22.2.13

João Martins colore programa de TV


Por Roberto Martins
em abril de 2004 

O Programa de entrevista Gente.Com da TVE –Bahia, que foi ao ar às 23:30 de quarta 28 de abril,  teve um colorido especial. 

Como um dos entrevistados da edição, cujo tema foi "Artistas baianos que fazem sucesso lá fora", João Martins contou um pouco da sua trajetória no mundo das artes, para a entrevistadora Denny Fingergut. 

Num bloco todo dedicado a ele, o iraraense lembrou do seu passado, inspiração de sua obra; revelou projetos futuros, que pretende realizar em breve; e até contou como foi apelidado de "O poeta da Cor". 

O menino que gostava de contemplar o por do sol, ouvir o canto dos passarinhos e saborear as frutas da fazenda de seu avô, saiu de Irará aos vinte e sete anos para conquistar o mundo. 

"Eu já era artista e nem sabia", revela João Martins que antes de morar em Salvador desenvolveu um pouco de sua arte na terra natal, onde têm registrado marcas importantes, a exemplo do símbolo da gloriosa Filarmônica 25 de Dezembro. 

Todavia, nem tudo fora tão colorido na caminhada  do artista.  Antes de ser reconhecido, ele foi bilheteiro de cinema e bancário. Conforme atestou em seu depoimento, revelando ter convicção dos seus dotes artísticos desde cedo, mas precisava de garantias, pois ainda não era possível viver da arte. 

Quando acreditou  estar no momento certo, João foi para escola estudar, "por respeito a arte, porque não basta ter o Dom", justificou. 

Foi em seus estudos artísticos que João Martins encontrou a obra de Floriano, seu mestre, em quem o trabalho dele se inspira e pessoa que o batizou com a alcunha de "Poeta da Cor", nascida numa exposição com o título de "Poesia das Cores". 

Apelido merecido, não só pela exuberância de cores em sua obra, mas também porque o artista escreve e expõe poesias, as quais, servem de roteiro para quem deseja "viajar" em suas telas. 

Poeta e pintor, este iraraense que já conta pouco mais de 40 anos e pai de três filhos, tem a honra de já ter visto suas poesias e pinturas publicadas numa série de cartões telefônicos da Telemar e de ter exposto os seus trabalhos na cidade de Milão na Itália. 

"Exagerei nas cores, e fiz de propósito, queria mostrar aos europeus as frutas brasileiras. As mais bonitas e mais gostosas do mundo". Diz Martins, com o bairrismo típico de quem é iraraense e não esquece as suas raízes.

Dentre as muitas lembranças de Irará marcantes nas pinturas de João, uma ave tem lugar cativo. Perguntado sobre esta freqüência, ele respondeu tratar-se de um pássaro de nome "sofrer", o qual ele via sempre na casa de Tonho de Neca, seu sogro, em Irará. Nomeado de Inácio, o passarinho  tem trazido sorte ao artista, que busca além da natureza, outras inspirações na sua terra de origem. 

Situada entre o recôncavo e o sertão, Irará possui diversas manifestações culturais, mas é na arquitetura que o pintor vai colher inspiração para o seu mais novo projeto. 

"Uma cidade antiga, com casarões lindos que estão sendo destruídos", lamenta. Entretanto, para não ficar só no lamento,  João Martins está registrando a imagem daquelas edificações nas suas pinturas, através de um projeto chamado "Igrejas e Casarões", idealizado por um amigo chamado Edson, "um empresário sensível a arte", nas palavras do pintor.

Durante o programa foram exibidas imagens das obras e dos cartões telefônicos com a arte de João. Ao final, ele se despediu com a graça e cordialidade que lhe são típicas. 

Assim um artista das cores e das palavras, levou um "colorido" a mais para um programa televisivo e este que vos escreve, já não via mais em sua frente um modesto monitor de TV 14 polegadas, mas sim uma obra artística, como se fosse uma tela exposta na parede da sala.

15.1.13

O passeio de Tom Zé em Irará


Publicação original em 04/12/2009 site da Lupa Digital 

Feira da Mandioca de Irará teve show de Tom Zé

Como diz a citação de Tolstoi, Tom Zé “tornou-se universal cantando a sua aldeia”. Ele não se cansa de mencionar as suas origens e, assim, tornou-se o principal garoto propaganda de sua terra natal, Irará.

A maioria da população iraraense, por sua vez, não conhece a obra de Tom Zé. Ainda há os que o criticam devido certo distanciamento presencial de Tom com a terra. Esta relação de Tom Zé com sua “aldeia” já chegou até ser discutida em artigo acadêmico. 

No sábado, dia 14 de novembro, esta dicotomia foi colocada à prova. Naquela data, Tom Zé fez uma apresentação inédita numa praça pública da cidade. E, também pela primeira vez, os conterrâneos viram um show de Tom Zé acompanhado da sua banda. A apresentação aconteceu dentro da programação cultural da Feira da Mandioca de Irará.

O show causava apreensão no próprio Tom. Quase um mês antes, o tropicalista postou no seu blog um pouco da expectativa descrita como “véspera de natal e coração assustado”. Na hora da passagem de som a sua preocupação era visível.

Passagem de som

Tom parecia tenso. Queixou-se à produção da Feira. “Eu to com um disco sofisticado (referia-se ao Estudando a Bossa), como é que vocês querem que faça uma apresentação aqui? Tem muita barraca de bebida, vai ter gente bebendo… não vão prestar atenção na música”.

Com certeza, o ambiente não era o mesmo do concerto da noite anterior acontecido na sede da Filarmônica 25 de Dezembro.

