15.6.08

Forró de Casa*

São João no interior é sinônimo de confraternização. No entanto, sair de casa em casa tomando licor e comendo iguarias juninas no dia do santo, já não é mais prática lá muito percebida em vários municípios interioranos.

O surgimento dos grandes shows, seus mega palcos nas praças e a aparição de blocos com trio elétrico e cordas, talvez tenham contribuído ainda mais para o fim deste costume sócio-junino. Tal fato trás um sentimento de nostalgia e faz também crescer por parte dos saudosos, a insatisfação com o contexto atual.

Imbuído deste sentimento nostálgico, o odontologo Luciano Campos (Lú de Rege de Água Fria) decidiu criar o projeto Forró de Casa, que nada mais é do que uma volta à pratica da velha tradição de sair de porta em porta tomando licor e tocando forró. Para dá conta do forró, foi contratado o tradicional sanfoneiro iraraense Zé da Jurema, que contou com a participação de mais quatro pessoas para lhe auxiliar com triângulo, zabumba e também na cantoria.

Entoando músicas de forró pé de serra, também estavam todos os outros presentes, quando não batendo palmas, degustando iguarias ou tomando um bom e velho licorzinho.

O percurso teve seu inicio pouco depois das quatorze horas. A saída foi da casa de Omar (entenda-se, de Sinval), onde o grupo já começava a fazer uma “passagem de som” enquanto a chuva - que já havia atrasado o começo do passeio - não dava trégua. Quando o tempo melhorou o grupo composto por Luciano, Artur (Policial), Roberto (Ró de Zé do Rádio), Zé da Jurema e sua gente, saiu. Omar ficou em casa para almoçar.

Como primeiro local de visita, o Forró de Casa teve a vizinha casa do artista plástico Zé Nogueira, que como sempre fez uma boa recepção a todos. Guego (esposa de Zé) providenciou o licor e pediu a música “Seqüestro do Tonho”, em homenagem a um visitante que ela recebia em casa naquele momento. O grupo explicou a Zé o propósito da brincadeira. Ele apoiou e agradeceu o fato de sua casa ter sido lembrada. Após sair da casa de Zé, a turma deu uma passadinha na residência da jovem Lucilene, e lá foram atendidos por sua mãe, enquanto a possível anfitriã estava tomando banho.

Queijo, amendoim, bolo e licor eram oferecidos, no momento em que Roberto explicava para a dona da casa o sentido de resgate junino da visita. Ela sentiu-se agradecida e informou que ao perceber o movimento na casa de Zé Nogueira, havia deixado o portão aberto, para que o “São João” a visitasse também.

A próxima parada foi na casa de Saulo, na outra mão da Avenida Elísio Santana. Novamente os forrozeiros são recebidos com festa e são servidos os petiscos juninos, ao tempo em que os donos da casa caem no forró. “Não deixe isso acabar” foi a suplica da senhora mãe de Saulo.

“O Seqüestro do Tonho”, música a ser pedida em quase todas as casas, é solicitado outra vez. Apontando para Saulo e Artur, policiais Civil e Militar respectivamente, Roberto destaca um trecho da canção: “eu não quero policia / pelo meio / que os home é perigoso/”. Na seqüência o Forró de Casa pega a estrada, diga-se a rua, com destino à Rua de Santanópolis.

Nesta rua, situada atrás do Colégio Joaquim Inácio, o Forró de Casa tinha uma visita marcada na casa de D. Nilza Maia. Ao chegar em frente à residência, o grupo fez o agora já tradicional grito de chamada, “Forró de Casa!”. Quando atendidos caminharam varanda adentro, onde foram servidos de comidas e bebidas típicas do São João, e ofereceram muito forró. Luciano percebeu lagrimas aos olhos do dono da casa, talvez um lembrança de antigos tempos juninos.

Quando a turma saiu da casa de D. Nilza teve uma surpresa. Sr. Pedro, residente desta rua, pedia para o grupo ir tocar no bar de Jorge em frente, prometendo-lhes pagar algumas cervejas, mas obteve a sincera resposta de que tocar em bar não era o objetivo daquele grupo. Insatisfeito, Sr. Pedro disse querer acompanhar a turma e pediu que o esperasse, enquanto ele iria até em casa pegar seu violão.

Pouco tempo depois, vem Sr. Pedro com uma pequena caixa de som amplificada e sua viola, desejando que o som fosse tocado ali mesmo no bar. No entanto, ele demorou bastante para afinar o instrumento, e sobre os apelos da turma apressada que ainda tinha muitas casas para visitar, desistiu da tocata, “nada apressado presta” disse.

A parada seguinte foi na casa de Debinha de Sr. Eraldo. Lá o licor fora servido ao pé da fogueira, em frente à casa, na mesma hora em que o forró já comia no centro. Foi quando passou na rua Sinho de Sr. Alfredo da Luz, sua companheira e mais uma pequena turma de parentes e amigos.

O músico Sinho gostou do “negocio” e disse que seus irmãos, os também músicos, Nivaldo e Gigi, queriam ter feito o mesmo, mas desistiram da idéia por falta de instrumentos. Não era nem preciso dizer... Sinho e sua turma acompanharam o Forró de Casa.

Com o grupo agora acrescido de mais pessoas, a próxima casa visitada foi a de Sr. Jackson Martins, conhecido como Jajá de Joãozinho Prachedes. O ritual é repetido, forró, licor, amendoim e animação. Roberto sugere que o dono da casa peça uma música, mas a satisfação parece ser tanta que Sr. Jajá diz, “essa ai mesmo”, referindo-se a uma canção que o sanfoneiro ensaiava tocar quando ele (Sr. Jajá) fora consultado. O Forró de Casa vai de partida, desta vez com a sanfona calada e com pressa, devido a chuva que começava a cair. “Pit stop” seguinte, casa de Sr. João Lopes.

Quando a turma chegou Sr. João não estava em casa, mas todos foram bem recebidos por D. Lídia e seus filhos Neto e Lidijane. Na varanda, canjica, bolo de aipim, amendoim e, como não poderia faltar, licor. As iguarias são servidas enquanto o forró começa. Derrepente chega Sr. João, cumprimenta a todos e antes de se dirigir ao interior de sua residência, pede para as pessoas não saírem até a sua volta.

Poucos instante depois, volta Sr. João com chapéu de palha na cabeça e uma grande disposição para cair no forró. A chuva fica forte e a galera acaba demorando muito na casa de Sr. João Lopes que não pára de dizer: “Chove até meia noite que é pra ninguém sair daqui”. Depois de um bom tempo a chuva cessa um pouco e o grupo já acrescido de mais pessoas, como Sandro Cebola, Paredão e outros, resolve enrolar a sanfona com uma toalha plástica e seguir caminho até a casa de Sr. Rege de Água Fria.

Na casa de Sr. Rege, apesar do atraso, o Forró de Casa ainda era esperado. Todo o grupo que já devia contar mais de 25 pessoas entram até a sala da casa. Lá ao pé da mesa com laranja, canjica, galinha assada, licor e amendoim, é desembainhada a sanfona e o forró começa. Muitas músicas são tocadas. Omar se reincorpora ao grupo e várias outras pessoas, inclusive alguns foliões do bloco Pé de Mula, começam a entrar.

É notória a cara de satisfação de Sandro e Reginho, sem contar a benevolência de D. Ita e as presenças de Cláudio e Cristina, além de noras e netos do dono da Casa. Sr. Rege também participa da folia e Luciano, agora em casa, é só felicidade, tocando triângulo e cantando forró.

Roberto, com certa preocupação não revelada, de que alguém distraído pudesse vir a sujar as paredes internas da casa, ou outra coisa do tipo, tenta em vão apressar Luciano. Mas Lú a essa altura, parece estar mais atento para a acústica que a arquitetura de sua casa oferecia ao som do trio de forró. Sr. João Lopes também aparece para saborear um pouco mais do Forró de Casa.

Depois da passagem por seu Rege o próximo compromisso era na casa de Dega de Eduardo, mas infelizmente devido aos atrasos, o mesmo não foi encontrado em casa. E foram em vão as batidas de palmas e os cantos de Reis [ ô de casa ô de fora (bis)/ Maria vai ver quem é (bis)/ são os cantador de Reis (bis)/ quem mandou foi São José (bis)...] pra chamar o dono da casa.

Sendo assim a turma partiu para a casa de Cristina de Sr. Rege para iniciar mais um Forró de Casa. O esperado é que fosse tudo como antes, licor, comidas típicas da época e forró. E foi. Só que não foi só isso. O pessoal já ocupava a varanda da casa, quando o sanfoneiro puxou um forró bem tradicional e foi formada uma quadrilha junina, no melhor estilo improviso.

“Olha a cobra”, “a paquera” e outros gritos relembravam o mais autentico e tradicional São João, aquele do Caminho da Roça. Neto havia comunicado que Margarida (do Banco do Brasil) pedira para que o grupo visitasse a sua residência. Ao chegar lá já eram seis horas ou mais, e Margarida já não se encontrava, contudo havia deixado recado para que fosse feito o Forró de Casa assim mesmo. A turma preferiu não entrar.

Ainda em frente a casa de Margarida, alguém sugeriu que o grupo fosse até a casa de Gilson da Coelba. Assim foi feito, mas o horário novamente deve ter sido agravante, e na casa de Gilson não havia quem recebesse o Forro de Casa. Se o horário já se mostrava inconveniente para visitas, já o era também adiantado para Sr. Zé da Jurema, afinal ele merecia ter o seu descanso depois de tanto toque de sanfona.

Quase todos já estavam conformados e esperando pelo Forró de Casa no próximo ano, quando foi indicada a entrada na Casa de Artur do Som. Em seu último ponto de apoio, o movimento foi regado a forró e licor. E mesmo com perda de algumas presenças prosseguiu até quando o som do trio elétrico do bloco Pé de Mula, o qual vinha se aproximando para passar em frente à casa de Artur, começou a atrapalhar o sanfoneiro que decidiu parar.

A satisfação parece ter sido plena. Roberto comentava com Artur, que a música que marcou para ele foi a de Flavo José ( “Na minha casa/ agente rir/ agente chora/ agente se diverte/ toda hora é hora (...) Pode vir de mala e cunha amor/ que hoje eu não to nem ai/”).

