29.6.07

Brevitas Bravatas - São João 2007

Curtindo num curto São João
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O período joanino este ano foi curto. Curtíssimo. A festa foi limitada a um fim de semana comum. Sexta, Sábado e Domingo, sem feriadão. Junto com este fato, a condição pessoal de estar, de alguma forma, participando da produção do Bloco Jeguerê, limitou ainda mais o tempo para curtir a festa. Fiquei com pouco espaço para se divertir e para observar. Porém, de qualquer sorte, sempre aparece algumas resenhas e informações para a gente prolongar os assuntos.
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Arrasta Pé da J.E. o São João de Irará começava lá
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Na expectativa de aumentar o tempo dos festejos, sair já na quinta-feira à noite pensando em ir até o Arrasta Pé da J. E.. Entretanto, este forró ficou só no pensamento mesmo. Na cidade ninguém dava notícia da Festa da Rua José Epaminondas, que nos últimos anos têm sido uma espécie de abertura extra-oficial do São João de Irará. Fiquei sem informações até que um “e-mail” me comunicou a suposta razão pela inviabilização do Arrasta Pé. Segundo o informante, a Prefeitura não teria cumprido a promessa de fornecer palco e sonorização para o evento. Entretanto, antes que começassem os rumores dos oposicionistas, soube que o apóio houvera sido transferido para a data de São Pedro. Da próxima vez, a transferência pode ser para a data de São Tomé.
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A viúva. Sempre “erlas”
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Ê viúva que gosta de ser comentada viu-ô! No Orkut o povo danou a protestar sobre a programação da festa pública. Assim fica difícil deixar de falar na viúva que como canta Bem Jor, “tem um dote físico-financeiro invejável”. Para cuidar de todo esse patrimônio e assumir a responsabilidade é preciso ter equipe. Contudo, na república da farinha a palavra decisiva só poder vir do namorado da viúva. Então fomos saber do Excelentíssimo Senhor Prefeito, se a Praça da Purificação poderia ou não receber o encerramento do Bloco Jeguerê.
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Conversando a gente se entende
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Enquanto isso no gabinete do prefeito... A conversa foi amistosa. Bate papo quase que informal. Impasse resolvido. Diante do retrato de Paulo Souto, que ainda se encontra por lá (??) a autorização foi dada. O Bloco teve liberação verbal para entrar na Praça pela Rua Campos Martins, desde que não quebrasse nenhuma bandeirola da ornamentação pública. Para o Jeguerê foi fácil, com alguma manobra no mine-trio, chegaria à Praça, difícil ficou para o Pé de Mula. Mesmo tendo, mais uma vez, na sua programação o maior nome artístico do São João de Irará (Adelmario Coelho), o bloco não teve acesso à praça principal.
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São João da Bandeirola
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Não tem Jeguerê, nem Adelmário Coelho certo, após a conversa com o chefe do executivo do município, fiquei com a ligeira impressão de que a atração principal do São João de Irará são as bandeirolas. É, a moral da bandeirola anda mesmo alta, percebi isso diante da preocupação do prefeito e da explanação do fato de que, em 2006, o Jeguerê quando entrou na praça quebrou algumas fileiras de bandeirolas. Ele fez questão de pedir que o fato não se repetisse de maneira alguma. Por isso, se fez de tudo para que as bandeirolas continuassem reinando imponente, sobre os postes enferrujados que, ao que parece, foram retirados do canteiro central da Av. Elisio Sant’ana, para serem camuflados com tecido decorativo na praça. Como se percebe, essa administração dedica atenção especial para o item ornamentação, parece que a festa funciona em função do ornamento e não o contrário.
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A cereja sem bolo
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O item decoração é importante em qualquer festa. É como o próprio nome já sugere, seja falando “de coração” ou “de coroação”, a decoração dá toque final para abrilhantar o evento. É como se fosse a chamada “cereja do bolo”. Nesse setor, a organização das festas públicas de Irará tem demonstrado interesse. Seja na lavagem, com a montagem de uma boneca vestida de baiana derramando água, na grata homenagem a personagens iraraenses ilustrados nas suas caricaturas; ou no São João, através dos “pórticos” e representações de elementos como fogueiras e cisternas. Todavia, parece que se preocupam tanto com a ornamentação que esquecem de outras partes da festa e da estrutura da cidade para a mesma. Não dá só pra comer a cereja, sem o bolo.
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E por falar em estrutura...
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Irará, com suas praças, comporta tranqüilamente o desfile simultâneo dos blocos Jeguerê e Pé de Mula. Bastaria organizar os serviços de segurança, saúde e, claro, a estrutura da festa. Todavia, com a instalação de “pórticos”, impedindo a passagem de blocos, e a não sinalização e regularização do trânsito, fica difícil. Na reunião com o prefeito foi garantido que não seria liberado o estacionamento nos trechos do circuito do Bloco Jeguerê. Só que na hora do desfile o bicho pegou. Quem acompanhou o arrastão viu a atrapalhação que foi o bloco tendo de parar, de pedir para retirar carro, de decidir se desviava rota ou não, de... “Um absurdo” – como diria risadinha do “seu Valela”. Ainda bem que sem chuva, não tinha carro atolado, já pensou?
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Atoleiro artístico
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Se carro não atolou a mesma sorte não teve a programação artística do palco principal. A deste ano foi muito criticada e parece refletir a idéia de que o São João de Irará não tem merecido o devido planejamento. Entre os ilustres grupos desconhecidos, chamou atenção da cidade a banda Vaca Atolada. O ônibus da banda, trazendo seus integrantes, chegou com uma semana de antecedência. Depois permaneceu, porque dia 02 de Julho se apresentam em Ouriçangas. Um popular logo bradou, “uma banda que numa época dessas não tem onde fazer show, ficando esses dias todos em Irará, é porque não presta”.
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Sem ver o show, mas sabendo das conseqüências do atoleiro
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O cansaço e os compromissos me impediram de acompanhar os shows na praça. Malmente assistir à consulta do Dr. Xote na sexta. Não conseguir averiguar se o Bondy da Loirinha era uma banda de forró ou de Funk, como desconfiou nosso amigo Vitor Oliveira. E, consequentemente, não assistir apresentação de nenhum senhor beltrano e muitos menos da Dona Fulana. Houve quem me dissesse que a banda Vaca Atolada é ruim, que tinha um repertório desconhecido e usava de muita baixaria. Como eu não vi, não sei e também não posso julgar. Só sei que no dia seguinte, a distribuição de leite numa Padaria da cidade foi comprometida. Os clientes chegavam e a entrega do produto estava atrasada. Acho que teve vaca atolada na fazenda também.
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Na roça e na cidade
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Os tradicionalistas que me desculpem, mas não tem jeito. A cultura não é imobilista, nem estanque. É também o que se inventa e o que permanece. Nessa misturada toda, a onda de arrastão pegou. Em Irará, seja na roça ou na cidade eles pipocam em todo lugar. Vi as imagens de um arrastão na zona rural, cuja música nem era basicamente forró. Tendo como fundo musical um som carnavalesco, o arrastão seguia levando a multidão. Embora não se usasse cordas, a cena lembrava o desfile dos blocos de carnaval em Salvador. A estrada tomada pelas pessoas, era como se as cercas de arame farpado fossem as cordas e o mato verde em volta, os foliões pipoca.
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“Traga uma corda irmão. Irmão acorda!”
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É como canta Cazuza, mas é melhor ser “cobaia de Deus” do que prova de teste para o imprevisto. Tudo pronto para o Jeguerê sair e não apareceu sequer a metade dos cordeiros contratados. O que fazer? Nessas horas busca-se um plano B, C, D, E... Existe alguma alternativa para uma situação como essa? Difícil. Aí surge todo tipo de especulação. Propina, suborno, etc e tal. Não sabemos, não vimos. Serve de lição para acordar, não confiar cegamente até mesmo nos velhos parceiros. O jeito que teve foi colocar a mão na massa. Nós mesmos ajudamos a desembaraçar, esticar e segurar corda. Afinal o cliente é que manda. E pelo visto a grande maioria queria mesmo garantir o seu espaço privado, dentro das cordas.
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Festa pública ou privada?
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A internet representa um grande espaço comum. Tá na rede, é mais que peixe, é público. Seja blog, site ou Orkut. E foi justamente no Orkut que fiquei sabendo sobre um evento chamado Sexta do Cabeça Junina. Inclusive com comunidade relacionada a outras comunidades de grande aceitação. Depois a cobertura fotográfica do evento estava num sitio de internet. Entretanto, como a atividade era numa residência particular, fiquei sem entender se o evento era público ou privado. Na dúvida preferi não entrar. Parece que a festa tem pretensões de crescimento, acontecendo novamente no próximo ano, mas ainda continuo na dúvida. Talvez seja preciso que os organizadores do evento decidam qual caráter ele deve tomar. Se for público, que seja público. E se for privado, que se conceda ao menos uma credencial para a “imprensa” blogueira. Se o repórter não se atrasar, o convite pode até valer uma nota na “coluna social”. (Brincadeirinha viu? – não temos o perfil Renato Mendes - rsrsrs)
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Antecipação, atraso e descompasso com a hora do reggae
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Assim como aconteceu a Sexta do Cabeça Junina, também foi realizada a Sexta para “fazer a cabeça junina” na Casa da Cultura, ao som do reggae e de forró. A festa com Nação Karirí e Camarada Z estava marcada para começar às 16h. Cheguei lá por volta das 17h e ainda não tinha começado. Aproveitei o tempo para ir cuidar de outras coisas, adiantar algumas tarefas etc e tal. Eram quase 22h quando retornei e pra minha surpresa, os shows já tinham acabado. Fiquei o São João sem ouvir o som dos guerreiros Karirís. Há quem diga que ao final da festa houve uma troca de socos entre dois amigos. Porém, no outro dia avistei os dois brothers conversando. Daí pensei, das duas uma: ou tudo foi boato, ou os caras já havia acendido o cachimbo da paz.
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Um panfleto com mais do mesmo
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No sábado, véspera de São João, circulou um panfleto pela cidade, mas não era pedindo paz. Subscrito com o nome do Prefeito, a carta trazia um título clichê do clichê (Nunca se fez tanto em tão pouco tempo) e tentava abordar “obras” da gestão municipal. O texto parece ser de campanha eleitoral ou de um governo recém iniciado e não de uma gestão em seu penúltimo ano de mandato como é o caso. O verso da folha trazia a repetição de várias fotos de “obras”, que já apareceram em outro panfleto, no Natal do ano passado. Se a idéia é transmitir uma boa imagem do governo aos visitantes, o tiro pode sair pela culatra, porque a repetição deixa uma idéia de que a gestão nada fez do Natal ao São João. Fez? Se a impressão é o que fica...
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O que vai ficar.
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Paz, amor e boas lembranças é o que desejo que fique como lição e memória deste São João. No mais, ficará o sucesso e satisfação do público para a grande festa que fez o Jeguerê. A lembrança da casinha de taipa, tentando mostrar um caráter típico, com trio de sanfoneiro tocando, mas nada funcional e super mal localizada. E, principalmente, dentre tantas outras lembranças, o encanto e satisfação cada vez mais vibrante dos visitantes com Irará. Apesar dos pesares, terra de gente hospitaleira e irreverente.
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28.5.07