A ansiedade aparente de Tom contrastava com a tranqüilidade do VT de divulgação da Feira da Mandioca. O vídeo foi veiculado pela TVE – Bahia e o próprio Tom Zé era o anunciante. “Estou levando para Irará o mesmo show que levo para França, pra Suíça…”

O alivio, contudo, voltou tão logo foi evoluindo a passagem de som. Aos poucos juntaram-se curiosos e fãs. Eram admiradores iraraenses e de outras cidades que já haviam chegado para o show.

Ao final da passagem de som, Tom Zé já se apresentava mais calmo. Era visível uma sintonia entre a banda e a técnica da sonorização. O tropicalista agradeceu ao pequeno público que se postava em frente ao palco. “Obrigado pela participação de vocês, mais tarde a gente volta e vai dá tudo certo”.

Show

Repertório precisou ir além do Estudando a Bossa

Quando voltou para o show, Tom Zé já demonstrava bastante tranqüilidade. Retrucou a apresentação feita pela organização do evento, tecendo loas á sua carreira. Suas primeiras palavras foram: “Com vocês, Tom Zé, o vagabundo de Irará. Agora sim, sei que estou devidamente apresentado”.

Sabendo que tocava para um público bastante heterogêneo, num local onde minutos antes do show, imperava em alto volume nos carros e barracas os sucessos de arrocha e do forró eletrônico, Tom Zé não concentrou o show no repertório do Estudando a Bossa.

O set list, definido minutos antes do show, mesclou a apresentação com antigos sucessos e, claro, músicas que mencionam Irará, como o “Abacaxi de Irará” e a “Lavagem da Igreja de Irará”. Esta, espécie de hino da Lavagem da Cidade, é quase a única música conhecida por grande parte da população.

Também fizeram parte do show Nave Maria (primeira da noite); Augusta, Angélica e Consolação; Jimi Renda-se; Ogodo Ano 2000; entre outras conhecidas de quem acompanha a carreira de Tom, como 2001. “Dona Rita Lee mandou um abraço para vocês”, disse Tom Zé antes de cantar a música fruto da parceria entre ele e a rainha do rock brasileiro.

Considerações



Kitute de Licinho escreveu cordel para o idolo

Na platéia, envolvendo cerca de 6 mil pessoas, a demarcação do Território era nítida. Da House Mix para frente, o público que curtiu o show e pediu bis. Para trás, as pessoas que se queixavam “isso não vai acabar não?”.

Para o jovem Produtor de Eventos e colunista de site de forró, Antônio Ricardo (o Kaká D’Irará), “o show de Tom Zé é algo para um teatro”. Ele complementa dizendo que ouviu os comentários na rua de que a organização do evento teria trazido a atração que “eles gostam não que o povo gosta”.

Próximo de um dos stands da feira, uma jovem da zona rural avaliava a apresentação como “um maluco, uma banda maluca, todo mundo com cara de maluco”. Já outra, mais próxima ao palco, ria muito, dançava e até tentava aprender as canções na hora do show.

A estudante Janete Bispo, que sempre disse não gostar da música do conterrâneo tropicalista, no dia seguinte confessou: “Mudei meu conceito sobre Tom Zé”.

Já o cordelista Kitute de Licinho disse sem arremedo. “Eu sou fã”. A admiração de Kitute rendeu edição especial em homenagem ao ilustre iraraense. “Tom Zé: Brilho – Anonimato – Ostracismo – Estrelado”.


Tropicalista entre membros da Chegança

Chegança

O folheto de Kitute resume a trajetória de Tom Zé e, assim como um seminário realizado na cidade, na semana anterior ao show, serve de introdução rápida à carreira do tropicalista, desconhecida por grande parte da população do Irará.

A exceção fica por conta dos amigos, fã e admiradores, de ontem, de hoje e do amanhã. Alguns deles estavam concentrados na Praça da Purificação na quinta-feira, dia 12 de novembro, aguardando a chegada do ilustre conterrâneo.

O espaço era dividido com crianças de uma escolada cidade que, talvez nunca tenha ouvido uma música de Tom Zé, mas conhecem a “fama” do Filho de Sr. Everton Martins. E eles estavam lá para receber Tom, junto da Banda de Charanga e da Chegança.

A apresentação do Folguedo Popular, cujo enredo dramatiza a chegada dos marujos mouros em terras portuguesas, da qual Tom Zé desconfiava que nem mais existisse no Irará, agora funcionava como saudação a ele próprio.

Um artista aclamado no mundo e com sua obra quase que totalmente desconhecida na sua cidade natal. A alguns não incomodava desconhecer a obra. O importante naquele momento era a badalação. Fotos para Orkut, comentários, estar perto, falar da importância do evento…

Assim Tom Zé voltou a Irará. Com os “óculos e escuros”, como disfarçando a sua visão aguçada, quem sabe analisando aquele momento histórico. Com o “relógio de pulso”, contanto o tempo de sua vida, dos tempos de menino tímido e rejeitado à aclamação de agora. E o seu ”rádio de pilha”, para cantar a sua música aos quatro cantos, dando “inveja nos barbados e barbados e frisson nas mocinhas”.

É como na canção Menina Jesus, Tom Zé voltou “a passeio, no gozo do seu recreio”.

PS.

Tom Zé esteve por três dias em Irará. Gravou programa de TV, um documentário para TVE, participou do Concerto na Filarmônica, almoçou com amigos, re-encontrou parentes, passou por ruas e lugares surgidos depois que ele foi embora de Irará. O passeio rendeu lembranças e descobertas, conforme comentário dele próprio em post no seu blog.   