Artur, por por sua vez, com sua mente bastante imaginativa, já devia aglutinar idéias mirabolantes para o ano seguinte. Luciano se preocupava em conduzir o sanfoneiro de volta pra casa, mas certamente como já havia informado antes, não desejaria que o forró de casa crescesse nas proporções do Jeguerê (bloco criado por ele Omar e Neto, inicialmente para ter os moldes do Forró de Casa, mas tomou tamanhas proporções que hoje desfila com cordas e mini-trio).

O que Luciano já deve estar pensando é como fazer um Forró de Casa com mais tempo e expressão no ano que vem. E para isso ele poderá contar com todo o apoio da Casa da Cultura de Irará, segundo informaram alguns membros da nova diretoria da C.C. I., que toma posse agora no dia primeiro de julho. E no mais... Viva São João! O tradicional é claro.

* Texto originalmente escrito em julho de 2003, por ocasião do Movimento Forró de Casa. Este mesmo movimento, aumentando o numero de casas visitadas e até com mais um grupo de sanfoneiros, voltou acontecer noutros anos.



6.6.08

Um tributo a Antônio Vieira


Capa autografada do CD "O Cordel Remoçado"

A primeira vez que vi uma apresentação de Antônio Vieira foi numa reunião política. Era o ano de 2003, se não me engano, e o Partido dos Trabalhadores fazia uma Conferência Estadual de Cultura, lá na Faculdade de Comunicação da UFBA.

Fiquei encantado com arte de Vieira. Aquela coisa simples e tão bela. O jeito calmo e sereno de cantar, falar, narrar e apresentar as histórias das suas músicas.

Na frente do auditório da Facom, Antônio Vieira e sua Viola. Na frente de Vieira uma militância na labuta de discutir cultura durante um dia inteiro. Na música daquele santamarense, muitas lições de vida. A exeburante beleza da simplicidade, talvez incompreendida por muitos teóricos da cultura.

Para mim, o sentimento de descoberta era como a surpresa descrita por um outro santamarense em uma de suas canções. A apresentação de Vieira surpreendia, não por ser exótica, mas pelo fato de que, até então para mim, aquela forma poética tinha tido, sido, estado, oculta; quando poderia ter sido óbvia.

Foi-se aquele dia, ficou a lembrança. Lá mesmo na Facom, em tempos de aulas, descobri que o colega, então estudante de Jornalismo, José Inácio Vieira de Melo, era amigo de Vieira. Comentários, elogios e a vontade de ouvir Antônio Vieira novamente.

A oportunidade então chegou. Já estávamos no ano de 2005. Tínhamos conseguido aprovar um projeto no primeiro Edital BNB de Cultura. O Colóquio de Literatura Popular, com foco no cordel, era o evento perfeito para uma apresentação de Antônio Vieira em Irará.

Depois de pegar um número de telefone com Inácio, lá fui eu para o primeiro contato. Sondagem de preços e possibilidades. Vieira me comunicou das suas condições. Antes da viagem para apresentação era preciso disponibilizar 50% do cachê acertado. Como a gente faz para combinar? “Venha aqui em casa”, disse Antônio me informando do seu endereço, junto ao convite.

E eu fui. Lá fui muito bem recebido pelo casal Vieira. Antônio e Coraci. Conversamos sobre o acerto da apresentação ele me deu um exemplar do seu CD - O Cordel Remoçado.

Expliquei ao cantador as dificuldades do evento. Não tínhamos nenhuma verba por conta de atrasos burocráticos. Ficou acertado que iríamos conversando. Da segunda vez que tive em casa dele, a notícia também não era nada animadora. Além dos atrasos, os bancos estavam em greve.

Tudo bem. Vieira disse que viria a Irará assim mesmo. “Eu percebo que você é um rapaz sério”. Diante do aumento do peso da responsabilidade, eu só pude lhe agradecer e torcer para que tudo desse certo no final.

Antônio Vieria esteve em Irará. Ele, sua viola e D. Coraci. Antônio tocou e agradou muito. Era hora então de acertar o singelo e extremamente merecido cachê.

Quem disse que o dinheiro tinha chegado?

Não chegou a verba e também não veio reclamação de Vieira. Ele “esperou com paciência”, assim como Romano, personagem do Debate Maior, peleja de sua autoria.

Aquele dia, cerca de um mês após o nosso primeiro contato, já possuímos uma boa amizade. Eu já tinha tido o prazer de ouvir, confortavelmente sentado no sofá da casa dele, as suas ricas histórias. Ele também já tinha ouvido das minhas.


Douglas de Alemida, D. Coraci, Antônio Vieira,
Franklin Maxado e Roberto em Irará. Out/2005.


Em Irará, Antônio Vieira autografou o meu CD: “Para o meu amigo Roberto. Continue na sua missão de cultivar a sua aldeia. Um abraço de Antônio Vieira. Em 8/10/2005”.

Demorou um mês e pouco e o dinheiro saiu. À essa época, meu contato com Vieira já era mais próximo. Ele me convidava para a casa dele e não pedia cerimônia. “Venha! Almoce aqui com a gente”, dizia. Eu, sempre com receio de parecer inconveniente, tentava recusar um convite ou outro, apesar de gostar muito de estar lá.

Na casa de Antônio Vieira o papo era bom e rolava até umas horas. Eu aproveitava para ir perguntando, comentando e discutindo com ele as letras do seu Cordel Remoçado.

História do Debate Maior. O Trole de Serapião e Gustavo. A lenda dos curadores de cobra e do acarajé. A Conjuração Baiana cantada em cordel, pela narrativa da atuação de Manoel Faustinho. Já Chorrilho, trazia nas entrelinhas, irreverências como a “fresta da moral”. A greta como uma janela indiscreta das cidades interioranas.

Nestas conversas trocávamos coincidências e diferenças entre Santo Amaro e Irará. Tentei ver se Maria Tábua tinha alguma semelhança com Maria Bago Mole, cantada por Tom Zé. E vi que Maria Bago estava mais para o Bordel Artesanal, descrito por Vieira na trilha de número 08 no seu CD.

Confeccionada pelo selo Sons da Bahia, a obra foi produzida pelo iraraense Roberto Sant’anna. O então Diretor Geral da Funceb, Armindo Bião, faz a apresentação: “Agora ouça a voz e o que canta Antônio Vieira, seu destino ficará mais rico, seu coração mais aquecido, sua vida melhor”, diz Bião, também Professor da Escola de Teatro da UFBA e Pesquisador do CNPq.

O conselho soa como uma rendição da academia diante da cultura popular. E a “Peleja da Ciência com a Sabedoria Popular”, é justamente o título de um dos muitos cordéis de Antônio Vieira.
Esse tema merecia muita atenção por parte dele. Vieira defendia uma presença maior da cultura popular nas escolas:

“A escola perde tempo
Preciso por sinal
Em não ter feito a fusão
Com a literatura oral
E enquanto não fizer
O homem e a mulher
Vão vivendo muito mal”

A estrofe do cordel sintetiza bem seu pensamento. Vieira reconhecia a importância e valorizava a ciência, mas acreditava no potencial e criticava a discriminação para com a sabedoria popular. Pregava a união entre o erudito e popular.

“A nossa poesia é uma só
Eu não vejo razão pra separar
Todo conhecimento que está cá
Foi trazido dentro de um só mocó
E ao chegar aqui abriram o nó
Foi como se ela saísse de um ovo
A poesia recebeu sangue novo
Elementos deveras salutares
Os nomes dos poetas populares
Deveriam estar na boca do povo”

Em 2006, faltando uns dois meses para a UFBA completar 60 anos, sugeri a Vieira fazer um cordel sobre a história da Universidade. Ele se empolgou com a idéia. No entanto, me disse que não conhecia muito da história da renomada instituição.

Procurei na biblioteca e levei-lhe alguns livros sobre o tema. O tempo foi passando e Vieira, também envolvido com outras atividades, não produziu o cordel. O aniversário passou e resolvemos engavetar a idéia.

Se não pudemos conhecer a trajetória da Universidade nos cordéis de Vieira, passamos a conhecer a história de muitos outros personagens. Um deles foi Bezouro de Santo Amaro. A narrativa de vida do capoerista de corpo fechado levou Antônio Vieira ao cinema.

Uma equipe americana fez um documentário sobre Bezouro e Vieira era um dos entrevistados. Parece que vejo agora, diante de mim, o seu sorriso de satisfação com a obra, quando me apresentava e informava que aquele filme esteve em cartaz nos cinemas lá nos Estados Unidos.

Empolgação e otimismo eram mesmo marcas de Vieira. Não me lembro de vê-lo triste ou desanimado. Sempre incansável e fazendo planos, ignorando o câncer que já possuía quando lhe conheci.
Antônio Vieira estava consciente dos riscos da doença. Ele sabia dos efeitos do tratamento. Entretanto, às vezes, ele falava da proximidade das sessões de quimioterapia como quem diz ir à farmácia comprar um comprimido para resfriado.

05 de julho de 2007, após defender uma monografia de conclusão de curso, um outro Antônio, o Barreto, me deu a triste notícia: Viera não estava mais fisicamente entre nós. Já havia quase um mês, do acontecido em 10 de junho, mas estive tão envolto naquele trabalho que nem soube.

Diante da notícia de Barreto, lembrei-me que no mês anterior, houve um dia, no qual me veio na memória o amigo Vieira, mas preocupado com os prazos acadêmicos, nem peguei o telefone para tentar falar com ele.

Dia desses, o mesmo Antônio Barreto, me comunicou de um Tributo. Amigos, familiares e colegas de pelejas, estarão reunidos no Quadrilátero da Biblioteca Central, no Bairro dos Barris em Salvador.

O dia é, terça-feira, 10 de junho, às 18:00. Lá na Biblioteca Central acontecerá a saudosa e póstuma homenagem. Repentistas, xilogravuristas, poetas, cantadores, entre outros artistas, estarão a postos, cada qual com sua arte, para lembrar do talento daquele “vate de grande qualidade”. Vieira usava esta expressão para se referia aos cordelistas de renome.

Lá, todos vão lembrar do Antônio que partiu três dias antes da data de homenagem ao santo seu chará.

Além da obra, fica a memória e a lembrança. Aprendemos muito com aquele Antônio. Casamenteiro do cordel com a música. Da viola com os versos. Da elegância com a simplicidade.
.
* Imagem da Capa do CD - Do meu Acervo Pessoal
** Foto - José Falcón

27.5.08

Ensaio de um artigo para o Enecult

Não me foi possível escrever um artigo para o IV Enecult. Como não vou apresentar lá, resolvi apresentar aqui. Não se trata de um artigo, com citações, embasamento teórico ou outras “coisitas” acadêmicas que este tipo de publicação pede.