Das festas e festas ou como eu também sou, um pouco, saudosista

enviado para iraraense@yahoogrupos.com.br em 20 de maio de 2005.
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Uma festa para a qual, assim como Cazuza, não fui convidado relegou-me a algumas lembranças. Rememorei eventos festivos de alguns anos atrás acontecidos em terras iraraenses. Sendo mais especifico, recordei-me das festas bailes e consequentemente das bandas que as animavam, traçando um pequeno paralelo com os embalos atuais.
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Antes, as chamadas festas bailes reinavam no cenário festivo de Irará. Era o final dos anos oitenta, inicio dos noventa e o repertório daqueles grupos eram completos. Melhor dizendo, saiam do pop internacional, das baladas românticas, do sertanejo e do forró, passavam pelo axé e chegavam até mesmo ao reggae e ao rock and roll. Resumindo: Tocavam de tudo. E eram os ritmos que ditavam o momento do baile. Tema mais lento, "hora de se armar". Tema mais eletrizante, "hora de agitar". Por vezes rolava até confusão, mas nada que uma parada no som ou um apelo do vocalista não pudesse controlar.
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Fora dos imprevistos, o baile só era interrompido uma única vez para o intervalo da banda. Isto porque elas tocavam madrugada adentro e como ninguém é de ferro, mereciam um breve descanso. Longe do circuito massivo, embora demonstrassem interesse em adentrá-lo, aqueles grupos não tocavam no rádio e como era a época analógica, do vinil, eles não tinham facilidades de gravação. Assim o sucesso das bandas era feito de acordo com as suas performances. E desta forma, bandas como Extra, Flor de Cactos, Garganta Inflamada, RPB, entre outras, fizeram história em Irará.
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Hoje, as festas estão mais ligadas ao show bussines e apresentam as chamadas bandas show. Estes conjuntos são especialistas em tocar somente um estilo musical, dificilmente tocam mais que duas horas e certamente já tem o seu CD gravado, nem que seja através de um computador de amigo. A falta de variedade no gênero é evidenciada pela concentração em basicamente três vertentes. Quando não é arrocha ou é forró ou é pagode. E as festas mais parecem festivais com três, quatro, cinco... dez bandas! Cada uma toca cerca de uma hora, com mais uma de intervalo entre as atrações para trocar instrumentos, passar o som, etc (só ai já foi metade da festa).
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Tanta demora talvez seja aceita pela vontade de ver aquele grupo que toca no rádio ou é comentário geral. Entretanto, há ocasiões em que a banda pela qual se espera nem é "famosa", mas as pessoas acabam esperando, esperando, esperando, como naquela canção do Chico. Quanto a apresentação dos grupos, é melhor nem comentar. Alguns deles parecem que se preocupam mais em mostrar figurinos, fazer danças e encenações exaustivamente repetidas por centenas de outros conjuntos, do que mostrar qualidade musical. Coisas que causam arrependimento pelo ingresso pago. Este passaporte, pode ser uma camisa e por mais que a vaidade feminina tente reforma-las para se diferenciar, ainda estarão participando de um evento uniformizado.
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Na verdade, a festa de que falei no inicio não exigia convite algum. Bastava apenas comprar a camisa e eu estaria lá, com meu uniforme como todas as outras pessoas. Mas pensei melhor e decidi não ir. Fiquei em casa e aproveitei para ler alguma coisa. Como ultimamente têm saído um festival de textos saudosistas sobre os anos oitenta, suas culturas e comportamentos, acabei sendo influenciado. Afinal de contas, eu não iria ficar de fora desta festa.

18.5.07

V V V V – Vinhos, versos, velas e Vânia

Como estamos em tempos de lembranças. Vamos lembrar do Vinhos e Versos. Havia quatro texto sobre o assunto que ainda não tinha vindo aqui nesse blog. Foi difícil, mas escolhi esse. Por que ele foi, digamos, iluminado...

Texto escrito em dezembro de 2004.

Janela - trabalho de Vânia Medeiros, capa de uma das revistas Vinhos & Versos.

