenda também.
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Na roça e na cidade
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Os tradicionalistas que me desculpem, mas não tem jeito. A cultura não é imobilista, nem estanque. É também o que se inventa e o que permanece. Nessa misturada toda, a onda de arrastão pegou. Em Irará, seja na roça ou na cidade eles pipocam em todo lugar. Vi as imagens de um arrastão na zona rural, cuja música nem era basicamente forró. Tendo como fundo musical um som carnavalesco, o arrastão seguia levando a multidão. Embora não se usasse cordas, a cena lembrava o desfile dos blocos de carnaval em Salvador. A estrada tomada pelas pessoas, era como se as cercas de arame farpado fossem as cordas e o mato verde em volta, os foliões pipoca.
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“Traga uma corda irmão. Irmão acorda!”
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É como canta Cazuza, mas é melhor ser “cobaia de Deus” do que prova de teste para o imprevisto. Tudo pronto para o Jeguerê sair e não apareceu sequer a metade dos cordeiros contratados. O que fazer? Nessas horas busca-se um plano B, C, D, E... Existe alguma alternativa para uma situação como essa? Difícil. Aí surge todo tipo de especulação. Propina, suborno, etc e tal. Não sabemos, não vimos. Serve de lição para acordar, não confiar cegamente até mesmo nos velhos parceiros. O jeito que teve foi colocar a mão na massa. Nós mesmos ajudamos a desembaraçar, esticar e segurar corda. Afinal o cliente é que manda. E pelo visto a grande maioria queria mesmo garantir o seu espaço privado, dentro das cordas.
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Festa pública ou privada?
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A internet representa um grande espaço comum. Tá na rede, é mais que peixe, é público. Seja blog, site ou Orkut. E foi justamente no Orkut que fiquei sabendo sobre um evento chamado Sexta do Cabeça Junina. Inclusive com comunidade relacionada a outras comunidades de grande aceitação. Depois a cobertura fotográfica do evento estava num sitio de internet. Entretanto, como a atividade era numa residência particular, fiquei sem entender se o evento era público ou privado. Na dúvida preferi não entrar. Parece que a festa tem pretensões de crescimento, acontecendo novamente no próximo ano, mas ainda continuo na dúvida. Talvez seja preciso que os organizadores do evento decidam qual caráter ele deve tomar. Se for público, que seja público. E se for privado, que se conceda ao menos uma credencial para a “imprensa” blogueira. Se o repórter não se atrasar, o convite pode até valer uma nota na “coluna social”. (Brincadeirinha viu? – não temos o perfil Renato Mendes - rsrsrs)
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Antecipação, atraso e descompasso com a hora do reggae
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Assim como aconteceu a Sexta do Cabeça Junina, também foi realizada a Sexta para “fazer a cabeça junina” na Casa da Cultura, ao som do reggae e de forró. A festa com Nação Karirí e Camarada Z estava marcada para começar às 16h. Cheguei lá por volta das 17h e ainda não tinha começado. Aproveitei o tempo para ir cuidar de outras coisas, adiantar algumas tarefas etc e tal. Eram quase 22h quando retornei e pra minha surpresa, os shows já tinham acabado. Fiquei o São João sem ouvir o som dos guerreiros Karirís. Há quem diga que ao final da festa houve uma troca de socos entre dois amigos. Porém, no outro dia avistei os dois brothers conversando. Daí pensei, das duas uma: ou tudo foi boato, ou os caras já havia acendido o cachimbo da paz.
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Um panfleto com mais do mesmo
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No sábado, véspera de São João, circulou um panfleto pela cidade, mas não era pedindo paz. Subscrito com o nome do Prefeito, a carta trazia um título clichê do clichê (Nunca se fez tanto em tão pouco tempo) e tentava abordar “obras” da gestão municipal. O texto parece ser de campanha eleitoral ou de um governo recém iniciado e não de uma gestão em seu penúltimo ano de mandato como é o caso. O verso da folha trazia a repetição de várias fotos de “obras”, que já apareceram em outro panfleto, no Natal do ano passado. Se a idéia é transmitir uma boa imagem do governo aos visitantes, o tiro pode sair pela culatra, porque a repetição deixa uma idéia de que a gestão nada fez do Natal ao São João. Fez? Se a impressão é o que fica...
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O que vai ficar.
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Paz, amor e boas lembranças é o que desejo que fique como lição e memória deste São João. No mais, ficará o sucesso e satisfação do público para a grande festa que fez o Jeguerê. A lembrança da casinha de taipa, tentando mostrar um caráter típico, com trio de sanfoneiro tocando, mas nada funcional e super mal localizada. E, principalmente, dentre tantas outras lembranças, o encanto e satisfação cada vez mais vibrante dos visitantes com Irará. Apesar dos pesares, terra de gente hospitaleira e irreverente.
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