25.4.10

Ôh de Casa na ativa



Zé Nogueira celebra a natureza das plantas...





...faz novas peças de artesanato em miniatura...



...inova, “quebra” o pote ao meio, pinta o Sobrado...




... o caminho da roça e pendura na parede...





... prepara o delicioso licor...




... e espera a sua visita...





... é só chegar na Av. Elisio Santana, 419 e chamar pela senha...


Ôh De Casa!


Zé Nogueira e Dagmar esperam por você !

24.4.10

Aumenta isso aí, que é Megadeth no Recife. Visse!

Arte até para fazer anúncio
Grafite divulgou show nas ruas do Recife


Dei uma passada rápida do site do Megadeth e descobri que a banda está no Brasil em turnê. Surpresa agradável.

Mais agradável ainda foi ver Recife integrar o roteiro. A capital pernambucana é parte da turnê sulamericana da banda de metal estadunidense. No Brasil, além de Recife, o Mega também firmou compromisso em Porto Alegre, Brasília e São Paulo.

Fui conferir imagens do show de Recife, acontencido em 20 de abril recém passado. Incrível! A casa completamente lotada e a galera cantando junto.

A energia do público foi elogiada pelo líder da Banda, Dave Mustaine conforme seu post no site oficial do Megadeath. Há uma nota dizendo que Mustaine ficou tão extasiado com a cidade e com tudo lá visto, que andou pensando em vir morar no Recife... (rs)

Também, é difícil não gostar daquela capital. E com shows deste tipo (Recife também já recebeu o som do Iron Maiden), com as bandas e artistas oriundos de lá, com o carnaval multicultural, etc, fica mais fácil ainda.

Uma cidade que, pelo que percebo, cultiva a diversidade cultural e abriu pro rock, em suas diversas vertentes, e pra outras artes também. Aprende Salvador!


Leia relato do show pelo Diário de Pernambuco


23.4.10

Agora tem... até gozação

BA-084 - Saída de Irará - pequena prévia do vem adiante


O governo da Bahia lança uma forte campanha midiática sobre recuperação de estradas no Estado.

Com certeza, diante da prática de muito tempo em se colocar asfalto ruim (“tratamento contra pó”) devem ter muitos quilômetros de estradas merecendo recuperação. E, quem sabe, estão mesmo sendo recuperados.

Por isso, quando ouvi o anúncio do governo no rádio, logo comentei: “Eles só deviam veicular esse comercial nas regiões onde não mais existem estradas em péssimas condições”. Assim não deixaria transparecer para a população, que transita em rodovias esburacadas, tratar-se de uma “propaganda enganosa”.

As duas rodovias estaduais que cortam Irará estão entre as estradas ruins. A BA 504 (Trecho Irará-BR-116) e a BA – 084 (trecho Irará-Coração de Maria). Nesta última há locais já quase intransitáveis.

Curioso é que, justo na semana em que gastei uma grana em impostos automotivos, avistei um outdoor da campanha midiática do governo em plena BA 084.
“Mais de 1.800km de estradas construídas e recuperadas”, diz o anúncio.

A placa disposta bem à margem da estrada – há poucos quilômetros da cidade de Coração de Maria, trás uma bela imagem de uma pista novíssima, em total contraste com a situação da rodovia pela qual estávamos transitando.

Daí pensei: “assim também já é gozação!”.

Comentando sobre o fato, uma amiga me contou que há trechos anunciados nos comerciais de TV que também não foram recuperados.

Em ano eleitoral, um governo que pretende a re-eleição deve ter cuidado com a sua comunicação. Agora tem quem acredite, mas, continuando assim, depois não mais terá. Afinal, ninguém gosta de ser chacoteado.

Veja site da campanha do governo:
http://www.governodabahia.com.br/estradas/#/principal

PS. Infelizmente não foi possivel fazer imagem do outdoor

22.4.10

O “relator” Caminha

Dizem que quando Moises abriu o Mar Vermelho, diante do espanto de todos, o assessor de imprensa teria dito: “isto não foi nada, difícil vai ser conseguir duas páginas na Bíblia para narrar o acontecido”.