Na quinta feira a companhia de energia elétrica interrompeu o fornecimento de energia a alguns prédios públicos de Irará. O Sobrado dos Nogueiras (Casa da Cultura – Biblioteca Municipal) foi um deles. Diante do acontecido, o recital de Poesias Vinhos e Versos da Casa da Cultura de Irará (CCI), antes programado para acontecer no Sobrado, teria de ser transferido.
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A direção da Casa da Cultura agiu rápido e conseguiu o deslocamento do evento para o Arte Café (barracão em frente ao Banco do Brasil). Entretanto, a notícia da mudança não foi divulgada, pois o grupo diretor da entidade já se colocava diante de um novo dilema. Dúvida acionada pelo surgimento da idéia poética de fazer o recital sob a luz de candeeiro. Isto seria, como alguns já comentavam, o Vinhos, Versos e Velas. No entanto, realizar o recital com pouca iluminação, significava a quase que anulação da exposição artística, pensada para a mesma data e local.
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Exibir as gravuras de Vânia Medeiros no Vinhos e Versos era muito importante para a Casa Cultura. Primeiro pela beleza do trabalho da jovem estudante de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia. Ela usa e abusa da técnica de colagens, desenhos a lápis de cor e giz de cera e pinturas com guache, para criar as suas imagens que depois de digitalizadas ganham colorido e textura especial. Depois, por Vânia ser uma grande incentivadora do trabalho da atual direção da instituição, diagramando com o seu talento todas as publicações da revista Vinhos e Versos.
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Entre o romantismo da iluminação a fifó e a exposição, o interessante mesmo era se tivesse uma maneira de ficar com os dois. Chegou-se a pensar na criação de dois ambientes: Exposição no Arte Café e Recital (a base de fifó) no Sobrado. Contudo, a idéia de separar a exposição do recital não era bem aceita e na sexta-feira, quando já se estava admitindo o esquecimento da “iluminação especial”, optando por fazer os dois acontecimentos no ambiente substituto, prefeitura e companhia elétrica chegaram a um acordo e a energia do Sobrado estava sendo religada.
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Com este acontecido, a possibilidade de ficar com o fifó e com a exposição foi concretizada. A direção da Casa da Cultura teve a feliz decisão de manter as luzes do Sobrado dos Nogueiras acessas durante um certo período, para que as pessoas vissem a exposição, enquanto tomavam o vinho. Depois, abruptamente a iluminação foi intencionalmente desligada, dando inicio ao recital, no ambiente que ficou iluminado apenas por dois candeeiros, previamente acessos. Agora era Vinhos, Versos, Velas e Vânia.
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Sob a luz dos candeeiros deu-se início o recital de poesias. Roberto Martins, Fábio Calisto, Sérgio Ramos, Jucilene Cruz, Marilda Ramos, alternaram-se em suas declamações. Derrepente, a luz elétrica foi religada para que Vânia Medeiros fosse apresentada ao público. Lágrimas aos olhos, ela agradeceu a todos e disse estar gostando do acontecimento. Após as palavras dela, Roberto conclama pela volta das poesias e alguém pede: “Apaga a luz!”. Incandescentes desligadas, fifós acessos e o recital continua. Kitute de Licinho, Edma Lopes, Tone Coelho, Adriana Santana, Gilmar professor, Geildes Sueli e José de Lima, conhecido como Zé Ceguinho completam o grupo dos recitadores.
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De posse da palavra, Zé Cego foi mais do que poético, foi revelador quando quis demonstrar o que sentia diante da arte de Vânia. Zé mencionou que não podia ver as imagens da artista, mas graças à ajuda e descrição de Edma (professora de portadores de necessidades especiais) ele podia sentir o que aquelas imagens transmitiam. Para demonstrar seus sentimentos, Zé relacionou os desenhos a uma poesia, recitando-a em seguida. “É preciso ver com os olhos do coração”, sentenciou Edma.
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Olhares apaixonados, olhares poéticos, olhares artísticos. É de se imaginar o que estaria por trás do olhar do artesão Zé Nogueira, finalmente presente ao recital, junto com Dagmar sua esposa/companheira/artesã, apesar do avançar da hora. Certamente várias idéias, viagens, conceitos... mas nenhuma vontade de fazer uma intervenção. Até que Roberto anunciou a presença de Zé para o posterior aplauso dos presentes. “Zé, por favor, leia a poesia do seu amigo Juracy Paixão, publicada aqui na quarta edição da revista Vinhos e Versos” pediu o “Sr. Presidente” da CCI. Ainda assim, Nogueira não sentiu-se à-vontade deixando para Roberto recitar o “DesVerso do Paladar”.
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Desta maneira se viu, se viveu e se verbalizou o quinto Recital Vinhos e Versos da Casa da Cultura de Irará. Um recital vivo. Pelos versos dos versejadores, pelo vinho vermelho, pela vinda de Vânia, pelo vislumbre da vela (diga-se candeeiros), pela vibração dos visitantes... Por tudo isto, um recital vigoroso. Mas do que nunca, marcado em “V”. Ironicamente, em romanos, representante do numeral “cinco”.
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Veja trabalhos de Vânia Medeiros através do Link indicado neste blog.

11.5.07

Com Cidade de Deus, cinema volta a cidade nascida da luz*

Escrito na primavera de 2004, quando estávamos como presidente da Casa da Cultura de Irará.
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Quando Zé Pequeno gritou: “Pega a Galinha ai, ô rapaz!”, a sala já estava cheia. E cada vez chegava mais gente. Logo, as poucas cadeiras que estavam vazias foram sendo ocupadas, e quem chegou depois começou a assistir o filme de pé. Assim o domingo, 14 de novembro de 2004, ia noite adentro, na maior sala de aula da Escola Municipal São Judas Tadeu. Àquela altura, transformada em sala de projeção.
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Os cerca de noventa assentos disponíveis foram insuficientes, conforme era logo percebido por aqueles que ultrapassavam o portão da escola e viam alguns jovens, sobre suas bicicletas, observando através das vidraças. Na tela grande, Cidade de Deus, de Fernando Meireles, que já empolgou o Brasil e o mundo, conquistava os iraraenses, principalmente àqueles que ainda não o tinham visto. Alguns deles, talvez sequer tenham mesmo assistido qualquer outro filme na telona. Era o cinema de volta a Irará, como nos tempo de Sr. Olavo ou Zé Martins, o Zé do Rato. E se antes, a TV foi considerada a culpada pelo fim das salas de projeção nos pequenos centros urbanos, agora aqueles mais de cem espectadores pareciam se vingar da telinha. Eles preferiram sair de casa para apreciar um longa metragem num local público, junto a emoção e o calor humano dos seus conterrâneos.
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Assim é a sétima arte. Enquanto muitos acusam a TV de isolar as pessoas em seus pequenos mundos residências e até desfragmentar o dialogo familiar, o cinema é tido como agregador e possui o poder magnífico de fazer as pessoas “viajarem”. Isso sem contar a característica de gerar o debate, de suscitar comentários. Conforme aconteceu ao final da sessão, era impossível não perceber as alusões feitas à obra. Até mesmo durante a exibição, um espectador mais exaltado repetia o personagem, “Dadinho é o caralho!”. Close, primeiro plano, câmera tremendo em cena de perseguição, gira o foco, gira a imagem e... lá está o público, concentradissimo! Gira pro passado, gira pro presente e a roda do tempo também faz girar o pensamento dos diretores da Casa da Cultura de Irará (CCI), levam-nos há meses atrás, quando aquela exibição era somente um sonho. Como diria Glauber Rocha “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Equipamento e criatividade. A inventividade eles tinham de sobra, faltavam-lhes as condições.
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Naquela noite, a vontade de fazer foi saciada graças à colaboração de alguns parceiros. O Cestão Celulares, representante em Irará da operadora Claro, foi fundamental para se ter o equipamento. Agradecimentos mil ao amigo José Carlos (Kakal). E o diretor da escola, Marivaldo Francisco, concedeu o espaço com grande benevolência. A Casa da Cultura torce pela continuidade destas parcerias, até que, quem sabe um dia, seja possível ter os seus próprios equipamentos e sala de projeção. De tal maneira a arte cinematográfica será viabilizada a quem tem dificuldades de acesso à mesma. E será mais confortável responder ao público, quando perguntarem ao final da exibição: “Quando vai ser e qual será o próximo filme?”.

* Em Irará há um quase consenso de este nome em linguagem indígena quer dizer: nascido ou criado da luz do sol ou do dia. No entanto há dicionário de tupi que classificam Irará como animal mamífero que gosta de se alimentar de mel. Existem também outras versões populares para o significado deste nome.