Coloquei no papel apenas algumas idéias que eu pretendia escrever para o tal artigo. Por isso, chamei o tal de “ensaio”. (veja post anterior).

O Enecult um espaço privilegiado de discussão. Nele estão compreendidas as mais diversas áreas do conhecimento, tendo atenção para o campo cultural. Entre as sessões mais concorridas para a apresentação de artigos acadêmicos, está o debate sobre as Políticas Culturais.

Veja programação e outras informações: http://www.cult.ufba.br/

2008: Política e Cultura na Bahia

Estamos vivendo um ano singular, tanto para a política quanto para a cultura, na Bahia. As eleições municipais, primeira sem a liderança de Antônio Carlos Magalhães (ACM), devem configurar um novo mapa político no Estado. No campo da cultura, este ano pode funcionar como sendo o marco inicial da efetivação das políticas públicas para o setor.

A expectativa é que, agora em 2008, a Secult - Secretaria Estadual de Cultura - comece a efetivar as propostas elaboradas durante a II Conferência Estadual de Cultura. Culminância de um rico processo, no qual participaram 390 - (92%) - dos 417 municípios do Estado, a II Conferência de Cultura da Bahia “assanhou o interior”.

Criou-se uma grande expectativa entre os grupos e agentes culturais interioranos. Tendo como reflexo, a esperança de que desta vez eles teriam mais incentivo e poderiam ter maior acesso aos mecanismos da Política Cultural do Estado.

Hoje, apenas sete meses após à II Conferência, já há no interior quem identifique algum inicio de frustração. Tal descontentamento não se dá pelas políticas até aqui realizadas, a exemplo das cotas previstas na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e dos Editais, como o do Ponto de Cultura, entre outros. A desconfiança reside na forma de como está sendo feita a articulação entre os órgãos estaduais de cultura e os municípios do interior.

O Estado não possui estrutura técnica para a área da cultura em todos os 26 Territórios de Identidade. Daí, o método usado para chegar ao interior, além do telefone e da internet, tem sido a relação institucionalizada com as Prefeituras Municipais. Parceria que funcionária a contento, caso a realidade político-administrativa do interior da Bahia fosse outra.

O cenário interiorano

Vale ressaltar o caráter heterogêneo dos municípios. Muitas cidades nunca tiveram um órgão responsável pelas políticas públicas de cultura. Outras, mesmo tendo essa estrutura, não estão devidamente preparadas para a interlocução pretendida.

Outra dificuldade pode ser encontrada na cena política do interior. Ao que parece, quanto menor a cidade, maiores são os ressentimentos e a rivalidade entre grupos políticos locais. Nesta experiência de um ano e meio da nova Secretaria de Cultura, as disputas políticas do interior ficaram evidentes, através de algumas situações inusitadas.

Existem Prefeituras tentando fazer de qualquer iniciativa da Secretaria, um verdadeiro palanque eleitoral da gestão municipal vigente. Assim, um simples workshop (anglicismo inimaginável na Secretaria de Ariano Suassuna em Pernambuco, mas amplamente usado na Bahia) da Fundação Cultural transforma-se em um evento pomposo. Mesas, falas, discursos de autoridades locais e muita pirotecnia na mídia do município.

Há também exemplos de gestões municipais primando pelo favorecimento de informações ao seu grupo político. De tal modo, os produtores, artistas e agentes culturais, não alinhados com o pensamento político hegemônico local, ficam à parte das informações oriundas da Secult.

E, além destes, podemos contar os omissos por opção. Pessoas sempre indispostas a participarem de atividades, nas quais o poder público local, ligado a determinado grupo político, apareça como realizador.

Situações que para os gestores culturais, ambientados com a cena soteropolitana, pode parecer argumento para roteiro de filme, ainda é a realidade, nua e crua, no interior da Bahia.

Esta é a cultura política no interior. Infelizmente, a virada das eleições de 2006, por mais que possa sinalizar o inicio de uma mudança de pensamento, não significa o óbito do coronelismo ou do cabresto eleitoral no Estado.

Neste cenário, a quantidade de prefeitos, suas políticas de aliança e o grupo político do qual eles fazem parte, ao contrário do que deixa transparecer o governador Jaques Wagner em entrevista para a Caros Amigos, no mês de dezembro passado, pode contar, e muito.

De tal maneira, as eleições municipais de 2008 representa também um marco decisório nos rumos da nova Política Cultural do Estado. A existência de Prefeitos sintonizados com o pensamento da Secult, certamente facilitaria o trabalho deste órgão de cultura.

Infelizmente, o crescimento no numero de alinhados com a nova Política Cultural, ao que parece, não será a hipótese mais provável para a maioria dos municípios.

Conforme pode ser percebido no interior, o PMDB “aliado” (aspar devido as possíveis reviravoltas políticas) tem um crescimento muito superior ao PT. Vale salientar que este aumento de filiados, no partido do Ministro da Integração Nacional, é proporcionado, em grande medida, pela adesão de ex-carlistas e tradicionais líderes da política interiorana.

Sendo assim, os potenciais vencedores das eleições municipais, ainda que estejam na base aliada, são os mesmo que há muito mandam e desmandam no interior, só que agora, usando uma nova legenda. O velho ditado: “muda para ficar tudo como está”.

O quadro evidencia o quanto é perigoso o caminho adotado pela Secult no privilégio às Prefeituras. Claro que, de modo algum, na contramão deste percurso, não se defende e nem se poderia esperar da Secretaria Estadual de Cultura uma política de aparelhamento, na qual, teriam vantagens os partidários de sua visão de Política Cultural. O esperado é a criação, por parte da Secult, de uma estrutura mínima de funcionamento no interior.

Somente a ação e/ou acompanhamento do próprio estado nas suas iniciativas direcionadas ao interior, poderá dirimir as disfunções apontadas na parceria com as Prefeituras.

É preciso entender que, no interior, as relações são mais eficazes quando se dão no cara a cara, ou como se diz no popular, no téte-a-téte. Telefonar e mandar e-mails, explicando procedimentos, não funciona de modo eficaz.

Sem o acompanhamento necessário o trabalho não funciona a contento. E os movimentos culturais do interior continuarão sentindo-se distantes e desinformados. Principalmente depois de ligações frustradas e respostas do tipo: “tá tudo no site”.

A Mobilização

Neste sentido, vale, e muito, como exemplo, o trabalho dos Mobilizadores Culturais. Eles foram os trinta militantes da cultura, contratos pelo Estado por três meses, através de um processo de seleção pública, para visitar os municípios, buscar parcerias e dirigir os Encontros Municipais de Cultura. Através deste trabalho, foi atingida a marca de 390 municípios representados na II Conferência, em outubro de 2007 em Feira de Santana.

Para a realização dos Encontros Municipais, os Mobilizadores buscaram a parceria das Prefeituras, conforme orientação do Estado, mas também procuraram os movimentos sociais dos Municípios. De tal modo, foram visitadas escolas, sindicatos, associações, grupos e entidades, voltados para segmento cultural.

A intenção dos Mobilizadores era oferecer a maior pluralidade possível aos encontros. Não seria interessante, de modo algum, que as Prefeituras tivessem total controle sobre os Encontros e ficassem com a total representação do município na II Conferência, menosprezando representantes da sociedade civil, que por ventura fosse alguém identificado com a oposição local.

O trabalho dos Mobilizadores foi altamente reconhecido pela sociedade civil. Conforme citações dos presentes à II Conferência e em manifestação documental nas propostas dos Encontros Territoriais
[1]: “garantir presença constante do Mobilizador Cultural da Secretaria de Cultura no Território”.

Hoje, após o fim do processo da II Conferência Estadual e da extinção da função dos Mobilizadores Culturais já aparecem reclamações. Fortemente identificados pelo trabalho feito, os Mobilizadores quando não questionados por informações acerca das ações da Secult, são indagados pela sua ausência do município.

Até mesmo, a própria Secult demonstra ainda identificar nos Mobilizadores, como seus potenciais parceiros. A eles são dirigidos e-mails e ou telefonemas no sentido de compartilharem e difundir em seu Território de Origem informações das atividades em andamento.

Os Mobilizadores, contudo, por maior boa vontade que tenham, não possuem estrutura de estarem a todo o momento articulando a difusão das ações da Secretaria de Cultura no interior. Para tal, é necessário, no mínimo, telefone, internet, disponibilidade de tempo e recursos para viagens.

Diante desta impossibilidade e do cenário descrito acima, é urgente uma ação da Secretaria Estadual de Cultura, no sentido de concretizar a criação de uma mínima estrutura própria em cada Território de Identidade.

Tal equipamento seria uma espécie de mine-escritório, funcionando como uma representação territorial da Secult. Este pequeno órgão poderia estar composto de dois funcionários, cada um com funções distintas.

Os servidores da representação Territorial seriam então: 1) Um articulador territorial, para responder pelo órgão, gerenciar os trabalhos, manter contato com a Secult e até ministrar palestras e mine-cursos nas cidades do Território, se for o caso, entre outras funções; 2) Um Mobilizador, o qual seria o responsável pelas visitas e acompanhamento dos trabalhos nas cidades e interlocução com os gestores e a sociedade civil dos municípios.

Tal articulação poderia ser ainda mais reforçada, caso seja integrado ao staff (para também usar um anglicismo) da Secult e da Funceb, um membro com conhecimento e experiência para com a cena cultural do interior. Assim, seria melhor ainda a interlocução com as representações territoriais e alguns equívocos poderiam ser evitados.

Além das dificuldades de ordem burocráticas, as carências orçamentárias (constantes no segmento cultural), podem ser apontadas como entrave à criação da estrutura proposta. No entanto, tal composição, nem seria tão dispendiosa, como pode parecer á primeira vista. Isto pelo fato de o Estado já possuir ao menos Centro de Cultura em alguns Territórios de Identidades.

Ou ainda, na impossibilidade de uma total implementação desse pequeno órgão próprio, pode ser pesada a parceria com outras estruturas, do próprio Estado, já presentes nos Territórios. Como por exemplo, as DIREC (Diretoria Regional de Educação e Cultura) e os Comitês de Desenvolvimento.