Verdade ou não, a figuração nos remete ao fato de que a invenção da escrita proporcionou ao homem guardar acontecidos para tempos futuros. Daí, a comunicação é de grande importância para história. Correspondências, notícias, anúncios, relatos...

O fato registrado pode se tornar a garantia do acontecido ou, ao menos, a versão mais difundida do mesmo.

A chegada oficial portuguesa em terras tupiniquins, por exemplo, foi registrada pela carta de Pero Vaz Caminha. Na leitura do relato temos o encontro entre o homem branco português e os antigos habitantes da terra brasílis.

Há descrições do povo e do local encontrado, com elogios recorrentes à beleza das pessoas. Sobre uma delas Caminha escreve:

“era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições envergonhara, por não terem as suas como ela”

Outras passagens deixam clara a visão colonizadora e catequizante dos portugueses. Posições implícitas nas impressões do autor como “gente de tal inocência”, “não têm nem entendem crença alguma” ou “imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar”.

O fato é que a carta de Caminha é um documento importante quando o assunto é colonização portuguesa no Brasil. Como iríamos lembrar, com tanta precisão, os tempos nos quais Pedro Álvares Cabral avistou as terras brasileiras, caso o almirante não tivesse um “relator” em sua esquadra?

Acho que, talvez por já ter conhecimento da importância dos seus serviços, diferentemente do “assessor de Moises” que se pré-ocupava de quanto espaço aquela noticia iria merecer, Caminha já pedia um favorzinho ao Rei de Portugal, no final de sua carta.

“Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê”

Assim, como relata a Carta de Caminha, os Portugueses chegaram oficialmente à América. Assim caminha o relator. Assim caminha a humanidade.

Leia a Carta de Pero Vaz de Caminha na íntegra:

http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html

22 de abril de 2010 – 510 anos depois.

21.4.10

21 de abril: feriado

A que servem os feriados?

Não vale responder para passear, viajar, curtir, festejar, etc.

Entre os feriados, tem os santos (natal, páscoa, São João, etc) e os políticos (Independência, Proclamação da República, Tiradentes, Dia do Trabalho, etc). Por hora, me furtarei de falar dos santificados e, voltando-me aos políticos, re-faço a pergunta inicial: A que servem os feriados?

Feriados políticos devem ter sido institucionalizados para marcar ou fazer reflexões acerca dos acontecidos referentes às suas datas. Ao menos, há algum tempo atrás parecia ser assim. O dia podia ter palestra, seminários, desfile, exibição de filme ou qualquer ato público, discutindo o assunto motivador do feriado.

Com comércio e repartições fechadas, “parava-se” a cidade com intuito de sobrar tempo para refletir o motivo da co-memoração (de memorar juntos).

Além disto, nas semanas que antecipavam o feriado, as escolas costumavam tematizar as datas, trabalhando conteúdos com seus alunos em sala de aula. Hoje, ao que parece, tudo isto ficou démodé. E o feriado demonstra está limitado aos motivos para os quais não pedi resposta, causando lamentações quando acontecem no meio da semana.

Por exemplo, hoje, quarta-feira, 21 de abril, é feriado em memória de Tiradentes. Para alguns, um mártir. Para outros, um bode expiatório.

Coincidentemente, o cenário político nacional das ultimas décadas registrou duas mortes de políticos nesta mesma data. Tancredo Neves e Luis Eduardo Magalhães.

O falecimento do primeiro, então presidente eleito, mostrou que o Brasil havia mudado pra ficar igual, diante da ascensão do vice, José Sarney, como primeiro presidente civil pós Regime Militar (1964-1985). A partida do segundo, Deputado Federal, significou, para muitos, o passo inicial para a derrocada do carlismo na Bahia.

Por aqui, em terras de onde os paiaias se foram para nunca mais ter retorno, a data marca a fundação da Casa da Cultura de Irará, sonho de desenvolvimento artístico e intelectual, cunhado por Aristeu Nogueira Campos.

Etimologia

Datas e motivos à parte; resolvi pesquisar um pouco sobre esta história dos feriados. E não é que tem a ver com o descanso... Pra quem trabalhou, é claro. Vejam o que encontrei:

Segundo o Yahoo Respostas:

A palavra deriva de “féria”, que seria o valor que um trabalhador receberia por um dia de trabalho.