2.5.07

E lá se foi o Carecanto

enviado para iraraense@yahoogrupos.com.br em 08 de fevereiro de 2006.
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Para muitos, talvez fosse apenas mais um bar da cidade. Para outros, um local memorável, onde devem ter acontecido muitos causos do Irará. A sua arquitetura não era exuberante, nem demonstrava grandes artifícios de beleza, mas conservava em si status de tempos de outrora, de saudades e recordações.
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Na minha infância, costuma passar em frente aquele bar, nas idas e vindas no trajeto casa/escola. Sim, dobrar a esquina do Carecanto esteve, e ainda esta, no meu roteiro pelas ruas de Irará. Só que agora, não há mais o Carecanto, tão somente a esquina, de teimosa, insiste em permanecer.
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Lembro-me de quão surpreso fiquei ao saber, por uma placa de sinalização, que ali no encontro entre Praça da Purificação dos Campos e beco de Sr. Elisio começa a rua Pompilio Santana. O beco é, portanto, um prolongamento da rua onde sempre morei, cujo itinerário passa pela a AABB e vai até o Loteamento José Barbosa Caribé. Tal Caetano em Sampa revela-me alguma emoção no encontro entre Pompilio Santana e Praça da Purificação.
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Noutro dia cheguei por ali e nada entendi. A dura poesia concreta do progresso havia levado ao chão um marco daquela esquina, o Carecanto. A quadra dedicada à padroeira da cidade, noutros tempos denominada Praça do Comércio, já é pequena para as atividades comerciais. O comércio então avança Rua Cel. Coronel Elpidio Nogueira (antiga rua direita) acima, transformando, aos poucos, o patrimônio arquitetônico do centro da cidade em portas de chapas metálicas.
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Na mesma semana foi derruba a antiga casa de Sr. Lúcio, próximo ao Banco do Brasil. Vale lembrar que onde hoje é a agência bancária, um dia funcionou, segundo relatos dos mais antigos, um belo prédio que abrigava a antiga prefeitura, namorada do jardim da Praça da Bandeira com seu coreto. Nesta mesma praça, na esquina de frente para o banco, onde um dia esteve a casa de Sr. Zé Freitas, com suas muitas janelas, surge uma nova Farmácia. A edificação já aponta o seu letreiro luminoso, disposto num enorme painel.
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Loja farmacêutica é também o empreendimento a ser erguido no terreno onde um dia funcionou o Carecanto. Farmácia, junto a supermercado e funerária, parecem mesmo ser os segmentos comerciais que mais prosperam em Irará. Diante da evidência, um leve toque de sociologia parece avaliar o nível de vida na comunidade. Comer, adoecer, morrer. Não prosperam novas alternativas para os jovens. Não prospera o nível social iraraense. Não há políticas de valoração e construção do patrimônio arquitetônico e nem mesmo cultural. Nada!
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Alguém tentou convencer o dono da Farmácia a não demolir a estrutura do antigo Carecanto. Mas foi em vão. O empresário foi reticente diante dos argumentos de que os traços da edificação dariam um charme a mais para o seu comércio, bastando apenas reforma-la. Argumentos rebatidos, o Carecanto foi ao chão. E assim foi desmanchado o cenário, escolhido pela TV para servir de fundo para a entrevista de Sr. Antônio Luiz, quando da produção do programa dedicado a Tom Zé, organizada pela afiliada soteropolitana da Rede Globo.
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O Vídeo Tape da TV contem as imagens e a lembrança retém o balcão, os banquinhos giratórios e as prateleiras com as diversas garrafas de bebidas. É certo que o Carecanto já não era mais o Carecanto. A nostalgia estava presente somente no prédio, o qual deveria ser preservado, pois ao longo dos tempos o bar foi trocando de dono e até mesmo de nome.
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A nomenclatura tradicional e já há algum tempo esquecida, foi resultado de um concurso. Uma disputa que na época empolgou a cidade e se revelou um evento sócio-cultural. Em meio a tantos nomes inusitados e até estrangeirismos, venceu o que homenageava o dono do bar ao traduzir a paragem como “o canto do careca”, daí “Carecanto”.
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E pela “força da grana que ergue e destrói coisas belas”, o Irará a cada dia ver minimizadas suas características de cidade centenária. Já abordei esse tema num outro texto*. No entanto, acredito que sempre vale a pena lembrar. Ao menos enquanto ainda podemos e nossas mentes não forem alcançadas pela lógica do consumo, na qual, os valores éticos e estéticos estão sempre submissos aos financeiros.
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A questão do traço arquitetônico da cidade foi abordada em “Centenária tradição memória efêmera”, publicado na Gazeta de Irará em maio de 2004.


24.4.07

Fulano de Sicrano*

“Não sou de ninguém/ Eu sou de todo mundo / e todo mundo é meu também.”
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Os Tribalistas, na canção já sei namorar
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“É como Cronos comendo seus filhos, é normal! Em Irará, também se diz assim: “Você tá me chamando de veado ? Por que Bicho? Eu não sou homem mesmo, não. Meu pai ainda não morreu, como é que eu posso ser homem ?” Quer dizer, isso é mitologia grega, não sei de que maneira foi parar em Irará. Mas foi.”
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Tom Zé em entrevista a revista Caros Amigos -nº 31 de Outubro de 1999 pag. 29

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Zé Nogueira, digo Zé de Aristide, me disse que quando Valter, Titino de Cassinho, lhe falou sobre Roberto Martins que gostava de tomar licor na sua casa (de Zé), ele achou estranho. Pensativo Zé dizia matutar, matutar, mas não se lembrava de nenhum Roberto com aquele sobrenome. Curioso, Zé meditava consigo: “será que é parente de João Martins? ou de Marcílio, dos Martins de Joy e Virgílio?”. Mas mesmo assim Zé não se lembrava de nenhum Roberto nessas famílias. Até que por um lapso ele percebeu: “Ah! É Ró de Zé do Rádio.”
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Zé Carlos (Kakal dos Pinto) e eu, certa feita abordávamos sobre este fato de em Irará os nossos nomes estarem sempre ligadas aos nomes dos nossos pais e/ou familiares. Em hipótese alguma, era vergonha estar relacionado ao nome deles, porém ideal seria que fossemos reconhecidos pelas nossas ações. O que para Kakal, só aconteceria quando fossemos independentes financeiramente. Lembro-me que nessa conversa foi exemplificado o caso de Eloi, que quando tomava umas cervejas no Chalé, tinha a sua conta encabeçada pelo titulo: “Filho de Nôca”.
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Essa lista de discussão é aberta a todos os iraraenses e simpatizantes. E por este motivo aqui podem transitar diversas pessoas; os que saíram de Irará há muitos anos, os que moram lá, os que pouco conhecem a cidade, e até mesmo quem só foi lá uma única vez. Isto denota dizer que aqui na lista o “sobrenome” (nome do pai) tem pouca relevância, mas no mundo real, e ainda mais se for em Irará...
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Vânia Medeiros (não sei o nome do pai dela) ao descobrir que Alex Rolim, colega de hospício** aqui da FaCom, era natural de Irará, logo lhe perguntou: “e lá, você é Alex de quem? Ele respondeu: “Alex de Vanda”. Aliás não fosse essa identificação, talvez Rui de Berada, demorasse um pouco a recordar de seu primo Alex, quando contei-lhe ser este último meu colega de faculdade.
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Ser conhecido com o nome do pai por vezes marca tanto, que a identificação de cada herdeiro vai se tornando mais longa. Como podemos notar na família de Sr. Zé de Cândido, que agregou o nome do pai e isso continuou com seus filhos. Assim conhecemos Leo de Zé de Cândido. Imaginem como será conhecido o filho de Leo.
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As vezes penso como as pessoas devem comentar sobre este grupo: “É uma lista formada por: Leo de Maica, Luciano de Rege, Vítor de Raimundo, Tais de Dilson, Bruno de Zé Mamão, Ró de Zé do Carneiro, Débora de Jarinho, Matilde de Mário Costa, e muitos outros de alguém”. Portanto em Irará, é difícil ser de ninguém, mas isso não implica dizer que a pessoa também não seja alguém enquanto os seus pais ainda se fazem presentes.
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* Escrito no verão 2002-2003 e enviado para iraraense@yahoogrupos.com.br
** Colega de Hospício é uma expressão usada por Milton Severiano na sua coluna “Enfermaria” da Revista Caros Amigos, para designar jornalistas e outros pensadores.