Prioridade

O contexto do interior e a necessidade de uma estrutura como a proposta acima, não são ignoradas pelas Secult. A própria Secretaria reconhece como uma das dificuldades para a implementação das políticas territoriais a “ausência de uma institucionalidade voltada para a articulação dos atores locais”
[2].

Da mesma forma, propostas no sentido de uma melhor articulação nos Território e destes para com a Secretária apareceram na II Conferência Estadual. E até mesmo nos Encontros Territoriais, quando foi feito um monumental esforço pela Superintendência de Cultura, para visitar em tempo recorde, todos os 26 Territórios de Identidade do Estado.

Se o reconhecimento da necessidade já existe, o que falta então é entendê-la como prioridade urgentíssima. Pois, no contexto político e cultural do interior do Estado, a falta de um acompanhamento in loco por parte da Secult pode prejudicar toda a ação cultural pretendida pela Secretaria no que diz respeito ao interior.

É preciso buscar maneiras mais eficiente de chegar ao interior. Há necessidade de pensar meios de vencer a burocracia. E se o orçamento é apertado (e realmente é), já estar mais do que na hora de iniciar uma grande campanha pelo aumento do mesmo, como fez o Ministro Gilberto Gil, no inicio de sua gestão.

O ano de 2007, sendo o primeiro da Secult e o ano da II Conferência, foi o tempo do reconhecimento. Neste ano de 2008, é preciso mostrar para a Bahia inteira que, de fato, as propostas e políticas, começam a serem implementadas. Ano que vem, 2009, é momento de reafirmá-las.

Assim, espera-se que o louvável trabalho realizado pela Secretaria Estadual de Cultura até aqui seja solidificado no interior e que os ventos de 2010 não possam causar grandes reviravoltas. Afinal,
“2010 é 2010”, como já afirmou o “companheiro” Geddel.


[1] BAHIA – SECRETARIA DE CULTURA. Caderno de cultura 2 Jan/Fev 08. Cultura é o quê? Resultados da II Conferência Estadual de Cultura. Bahia, 2008. pag. 84.
[2] BAHIA – SECRETARIA DE CULTURA. A cultura como dimensão estruturante das políticas públicas: Programa de desenvolvimento territorial da cultura. Salvador: Maio, 2007. pag. 01.

21.5.08

É muito Zé na família Irará

“ o meu nome é Severino
Não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
Que é santo de romaria,
Deram então de me chamar
Severino de Maria;
Como há muitos Severinos
com mães chamadas Marias,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia;”
.
Coisas de nordestino. E no Irará, não podia ser diferente. Se tem tanta gente com o um nome só, é preciso procurar características para diferenciá-los, ou melhor, identificá-los.
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No caso pernambucano, apresentado por João Cabral, sobram Severinos. No Irará, pelo pouco que percebi, há um grande contingente de José(s).
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Joões, Marias, ou outros nomes, podem também existir ao montes em solo iraraense, mas, por hora, e agora, José - com seu simpático, curto e breve apelido “Zé” - será o nome sobre o qual vamos apontar algumas incidências em solo iraraense.
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Na Família
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Vou começar de casa. Porque na minha família o que não falta é José. Meu avô paterno era José Emanuel, mas conhecido como Zé do Sitio, devido à localidade rural de sua origem. E seu filho mais velho, meu pai, recebeu o nome de José Antônio.
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Ao logo dos seus breves 59 anos de vida, meu pai foi convivendo com várias derivações de seu apelido - Zé. A primeira foi um diminutivo do nome de seu pai. Filho de Zé, Zezinho ou Zezito é. Como brasileiro gosta de reduzir nomes e até mesmo apelidos, de zezito, virou Zito. Assim meu pai era conhecido na Boa Vista, onde nasceu.
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Depois ele veio pra sede do município e ficou mais conhecido como Zé. Entrou para a religião Testemunha de Jeová e virou Zé Crente. Começou a desenvolver a profissão de Rádio Técnico – se tornou então, o Zé do Rádio. Na sua profissão fez um monte de colegas em Feira de Santana. Eles o chamavam de Zé de Irará.
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E a minha relação familiar com os “Zés” vai bem além de nomes e apelidos de meu avô paterno e de meu pai. Meu outro avô, materno, também era José.
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Zé de Souza ou Zé Custódio, a depender de qual sobrenome dele era incorporado ao apelido. Este Zé, pai de minha mãe, teve nove filhos. E, claro, um deles tinha de chamar... José.
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José Martins de Souza, meu tio materno, é um cidadão de alta estatura numa família de maioria baixa. Daí, pra seu apelido ser “Zé Grande”, foi um pulo.
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Como se já tivesse pouco José na família, minha tinha Ninha ainda casou-se, com um moço de nome Zé Lino. Eles também tiveram nove filhos e, lógico, um deles tinha de ser chamado de José. Esse meu primo, não sei porque, fugindo à regra, foi apelidado como Elí.
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Com José de Avô, duas vezes; de pai; e de tio, não sei como não fui batizado de José. Mas, muita gente acha que assim sou, pois, costumam me chamar de “Zé Roberto”. Mal sabem eles que há um “Marcos” onde pensam que seria o “José”.
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Por outro lado. Não ser batizado como José, aliviou um pouco a barra. Talvez seria José demais para uma família só. E se na minha família de sangue, os “Josés” ficam por aí, na família Irará, ainda há muitos outros, “Josés”. Diferenciados por profissões, sobrenomes, nomes de pais, ou qualquer outro motivo.
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No Irará
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(...)

“Vejamos: é o Severino
De Maria do Zacarias
Lá da Serra da Costela,
Limite da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
Se ao menos mais ainda havia
Como nome de Severino
Filhos de tantas Marias
Mulheres de outros tantos
Já finados, Zacarias,
Vivendo na mesma serra
Magra e ossuda em que eu vivia”
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No Irará, se é domingo e você pensa em comer galinha com macarrão, pode acordar mais cedo e comprar um frango abatido no abatedouro de Zé Lima. Caso tenha maior aproximação com o dono do estabelecimento, pode chamá-lo de Zé de Fiíto (apelido do pai do rapaz). Ou ainda, quem sabe, com uma intimidade maior, Zé da Bala.
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Caso o prato predileto seja carneiro, pode ir ao mercado de carnes no sábado e procurar o pai de meu amigo e chará de apelido, Ró, o Zé do Carneiro. Se quiser rolar uma balinha de sobremesa, compra na bomboniere de Zé do Doce.
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Se a casa tem energia elétrica, não precisa de Zé Gás pra iluminar, mas pra cozinhar precisa de botijão, aí era só falar com Zé da Brasilgás. Este não mora mais em Irará. Ouvi notícias de que estava em solo europeu. Olha só onde foi parar aquele menino que o povo chamava de Zé de Toinho!
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Lá onde ele tá, deve fazer frio e chover pra caramba. Pior é que se a bica furar, nem dá pra “bater um fio” e chamar Zé Funileiro, daqui até a chegada...
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É, parece que em Irará, bastou ser José e ter um comércio ou profissão, para logo ser apelidado de Zé, tendo o produto/serviço do seu ramo de atividade como sobrenome ao apelido.
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Já outros, recebem como acompanhamento ao apelido Zé, mais um apelido. Só para citar alguns: Zé do Dodge, Zé Mamão, Zé Popó, Zé do Lebre, Zé Buscapé, Zelito, Zé Palito, Zé Bicudo.
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Olhe que tamanho, cor da pele, traço característico do corpo, etc, também é documento e serve para identificar Zé por aqui. Zé Pequeno, Zé Branco, Zé Preto, Zé Bigode, Zé Cego, Zé Miolo, entre outros, que o diga.
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Parece coisa de novela? Pois é. O cidadão que montava sala de cinema no Irará, originário da comunidade do Rato, era José Martins. Apelido? Zé do Rato.
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E nosso amigo Calisto, paulista de nascença que nem José é, pois se chama Fábio, por aqui foi logo batizado como Zé Colméia. Disse que é porque ele lembra certo personagem de desenho animado e suas espertezas. Será?
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Nome de pai ou de mãe também serve para diferenciar José no Irará. Zé de Cândido, Zé de Odílo, Zé de Juju, Zé de Aristides. Esse último é o artesão Zé Nogueira, que, nascido numa data eleitoral, já foi chamado de Zé Eleição.
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Vez por outra, confundem o Zé Nogueira artesão, com o Zé Nogueira advogado. Além das profissões, o Cardoso no primeiro e o Nunes, no segundo, também os diferenciam.
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Se for abrir a lista para distinção por sobrenomes, Irará conhece ou conheceu, mais outro monte de Josés. Zé Mendes, Zé Américo, Zé Leão, Zé Nilton, Zé Estrela, Zé Reis, Zé Aldo, Zé Hertz, Zé Aristeu, Zé Raimundo. Este com sua “ginga” é também filho de Sr. Aristides, portanto irmão do Zé Artesão.
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Como dá pra perceber, por aqui o apreço de famílias pelo nome “José” é forte. Às vezes dá até casamento. Posso mencionar um casal de amigos e vizinhos e pais de amigos meus. O comerciante Mário José Marinho e a professora Maria José Marinho. Tem também, já ouvi falar, um casamento formado por Zé Homem e Zé Mulher.
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De tanto falar em Zé até lembrei de meu amigo Zé Falcón, que não mora em Irará, mas também é José e até que gosta de nossa terra.
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Tá achando que é Zé demais né? É, realmente, concordo que há muito Zé na Família Irará. Não obstante, te aviso que da missa, eu não devo ter contado de um terço a metade.
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Com certeza existem muitos outros Josés na terrinha. Não devo ter lembrado do nome de alguns e devem está faltando muitos outros que não conheço.
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Então, cara leitora ou caro leitor, se puder me ajudar eu agradeço. Comente o texto, pode falar mal ou bem, mas não deixe de citar o nome de algum Zé que faltou.
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Quem sabe numa possível segunda edição, o texto não venha um pouco mais completo. E haja Zé!
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Os versos são de:
João Cabral de Melo Neto
Morte e vida Severina,
(auto de Natal Pernambucano / 1954 – 1955)
“o retirante explica ao leitor quem é e a que vai”