O passeio de Tom Zé em Irará
Categorias: Passepartout 
Tags:

7.1.13

“Ajudar-se a si próprio”


“Evite a automedicação, procure um médico”, diz o alerta em caixas de remédio. Frase de alerta ao final de campanhas publicitárias, também chamam atenção para os riscos da medicação por conta própria. 

É como já mencionei noutro texto. Existe muita preocupação com a saúde do corpo. Quase nenhuma acerca do bem estar da mente. 

As situações são diferentes. Por exemplo, nunca vi um alerta sobre os riscos de se lê livros de auto-ajuda. Não seriam eles também uma espécie de automedicação? 

Muitas publicações daquele estilo parecem apresentar a panacéia. E para todos. Trazem dicas de superação, aconselham, ensinam, incentivam, enfim... 

É como se todos os problemas fossem iguais. E todo mundo pudesse solucionar os seus utilizando-se dos mesmos métodos e tendo o mesmo sucesso do vizinho.

Uma das lições presentes em alguns destes livros é a de “nunca desistir”. Será que a persistência é sempre a medida certa ou a mais inteligente? 

Cada caso é um caso. Já diria o velho Einstein com a sua teoria da relatividade. 

A quase totalidade da literatura de auto-ajuda parece alheia ao ensinamento einsteiniano. Afinal, até mesmo ele pode ser relativo... 

Certos ou não em suas vicissitudes, muitos livros de auto-ajuda se tornam rapidamente sucesso de vendas. Costumam aparecer até em prateleiras de supermercados.  E funcionam como se fossem “psicólogos de pobre”. Afinal, não é todo mundo que pode, consegue ou tem paciência para buscar uma “ajuda profissional”. 

O termo soa até meio estranho. Alguém, com necessidade e interesse em retorno financeiro, estaria interessado em ajudar? Há controvérsias.   

Já fora do âmbito dos profissionais, uma alternativa seria a conversa com um amigo, um parente próximo ou pessoa íntima. Mas, nem sempre há confiança ou abertura para tal. 

Aí, para alguns, sobram as redes sociais. Lamentações, desabafos e confissões codificadas pipocam nestes ambientes. É como se o individuo desabafasse para todo mundo ao tempo que não confia seus mistérios a ninguém. 

Mais complexas que as dores do corpo, as dores da alma exigem muito mais que remédios, leituras fáceis e serviços profissionais. Talvez um tratamento à base de colheres de sopa de um complexo e nutritivo caldeirão sociocultural. 

Uma espécie de “Terapia” necessária para o corpo não somatizar.  “Abra seu coração, antes que um cardiologista o faça”, dizia a frase-título no MSN de um amigo. 

É mais ou menos por aí. O difícil é tentar e não se sentir vulnerável. Na dúvida, há quem recorra a “ajudar-se a si próprio”. 

31.12.12

Flash Back à infância




Brincadeira antiga. Dos tempos em que ter relógio com cronometro era novidade. Funcionava como um teste de alerta e rapidez. Tentar fazer o cronometro parar em cima de uma marca precisa. 

Voltei neste desafio outro dia. O celular pifou e enquanto a solução não chegava, recorri ao uso de um antigo aparelho Nokia. Meu velho socorro das situações emergências. 

Botei o aparelho no cronometro e fiquei por alguns instantes tentando cravar à marca do 10s precisos. Não conseguir por um apenas um centésimo... Talvez se tentasse mais um pouco, chegasse lá. 

Atingir a marca, no entanto, era o de menos. O barato mesmo foi ter voltado à infância rapidamente naquele instante. É sempre bom visitar os lugares de onde temos boas recordações.       

21.12.12

A sociedade na pista pra negócio

A sociedade na qual vivemos vem sendo chamada por muitos de “Sociedade de Consumo”. É fácil perceber como a noção de consumo se expande para tudo nesta sociedade. 

Tudo é para consumir. Aqui, “valor de uso” e “valor de troca” ganham o mesmo sentido. Afinal, não se “usa” para ser “usufruído”. O que estaria nos remetendo a “fruição”. Mas, tão somente para ser “consumido”. Gasto, usado e “sumido”.  

Seja “com sumido” ou “sem sumido”, não importa, logo será descartado. 

O econômico-financeiro prevalece. Em todas as relações parece ser assim. Não se estranha de vermos tantas entidades, leis e gritarias pelos “direitos dos consumidores”. Enquanto há pouca verborragia ou medidas para a defesa dos direitos do cidadão. O mesmo acontecendo com relação aos direitos humanos ou até para os “direitos animais”, como o direito à liberdade e ao alimento. 

E a noção e vontade de consumir se dá não somente nas relações comerciais, mas são igualmente expandidas para os relacionamentos pessoais. 

Antes, uma garota atraente, era o “sonho idealizado” de um rapaz. Já há algum tempo a “princesa” virou o “sonho de consumo”. A palavra deixa implícito. Se o sonho for realizado, logo será consumido e, conseqüentemente, descartado. 

Pois bem, dentro desta mesma lógica, agora também há um bordão para as moças solteiras. Há alguns dias ouvi uma personagem de novela, enquanto falava sobre sua disponibilidade para relacionamentos, afirmar: “Tô na pista pra negócio”.  

Acho que a sociedade, quase que por completo, também está. 

19.12.12

Fim do Mundo Maia


Esse negócio de fim do mundo é verdade. Refere-se ao o fim do mundo Maia. E não destes tempos atuais. 