16.4.07

Um ano de Blog

Esse blog está completando um ano. Durante estas últimas quatro estações, ele alternou entre períodos com maior movimentação e alguns com certo marasmo. A exemplo desses últimos 30 dias.
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No mais, são 70 posts (mais q um por semana como foi pensado), com a quase totalidade deles (exceção de dois ou três) de autoria própria. Aqui teve notícias, crônicas, ficção (não tão ficcional assim, rs, rs, rs), relatos... enfim. Textos que esboçam uma visão pessoal sobre diversos assuntos.
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Por isso o Blog tem nome próprio. Aqui vai ao ar a opinião de quem o mantém. É colunismo. E não jornalismo. Embora às vezes, pareça ser mais do que alguns veículos que se pretendem jornalísticos.
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Houveram textos aqui postados para os quais a receptividade parece ter sido maior. Entre eles, “Muito peido pra pouca obra”, “Jeguerê: um arrastão campeão” e as “Brevitas bravatas” – eleições e São João. Isso mensurado pelas conversas e elogios feitos pessoalmente e também pelos comentários.
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Sim! Isso. Os comentários. Teve post que chegou a ter até 6 (seis) comentários... Bob Fernandes, Noblat e Fernando Rodrigues que me esperem, estou a caminho de chegar às centenas como no blog deles!
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Flash-back pra comemorar
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É justamente essa marca de um ano que dá fôlego e esperanças para perspectivas futuras. Tal longevidade não estava prevista quando essa brincadeira começou, mas já que ela tá boa, a intenção é continuá-la. Infelizmente só não vai dá pra ser agora.
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Obrigações e mais obrigações, impediram a postagem de conteúdos novos por aqui. E pelo visto, vão continuar atravancando a pauta por mais um tempinho... Porém, para não deixar o caro leitor desamparado, vou lançar mão de uma idéia, para a qual Patrícia e Leone me alertaram.
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Vai rolar aqui uns tempos de “flash-backs”. Ou seja, enquanto não estiver disponível para novos conteúdos, vou postar textos antigos. “Erles” foram escritos e enviados para uma velha lista de e-mails chamada de “iraraense” (iraraense@yahoogrupos.com.br). Veículo ainda existente, entretanto mais movimentado nos tempos em que não existia o Orkut e nem esse blog.
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Em homenagem à irmã e ao amigo, citados acima, e para comemorar um ano do Blog, “Fulano de Sicrano” deve ser o primeiro texto a aparecer daqui a uns dias. Aguardem e obrigado a todos!!!
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11.3.07

Alô câmbio! Olha o cambista

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No ingresso vendido na bilheteria estava escrito: “ATENÇÃO: Evite a ação dos cambistas. Venda Proibida”. Outros, nas mãos dos próprios cambistas, além desta informação, continham um carimbo: “CONVITE: Proibida a venda”.
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Em meio a advertências e proibições os cambistas seguiam livremente fazendo seu trabalho, nas proximidades do Teatro Castro Alves (TCA) em Salvador, num dado fim de semana de dezembro passado.
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“Ingresso, ingresso, Vander Lee, Cordel do Fogo Encantado”. Esse era o grito que mais se ouvia, naquela tarde de sábado. Um chamado feito a qualquer um transeunte em direção à Concha Acústica do TCA.
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Mal se descia do ônibus e eles já estavam lá. Ladainha exaustivamente repetida para chamar a atenção dos potenciais fregueses.
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Como se percebe, apesar de verbalmente proibidos ou indesejados pelos produtores de eventos, os cambistas, em bom número, transitam com desenvoltura na Praça do Campo Grande. Um leve descuido e pode-se tropeçar num deles quando se vai entrar no hall das bilheterias do Teatro.
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Tênis, calça tec-tell e camisa xadrez, usada por fora, um dos cambistas está em busca de consumidores. Abaixo do boné e por trás dos óculos redondos, figura uma aparência de pouco mais de 50 anos.
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Olhos de águia, em busca de possíveis freqüentadores de shows, lá vai Crispim (nome fictício - no meu entender o mais adequado para o cidadão). Chego próximo e pergunto o valor do ingresso.
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- É dez reais.
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- Você está vendendo pelo mesmo preço da bilheteria - Comento.
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- É, - responde Crispim, para complementar depois – mas comprando em minha mão, você não vai precisar comprar o livro, que o cara tá ali vendendo por três. Ele pode até te fazer dois, mas aí o ingresso vai ficar por doze.
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O cambista se referia há um vendedor de livros usados e antigos módulos de pré-vestibular, comercializados na entrada das bilheterias do Teatro. Como é um show em benefício de uma causa social, pede-se que as pessoas doem livros ao comprarem seus ingressos no guichê.
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Neste tipo de evento, o ritual começa em casa. Procura-se por aquele velho modulo, o livro didático da quarta série, ou qualquer outro que julguemos sem serventia.
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Assim apreendemos e assim continuamos. Damos o que já não nos serve mais. O lixo. Campanhas de troca de ingressos por livros são fantásticas, além de fazer sobrar espaço na nossa lixeira, nos deixa com o “sentimento de culpa aliviado”.
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Calma. Não condeno de todo as campanhas de doação de livro. Não é por aí. Os livros realmente hão de ser útil a alguém. E, claro, melhor livro na mão de pessoas do que servindo de entulho. Ademais, os que não forem de muita serventia para uso, espero ao menos que sigam para a reciclagem e um dia se transformem em livros novos, com custo menor do que o habitual.
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Mas, voltemos ao Crispim e a sua labuta. Passa o freguês e ele faz o chamado:
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- Ingresso, Vander Lee!
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- Quanto é mermão!? – Indaga o rapaz.
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- Lá você vai pagar trinta, eu te vendo por vinte e cinco (abaixo da bilheteria! Isso que é promoção).
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O cidadão com gel no cabelo e camisa “mamãe quero ser forte” se interessa pela proposta. Faz uma cara de surpresa, olha para um lado, para o outro, dá uma choradinha...
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- Faço vinte! Pra você nem ir lá. – fala Crispim, como quem dá a última palavra, para depois se referir à bilheteria.
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- Esse ingresso é verdadeiro mesmo? – questiona o freguês.
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- Ohhhhh! Que é isso!? Aí é qualidade. Eu trabalho é com ingresso! – Sentencia o cambista, com ênfase no “ingresso” tentando demonstrar experiência na atividade.
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- O problema não é ser falso. O problema é você me enganar. Se você me enganar... aí é que vai ser problema...
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Chorou, balançou, mas acabou comprando o ingresso na mão do cambista. Pelo dialogo pensei ser o “playboy”, um policial a paisana. Têm muitos deles que gostam de arrumar uma confusãosinha para depois demonstrar sua autoridade. Mais um pouquinho e, quem sabe, teríamos ouvido o clássico: “sabe com quem está falando?”.
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O cidadão vai embora e a vida do cambista continua. Anuncia o seu produto. Vem de lá duas sirigaitas bem vestidas. Queixo empinado, passam e fazem de conta que não é com elas. Vai ver, pensam que cambista não é gente.
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Pois é. Tem gente que nutre um ódio mortal aos cambistas. Considera-os aproveitadores e culpados por esgotar os ingressos da bilheteria para especular preços depois.
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Já vi gente que chegou ao espetáculo após o encerramento do guichê e pouco antes do inicio da peça teatral achou uma excelente oferta pelo ingresso, mas acabou recusando. Motivo? O bilhete era vendido por um cambista. Só por isso.
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“Uns aproveitadores. Isso é que eles são. Tem show que eles botam o preço lá em cima”. Não adianta nem afirmar que agindo assim o cambista está obedecendo a Lei da Oferta e da Procura. A antipatia está formada.
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"Show de Solidariedade"
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Pode ser ilegal. Pode ter muita gente que deteste. Entretanto, seria difícil a vida do freqüentador dos eventos do Projeto Sua Nota é um Show se não fossem os cambistas.
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O Projeto do Governo da Bahia visa criar incentivo para que as pessoas peçam notas fiscais nas suas compras e serviços (combatendo a sonegação de impostos) para depois troca-las por ingressos de shows ou partidas de futebol.
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Até ai tudo lindo e maravilhoso. O problema é na hora que o consumidor (já nem chamam mais de cidadão) vai trocar as notas.
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Para falar disso, peço ajuda aos universitários:
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“No dia de troca para o show de Maria Bethânia, cheguei por volta das seis e meia da manhã. Sequer conseguir entrar nas dependências da Fonte Nova: o portão já estava fechado e já haviam sido distribuídas 2.200 senhas, segundo responsável da Sefaz. Um caracol de candidatos à troca. Formara-se outra fila do lado de fora do portão... No lado de dentro, muitos relataram ter chegado na noite anterior e, como em todas as vezes que participei da troca, os cambistas estavam entre estes.”
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O trecho acima é oriundo da Monografia de Conclusão da Graduação em Ciência Sociais de Cibele Nunes da Silva Santos (UFBA: 2004). No texto de “A nota do Show” aparecem também problemas como as pessoas entrando na fila várias vezes depois de pegar ingresso e outros sentados em papelões, “guardando” lugar na fila.
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“É como se algumas hordas de moradores de rua, por ocasião da troca, encontrassem uma forma de se inserir, episodicamente, no mercado de prestação de serviços.” Diz o trabalho de Cibele.
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Agora, vamos agradecer a “intervenção” da menina de CiSo e retomemos a nossa discussão. Se conseguir ingresso para os shows do Projeto do Governo tem lá suas dificuldades, então podemos deduzir que os cambistas dão um “show de solidariedade”.
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Sim. Porque são eles que vão lá buscar os ingressos para vender “aos bacanas” na hora e na porta do show. Mas, aí cabe um porém. É só lembrar da argumentação de que a venda destes ingressos é proibida.
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Alguém me relatou conhecer uma pessoa que foi abordada por um policial quando comprava ingresso do Sua Nota é um Show na mão de um cambista. A julgar pelo movimento na frente da Concha nos dias de show, penso que este ser deveria jogar na loteria de vez em quando...
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A troca de ingressos e o acesso aos mesmos para o Projeto Sua Nota é um Show é um dos problemas que o novo Governo da Bahia vai precisar resolver. Será que alguém já pensou na idéia de colocar postos de troca em pontos como colégios, shoppings, praças ou até mesmo nas casas de espetáculos?
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Mas deixa isso para depois. Voltemos aos cambistas. Agora eles estão brigando por um cliente. “Eu já falei com ele”. Grita um dos dois. “Se saia meu irmão!” Responde o outro. Na disputa, parece leilão, os lances de ofertas começam a aparecer. O movimento na porta do Teatro é animador.
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Dias de lucro. Dias de prejuízo. Vai que chove e perde todos os ingressos? Vai que o show bomba e vende pelo olho da cara? Riscos como em muitas profissões. E cambista é profissão?
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Mesmo proibido nos bilhetes e, “ao que parece”, na lei, eles seguem trabalhando, como uma espécie de promotores do câmbio negro dos ingressos. Câmbio flutuante entre a oferta e a procura.
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Trabalham assim. Sem carteira assinada, sendo eles mesmos o documento comprobatório de que algumas coisas no Brasil, apesar de proibidas, funcionam tranquilamente. Acho que amanhã vai dá macaco. O chefe da policia avisa pelo rádio. Câmbio e desligo!