5.5.08

Pavão Dourado lança CD em Salvador

Dona Bibi e sua turma do Pavão Dourado


Por Sandro Santana – Divulgação.
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Com muita poesia, lirismo e ritmo, o grupo Pavão Dourado faz o show de lançamento em Salvador do seu primeiro CD, “Minha sabiá, minha zabelê”, que acontece no dia 11 de maio, às 11 horas, no Parque da Cidade (Itaigara).
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O CD é uma reunião de cantigas e brincadeiras de roda que, como outras cirandas, abordam temas sobre o universo feminino, quase sempre em torno de amores pueris e não-correspondidos. Tudo isso emoldurado pelo bucolismo musical e percussivo, típico das caatingas do sertão baiano.
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Formado essencialmente por mulheres da comunidade de Boa Vista II, em Serrinha, há no grupo uma proposta rara entre as outras manifestações do mesmo gênero: reunir a tradição das brincadeiras de roda, transmitidas através da oralidade ancestral, com ritmos que integram a aquarela sonora brasileira, principalmente as marchinhas-de-rancho e as toadas de aboios nordestinos.
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Dona Bibi , nome pelo qual é conhecida a lavradora Maria José do Nascimento dos Santos, com seus 52 anos, é quem lidera o grupo. Segundo ela conta, as brincadeiras de roda que aprendeu sempre aconteciam (e acontecem) depois das batas (debulhamento das colheitas) de milho ou feijão ou em outras atividades domésticas, como, por exemplo, quando estão trançando palha de pindoba para fazer chapéus, esteiras ou sacolas.
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Paticipações –
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O grupo paulista A Barca A Barca, viajou mais de 10 mil quilômetros, entre os meses de dezembro de 2004 e fevereiro de 2005, por nove estados brasileiros, do Pará a São Paulo. Nessa turnê, cerca de 30 comunidades ou cidades foram visitadas, com o objetivo de pesquisar e transcriar gêneros mais tradicionais da música popular brasileira.
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Os grupos Pavão Dourado e Comunidade Lagoa da Camisa foram os escolhidos no estado pelo projeto A Barca. Além de oficinas e apresentações dos grupos nas comunidades, foram registradas no CD Trilha, Toada e Trupé três músicas do grupo Pavão Dourado.
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Na Bahia, o Pavão Dourado já se apresentou em várias cidades do semi-árido em ocasiões, como os shows realizados nas quatro edições da Festa da Cultura Popular (2004, em Barrocas, 2005, em Santa Bárbara , 2006 em Conceição de Coité, e 2007, em Tanquinho).
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Em 2006 o Pavão Dourado foi selecionado para o Mercado Cultural, em Salvador. Este ano o projeto “Adeus Pavão Dourado” foi aprovado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia, que liberou recursos para a prensagem do primeiro CD do grupo e para o show de lançamento no dia 11 de maio de 2008, no Parque da Cidade, em Salvador.
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Ficha Técnica
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Voz solo:

Maria José do Nascimento dos Santos (Dona Bibi)
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Vozes:

Ana Pereira de Jesus
Bárbara de Araújo
Leinalva do Nascimento dos Santos
Luciana do Nascimento dos Santos
Lucivânia do Nascimento dos Santos
Gertrudes de Lima Silva (Tuninha)
Maria Lídia Pereira do Rosário
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Violão:

Antonio Carvalho de Queiroz
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Músicos convidados:
Percussão:

Frankinando Francisco de Matos
Luiz Silva Santos
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Contatos:


Sandro Santana

Tel.: (71) 8805-3187
sandro_santana@hotmail.com

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Imagem:

Bere Ramos tomada de "emprestimo" no blog Das Ruas do Terra Magazine

Ainda Bolívia...

A disputa entre oposição e situação na Bolívia segue seu rumo. Apesar dos protestos, dos favoráveis ao governo Evo Morales e contrários ao referendo, o plebiscito tem seqüência.
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Os organizadores fazem ouvidos moucos para as autoridades internacionais que dizem não reconhecer a autonomia do Departamento (Estado) de Santa Cruz, mesmo com resultado favorável à autonomia.

Acompanhe:

2.5.08

Olhares à Bolívia


Centro de Cochabamba na Bolívia - forte traço índio na população

Domingo, dia 04, a Província (Estado) de Santa Cruz na Bolívia vai às urnas. Em votação por maior autonomia diante de La Paz, capital política da Republica Boliviana. No horizonte se desenha uma disputa ou divisão étnica.
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A Bolívia contrasta entre descendentes do povo indígena e os descendentes dos invasores (ou colonizadores de acordo á visão de cada um) espanhóis. Esta divisão ficou ainda mais acirrada, desde a chegada, pela primeira vez na história, de um índio ao poder.
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O governo do Presidente Evo Morales não tem alcançado bons índices econômicos. Sediada em Santa Cruz de La Sierra, capital da província que reivindica maior autonomia, a elite empresarial da Bolívia acusa Evo de “índio incompetente”.
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O mandatário, por sua vez, aponta a discriminação dos empresários com a sua condição índia. Salienta que a elite econômica do país não aceita a revolução em favor dos mais desfavorecidos e questiona o fato de que “eles”, só vêem falar em autonomia agora, após perderem o poder político da nação. Também percebe financiamento estadunidense nas ações dos seus opositores.
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A situação da Bolívia merece atenção e não é diferente da vivida por várias outras nações. Ao que se percebe, ali se trava, de forma feroz e intensa, a disputa humana pela sobrevivência no mundo moderno.
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Povos oprimidos lutam pelo direito de existência. O grande capital também. Ainda que o instinto deste último seja o de sobreviver destruindo etnias e culturas.
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Alheamento e exceções
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A imprensa brasileira segue alheia a tudo isso. Finge não perceber a miséria boliviana, suas reais causas e a contribuição da força do capital internacional para a perpetuação deste quadro. Tanto lá, quanto cá.
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Afinal, por esses dias temos sangue (caso Isabela) e sexo (Ronaldo). Para os barões da comunicação, junto a seu público sedento por futricas e espetacularizações, não precisa de mais nada.
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Vantagens múltiplas. Os magnatas ficam cada vez mais ricos e as pessoas ganham informações para alimentar seus assuntos na mesa do bar.
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Pode até ser que os acontecimentos da Bolívia ganhem algum espaço na grande mídia tupiniquim. Entretanto, não esperem nada fora do caricatural, sem tempo para qualquer tipo de aprofundamento da questão.
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No noticiário brasileiro já é costume perceber o Presidente boliviano relegado à imagem de um “maluco”, amigo de outro “doido”, ou seja, o venezuelano Hugo Chavez.
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A exceção fica por conta de algumas publicações mais sérias e a internet. Neste caso, cito aqui dois exemplos.
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Carta Capital e Projeto Bolívia
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O primeiro é a Revista Carta Capital. Enquanto outras semanais se ocupavam da telenovelinha da vida real, do “reality show”, construído em cima da tragédia familiar que vitimou a menina Isabella, a Carta no dia 09 de abril, trouxe a relação entre Evo Morales e as “duas Bolívias” como tema de capa.
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A reportagem esclarecedora e bem construída sintetizava a situação vivida pelo país. Mostrando os contrastes bolivianos, a reportagem apontava alguns erros e políticas sociais de Morales.
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Já na internet, esse fantástico veículo que tem sido um refúgio para o pensamento livre (até quando?), vale destacar o blog do Projeto Bolívia. Uma iniciativa de alguns jornalista e estudantes de comunicação.
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O diário virtual é uma espécie da cobertura da viagem que os colegas faconianos, Lucas Santana, Mateus Damasceno, Ricardo Sangiovani, Vitor Rocha e mais, a amiga deles, Tassia Novaes, fizeram à Bolívia em meados do ano passado.
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Os textos, fotos e até um vídeo, disponíveis no Blog, nos mostram um belo país e seus contrastes. Da leitura dos escritos dá para perceber que a galera ralou bastante em solo boliviano. Enfrentaram estradas perigosas, visitaram minas e plantações de coca e conseguiram até uma entrevista com o presidente da nação.
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Observando o blog, e é gratificante ler todo o conteúdo lá postado, podemos perceber a vivência e opiniões de um povo que se apresenta politizado e tem simpatia pelo Brasil. A rapaziada chegou a ser anunciada em estádio de futebol como uma “equipe da Globo”, presente no país.
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Ainda bem que existe as publicações que excedem a regra e a internet. Assim podemos conhecer um pouco mais da realidade. No caso especifico do blog, é muito prazeroso lê-lo. Afinal, ninguém contou ao pessoal o que está lá escrito. Eles estiveram em solo boliviano, viram com os próprios olhos.


visite o blog do projeto Bolívia: http://www.projeto-bolivia.blogspot.com/


foto de Tássia Novaes - Tomada de "empréstimo" no Blog do Projeto Bolívia.

28.4.08

Reiteramos o Colóquio

Cartaz de Marcilio Cerqueira para o Colóquio 2008.


E fizemos o Colóquio de novo. O terceiro. Para mim, além de uma produção/terapia, foi uma experiência gratificante. É legal ver o evento acontecendo e ser valorizado pela comunidade. Perceber o tema da literatura na pauta do Irará.
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A edição deste ano, tão especial quanto as outras, foi massa. As palestras, as oficinas, as bandas. Zimababwe e A Volante do Sargento Bezerra, literalmente, deram show. Valeu pela gloriosa participação da Quixabeira.
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O Sábado à noite, um evento inesquecível. Lançamento do livro de Messinho, de Franklin e de Geraldo; lançamento dos Cordeis de Kitute e de Barreto. Vinhos & Versos. E a ótima apresentação do grupo Arranjos.
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Parabéns à Casa da Cultura de Irará. Grande sonho de Aristeu Nogueira.
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Obrigado ao camarada Marcilio Cerqueira. À Kitute e Artur Modesto. Bonifácio, Katiene, Sérgio Cabelera, Fábio Calisto, Aristela, Dilma Leão, Messinho, Kau Santana. Ao Departamento Municipal de Cultura, Cestão Supermercado, Colégio Joaquim Inácio, Escola São Judas, Filarmônica 25 de Dezembro, Casa Jesus Maria José e Viva Irará; Secretaria de Educação, Sindicato Rural, Centro Espírita e ACEI, na pessoa de Kakal.
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E também muitíssimo obrigado aos nossos convidados artistas e poetas. Antônio Barreto, Geraldo Maia, Franklin Maxado. Representantes da SECULT, FPC e BNB. Gabriel Ferreira, Jotacê Freitas, Piter Leão, Luciana Balbino, Tony Andrade, Jai, Antônio Queiroz e Braúlio Pinto, Ricardo Reira.
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Aos que estiveram presentes. E a todos e todas que contribuíram para continuarmos teimando e fazendo esse evento.
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Vejam texto que escrevi para o Blog “Das Ruas” de Iuri Rubim sobre a apresentação de repentistas de na Feira Livre (clique aqui).