Explico: Um sujeito Maia estava tranquilamente produzindo o calendário, quando, de repente, foi surpreendido com vários gritos. A gritaria era constituída “daquela frase": “Corre Negada!!!”. Assim mesmo, nos moldes de Moiseis em Hermanoteu no Egito. Os avisos desesperados alertavam sobre o avanço dos europeus a dizimar toda a Civilização Maia. 

Depois, o calendarista, assim como todos os outros, foi alcançado e exterminado. No entanto, antes da fuga, ele deixou cair o calendário confeccionado até a data de 21/12/2012. Esta é mais uma marca do fim do mundo Maia. O resto é conversa de escafandristas e semiólogos.

25.10.12

Da série “Teoria da Conspiração”: “Salve Jorge”.


Matéria de Thaís Britto para a agência O Globo, reproduzida no A Tarde do último domingo, 27, a respeito da novela “Salve Jorge”.  

“As Forças Armadas tiveram mesmo boa impressão de Rodrigo [Lombardi – ator principal de “Salve Jorge”], que defende como uma das funções da novela desmistificar a áurea de sisudez que paira sobre o militares” 

Segue a matéria: “Queremos realmente dizer para os espectadores que nós somos”, ele para e ri do ato falho: “Tá vendo como estou envolvido? Que eles são tão humanos quanto nós?”. 

Mídia denunciando governo como “o mais corrupto da história”... Glorificação das Forças Armadas... Quando não se vence pelo voto.... Acho que esse filme já passou na TV há décadas atrás... 

24.10.12

Música, comida,dicas sexuais e até filme pornô para o público evangélico


Os cristãos evangélicos costumavam ser vistos como pessoas afastadas do “mundo”. Diante de costumes e vivência própria, o esperado sempre foi que, ao aderir a uma religião evangélica, o individuo abdicasse de prazeres e costumes de antes. 

Hoje, já não sei avaliar se a vivência evangélica é assim tão afastada “do mundo”. Teriam os evangélicos criado uma nova interpretação do mundo? Ou seriam apenas adaptações? 

Música 

Na música, o rock, que é cantado por Raul Seixas como um dos “filhos do diabo”, já tem a sua versão evangélica. As variantes também chegam aos outros ritmos. 

“Pagode de Jesus”, “Samba pra Jesus”, Forró, Pop, Sertanejo, Axé... e segue a infinidade de gêneros musicais tocados em forma de louvores. Ou seriam louvores em forma de gêneros musicais? 

As variações também chegam a outra culturas como a culinária e o sexo. 

Acarajé  

Na Bahia, é emblemático o caso da venda dos acarajés. A iguaria tem origem nos ritos de religiosidade de matriz africana. No entanto, os evangélicos também começaram a produzi-lo. Para eles, o quitute tem o nome de “bolinho de Jesus”. 

Segundo argumento de alguns, a diferença é que, quando produzido por um irmão evangélico, a pessoa tem a certeza de que a comida não foi “oferecida” a qualquer entidade espiritual. 

Filmes pornôs 

Também já virou notícia a produção de filmes pornôs direcionado ao público evangélico. A ação é explicada, em inglês, por um site disponível na internet, cuja tradução livre do seu título por ser entendida como “sexo em Cristo”. 

Discutindo sobre o assunto, a colunista Carol Patrocínio, do blog “Preliminares”, ligado ao Portal Yahoo, disse que “a ideia desses filmes é ensinar aos casais cristãos como eles podem ter e proporcionar prazer de acordo com a Bíblia — incluindo posições sexuais e tratamentos respeitosos ao órgão do outro”. 

Poli dance e Sex Shop 

Patrocínio também comenta sobre a criação de um sex shop online para casais religiosos. Segundo a colunista o objetivo da loja é “apimentar a relação de acordo com preceitos da Bíblia”. 

Ela apresenta o Book 22 (em inglês), o primeiro a ser lançado e que, segundo o site NPR.com, foi criado por um casal “cansado de buscar soluções para sua vida sexual e só encontrar pornografia”.

Outro fato comentado por Carol Patrocínio é a criação do “Pole Dance para Jesus”. De acordo com a colunista, “uma americana resolveu criar o esporte e fez algumas mudanças nas aulas convencionais de pole dance, ou dança do poste. 

Primeiro, as músicas: nada de música de boate, apenas louvores cristãos ou músicas gospel populares. Depois, os movimentos, que não são tão sensuais quando nas aulas normais, afinal, é um momento de adoração”.

Site dá dicas 

Uma notícia publicada na Folha OnLine apresenta um site criado com o intuito de dá dicas de sexo para evangélicos. Segundo a matéria, o site SexoCristão.com responde a perguntas como: “Sexo anal é pecado? O que a Bíblia diz sobre fantasias sexuais? Transar no noivado, pode?” 

De acordo com a publicação o site, que tem o slogan “o sexo como Deus planejou”, sugere debates sobre relacionamentos gospel. A página contém artigos, fóruns, notícias relacionadas ao tema e enquetes. Numa delas, foi pesquisado a opinião dos visitantes sobre o fato de cristãos irem a motéis. A opção “é pecado” foi a mais votada com 5787 de quase 14 mil votos.

Brincadeira?

A notícia também comenta que segundo os idealizadores do site, cujos nomes não são revelados, o projeto não pertence a uma igreja protestante específica. “Não há e-mails ou telefones para contato, o que aumenta nos fóruns a suspeita de que tudo não passe de uma brincadeira. "Esse site é uma piada?", pergunta um dos visitantes”, segundo notícia da Folha OnLine. 











17.10.12

Duas eleições e a lição das pesquisas



As tabelas acima mostram o nível de acertos das pesquisas eleitorais nas duas últimas eleições aqui em Irará (2008 – 2012). 