6.3.07

Chuvas Esquecidas

A água jorrando das nuvens. Belo. Magnífico espetáculo da natureza. Às vezes a chuva chateia. Às vezes, fico contemplando...
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Chuva! Tão esperada no sertão. Tão temida nas encostas das cidades. Lembrada em alguns momentos, esquecida noutros.
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Não sei se essa “veborragia” tem a ver com a exposição de Ingrid Klinkby, mas pelo que conheço do trabalho da moça acho que vale a pena conferir. Ainda mais quando as “Chuvas Esquecidas” vão “cair” em Cachoeira.
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Veja o trabalho de Ingrid na Internet

2.3.07

Nepotismo: será o fim da novela?

Publicado no último dia 24 de Fevereiro de 2007, O Decreto de Nº 2101, “exonera a partir de 28 de fevereiro” os cargos que “configurem nepotismo” na Prefeitura Municipal de Irará. Irmãos e esposa do Prefeito são algumas das pessoas afastadas com a medida.
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A prática do nepotismo foi assunto recorrente em Irará. O fato teve direito a idas e vindas de projetos na Câmara Municipal. Quem acompanha este Blog já leu aqui alguns outros capítulos dessa novela. Será este mais um ou o último?
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Veja o Decreto abaixo. Para ler o texto e conferir a relação das pessoas afastadas é só clicar na imagem.


25.2.07

O Zeca de Magalhães que eu conheci

Foi assim rápido e inesperado. O primeiro e-mail informava que Zeca de Magalhães tentava consertar uma goteira no telhado de sua casa. Caiu, bateu a cabeça, deu traumatismo craniano, estava no hospital em coma. Dias depois, o segundo e-mail fez acabar as nossas esperanças. Zeca não mais habita o mundo dos mortais.

Zeca: "Pensador"


Conheci Kzé, como também era chamado, no Colóquio de Literatura Popular, no mês de novembro do ano passado. Durante a pré-produção do evento, eu procurava um palestrante que falasse de poesia sem academicismos, na linguagem do povo.
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Gustavo Felicíssimo me mandou uma lista de poetas, os quais poderiam falar da Poesia Marginal. Vi o nome de Zeca lá. Lembrei que Vânia Medeiros trabalhava com ele no CRIA (Centro de Referencia da Infância e Adolescência) e fiz contato com ela.
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“Ró, Zeca é maravilhoso. É o cara que você tá procurando”, disse Medeiros. Confesso que achei que Vânia exagerava, mas mesmo assim liguei para o Zeca.
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Tivemos um contato rápido e ele demonstrou bastante interesse em se fazer presente ao evento. Não fez nenhuma exigência, depois me enviou cordéis do CRIA. Fui até a sede da ONG conversar com ele. Lá, fui recebido com bastante cordialidade. Zeca quis saber do Colóquio, deu idéias e ainda sugeriu nomes para ocupar a vaga de outro companheiro que, de última hora, não poderia estar presente. “Quero participar do evento todo, não só no dia da palestra”, me disse ele.

Recitando poema no Vinhos & Versos

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Em Irará, gostou muito do Vinhos & Versos. Observou e recitou poesias de sua autoria. No sábado, chegou cedo na feira-livre, trazia uma banquinha de cordéis. Mais do que assistir a apresentação dos repentistas, como havia combinado, queria “participar do evento”. A tarde não foi diferente. Assistiu a oficina de cordel de Gutenberg e observou a xilogravura sendo ensinada por Gabriel Arcanjo.

Vendendo cordeis na Feira-Livre

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Ao final das oficinas na Casa da Cultura, tivemos um pequeno bate-papo na descida até a sede da Filarmônica. Zeca queria saber onde seria a palestra da noite. Neste pequeno caminho ele contou a mim e a Marcílio um pouco das peripécias da sua vida.
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Foi muito interessante ouvir o relato daquele carioca que devido a uma desilusão amorosa, viveu literalmente o que tem naquela canção do Barão Vermelho. Ou seja, viajou a pé do Rio a Salvador.
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“Comprei uma lata de “Grand Prix” e encerava caminhões nos postos de combustíveis”. Relatou Zeca para demonstrar como conseguia dinheiro para se alimentar, nos vários dias da viagem em que, por algumas vezes, pernoitou no mato, debaixo da chuva, no seu saco de dormir.
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À noite, no horário combinado, Zeca estava na sede da Filarmônica 25 de Dezembro para a palestra. Gustavo Felicíssimo era o outro conferencista.
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Gustavo falou primeiro e abordou uma espécie de conhecimento para poder se trabalhar com poesia. Zeca olhava para Gustavo e fazia suas anotações. Chegou sua vez de falar. Foi de encontro a algumas das considerações de Felicíssimo. Falou simples, na linguagem do povo. Se fez entendível para aquele pequeno público presente. Abordou não só a poesia, mas a cultura, a vida e os sentidos da mesma.