25.4.08

Luto

Tentei, mas não consegui. Depois da morte de meu pai, em fevereiro passado, seria esperado um texto, uma homenagem, um balanço, sei lá... Qualquer coisa que tentasse sintetizar tudo que eu estava passando. Não consegui. Já sou ruim de sínteses e nesse caso então...
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Faltou-me mesmo as palavras. E não sabia como fugir do clichê nesse momento de dor. E, podem apostar, doe de verdade. Sentido denotativo mesmo.
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Como diz a canção de Alisson Menezes, ficou tudo “muito confuso, na minha cabeça”.
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Não só de como o fato se deu, mas pela luta de mais de um ano contra uma doença estranha. Diante da qual amarguei a maior derrota dessa minha pequena existência. Perdi. Sei que não há jeito, vou ficar com essa ferida aberta enquanto viver. Pode ser até que ela sare, mas com certeza deixará uma cicatriz enorme.
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Depressão. Muitos ainda ridicularizam, minimizam o seu potencial ou não tem a mínima idéia do que essa doença maldita pode ser. Os casos não são poucos e já a denominam de “mal do século XXI”. O que pensar de uma enfermidade que tira do indivíduo até mesmo o instinto da sobrevivência?
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Confusão, insônia, dúvidas... Tantos e tantos sintomas me apareceram. Para fugir disso tudo, resolvi meter a cara no trabalho. Chamei os companheiros: “tá na hora de fazermos mais um Colóquio!”.
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Ainda bem que tudo deu certo. Refrescou os pensamentos e me fez ver que é ora de retomar algumas outras atividades. E, especificamente, este Blog. Espero um dia escrever um texto em homenagem ao velho Zé do Rádio... (são muitas histórias para contar)
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Por hora, agradeço a todos que sentiram a ausência de novidades neste espaço, agora com dois anos de criado. Especialmente a Lívia por ter manifestado essa falta em comentário.
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A batalha continua. E eu, busco forças e, ainda Luto.
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7.2.08

Cobertura carnavalesca

Até para quem não vai ao carnaval é difícil ficar alheio à folia. Vez por outra, entre todas as outras possibilidades de ouvir falar do reino momesco, o sujeito encontra um aparelho de TV, ligado numa emissora que faz a cobertura do evento. Destaque para Globo e Bandeirantes.


Ticiana Villas Bôas (esq), formada pela Facom/UFBA,
foi uma das repórteres da Band no carnaval de Salvador


A Band já há algum tempo, saindo do eixo Rio São Paulo, transmite o carnaval de Salvador. E agora em 2008, ano do centenário do frevo, resolveu brindar os foliões “at home” com os carnavais de Recife e Olinda.
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Dos trechos que vi, apesar da massante mechandising da Coca Cola, achei legal a interatividade entre os reportes trabalhando nos dois estados nordestinos. No mais, não percebi muita coisa que mereça “alfinetar” o trabalho dos caras, como diz um amigo meu.
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Já na Globo, tudo continua sem novidade. A emissora ainda pensa que o Brasil é uma das suas novelas das oito. Rio de Janeiro, Leblon, etc, etc, etc. Só que, como é Carnaval: “Desfile das Escolas de Samba! Ao vivo!”. Nada contra a transmissão dos desfiles. Nem do Rio e nem de Sampa. Porém, a cobertura...
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Câmeras especiais. Aquários montados em plena Marqueis de Sapucaí e um montão de repórteres a todo canto. O alvo para as entrevistas são integrantes e personalidades a desfilarem nas Escolas de Samba. “como é o sentimento de está aqui?”, “o coração tá batendo forte?”, “o que você acha?”, “é muita emoção né?”. Resumindo, as perguntas são quase todas neste estilo. “Aí, vamô pensar numas indagações mais espertas, aí”.
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“Oxente! Mas tu também não pode dizer que a Globo não dá espaço para a Bahia”. Claro que dá, né gente!? Lembre-se que tem a retransmissora local. A TV Bahia, da Rede Bahia, de... vocês já sabem quem.
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O pessoal estava lá trabalhando, o trio de Ivete ia chegando, os comentários iam aparecendo, mas de repente a cantora achou de simular um beijo no repórter da Band. Daí já viu! Na rede dos Marinhos, não se dá “Ibope” aos concorrentes. Câmara se afasta e... “roda , roda, roda Chacrinha, um minuto de comercial/ alô, alô Teresinha...”.
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Na segunda-feira, transmissão local na hora da Sessão da Tarde. Daniela Mercury dando entrevista no set da TV em pleno Campo Grande. O pessoal parecia babar diante da “Rainha do Axé”. Também, vale dizer, em certo sentido, ninguém pode condená-los por isso.
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De repente, resolveram mostrar imagens da apresentação de Daniela no dia anterior. A legenda dizia: “Barra - ontem há noite”. Agora imagine vocês se não tivesse existido a noite do dia anterior? Mas, se a frase se referia a ontem, deveria então ser: havia noite. A noite poderia deixar de ter existido? Ah, sei lá...
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Como, “não estamos aqui na condição de Observatório da Imprensa, visse!”, e sabemos que macaco não olha para o rabo, lembro-te que “tu falastes do erro dos outros, mas não visse os teus”.
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Então. Para não ser vitima e algoz, anunciamos que estar todo mundo perdoado. E depois, nesses momentos de festas de inversão da ordem, um pileque ou um gorozinho de leve é sempre bem-vindo. Se era Carnaval, é claro que a cobertura tinha de ser carnavalesca.


* imagem tomada de emprestimo no site da Band

2.2.08

A gestante no ônibus em tempos capitais

Diferente de Caetano ele ainda não tinha visto a mulher preparando outra pessoa. O tempo e os indivíduos em volta não pareciam preocupados com aquela barriga. O ônibus parou; era ponto de passageiros.
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A gestante subiu pelo fundo da condução mesmo. Torniquete, trocador, empurra-empurra e alguns outros sinais de lotação mais que máxima. A placa na frente indicava: “46 passageiros sentados”. Em pé, a olho nu, percebia-se no mínimo outra quantidade e meia daquela.
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Por entre todo este aperto, típico de corredor de ônibus urbano cheio, está em pé uma dama e a sua singela cria no ventre, com cinco ou seis meses de gestação.
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Quando percebe a cena, o passageiro não se contém. Saí do seu lugar à janela, espremendo-se entre as pernas do outro passageiro, sentado inerte no lado do banco próximo ao corredor. A moça ainda tenta sinalizar uma negativa ao oferecimento, mas é traída pelo seu belo sorriso. Este já denúncia o acatamento à proposta e ele já vai tomando seu lugar ao assento.
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Em pé, após ouvir alguns agradecimentos, tal qual Roberto Carlos, ele pensa: “Espero que tenha sido com muito amor e seja quem for, há de achar você também tão linda, esperando neném”.
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Que romantismo tolo! Não há mais espaço para isso. Hoje a coisa é feita de modo diferente. Há casos sem intenção. Um descuido, uma camisinha estourada, o esquecimento da pílula... Ou de modo intencional mesmo. Assim, como tão falando com grande freqüência nas rádios FMs da periferia. “Quer beber? Ou quer fazer bebê agora?”.
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Pelo sim pelo não, o gentil passageiro resolve começar um bate-papo. Estaria ele esteticamente encantado pela dama a quem fizera a gentileza? E se ela fosse feia? Será que haveria gentileza mesmo assim?
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Pára, pára, pára. Deixemos de desconfianças. Não é a todo momento que se está disponível para ser Brás Cubas. Quem é côxa pode ser bonita, ou vice-versa. Lembremos que a realidade não segue o padrão de perfeição imaginado ou inventado pelo ser humano.
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Divagações filosóficas à parte. Volte-mos ao bate-papo.
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- Por que você não entrou pela frente? – indagou o rapaz, pretendo informar à gestante que ela teria direito de ingressar na condução sem pagar e sem o constrangimento de passar pelo torniquete.
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- Eles tiraram esse direito. Agora a gente tem de pagar.
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- Absurdo!
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A informação ignorada pelo rapaz é confirmada por outra passageira ao lado. Ela re-afirma a noticia da gestante. Pode parecer absurdo, mas mulher grávida paga passagem. Entretanto, a passageira faz uma observação:
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- Você poderia ter entrado pelo frente e ir até o cobrador para pagar a sua passagem. Já pensou se esse ônibus rasta e você leva uma queda ou trompasso?
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Parece que a moça não estava mesmo atenta para isto. E nem todos estavam atentos para ela. E qual seria a novidade? Era apenas mais uma jovem grávida, entre tantas jovens grávidas que tem por aí, que não são apresentadoras de TV.
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O ponto do passageiro chegou, ele se despediu da bela gestante e ela respondeu com um “obrigado”, acompanhado de um sorriso encantador.
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É capitalismo. O que não tem fetiche ou não tem valor de mercadoria, paga a conta, está por fora. E olhe que há quem diga ser a placenta “a melhor das embalagens”.
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14.1.08

I Mostra de Midia e Múscia na UFPE


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Estarei apresentando o artigo Tom Zé: um tropicalista e sua aldeia neste evento, como parte da Mesa Temática, Hibridismo e Fluxos Musicais. Já apresentei o mesmo artigo no III Enecult em maio de 2007. A versão a ser apresentada em Recife possui algumas pequenas correções.

30.12.07

03 anos, 02 cartas, 01 pedido, 00 ação

Contagem regressiva. Sinal do regresso político-cultural iraraense. Os números decrescentes do título acima sintetizam minha saga na busca da efetivação de uma lei. A intenção era tornar isentas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) todas as entidades culturais e filantrópicas de Irará.
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A medida, além de beneficiar as entidades financeiramente, facilitaria os tramites das mesmas quando precisassem de certidões municipais para receber recursos de instâncias estaduais e federais.