Aliás é por isso que os dias de semana terminam com a palavra “feira”, menos o sábado e o domingo, pois nestes dias “não se trabalha”.

Já o “feriado” indicarai um dia onde não se precisa trabalhar, pois “já está pago” (já recebeu a féria, já está “feriado”). O mesmo se aplica ao descanso anual, a que chamamos de “férias”.

6.4.10

Um bate papo com @s nov@s colegas


O Quinta Aqui é uma atividade realizada pela Produtora Jr. da Facom. O evento objetiva aproximar os alunos e egressos da Faculdade de Comunicação da UFBA.

A intenção é o relato de experiências de quem, até pouco tempo, era estudante da Faculdade e hoje está no mercado de trabalho.


Fui convidado pela Produtora para participar da primeira edição do evento em 2010. Dividi a mesa com o colega Lucas Cunha, hoje no A TARDE. Eu estava ali como egresso do curso de Produção Cultural e ele de Jornalismo. O evento aconteceu em março durante a Semana do Calouro 2010.1.


Falar de mim e de minhas andanças no território da Produção Cultural, pode até massagear o ego, mas o melhor daquela manhã foi a interatividade com @s nov@s colegas.


“Sim... mas vc é realizado financeiramente?” – Questionou um aluno.


“Não. Ainda não...” – respondi, complementando que o Produtor Cultural não é um profissional com garantia de retornos financeiros. Depende de muitas variáveis, de esforço incomensurável, dedicação e... pode crer, muita sorte. (rs)


Casos, histórias, fatos, considerações. A “palestra” fluiu bem. Lugares onde trabalhei, currículo acadêmico, projetos realizados, desafios encontrados. Entrou em pauta também uma discussão sobre a grade curricular do curso e suas disciplinas praticas e teóricas.


“Prestem atenção no nome da graduação: Comunicação Social – Hab. em Produção em Comunicação e Cultura!”


Frisei a “comunicação” para lembrar que o curso focalizou sua ação na “Produção Cultural”. Estuda-se gestão cultural, política cultural, oficina de produção cultural, elaboração de projeto cultural e não se tem atenção relevante à produção em comunicação, a exemplo de programas televisivos, como bem lembrou um estudante.


Diante da troca de constatações, lembrei do velho argumento que já falávamos nas velhas discussões para a reforma curricular nos meus tempos de discente de Produção. “Se é pra ser ‘gestão cultural’, talvez essa habilitação estivesse mais confortável junto à graduação de administração”.


Sobre percalços do trabalho na área, lembrei que em Produção nós temos sempre de prever o imprevisível. “É como nos lembra Cristiane Olivieri em seu Guia de Produção Cultural, temos de driblar Murphy”. Disse-lhes que tudo deve ser feito com tempo calculado e soluções alternativas, porque na hipótese de algo dá errado, já estamos cobertos.


Daí comecei a contar-lhes um caso hipotético. “Num translado programe a viagem com tempo de folga e se possível com carro reserva. Por menor que seja a possibilidade você tem de pensar que o carro vai quebrar”. Daí lembrei: “e já aconteceu comigo!”.


“O grupo Pirigulino Babilake estava indo tocar em Irará, numa Van 0km, era a primeira viagem da Van e... quebrou!”. Mal souberam eles, que esse foi só um dos probleminhas daquele dia...


E sejam tod@s bem vind@s ao excêntrico mundo das produções
culturais.

PS. Agradecimentos à Produtora Júnior e a Felipe Santana pelo convite e dedicação na realização desta edição do Quinta Aqui.

Foto: Produtora Jr.

27.3.10

A Lupa 7 tá na rua

Professora Graciela (de preto) entre os estudantes

Gente, em textos publicados nesse blog já rolou algumas indicações e links para a revista Lupa Digital. O site da revista funciona como produto laboratorial da Disciplina COM 126 – Oficina de Jornalismo Digital, da Facom.

Pois bem. A Revista Lupa também tem a sua versão impressa. E, assim como a digital, funciona como uma produção laboratório. A disciplina em questão é a COM 122 – Comunicação Jornalística.