Um bom debate com Felicíssimo (de amarelo)
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Ouviu muitos comentários positivos com relação às suas falas. Lembrando do momento em que Zeca discorreu sobre os vícios da academia, Edma Oliveira aproveitou para fazer uma constatação: “Zeca você é muito inteligente, se você tivesse o curso universitário, nem sei onde você estaria”, disse a professora para frisar que alguns só valorizam quem tem o diploma.
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Vendo todos empolgados com Zeca, eu já não achava que Vânia tinha super-valorizado o seu amigo. Pelo contrário, acreditava agora que minha colega havia sido modesta, porque a satisfação do público para com o palestrante foi muito maior do que eu poderia prever.
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No domingo, encontrei Zeca de Magalhães pela manhã, lá na Pousada de Dona Emília. Ele havia acordado há pouco tempo. Depois foi à Casa da Cultura e gravou entrevista para o vídeo do evento com Daniel Cortês, Mateus Damasceno e Bruno Buke. Deu aula abordando a resistência da cultura popular perante a cultura massiva. Na seqüência, tentei levar Zeca até a casa do amigo Zé Nogueira, mas fomos impossibilitados pelo avançar da hora.
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“Não se preocupe Robertinho; gostei de Irará. Achei muito interessante a cidade, as pessoas, a feira-livre daqui. Um final de semana desses, eu volto e trago minha esposa. Ela está precisando sair para espairecer. Perdemos um filho há pouco tempo em um acidente automobilístico, ela está muito deprimida”, me relatou Zeca de Magalhães preocupado com sua companheira. Ele ainda avaliou que seria bom ela trocar idéias com Nogueira, pois, assim como ela, Zé trabalha com artesanato e faz oratórios em miniaturas.
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À tarde, na hora da despedida Zeca me sugeriu uma idéia. “Vamos colocar Irará no projeto Ser-tão Brasil!”. Gostei da sugestão. Ele me falou que poderíamos criar uma representação através da Casa da Cultura. E já em 2007 entraríamos como cidade convidada. Uma excelente proposta para os iraraenses se integrarem a este movimento que a cada ano une, numa cidade sede diferente, a arte e a poesia de onze municípios do interior baiano, escolas e representações de mais de vinte bairros de Salvador e da RMS.
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Outro dia, vou subindo a ladeira em direção a Biblioteca Central do Estado, nos Barris, quando ouço um chamado. “Robertinho Irará!”. Era Zeca visual um pouco modificado devido a barba, mais crescida com relação ao dia do Colóquio. Parei para falar com ele. Brevemente me contou seus planos de mudança para Cachoeira, de montar uma livraria lá. Sua filha passou no vestibular para a Federal do Recôncavo e ele pensava em fixar residência no interior.
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Conversa prazerosa. Lembramos de projetos a serem feitos. Fiquei de procurá-lo para ver a idéia do Ser-tão. Idéias, planos, vivencias... Tudo abruptamente interrompido. Por uma goteira. Uma queda. Uma morte estúpida. Fatalidade humana, cujo sentido relutamos em compreender, sobretudo quando se parte ainda jovem de modo totalmente inesperado.
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Daquele último bate-papo, fica a lembrança do sorriso e do sotaque de alguém que acreditava na vida. Foram poucos encontros, poucas conversas, mas, ainda assim foi possível aprender algo com aquele poeta.
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José Narciso de Magalhães Carvalho de Moraes Filho era mais do que um dos poetas na praça, agitadores da Praça da Piedade nos anos 1970/80. Mais do que um nome da Poesia Marginal. Mais do que um produtor cultural. Zeca, pelo que pude perceber, foi um guerreiro em prol da cultura. Um humanista. Captei essa mensagem no Zeca que conheci. O “tempo” nos tirou a oportunidade de conhecê-lo mais.
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Fotos:

Vinhos & Versos - Emerson Nogueira

Outras - Daniel Cortês, Bruno Buke, Mateus Damasceno - não necessáriamente nessa ordem, ou nessa composição.

20.2.07

Era uma vez...

...duas grandes árvores na Praça da Bandeira (Jardim do Coreto) em Irará.









* Cliques feitos em 25 de janeiro de 2007.



16.2.07

Salvador Negroamor: imagens do verão

A exposição Salvador Negroamor com certeza está entre as imagens marcantes do verão soteropolitano. São 1.501 painéis expostos ao ar livre por toda parte da capital baiana. O destaque das imagens são pessoas do dia a dia da cidade de Salvador e de Angola.


Painel na esquina da Av. Ademar de Barros com Av. Oceânica

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Vendedores ambulantes, cobradores de ônibus, transeuntes do cotidiano da cidade, entre outros, configuram os “anônimos” apresentados na mostra. Claro, pessoas com nome e identidade, apesar da mídia parecer não considerar assim. Daí, as aspas.
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É notório que para se fazer a exposição e seus painéis gigantescos nos prédios, outdoors, fotografias em postes, entre outros mídias, gasta-se muito dinheiro. O projeto captou cerca de R$ 2 milhões via Lei Rouanet. Fato que tem gerado questionamentos e algumas polêmicas em torno da mostra.
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Discussões à parte, a repercussão da exposição também encontra espaço para comentários sobre o seu sentido e impacto social. Entre eles, os dos próprios fotografados. "Quando fui ver a foto da minha filha, na Linha Verde, fiquei parada, muda, sabe por quê? Estamos vendo a revolução dos humilhados", diz a dona de casa Hilda Almeida dos Santos, 48 anos, em entrevista para a reportagem do A Tarde On–line.
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Postes foram usados como suporte em quase toda a cidade
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Elevar a auto-estima destas pessoas é outro ponto defendido na exposição. Em entrevista ao programa Soteropolis, que vai ao ar pela TVE-Bahia, Sérgio Guerra, fotografo e produtor da exposição, também defendeu esta idéia.
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Numa outra entrevista para o jornal Correio da Bahia, Guerra vai além: “Quando olho para Salvador, vejo uma cidade dividida, preconceituosa e muitas vezes racista. O conceito de cidade alta e cidade baixa aqui é literal”, desabafa.
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É bom lembrar que Salvador Negroamor não se resume à mostra fotográfica. O projeto também compreende a produção de um CD, o edição de um livro e a fundação de uma ONG, a qual já criou uma escola para alfabetizar adultos na Feira de São Joaquim.
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“A Riqueza” - prima pobre
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De todos os argumentos, contra ou a favor, da exposição Salvador Negroamor, um me incomoda. Especificamente o comentário de alguns analistas sobre o “ineditismo da idéia de evidenciar pessoas “anônimas”” – olhe as aspar de novo.
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A mesma abordagem foi feita pela exposição a “Riqueza de Irará”, realizada pela Casa da Cultura de Irará em janeiro de 2005, dois anos antes de Salvador Negroamor. E, quem sabe, neste imenso Brasil, outros já tenham tentado fazer o mesmo sem sucesso.
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O diferencial é que na mostra realizada em Irará, não houve leis e, quase, nenhum outro tipo de incentivo. E, sem a magnitude da prima soteropolitana, a exposição iraraense não atingiu o grande público ou mobilizou a cidade.
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No entanto, o pouco destaque atingido pela mostra iraraense fez cumprir o seu objetivo. Ou seja, mostrar que pessoas são o maior patrimônio. E a maior riqueza de um lugar são as pessoas que o compõe. Prerrogativa que também marca Salvador Negroamor ao chamar atenção para a riqueza da capital baiana e de Angola.
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- visite portal do projeto Salvador Negroamor: www.salvadornegroamor.org
- leia abaixo texto publicado na época sobre a exposição “A Riqueza de Irará”.
Fotos de Shirley Stolze "tomadas de empréstimo" no site do Salvador Negroamor

Reconhecimento da própria fortuna

Mostra fotográfica surpreende fotografados
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- texto escrito e enviado para grupo iraraense (iraraense@yahoogrupos.com.br ) em fevereiro de 2005 -
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A Casa da Cultura de Irará realizou no sábado, dia 29 de janeiro, a segunda mostra fotográfica do mandato atual. Com imagens captadas por Zé Falcón, estudante de jornalismo na Universidade Federal da Bahia – UFBA, a mostra pretendia chamar a atenção da população iraraense para a beleza que existe “escondida” no dia a dia da comunidade.