A cada eleição as pesquisas exigem cada vez mais respaldo e responsabilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tipifica como crime a divulgação de pesquisas que sejam constatadas como fraudulentas. E, além disto, o TSE mantém regras rígidas para a divulgação e faz exigências aos institutos credenciados. 

Uma das exigências do TSE é que o instituto tenha um estatístico responsável pela pesquisa. O estatístico é um profissional formado na universidade, que após a formatura recebe um credenciamento do Conselho Regional de Estatística, assim como os médicos tem o seu registro no Conselho Regional de Medicina e os advogados na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O estatístico corre o risco de perder o seu registro em caso de erros grosseiros. 

Por isso, em centenas de eleições realizadas, são raros os erros grosseiros nas pesquisas eleitorais.  O fato é que, quando acontece de uma pesquisa errar, o erro é mais lembrado pelo eleitor do que o acerto.

Interior

Nos grandes centros, as pesquisas eleitorais são geralmente contratadas e divulgadas por veículos de comunicação. Em cidades pequenas, como Irará, os veículos existentes não possuem condições financeiras de contratar um instituto de pesquisa. Por isso, só existem as sondagens contratadas pelos próprios candidatos.  

Além de mostrar a intenção de voto do eleitor, a sondagem fornece diversas informações para o trabalho na busca por mais votos. Contudo, neste ambiente, só o candidato que tem vantagem na pesquisa costuma registrá-la no TSE e divulgá-la. Já quem tem situação desfavorável prefere a não divulgação, enquanto tenta a reversão do quadro. 

É louvável quando um candidato, em situação inferior na pesquisa, trabalha o sentimento da “virada” e com isto consegue empolgar o seu eleitorado e, em alguns casos, até consegue a virada mesmo. 

Re-make 

Por outro lado, é deplorável quando um candidato, sem razão para contestar judicialmente uma pesquisa, entra na tática do “oba-oba”. 

Assim, até quando uma pesquisa pode ter dados que lhe favoreça, o candidato em desvantagem ataca o resultado global e faz acusações vazias. Diz que a pesquisa é fraudulenta, mas não prova. E, sem elementos para entrar na justiça pedindo a impugnação da pesquisa, resumi-se às acusações de palanques, panfletos e carro de som.

Cria-se o “oba-oba” por tempo limitado. Porque, tão logo sai o resultado das eleições, as urnas comprovam o nível de confiabilidade de uma sondagem séria. Com isto, o candidato do “oba-oba” deveria ficar descredibilizado, mas nem sempre aos olhos de todos.  

Infelizmente a cena aconteceu em Irará em 2008 e voltou a se repetir, como um “re-make” malfeito em 2012. O pior foi assistir pessoas as quais considero inteligentes descredibilizarem as pesquisas e preferirem acreditar nas acusações do candidato e nas aparências dos seus movimentos de campanha. 

Lição 

Espero que as duas experiências das eleições anteriores sirvam de lição para os políticos e para os eleitores iraraenses. Afinal, eleição deve ser um momento sério e não a hora do “oba-oba”. 

Os políticos devem entender de uma vez por todas que a mentira tem mesmo perna curta. E por isto não vai longe. E que é possível comunicar numa eleição usando informações verdadeiras, porque, embora existam muitas maneiras de apresenta-la, a verdade é uma só. 

Já para os eleitores, inclusive aos mais inteligentes, fica a dica para não se deixarem levar pelo “canto da sereia”.  Felizmente, ao que demonstram as urnas, a maioria não tem cedido aos encantos.

17.8.12

Falta


É falta. Falta grave!
Se Gringo pudesse,
apitaria esta fatalidade com todo fervor.

Falta de amor,
falta de respeito,
falta de compreensão.

Ausência completa de entendimento.
Nada, absolutamente, nada
ou qualquer motivo
Aqui na Terra
Vele mais do que a vida.

Se Gringo pudesse,
daria um cartão vermelho.
Sem pestanejar.

Um cartão
ainda mais vermelho
que o sangue derramado

Ele não se incomodaria.
Alguém poderia esbravejar, xingar...
Tenta lhe tirar do sério.
Ele daria o cartão.
E, convicto, expulsaria a maldade.     

Mas, muito infelizmente.
Gringo já não pode.
O seu apito foi silenciado.  

A morte é um pênalti
Alerta a todos e,
quando marcado, não se volta atrás.
  
Depois desta penalidade máxima,
Que Gringo não pôde marcar,
Restará aos iraraenses
Permanecer sentindo
A falta que ele faz.  

Leiam notícia da morte de Gringo

PS - Escrevi este texto dianta das várias manifestações de iraraenses no Facebook lamentando a morte do Professor e Juiz de Futebol Deusdete Filho, "Gringo". 

6.8.12

Vontade de ganhar no grito


Tenho ouvido pessoas reclamando do barulho dos carros-de-som nesta campanha eleitoral. Para muitos estes “elefantes” incomodam. E quanto maior o número deles, incomodam muito mais.  

Aqui em Irará temos dois candidatos a prefeito. E cerca de noventa pleiteantes ao cargo de vereador. Imagine cada um com seu carro de som, todos funcionando ao mesmo tempo, na Praça da Purificação, por exemplo, ao meio-dia ou às 18h, para “pegar os estudantes”? 

Balbúrdia, confusão, babilônia. Pode-se denominar de muitas formas o cenário imaginado acima, cujo perfil não é muito distante do real. 