Cursei a disciplina em 2009.1. A turma ficou responsável por fazer o número 7 da revista. A edição está recheada de temas interessantes como: Faculdade da Terceira Idade; Seu estágio é legal?; Mapas digitais; e O Mundo precisa de palhaços; entre outras. A coluna "Ilustrado" trás a reprodução de uma das belas telas do nosso conterrâneo João Martins.

Agora, após prazos de gráficas e burocracias universitárias, a revista tá na rua. Você pode encontrá-la gratuitamente em cinemas, teatros, faculdades e outros pontos de Salvador.

Os que, infelizmente, não conseguirem assegurar um exemplar da Lupa 7, podem conferir a edição na sua integra pela internet. É só clicar AQUI!

25.3.10

“Batatadas” da Globo

Nem mesmo obrigada a Rede Globo quer prestar serviços a população nos seus programas de maior audiência. Vida inteligente? Só na madrugada, nas altas horas. Ou então, de manhã bem cedinho. Ou, quem sabe, em qualquer horário quando é reduzidíssimo o número de pessoas frente ao televisor. Honrosas exceções aos seus canais por assinatura.

A aparente intenção, de horários diferenciados a qualquer programa que possa presta serviço, se mostra ainda mais reveladora diante da notícia “MPF quer que BBB 10 esclareça como se contrai AIDS”, veiculada no site do Yahoo.


Marca da Globo: A emissora também
é conhecida como "Venus Platinada"


O texto informa que a vontade do Ministério Público Federal se dá graças a um monte informações distorcidas sobre a doença, ditas por um dos participantes do reality. Em diálogo entre “Brothers”, o rapaz teria dito, em meio a outras inverdades, que “hétero não pega AIDS”.

De acordo com a notícia, diante do fato, o apresentador Pedro Bial apenas se limitou a dizer que: “As opiniões e batadadas emitidas pelos participantes deste programa são de responsabilidade exclusiva deles. Parta ter acesso a informações corretas sobre como é transmitido o vírus HIV, acesse o site do Ministério da Saúde”.

Interesses

Será que a emissora teria grandes prejuízos se “perdesse” dois minutinhos do programa dando os esclarecimentos necessários? Acho que sim. Afinal, o lucro e não a prestação de serviços à sociedade deve ser a motivação. De tal maneira, ao invés de prestar os esclarecimentos necessários, a emissora, de acordo com a notícia do Yahoo, segue querendo dá desculpas para o MPF.

Insiste-se na tese de que aquela não é uma opinião da Globo. E, ainda segundo informações do Yahoo, argumenta-se também que: “o esclarecimento feito pelo apresentador do programa foi a providência tomada pela TV Globo, por liberdade”.

Esclarecimento!? Qual!? Ah! O “tá no site do Ministério”? “nosotros estamos muy esclarecidos”. Principalmente aqueles, “nós outros brasileiros”, com internet em casa e super dedicados a leituras e pesquisas.

Desparecidos

O fato não parece novidade. Há muito se percebe que a Vênus Platinada só relega maiores atenções para problemas sociais, quando eles atingem personagens de Manoel Carlos ou Glória Peres.

Na época em que uma novela global abordou o tema de crianças desaparecidas era possível ver fotos e nomes de pessoas, das quais não se sabia o paradeiro, aparecendo durantes alguns segundos no vídeo. As aparições aconteciam em intervalos do JN ou de outros programas.

A própria Globo propagandeava à época, que a ação estava possibilitando o re-encontro de muitas crianças e seus familiares. Mas... A novela acabou e, junto com ela, a campanha pelo encontro de desaparecidos desapareceu (desculpe-me a redundânica).

Novela Global de 1995 abordou
tema das crianças desaprecidas.


Será que só havia crianças desaparecidas no Brasil enquanto a novela tava no ar? Ou será que dá grande prejuízo perder cinco segundos de anúncio de um intervalo comercial? Não sei.


Sem aparentes preocupações com questionamentos ou respostas, a maioria dos brasileiros, nas suas mais de 04 horas diárias de frente a TV e, principalmente TV Globo, seguem enchendo o saco... de batatadas.