Carta de 2005

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Setembro de 2005. Encaminhei a solicitação à Câmara Municipal de Vereadores. Coloquei anexa, como exemplo, uma carta do ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbhassay, datada de 2004. Nela, o executivo, após a ameaça de penhora do Teatro Vila Velha, pedia à Câmara Municipal a aprovação de um projeto de lei para isentar o Vila do imposto. A missiva anexa intencionava exemplificar que não havia impedimento legal para a isenção.
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Não pude acompanhar a sessão na qual a carta foi lida. Entretanto, tive informações de que o texto havia sido apresentado na ordem do dia. Segundo meus informantes, nenhum comentário, nenhuma indicação, nenhum posicionamento. Nada! Era como se aquela mensagem não houvesse chegado ali.
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Carta de 2006

Setembro de 2006. Percebi que o pedido havia completado um ano e a solicitação não havia sido atendida. Resolvi mandar outro comunicado aos parlamentares. Só que desta vez agi de modo diferente. Mandei o texto em forma de carta aberta. Fiz algumas cópias e distribui entre os presentes na sessão.
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Parecia que era uma carta bomba. Houve consulta ao assessor jurídico da casa. Teve parlamentar que, antes do início da sessão, me chamou para conversar. “Você mandou no ano passado?” – perguntou e diante da resposta afirmativa respondeu: “Então eu não estava na sessão que foi lida”.
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Apresentada na ordem do dia, a “bomba” foi logo detonada. Um parlamentar pronunciou-se com nervosismo. Desconfiou de motivação eleitoreira. “Por que esperou um ano para mandar de novo agora, na véspera da eleição?”. Reflexo do clima “tenso” da cidade naquela campanha para deputados, senadores, governador e presidente. Outro foi taxativo: “É porque o rapaz não entende nada de lei de responsabilidade fiscal, só quem pode fazer esse projeto é o Prefeito”.
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O vereador tinha razão. Assim como no caso de Salvador, necessitava haver uma iniciativa do executivo. Afinal, só a esse poder é permitido elaborar projetos que possam gerar despesas ou recusar receitas (no caso nem tanta recusa assim, já que quase nenhuma entidade social iraraense pode de fato pagar o imposto).
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No entanto, mesmo cheio de razão, o vereador ao invés de apontar a “ignorância” do rapaz, deveria se por ao lado da causa social. Como legislador e “funcionário público” é dever do edil auxiliar o cidadão comum, que, diferente dele, não recebe salário para ter obrigação de conhecer com afinco os tramites legislativos.
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Peraí! Abre um parêntese. Nada de desculpas ou procurar erro no edil. Quer saber? A carta soa mesmo como um desaforo. Os legisladores estão acostumados a receber pedidos de blocos, cimento, madeira, remédio, dinheiro para festa... Aí vai esse menino pedir uma lei. Uma lei!? Onde já se viu!? Uma lei! É mesmo muita provocação. Fecha parêntese.
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Um terceiro vereador apontou a importância da idéia por beneficiar a cultura e, assinalou, “cultura é lazer”. Como mais ninguém usou da palavra para este assunto, os parlamentares passaram a tratar de outros temas e a sessão continuou.
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No final daquele mês, veio a confirmação de que o vereador da “reunião informal”, antes da leitura da carta na ordem do dia, havia cumprido o que prometera. Ele afirmou que iria dirigir um requerimento ao prefeito indicando a lei de isenção. E, na edição logo após aquela reunião, o informativo mensal A Gazeta de Irará publicou em suas páginas a notícia de que o vereador havia “pedido isenção de impostos para entidades municipais”.
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Setembro de 2007. Nada. O pedido para isenção de IPTU para entidades filantrópicas e culturais entrou no seu terceiro ano e não foi atendido. Em 2007, resolvi não mandar mais carta alguma. Nem para vereadores, nem para o prefeito.
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Ademais, acho que não precisava ficar lembrando o prefeito disto. Ele já sabe da necessidade desta isenção do IPTU para entidades filantrópicas e culturais. Este é um desejo das pessoas que fazem cultura em Irará, conforme reforço do pedido expresso pela sociedade civil durante o Encontro Municipal de Cultura, acontecido no dia 04 de setembro de 2007 (olha o pedido completando 3 aninhos...).
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E porque o executivo ainda não formulou o projeto?
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Sei lá. Deve ser porque ele é artista, gosta muito da cultura de Irará e como disse a Secretária de Educação no dia do Encontro de Cultura, ninguém canta melhor essa “aldeia” do que o prefeito.

19.12.07

Moska na sopa do parque

Domingo no parque. Crianças brincando, churrasquinho, pipoca, algodão doce, bicicleta. Gente fazendo panfletagem. Comércio, política, arte. Tudo em divulgação. É certo que o movimento no parque cresce, e muito, quando tem música.
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Neste domingo último, o Parque da Cidade em Salvador recebeu um grande público para ouvir as canções do carioca Paulinho Moska, ou simplesmente Moska, como vem sendo chamado já há um bom tempo, não sei se por decisão própria ou indicação de um numerólogo qualquer.
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O ambiente é bucólico. Um belo palco encravado em meio aquele exuberante pedaço de mata atlântica. O público vai chegando e se acomodando aos poucos. Após a apresentação e os reclames de Jéferson Beltrão, Moska sobe ao palco. Somente ele e dois vilões.
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Cumprimenta a platéia, mas quase que não se ouve a sua voz. De repente o som cresce. Agora dá pra ouvir. O artista anuncia a primeira música. “Tudo novo de novo”. A canção sugere começarmos de “onde já caímos”.
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Moska então segue embalando as pessoas, desde os mais tímidos ao fundo, aos mais empolgados, na frente do palco fazendo pedidos. O artista conversa com o público, apresenta suas canções e conta um pouco de como se dá o processo de criação das mesmas.
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Revela: “uma vez comprei uma maquininha, dessas digitais que todo mundo tem hoje, e resolvi sair fotografando o meu reflexo em objetos metálicos de banheiro (torneiras, maçanetas, saboneteiras, etc) dos hotéis por onde eu passava. Isso virou mania e depois obsessão”.
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E durante o show ele ia contando. O vicio de fotografar o próprio reflexo lhe rendeu mais de duas mil imagens. Ia catalogando, separado-as em pastas no computador, dando nomes a algumas. Títulos e imagens que se tornaram frases, poemas e canções. Músicas que viraram álbuns.
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No meio de um destes relatos o som cai. A voz de Paulinho só é ouvida no retorno do palco. Para o público fica baixinho, quase que não se dá para ouvir. Nada de desespero. Nem xingamentos, nem reclamação com a equipe técnica, nem ameaça de cancelar o show, alegando o som ser uma “porcaria” ou falta de respeito com a sua arte. Nada disso.
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Moska começa a bater palma. O público lhe acompanha. Sem o uso do violão, vai cantarolando. Os versos falam de miscigenação, da branquinha que aceita o rapaz de cor, da formação do mulato brasileiro.
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Enquanto as pessoas se encantam com o voz e palmas, os técnicos seguem frenéticos na mesa de som. É um emaranhado de cabos. Uma porção de plugues pra sair de um canto e entrar noutro. A mesa é grande. Muitos canais. Vai ver que foi um único daqueles, o causador de todo o problema e... Já viu.
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Alguns poucos minutos depois o áudio das caixas externas retorna. Moska termina a cantarolisse em alto e bom som. “Tá vendo!? Não doeu nada e ainda ganhei um Martinho da Vila”, diz o carioca, como quem deixa implícito saber que imprevistos acontecem. Nem sempre é necessário pilhar a equipe ou colocar o público contra a produção do show.
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Aí ele aproveita para falar de samba. “Tudo começou aqui”, diz, salientando ser Salvador a cidade “mais mulata do Brasil”. Comunica, a quem não sabe, ser neto da Bahia. “Minha mãe nasceu nesta terra”. “Meu sangue é baiano também”.
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Entre falas e sambas, julga que a “bagunça” foi boa. Daí arranca gritos do público quando fala ser Raul Seixas “a maior ‘bangunça’ deste país”. Anuncia que é preciso retornar ao show, mas diz que ao fim do repertório pode ter a volta da “bagunça”. Parece que desta vez, nem vai ser necessário o velho grito de guerra: “Toca Raul!”
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Moska começa de onde caiu. Volta para seu repertório. Enganou-se quem pensou que o samba estaria fora dele. Paulinho da Viola (“meu xará duas vezes”), Herivelton Martins, Pixinguinha e outros. “Baiana é aquele que entra na roda de qualquer maneira”. Canta e depois confessa nunca ter tocado esta música ao vivo. “Só cantava em casa”. E tocava pra maiínha dele.
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No leque de canções tem músicas próprias; parceria com outros cantores; como “relampiando” com Lenine; e composições e canções executadas por outros interpretes. Tem a presença de Zélia Ducan. É tocado um blues do “príncipe Cazuza”.
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O público é insaciável. Quer mais, pede mais. Moska fala em democracia, “tem gente que já pediu e tá pedindo de novo”. Lembra de quem está no fundo. Prejudicados porque o artista não os escuta. Simula um tit-tic nervoso, um chilique no palco. Muita gente vai à gargalhada.
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Em meio a tantos pedidos diz ter um limite. “Lembrem-se que aqui no palco tem uma mosca”, brinca com seu apelido para falar que tem um limite físico e o show vai acabar a qualquer momento.
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Casais, crianças, coroas. Dava para perceber a presença forte de Maria Joana também. Tá calor? Vai de água, de refri ou uma cerva. Apesar daquele tempo quente do meio-dia do domingo, as nuvens colaboraram e esconderam o sol. O clima era alegre, descontraído, agradável e de nublado a parcialmente nublado.
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Paulino Moska termina o show. Acena e saí do palco. O público pede biz. Será que ele volta? Há quatro ou cinco anos atrás, em apresentação no Parque Costa Azul em Salvador, ele disse que não iria fazer “aquela idiotice” de sair do palco esperar o pedido do público e depois voltar. Preferia ficar tocando músicas fora do set list até a hora que a vontade desse. Desta vez, foi diferente.
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Tal qual o boêmio, ele voltou. Mostrou o seu lado metamorfose ambulante. Diante do calor do público, tirou a camisa. “Vocês vão ver um monte de ossos”. Falava de seu próprio corpo magro, talvez nem imaginando que na platéia tinha alguém mais ceco do que ele.
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Sem camisa e de viola elétrica na mão, empolgou o público. O que toda aquela gente faria se só restasse aquele dia? Se o mundo fosse acabar? O mundo não, mas pouco depois, o show estava terminado e Moska não tocou Raul.
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Talvez nem precisasse mesmo uma canção. A participação do maluco beleza era implícita na energia da festa. O morro e as árvores do lugar fazendo um cerco como um caldeirão. Mistura de pessoas, de cores, de ritmos, de emoções. Uma sopa. E lá pousou um Moska que chegou pra zumbizar.
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Foto: Luis Batista/Fotopress/divulgação, tomada de "emprestimo" no site do terra, com texto de Lucas Esteves.