Oferta x procura 

Por conta disto, tem muita gente demonizando as eleições e os políticos também. Não quero fazer defesa dos candidatos, mas fico a me perguntar se temos de colocar a culpa única e exclusivamente neles. Só há corruptores porque há corrompidos. Obediência à lei da oferta e da procura. 

Então, só há carros-de-som barulhentos, porque existem os eleitores que gostam disto. Querem ouvir a música do seu candidato em alto volume. Desejam escutar o nome deles a toda hora. Anseiam por uma provocação ao adversário. 

E este pessoal, assim como os carros, são barulhentos. Cobram dos candidatos: “Bota carro de som que eles têm mais”; “aumenta o volume, o deles tá mais alto”; “tem de fazer zuada”.  

E o cidadão de forma geral, ainda que não curta o barulho, também vai nessa. Quando vê um candidato fazendo mais “zuada”, com maior volume de campanha, sentenciam: “Fulano vai ganhar, porque só dá ele”. Isto pesa muito em locais cujas pessoas ainda escolhem candidatos com medo de ser jacú, para “não perder o voto”. 

Assim, os políticos, gostem ou não do barulho, querem fazê-lo. Não querem ficar para trás. E cedem aos encantos de quem gosta do barulho, porque estes gritam e, por isso mesmo, parecem ser maioria. E, por aqui, são eles que mandam, pois, a democracia costuma ser interpretada como a “ditadura da maioria”.

Quando anseiam desesperadamente agradar a suposta maioria, os políticos e governantes perdem o bom senso. Quando este lhes falta, só mesmo a Lei para regular a situação. 

Durante um bom tempo, a crença foi de que as pessoas só iam a comícios se tivessem apresentações de bandas musicais. A Lei provou o contrário. Acabaram os showmícios e os comícios não foram esvaziados.

Carro-de-som e rádio-poste são formas válidas de comunicar. Mas, elas não dão liberdade ao ouvinte. Você não pode desligar na hora que lhe dê vontade. 

Cultura 

Um artigo do jornalista Nirlando Beirão, publicado em 2001 na Revista República (Ed.nº 53), mostra que a gritaria é um traço cultural do brasileiro. Neste país, nascido de “um heroico brado – e, como se não bastasse retumbante”, sinaliza o jornalista, “é impossível exprimir satisfação sem estrépito”.

Beirão também afirma que “o estardalhaço é o melhor disfarce para a falta de conteúdo” e que o “urro” do brasileiro “não é de revolta é de conformismo. Quem grita consente”. Para o jornalista “o baticum dos tambores é a metáfora de uma sociedade deficiente de sentidos”. E finaliza: “Até a capacidade de ouvir João Gilberto nós perdemos para os gringos”. 

Isto vale para os brasileiros e vale para os iraraenses, parte do todo chamado Brasil. O que vale para os carros de som, vale para os particulares, muitas vezes equipados com som mais potentes do que os profissionais. 

Há a hora de fazer barulho, mas também há o momento de respeitar o silêncio. Saber onde começa o seu direito e termina o do outro. É preciso saber distinguir tempos e locais. Enquanto falta distinção e respeito permanece a vontade de ganhar no grito. São problemas a serem resolvidos com cultura. Já falei. 

17.7.12

Alguém me ajude a encontrar as pastas do Google Reader


Gente, 

não sei como, perdi as pastas do meu Google Readers. Os feeds ainda estão lá, mas a pastas sumiram e não ficaram sequer os  nomes dos veículos ao lado, como era antes de organiza-los em pastas. 

A primeira figura abaixo é a do Google Reader com as pastas. A segunda, é o meu atualmente, sem elas. 

Se alguém puder me dizer como trazê-las de volta, ficarei grato. 

Abs! 


Antes, com as pastas. 




Agora, sem as pastas

12.6.12

A próxima vítima


Não se trata de remake nem reprise de novela global. Tomei de empréstimo o título, só para alertar que a árvore da imagem abaixo será a próxima a cair. 


Árvore na Rua Cel. Elpídio Nogueira - 
Aqui chamada de "A próxima vítima" 

Ela fica na Rua Cel. Elpidio Nogueira, no trecho entre a Praça da Purificação e o prédio da Secretaria de Educação, centro de Irará. Está de frente do local, onde às vésperas do aniversário da cidade foi demolida uma casa com fachada antiga. 

Onde estava a casa, pelo que algumas pessoas me contaram, será erguida uma loja comercial. 

Bastou esta informação para que eu imagine o resto do enredo. O que vem por aí? Fachada luminosa ou aquelas de lona. 

Nome da empresa em destaque, certamente, o dono não vai querer uma árvore na frente para “atrapalhar” a visão ou “ficar sujando” o 
passeio. Não é mesmo? 

Caso esta minha triste previsão se concretize, será mais uma árvore a ser tombada (aqui no sentido de derrubada mesmo) no percurso entre a Purificação e a Pedro Nogueira. E assim, aos poucos, aquela parte da cidade tem cada vez menos a paisagem a qual conheci quando criança. 

Rua larga, inspirada nos ideias de progresso e civilidade franceses do começo do Século XX, como historiou Marilda Ramos.  Oitis de um lado e de outro, configurando a “arborizada paisagem”, narrada por Kitute de Licinho. 

Aquela passagem para mim era como se fosse um Boulevard (os distraídos devem consultar a palavra – clique aqui – para não pensar que falo de um shopping de Feira de Santana). 

Hoje a arborização se concentra mais presente na metade do trecho. Coincidentemente onde está a próxima vítima em potencial. Da Purificação até a Praça da Bandeira. 