* imagens tomadas de empréstimo no google imagens

18.3.10

O Caçador de Pipas e as presas do império

A simples menção à palavra “Best Seller” já dá um tom comercial. Isto pode gerar certa repulsa. Afinal, tudo que cheira a “mercado” trás uma idéia de algo muito bem planejado para vender. Como se fosse coisa sem alma, de conteúdo efêmero.

O editor forçou a divulgação na crítica com muita grana. Os mestres receberam vantagens para recomendar a obra. Uma mega campanha de lançamento foi feita... Ou qualquer outro tipo de suspeita passível de ser explicitada pela teoria da conspiração.


Tais suposições, contudo, não me impediram de adquirir uma unidade de “O Caçador de Pipas”. A “obra sucesso” de Khaled Hosseinei, distribuído no Brasil pela Editora Nova Fronteira, estava disposta numa torre formada por dezenas de exemplares logo na entrada da livraria. Bateu curiosidade, trouxe pra casa.


Junto com a oportunidade de ler uma obra comentada, a compra de “Best Sellers” tem o benemérito de nos deixar “in”. É como ver programas tipo Big Brother. A gente tem de, no mínimo, saber como funciona pra não ficar por fora do assunto quando estivermos em determinadas mesas de bar...


Conteúdo


Saindo das divagações sobre o conflito undergroud x mainstream, vamos ao comentário sobre a obra. A leitura é prazerosa. E, acredite, despido de qualquer possível preconceito a um “Best Seller”, eu recomendo.


A narrativa da historia de Amir e Hassan, como diz no texto da orelha do livro, nos convida a pensar sobre “a frágil relação entre pais e filhos, entre seres humanos e seus deuses, entre os homens e sua pátria”. Amizade, traição, paixão... Tá tudo ali.


Da leitura, alguns trechos me chamaram a atenção. Entre eles, a passagem na qual Amir quer testar a amizade de Hassan e acaba sendo testado:


O jovem pergunta ao amigo se ele comeria cocô pela amizade deles. Hassan responde que sim, para logo em seguida questionar: “Será que algum dia você me mandaria fazer uma coisa dessas?”.


A resposta-pergunta de Hassan soa como uma provocação. Algo do tipo: “será que vc seria meu amigo mesmo se fizesse isso?”.



História dos meninos foi transformada em filme

Poderia separar diversos outras passagens do livro em seus ensinamentos de entrelinhas, mas, para não me alongar, concentrarei atenção em dois grupos de tópicos.

Sinceridade

“Mas é melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta”

“esse é o problema das pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é.”

Infância

“As crianças não são cadernos de colorir. Você não tem de preenchê-los com suas cores favoritas.”

Destino


“pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias, às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da vida inteira”

“Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo”

Paternidade

“percebi como boa parte de quem eu era, boa parte do que eu era tinha sido definido por baba e pelas marcas que ele deixou na vida das pessoas. Durante toda a minha vida, fui “o filho de baba”. Agora, ele tinha ido embora. Nunca mais poderia me mostrar o caminho a seguir. E eu ia ter de descobrir isso sozinho. Essa idéia me deixou aterrorizado”

“Que tipo de pai eu seria, ficava imaginando. Queria ser exatamente como baba e ser inteiramente diferente dele”



O império contra-acata, nas entrelinhas é claro

Se as passagens acima nos levam a saudáveis reflexões, o livro tem outras que nos trazem certas desconfianças quanto aos seus méritos de “Best Seller”. Tais como nos recortes abaixo:

“Pelo que vejo, os Estados Unidos infundiram em você o otimismo que fez deles um grande país. Isso é ótimo. Nós, os afegãos, somos um povo melancólico, não somos?”

“os comunistas eram a escória mesmo. Eram todos gente de famílias humildes, sem estirpe.”

“Você cresceu nos Estados Unidos, Amir. Se há uma coisa que aquele país me ensinou é que, para eles, desistir equivale a mijar na jarra de limonada das bandeirantes”

Pois bem. Alguém pode inferir de leituras de frases como as demonstradas acima, entre outras passagens do livro, que a narrativa releva à terra do Tio Sam a imagem de um grande país. Uma pátria na qual “todos” têm oportunidades “iguais”.