15.12.07

Franklin Maxado lança livro em Salvador

Nesta terça-feira, 18, o Conjunto Caixa Cultural estará mais nordestino e maxadiano. O poeta, cordelista, professor, jornalista, teatrólogo, advogado, acadêmico... Franklin Maxado estará lançando, pela Editora Hedra (São Paulo), um livro com alguns dos seus cordéis.
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A publicação do feirense Maxado faz parte da coleção Biblioteca do Cordel, publicada pela editora. A série aborda a obra de grandes nomes da literatura de cordel no Brasil, a exemplo de Cuíca de Santo Amaro, Rodolfo Coelho Cavalcante, Patativa do Assaré e João Martins de Athayde.
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Listado como verbete no Dicionário dos Folcloristas Brasileiros, Franklin já publicou cerca de trezentos títulos de folhetos de cordel em mais de trinta anos de dedicação ao gênero. Além disto, há a publicação de ensaios, artigos e livros sobre o tema, entre eles: Antologia da Literatura de Cordel – em braile (1997), O que é literatura de Cordel (1980) e O Cordel Televivo (1984).
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Pelos causos, cordéis e pelo canto de tudo que é canto, vale apena conferir a obra do Maxado Nordestino. Certamente, neste livro tem muitas estórias pitorescas, como a revelada por ele próprio durante sua participação no Colóquio de Literatura Popular 2005, em Irará. Na ocasião, Franklin, que já defendeu Lucas da Feira num “tribunal do júri”, contou ao público iraraense como ele “fez um jumento virar gente”.
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Durante o lançamento será também aberta uma exposição de xilogravuras.
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O que? Lançamento de Livro
Quem ? Franklin Maxado
Quando? Terça-feira, dia 18, às 20h.
Onde? Conjunto Caixa Cultural – Rua Carlos Gomes, 57, Salvador- Ba.
Quanto? Lançamento: De grátis / Livro: R$ 18,00 (preço no site da editora)
[compre aqui ]

7.12.07

Feira Regional da Mandioca

veja programação em www.irara.com - notícia de 30.11.2007
(Leia trechos de entrevista com destaque para a cultura da mandioca em Irará abaixo)

Mandioca e agricultura em debate

Em maio de 2001, o Diretório Municipal do PT (Partido dos Trabalhadores) de Irará publicou a edição de número cinco do seu informe-ativo, denominado “O TREZE”. Contribui com a edição, co-produção, escrita de alguns textos e até com a diagramação. Nosso amigo Marcilio Cerqueira, além de co-produzir, também fez ilustrações para o jornal.
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A edição trazia uma entrevista com o técnico agrícola Cássio Alvim. Mineiro de nascimento, Cássio veio para a Bahia trabalhar na EMATERBA (atual EBDA) e, depois de passar por outras cidades, atuou em Irará, até ser transferido para Conceição do Jacuípe. Nos anos que trabalhou em Irará, Alvim se tornou um conhecedor da agricultura local, das suas dificuldades e potencialidades.
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Por ocasião da Feira Regional da Mandioca, momento em que se evidenciam os debates acerca da cadeia produtiva mandioqueira, aproveito para publicar aqui algumas das considerações feitas por Cássio Alvim na referida entrevista, com relação a mandioca e a agricultura local.
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Como serão observadas pelo leitor, algumas das afirmações feitas por Cássio, naquela noite de abril de 2001, ainda são atuais, para o bem ou para o mal, seis anos depois.
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Trechos da entrevista com Cássio Alvim

O TREZE: intenção de discutir temas do município

Cenário iraraense

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“Em Irará se tem uma reforma agrária natural, só temos basicamente pequenos produtores, a média de área de propriedade rural é cinco hectares, conta-se nos dedos os que têm mais, e não são o que podem se chamar de grandes produtores”

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“Outra questão observada em Irará, que talvez não aconteça em outro lugar, é a concentração da população no meio rural. Uma média de 65% da população vive no meio rural, se observarmos outros municípios brasileiros a média não chega a 20%.”
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“A economia do município [Irará] é agrícola, não temos indústrias e, se o comércio existe, ele existe em função do meio rural e depende das pessoas que vendem a farinha e o fumo, sendo este último, outra questão problemática”

Relação Irará e outros mercados

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“Muitos atribuem a [má] situação à lei da oferta e da procura, mas não é bem assim. Se houvesse oferta em outros municípios da região, poderíamos falar que tal lei seria uma realidade, mas farinha se produz em Irará e a diferença do preço de um saco de farinha em Irará com relação a outros lugares distantes, trinta ou quarenta quilômetros, é muito grande”
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“Apesar de Nazaré das Farinhas ter essa fama toda, a farinha de Irará é considerada uma das melhores farinhas que existem e, mesmo com uma séria de misturas feitas com a farinha vinda do sul, a farinha de Irará é reconhecida e tem respeito na região.”
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“O Paraná não planta mandioca com o objetivo de produzir farinha. Na realidade eles produzem fécula, o povilho, o que conhecemos como tapioca. A parte que sobra é a parte fibrosa, vem pra cá e juntamente com a farinha iraraense, possuidora de um alto teor de amido, consegui-se um produto intermediário com um custo mais barato. Tanto que se a farinha do sul prestasse, não precisaria vir pra cá misturar com a nossa, eles venderiam direto para o consumidor. E para dá qualidade, ou seja, um melhor teor de amido, eles fazem essa mistura.”
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Produção e comercialização


“Irará é um dos maiores produtores [de mandioca] do estado. Temos de observar que a mandioca não produz somente a farinha, existem uma série de outras alternativas, porém só vemos os produtores de Irará explorando única e exclusivamente a farinha”
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“Sabemos que existem subprodutos da mandioca que poderiam ser aproveitados, por exemplo, na pecuária ração ou como adubo na agricultura”
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“Eu passei quatro anos trabalhando aqui na EBDA [Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário – Irará] e trouxemos uma boa variedade de mandioca, não só se falando em produtividade, mas também em coloração, afinal sabemos que a farinha produzida aqui é colorida artificialmente, então entendemos que existem variedades com a mesma condição de coloração da artificial”
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“Talvez [a coloração] não seria tão forte quanto a artificial, mas em termos de saúde seria bem melhor”
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“No que diz respeito ao preço, a mandioca teria condições de melhorar e muito com relação ao preço que está. Um Saco de farinha hoje [maio 2001], à media de oito reais, não cobre de forma nenhuma o que se chama de custo de produção, ou seja, aquilo que se gasta para a mesma. Aí você poderia perguntar: 'mas como é que ele planta se não cobre o que gasta?'Na realidade, ele só consegue produzir, porque usa a própria família, se fosse fazer comercialmente para pagar mão de obra externa, ele não poderia de forma alguma porque não haveria condições de se trabalhar no vermelho”
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“Se você for a um supermercado e vê farinha de Irará empacotada sendo vendida, verá que o preço dela é bem diferente do preço pago ao agricultor”
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“Organizando uma cooperativa teríamos condições de exportar para outros municípios, o nosso beiju empacotado e padronizado, porque pode-se ver lá fora, onde chega o produto de Irará todos elogiam, porém, individualmente não iremos conseguir nada. ”
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“Se tivéssemos uma instituição formal com CNPJ, nota fiscal e tudo, teríamos plena condição de vender a farinha às grandes redes de supermercado, sem a necessidade de intermediários”

Obs: Após a Primeira Feira da Mandioca (2004) foi criada a COOPRIL – Cooperativa dos Produtores de Rurais de Irará. Desde sua fundação, a entidade vem se esforçando na luta, para sanar dificuldades no setor agrícola.
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A íntegra foi publicada em O TREZE – Informe ativo do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores – Irará – Maio de 2001 – pag. 3 a pag. 6.
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Entrevista foi realizada por Roberto Martins e Agnaldo Francelino em uma dada noite de abril de 2001, na casa do entrevistado, situada à Rua de Ouriçangas em Irará – Ba.

2.12.07

Colóquio tem quarta aprovação consecutiva em edital do BNB


Cordelsita Jotacê Freitas recitando
na feira-livre no primeiro Colóquio em 2005
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“Esse tar, desse de Colóquio, coloca pra fu...”, constata um amigo entusiasmado ao saber da notícia. “É tetra, é tetra, é tetra, é tetra...”, grita outro, parecendo imitar Galvão Bueno, após Roberto Baggio chutar a bola sobre o gol de Taffarel em 1994.
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Emoções à parte, a notícia é verdadeira. O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura de Irará, foi contemplado no edital BNB de Cultura 2008. Junto com as aprovações de 2005, 2006 e 2007, essa é quarta aprovação do Colóquio.
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A Casa da Cultura, que ainda não realizou o Colóquio previsto para 2007, tem agora à sua frente uma garantia de recursos por parte do Banco do Nordeste para a realização de dois Colóquios. Ambos orçados para receber do BNB cerca de R$ 10 mil e ainda podendo captar recursos de outros patrocinadores. Cabe à diretoria, apenas, organizar as suas questões burocráticas e produzir os eventos.
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Assim como as aprovações anteriores, esta também contou com a assessoria da Charanga Comunicação. No entanto, para que “esses caras” (nós) da Charanga não fiquem se achando, pensando que vão ser aprovados em todos os editais dos quais participem, houve um projeto que não foi contemplado. Trata-se do que intencionava ampliação e circulação da Escola de Música Aniceto Azevedo da Cruz, no qual a Filarmônica 25 de Dezembro pleiteava recursos junto ao BNB, mas infelizmente não foi aprovado.
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Acredito que as aprovações do Colóquio neste concorrido edital (este ano o Edital teve 3.260 inscritos e foram aprovados 192 projetos) têm acontecido pelo seu foco veemente nos objetivos propostos pelo BNB. O evento contempla o seguimento da literatura com ênfase na linguagem popular nordestina. A multiplicidade do Colóquio com diversas atividades (palestras, recitais, oficinas, exposições e apresentações artísticas), sua boa relação custo X beneficio e a inserção no município do interior nordestino (Irará), também ajudam bastante.
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Foto: José Falcón - Arquivo Casa da Cultura de Irará

Veja outras divulgações sobre o Colóquio aqui neste Blog.
(o vídeo não estar mais no ar)