Da Pça da Bandeira até a Pça Pedro Nogueira 
"Muitos oitis já se foram"

Na outra metade, da Bandeira até a Pedro Nogueira, muitos oitis já se foram. Só restam uns três. Boa parte deles foram morrendo. Talvez por descaso ou má sorte.  

Em 2009, um deles teve destino cruel. Estava verde, firme e forte. Ficava em frente ao Supermercado Delícia. Rapidinho sucumbiu diante da motoserra. Ficou de pé o gosto amargo e nada delicioso na memória dos que valorizam a paisagem e a natureza. 

Lembro-me de ter tentado saber de quem teria partido a autorização. Mas nem o Secretário de Meio Ambiente da época sabia. Depois perguntei a outras duas autoridades e, sem resposta, desistir de tirar uma de “Sherlock Holmes”. A árvore já estava no chão e nada a traria de volta “meu caro Watson”.

Não tive sorte no personagem Holmes. Talvez seja mais fácil agora, nesta nova situação, criar/encarnar “Walter Supermecado”. E assim prevê a queda da árvore. E ainda imaginar que será de forma tão brutal quanto se deu com a outra citada. 

E, infelizmente, esta não é nenhuma previsão difícil de fazer. 

No mais, espero e desejo estar errado nas minhas previsões. E cito ao comerciante do local em questão o exemplo da loja D. Barbosa Material de Construção. Lá tem um oiti em frente que não precisou ser derrubado para o funcionamento do comércio. 

Se “ligue já” Irará!

30.5.12

VEJA! Não leia Cara Amiga.


Não quero opinar quem fala a verdade nas afirmações do ministro, Gilmar Mendes, e do ex-presidente, Lula. Talvez os dois. Talvez nenhum. Apenas, pondero aqui uma rápida consideração motivada por uma cena, na qual fui interpelado a comentar sobre o assunto em questão.

27 de Maio, Aniversário de Emancipação Política de Irará, 170 anos... de rombo. Sim, mas a data cívica não está discussão aqui. É só pra situar onde eu estava. Praça Pedro Nogueira, fotografando estandes do evento para o Portal Iraraense. 

De repente, uma distinta senhora amiga minha, pessoa a qual tenho estima e consideração, interpelou-me, mais ou menos desta maneira: 


-- Já viu a Veja desta semana!?. Tá tudo lá. Vergonha. O que a turma do Lula faz. Eu vou comprar a revista. 

Como ainda não tinha visto a Veja da semana, nem tive como tecer maiores comentários. Entretanto, me preocupou a empolgação com que a interlocutora citou a revista. Era como se nas páginas da publicação estivesse a última verdade do universo. 

Preocupação. Ainda existe muita gente boa por aí que pensa que a Veja detém a mesma reputação e credibilidade de décadas atrás. Dos tempos em que o Mino Carta estava por lá.

Parece não saber que a semanal dos Civitas virou a #vejabandida. Talvez nem queiram. E seguem consumindo as “maracutaias jornalísticas” da Veja, pensando estarem bem informadas, críticas e conscientes. 

À noite soube pelo noticiário do que se tratava o fato pelo qual fui interpelado pela manhã. Tava na Veja. O ministro Gilmar Mendes havia afirmado ter recebido um pedido de Lula para adiar o julgamento do “mensalão”. 

A primeira coisa que me veio à mente foi: “Lula nomeou 09 ministros para o Supremo e foi fazer um pedido destes logo a um ministro nomeado por FHC?”. Como diria minha tia: “Tá doidho!”. 

Na sequencia da reportagem, ouvi falar que a proposta teria sido oferecida em troca de apoio da base governista de aliviar a barra de Gilmar na CPI do Cachoeira. 

Ah! Se é assim, então é o ministro, o qual já foi chamado de coronel, o acusado de ter algum envolvimento na “lama do Cachoeira”, como batizou aquela minha amiga. “E apois!” 

Como disse no inicio não quero julgar ninguém. Muito menos quero defender Lula, o PT ou quem quer que seja. Mas, algumas coisas me intrigam. 

Porque o mensalão do PT, de R$ 30 mil, ofende mais à mídia gorda e tanta gente boa, como esta minha amiga, do que o mensalazão da reeleição de R$ 200 mil? 

Porque aqueles poucos (sic) dólares numa cueca, ofendem mais do que o escândalo da desvalorização da moeda e os mais de R$ 1 Bilhão envolvido? 

Porque as atrapalhadas de alguns aloprados e o consumo dos cartões de crédito corporativos, parece ter ofendido mais do que toda a “privataria tucana”?  

Fico imaginando que Tom Zé tem razão. “Se rouba R$ 1,00 é moleque; rouba R$ 10, promovido a ladrão; se rouba R$ 100,00 já passou de Doutor... se rouba R$ 80 Milhões é a diplomacia internacional”. “O tamanho do roubo faz a honra do ladrão”. 

Talvez por isso, alguns são chamados de canalhas e outros de doutores. 
Volto a dizer que um roubo não justifica o outro. Mas não podemos celebrar o sujo e condenar o mau lavado. 

Pra finalizar. Sobre o caso Gilmar X Lula, concordo com o comentário de Ricardo Boechat feito terça, 29, na Band News (ouça no player abaixo). 

E na próxima vez que encontrar a minha amiga direi pra ela. “Veja, não leia!”. Tenho que alerta-la que este tipo de publicação é não é pra fazer nem como o  faz o personagem Chaves, quando afirma que: "Eu só leio as figuras”.


24.5.12

Que tipo de profissional sou eu?