Burka para as mulheres, imposição Talibã

Quanto à história do Afeganistão, o livro evidência um pais livre, onde as pessoas são felizes com os seus costumes e as crianças brincam em campeonatos de pipas. Até que chegam os comunistas...

Os relatos à repressão comunista aos afegãos mostram quem são os dominadores e por quem são patrocinados. Pela Rússia é claro. No entanto, quando os fundamentalistas Talibãs tomam o poder dos comunistas e a situação fica ainda mais drástica no país, o livro não trás maiores menções.

Através das páginas de O Caçador de Pipas não dá saber quem sustentou e patrocinou o regime Talibã para derrubar os russos (um doce pra quem adivinhar!). Seria irônico se talvez, quem sabe, fossem aqueles mesmos que tempos depois quiseram “libertar” o Afeganistão dos mesmos Talibãs.

Assim, Teorias da Conspiração ou os jovens sonhadores dos anos 1960, talvez chamassem o livro de propaganda imperialista enrustida. É fácil imaginar que quem prega o seu “way of life” tão bem através do cinema e da TV igualmente o queria fazer através da literatura.

Daí, um empurrãozinho para um bom livro se tornar um “Best Seller” não é nada mal. Lá vai muita gente boa consumindo propaganda subliminar e, se não tiver cuidado, vai sustentar a condição de presa do império
.


O Tio Sam ainda quer você


P. S. Depois de lido o livro, é hora de ver o filme e entrar na velha discussão: “o roteiro foi fiel à obra?”. Além de, por alguns instantes, substituir pelo olhar do diretor todas as imagens anteriormente feitas em nossa cabeça através da leitura.


Imagens tomadas de empréstimo do Google Imagens

25.2.10

O fogo apagou

Lirinha e o fogo do seu candeeiro


A notícia trás um breu no cenário musical brasileiro. O fato é o fim da banda Cordel do Fogo Encantado. Quem pôde ver, viu. Quem não viu, não verá ( ao vivo é sempre melhor).

Eu tive sorte de assistir alguns shows do Cordel em Salvador. Num deles, saí tão empolgado que acabei rabiscando algumas linhas. Para mim, era impossivel não se encantar a cada vez que ia a um show daquele grupo que conheci na Rádio Facom. Eram os meus tempos de batismo na Faculdade. Trilha sonora de boas memórias...

Valeu, e muito, enquanto durou. E sem motivo aparente algum, o Fogo do Cordel se apagou, mas a chama permanecerá acessa nos olhos e ouvidos de todos. E vai faiscar na mente de quem relembrar, ouvir um CD ou assistir um DVD.


Leia notícia do Correio Braziliense


* foto do google imagens

8.2.10

Do jardim para o canteiro*


Aceitei o desafio de dirigir a parte do jardim público a mim confiada. Foi uma escolha difícil. A roda viva do destino, havia pouco, tinha jogado em meu colo a responsabilidade de assumir o controle do canteiro lá de casa.

Era hora de estar à frente daquele pequeno jardim particular. Benfeitoria construída à base de muito suor e sacrifício. Pensei que seria possível conciliar a atuação no pequeno e no grande jardim. Não deu. Algumas tempestades fizeram-me perceber ser o momento de estar mais dedicado ao canteiro.

A labuta, na parte do jardim público na qual estive à frente, foi difícil. O clima encontrado não favorecia o alvorecer. A atenção anteriormente dada e, na maioria das vezes, ainda relegada e requerida, era apenas para as plantas de papel ornamental. O foco no imediatismo priorizava o interesse nas flores e adereços decorativos. Pouco importava se eles não tivessem vida, não tivessem garantia de continuidade, fossem fadados ao continuísmo e que amanhã já estivessem desbotados; na lata de lixo mais próxima.

Parecia não ressoar o nosso alerta da necessidade de re-vitalizar as velhas árvores frondosas e preparar o solo para o germinar de novas e exuberantes plantas naturais. Além das intempéries, ainda vimos o afastamento, ou a não possibilidade de participação, de companheiros de outros tempos e projetos de jardinagens.