Uma cena vista há dois dias, me provocou algumas reflexões sobre o meu exercício profissional. Aqui na rua, próximo à minha casa, tinha uma aglomeração de pessoas. 

“O que aconteceu?” 

“O portão do deposito da loja de material de construção caiu em cima do rapaz”. 

A multidão vai aumentando. Vou em direção ao local do acontecido. Tenho algumas preocupações. 

“Será que alguém ali já chamou a ambulância?”. 

“Será que estão conscientes de que não podem socorrer o rapaz de qualquer maneira? Afinal, se pegarem a vítima de mau jeito pode comprometer a coluna vertebral ou outro órgão.” 

Chego próximo ao local. O portão já foi retirado. A vítima está ao chão. Logo escuto alguém falar do ocorrido. “Caiu em cima da perna dele”. E outro alguém fazer uma afirmação. “A ambulância já esta a caminho”. 

Saí. Não havia nada que eu pudesse fazer ali. Se permanecesse, seria apenas mais um a tumultuar a cena.  

Não demorou quase nada, a assistência chegou, o rapaz foi removido e a aglomeração de pessoas se dissipou. Tão rápido como havia sido formada.

Depois lembrei-me do fato. “Dava notícia!”. E a notícia poderia ser veiculada pelo Iraraense (Portal da Internet criado por mim). 

E eu tava ali de celular no bolso, mas não registrei, não fotografei, não filmei... tão pouco procurei informações mais aprofundadas. 

Antes, preocupei-me com o estado de saúde do rapaz. Quando lembrei da possibilidade de  registrar, a cena havia sido desfeita. Perdi a notícia. E aí me veio uma pergunta: 

“Que tipo de jornalista sou eu?” 

Depois comprovei a força de noticiabilidade do caso do portão, quando alguns me perguntaram o que havia ocorrido alí. 

Se o fato tivesse virado notícia do Iraraense, talvez tantos outros, quem sabe até numa quantidade de pessoas bem maior do que aquela dos perguntantes e dos aglomerados envolta, tivesse se interessado e acessado a notícia. 

Esta, assim como outros tipos de “notícia”, faria crescer a audiência do site. E com maior audiência, pela lógica mercantil, seria mais fácil conseguir parceiros para manter o veículo. 

Daí surge outra pergunta: 

“Que tipo de empreendedor da comunicação sou eu?”

Logo se vê. Sou um Roberto. Mas, pela lógica do mundo, longe de ter o sucesso profissional de um Civita ou um Marinho.  

17.5.12

A audiência e os acidentes


Ao que parece o comercial da TV Bandeirantes, anunciando as 500 Milhas de Indianápolis da Formula Indy, quer transmitir emoção. Filme de ação. Agitação tipo: “Nitroglicerina Pura!”. 


A música de fundo é o velho rock and roll; dos mais acelerados, vale dizer. É rapidez no som. É velocidade total nos carros das imagens. Takes curtos. Muito movimento. 


A quase totalidade das cenas mostram acidentes na Indy. Carros batendo forte, capotando, se “esbagaçando todo”. Aquilo que alguém chamaria de “um show de imagens”. 


“The show must go on”. Mas perde a graça quando se lembra de que ali é realidade. Não é ficção. São vidas humanas expostas a traumas, mesmo quando as sequelas não ultrapassarem os leves arranhões, ou ao fim. 


Os acidentes não deveriam ser “vangloriados” em um comercial. Todavia, quem sabe, a emissora acredite que os seus telespectadores assistam as corridas torcendo por aqueles “acidentes espetaculares” à espera de “emoção”. O pior é que (não é Pepsi mas) “pode ser” isto mesmo. Não duvide deles terem até pesquisas em mãos. 


Obs: O comercial está no ar na TV. Procurei por ele  pra linkar ou colocar aqui e não encontrei. Quando eu encontra, atualizo a notícia. Abs! 

13.5.12

Irará 170, de rombo!


Assustam as notícias sobre violência em Irará. Os fatos policiais noticiados pelo Blog do Tavares e pela Rádio Comunitária Irará FM, reproduzidos pelo Portal Iraraense, tem surpreendido. O cenário era desconhecido por muitos. 

Mortes, assaltos em plena luz do dia, tentativas de homicídios, espancamentos, arrombamentos, etc. Isto tudo tem acontecido em nosso município. E o pior é que estas ocorrências começam a ficar frequentes. 

A frequência dos atos de violência provoca o receio dos mesmos começarem a serem vistos como banais. E quando eles não mais assustarem, a situação tende a piorar. Banalizado, o mal terá mais facilidade de se espalhar e perpetuar-se. 

O enfrentamento do problema é a medida mais adequada para evitar a banalização. E para tanto, seriam necessárias ações a curto, médio e longo prazo. 

Um bom começo poderia ser a discussão do assunto. Procurar entender o porquê de tanta violência em Irará. 

Quais seriam as causas? Sempre foi assim, mas só agora a mídia está mostrando isso? É a falta de estrutura dada às polícias (Civil e Militar) para coibir a violência? É a omissão dos poderes constituídos? É o caos social e cultural vivido pelo município? Ou é tudo isso e mais um pouco?

Um município que desconhece seus índices, não discute sobre a sua realidade. Se não discute, não pensa. E sem pensamento, planejamento e gestão não se chega a soluções eficazes. 

Talvez não haja mesmo interesse no pensamento. Afinal, como nos lembra uma canção do nosso conterrâneo Tom Zé, “pensar é uma afronta”. 

Agora em maio, deste 2012, Irará faz 170 anos de emancipação política. Se fosse um bingo o cantador gritaria: “De rombo!”. Rombo sociocultural.