As ervas daninhas e espinhos encontrados vão deixar marcas, mas não serão as únicas lembranças que guardarei desta experiência. As feridas abertas se tornarão cicatrizes. Estarão fincadas como a raiz de uma grande árvore decepada pelo seu tronco. E, por incrível que pareça, com o passar das estações, apenas as boas lembranças estarão marcadas neste caule amputado.

Recordaremos as sementes que começamos a plantar. Dos rostos felizes já com os preparativos para uma possível florada futura. Das mensagens de incentivo, torcendo e pedindo pela continuidade sacrificante do trabalho recém iniciado. Os colaboradores entusiasmados, com regador em punho, ansiando pelo momento no qual as mudas apontassem as primeiras folhinhas. Peço desculpas a todos estes amantes das flores e digo-lhes para não perder as esperanças. O amanhecer sempre virá.

Agora, neste momento específico, volto-me para o canteiro lá de casa. Honrar pai e mãe é um dos mandamentos. Buscarei respeitá-lo. Quem sabe, neste tempo que virá, terei oportunidade de apresentar o nosso projeto ecológico a outros ou ao mesmo jardim. Quem sabe outra tentativa, outro momento ou ambiente mais favorável, talvez desfrutando de mais operários e de ferramentas necessárias. Por hora, é tempo de se afastar do jardim público.

“Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar e a renascer inteira” Cecília Meireles

* Texto inspirado em “A Travessia” de Freio Betto e “Sobre Política e Jardinagem” de Rubem Alves.


imagem de banco de imagens de internet:
http://www.sxc.hu/


16.12.09

João Martins em Feira

João na Exposição Curumins e Passarins. Irará, abril/2009

Em cartaz a exposição “A poesia das coisas” de João Martins na Sala Carlo Barbosa no Cuca em Feira de Santana. A abertura foi na quarta-feira, dia 09/12 e os trabalhos ficam expostos até o dia 31/12. Escrevi um breve perfil de João Martins para a Lupa Digital. No texto, é possível acessar links para outros escritos e informações sobre a exposição e sobre o trabalho de João Martins.

* foto: Edson Machado

13.12.09

Moska em Serrinha

Gelo seco e violão, um flagrante inesperado...


Aconteceu entre os dias 02 e 06 de Dezembro mais uma edição da Semana de Cultura de Serrinha. Desta vez o evento contou com maior apoio da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, dirigida pelo amigo Sandro Magalhães.
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Creio que, por conta da participação do Poder Público, esse ano a Semana pode contar com mais atrações, entre elas nomes como os de Peninha e Paulinho Moska, além das participações de Fabio Paes, Jota Veloso e Alisson Menezes, entre outros.
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Tem Moska na programação? Arrumei tempo na agenda, botei a mochila nas costa e fui. Cheguei já quase na hora do show.
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É que antes passei por um enorme atraso injustificado na rodoviária de Feira de Santana. Foi uma Plenna falta de respeito com o passageiro. Parecia não ter santo pra dar jeito naquela situação. Eu não podia e nem era doido de apelar pra São João. Como diz o ditado “esperar... só por Deus”.
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O show foi muito bom. Ele começou “colocando um ponto final”. Um mero “sinal de que tudo na vida tem fim”. No set list canções como “Lagrimas de Diamantes”, “O Jardim do Silêncio”, “A idade do Céu”, “Pensando em Você” e “Relampiando”. O público pede bis. “O último dia” termina a festa.

Bate papo: Lembranças do show do Parque da cidade em 2007
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Depois, tive a sorte de trocar uma idéia com o artista da noite. Alguns comentários sobre a apresentação e lembranças do último som dele que presenciei no Parque da Cidade em Salvador. Um evento marcante para qual escrevi um relato na época.
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Valeu a Semana de Cultura. Parabéns a Sandro e equipe. Força, luta e perseverança! Valeu a atitude de trazer Moska. Valeu a viagem. Valeu o som. Valeu à pena. “Sou pescador de ilusões”. Nem só de “Valeu Boi” vive Serrinha. O Rappa na Vaquejada parece já ter sido um sinal. E tudo na vida tem fim.
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7.12.09

O passeio de Tom Zé em Irará

Imagem de Tom Zé no palco da Feira da Mandioca


Mais um texto sobre a vinda de Tom Zé a Irará. Desta vez, o escrito relata a ansiedade demonstrada por Tom na hora da passagem de som, o público heterogêneo para o qual o tropicalista tocou na Feira da Mandioca e algumas opiniões do público. Ao final, tem algumas narrativas da agenda de Tom Zé na cidade e uma pequena reflexão, comparando o momento com os versos da música menina Jesus. O texto foi postado na Lupa Digital e o título é O passeio de Tom Zé em Irará.

18.11.09

Não é de hoje que defendemos um show de Tom Zé em Irará...

o show de Tom Zé foi a relização de uma vontade antiga nossa. Embora, alguém possa ter esquecido, sonhamos com isso desde 1998, dentro do Projeto Verão Ativo. Na época cheguei a telefonar para um mangagão e.... (melhor esquecer)
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Em 2008, cheguei sugerir pessoalmente, durante a abertura do Colóquio de Literatura Popular, a membros da gestão municipal da época para fazer o show, no que fui ridicularizado (na política deles só havia espaço para grupos tipo "Novo Tom" ou "Bonde do Maluco" ao invés de Tom Zé).
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Sobre isso, vejam texto que escrevi e enviei à lista de e-mails "iraraense" (ainda não tinha blog) em 10/06/2005.
O velho Tom Zé no lugar do Novo Tom.
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Por Roberto Martins
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É Tom Zé no Le Monde, no The York Times, na Alemanha, no globo inteiro. Turne no Brasil e no Mundo, só não passa em Irará. Talvez a terra natal do compositor baiano seja mesmo um “lugar improvável” (assim o Le Monde se referiu a lugar onde Tom Zé nasceu) para estar na agenda do Tom.
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Culpa dele? Acho que não. Tom Zé é um artista consagrado e como tal merece respeito. Cobra cachê e precisa receber pelo seu trabalho. Portanto, ninguém espere que Tom Zé dê uma de santinho e diga: “oh minha gente, valei-me minha menina jesus, não se descabelem que nós vamos fazer um show em Irará”.
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As evidencias nos levam a crer que não existem maiores interesses pelo show de Tom Zé na sua terra natal (ao menos da parte daqueles que podem contrata-lo). Tão Zi, como diriam os estadunidenses, é genial, toca músicas inteligentes e tudo mais, mas vejam vocês, o tropicalista saiu de Irará nos anos 50, e caminha para fazer 70 anos de vida. Mesmo que ele pule, cante, corra, grite e “trepe” com o vilão durante o show, vai ter gente tachando-o de velho. Quem sabe seja por isso que os iraraenses não estejam interessados em ouvir o velho Tom, mas sim o Novo Tom.
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Novo Tom é nome de um grupo de arrocha, estilo de música que nas palavras do professor Jorge Portugal, na tela do Fantástico, “é um movimento pós tropicalista e pós tribalista que surge da periferia para o centro”. Profundo, não? Talvez. Mas explicações à parte, o Novo Tom se destaca entre os grupos de arrocha pelo diferencial de suas letras. Elas não choram dores como as de Silvano Sales, se dizendo carente. Elas apostam num relacionamento de “método mais moderno”: “... Menina malcriadinha/ Leva tapa na bundinha/ mas este tapa/ vai ser bem gostosinho/ você vai até gostar/ e vai pedir mais um pouquinho/ dá um tapinha na bundinha/ ai!”.
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Pois é. Se você já ouviu os versos acima, entoados a partir de um porta malas de carro em porta de bar, agora já sabe conhece o grupo. Se não, não se preocupe, pois terá a oportunidade de conferi-los ao vivo, porque o Novo Tom, ao que tudo indica, será a principal atração do São João de Irará em 2005.
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Calma gente! Não se precipitem. Não defenderei um show de Tom Zé no São João. Defendo um show de Tom Zé em Irará. Mas enquanto isto não acontece, fico por aqui “uruburservando”. Estudando o pagode e quem sabe o arrocha também. Acho até que vou perguntar ao Macaco Simão se já inventaram colírio alucinógeno para os ouvidos.
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