Cartaz da Exposição mostra foto de transeunte da Feira Livre

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O titulo, “A Riqueza de Irará”, foi inspirado no pensamento de Edimário Duplat. Estudante do curso de Produção em Comunicação e Cultura da mesma Universidade. Edimário, quando conheceu Irará em julho de 2003, afirmou que “o maior patrimônio de Irará são as pessoas” e diante da própria afirmação se questionava: “O que faz essa gente ser assim? É a água?”. Seja pela água ou pelo fogo abrasador de quem é “nascido da luz do sol” (1), o certo é que a revelação reflete a riqueza de um de povo que parecia estar se descobrindo.

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Açougueiro admirado com própria imagem

Fotos expostas nas paredes, olhos brilhando nas faces. Para alguns, era difícil se imaginar retratados em reproduções, digamos... artísticas. D. Andreza, vendedora da barraca de sandálias na feira de Irará, confessou: “Eu já tirei muitas fotos rindo, mas nunca com um sorriso assim”. Emoção mesmo sentiu o açougueiro, apontando em estado de contemplação para sua imagem. Saiu, voltou, trouxe amigos para ver. O mesmo se deu com a senhora que vende mangaba.
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A jovem grávida exclamou, “aqui!”. Na foto, o policial alisava o seu ventre aguardando um próximo rico iraranese. A menina do caldo de cana e sua mãe concederam entrevista para a TV Subaé. Depois de se reconhecerem em fotografias, identificar-se-iam no vídeo, via jornalismo televisivo de Feira de Santana. A TV reportou, cartazes, “mosquitinhos”, “boca a boca”, ainda assim, nem todos ficaram sabendo do evento. Talvez por isso, não foram se ver retratados. Outros, como o moço que teve sua imagem publicada no cartaz, ouviram dizer por terceiros. “Ele é meu sobrinho, vou contar pra ele”, disse a tia do “modelo”. Teve quem saísse sem nada comentar. E para alguns, aquilo tudo era estranho.
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“Eles tiraram fotos até dos feirantes”. Pobre senhora, nem percebeu na sua afirmação a discriminação arraigada na sociedade brasileira há séculos. Aquela de que gente só são os nobres, políticos, celebridades, os VIPs (do inglês, very important person). Pessoas importantes mesmo, são eles. Os construtores do município, aqueles que fazem o dia a dia e movem a economia e a vida local. Quem sabe já com esta percepção, a funcionária da limpeza pública municipal questionou: “Por que não faz uma com os garis também?”. “Boa idéia”, respondeu Roberto Martins, presidente da Casa da Cultura, certificando seu pensamento de que uma verdadeira política cultural deve mexer ai, na auto-estima das pessoas. Assim eles se sentirão gente, povo, nação, edificando a sua identidade.
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Noção de política pública não pura e simplesmente apaixonada, mas já com a sua dose de racionalismo. Admitindo a não rejeição do pensamento vigente, mas pensando em maneiras de como usufruí-lo para depois nega-lo. Sendo assim, nada de mais estando em pleno circuito festivo, colocar um bar na exposição. Isso permitiu o seu parcial funcionamento durante a noite, visto que as fotos maiores permaneceram nas paredes e possibilitou sua visão até para aqueles que não se importavam em ver a Mostra Fotográfica. “Isso aqui não é exposição não. Isso aqui é um bar. Só que botaram esse negocio ai”. Explicou um popular em plena festa, não percebendo a riqueza de Irará e ficando um pouco mais pobre.
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Com uma exposição que mostrava as pessoas de Irará em meio à maior festa popular do município, a festa da padroeira, a Casa da Cultura realizou mais uma etapa de sua atividade. Gratos a todos que contribuíram. Sr. Raimundo Ribeiro pelo espaço, Viva Irará pelas esteiras, Casa do Artesão pelos potes e especialmente ao camarada Zé Falcón. Ele é desses que, como diria o conterrâneo Tom Zé, nasceu com defeito de fabricação e acredita que se apresentarmos a este povo a sua própria fortuna, pode começar a “nascer Jesus Cristo e Fidel Castro pra todo lado”.
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(1) Existe um quase consenso popular de que “Irará” em linguagem indígena quer dizer: nascido ou criado da luz do sol ou do dia. No entanto há dicionários de línguas indígenas a classificar “Irará” como animal mamífero que gosta de se alimentar de mel. Existem outras versões populares para o significado do nome da cidade.

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Texto do Cartaz:

"É preciso que a lente mágica enriqueça a visão humana"*

As pessoas. O povo. Na feira, nas ruas, no seu trabalho diário. Os indivíduos que constroem o Irará de cada dia. Alguns deles, sempre vemos, mas não sabemos nome, ou mesmo onde moram. Estas personalidades, e todas as outras não captadas pela lente de Zé Falcón, cada uma a seu modo, fazem este município ser o que é. Elas são o nosso maior patrimônio. A riqueza de Irará.

* Aspas de Carlos Drummond de Andrade.

19.1.07

Uma onda pra bater além da praia

Clima de verão na capital da Bahia. Salvador é sol e mar. E por falar em mar, é bom lembrar que as “ondas vêm e vão com o tempo”, como diria a canção. No noticiário, a moda do momento volta a ser o nepotismo.
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O assunto foi destaque nas edições do A TARDE de quarta 17/01 e de quinta 18/01. As reportagens publicadas pelo diário informam sobre dois inquéritos civis instaurados pelo Ministério Público para averiguar a prática de nepotismo na Prefeitura e na Câmara Municipal de Salvador.
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Se a onda pega, podem começar a investigar nepotismos em todo o canto. Em tempos de marés revoltosas, a ondas podem ir além da praia. Será que chegam ao interior?
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16.1.07

O bom, o mau, o feio e a fotografia digital

Há filosofias defensoras de que os contrários sustentam o mundo. A dialética, a disputa entre forças opostas, a necessidade do conflito. O equilíbrio seria a chave para o viver melhor. Imagine um mundo sem contrários. Sem oposição entre bom e mau, entre feio e bonito, por exemplo.
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Até para poder servir de referência o contrário deve existir. “O que seria do azul se não existisse o amarelo?”, pergunta a velha frase. Sem o ruim, diante do que iríamos comparar o bom para saber se é bom mesmo? Estava pensando no uso da fotografia digital e acabei esbarrando nessas idéias...
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Sim. Porque na fotografia de hoje, corremos o risco de acabar com o feio, o inesperado, e também o “pêgo de surpresa”. Até mesmo naqueles aniversários familiares, regados a cerveja e carne na brasa, onde a fotografia sempre flagrava um com a boca toda suja de farinha.
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Agora é diferente. “Tira a foto!”. Logo o “fotógrafo” diz: “Ficou bom não. Vou deletar e fazer de novo. Perái! Agora sim, ficou legal!”. O “legal” quer dizer sem falhas, sem erros. E os “erros” que conseguirem passar na hora do clique, com certeza não escaparão a impressão. E se tiver photoshop, aí que eles não passam mesmo.
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Que fotos teremos para a posteridade? Tudo certo, sem erros? Não sei. Só sei que as fotografias documentais não podem perder a graça de alguns dos seus equívocos. Principalmente as falhas imperceptíveis no momento, mas que no futuro estarão lá, para, quem sabe, re-afirmar as dualidades, possíveis motores da vida.

13.1.07

Devolução já!

Alguns carros circulam pelas ruas de Salvador com o adesivo da campanha: “Devolva meu Bahia”. A iniciativa tem sido incentivada por Mário Kertézs, ex-prefeito de Salvador e âncora da rádio Metrópole FM.
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Toda vez que vejo esta propaganda só me lembro de um jornalista amigo nosso. Ele fez a cobertura jornalística da prefeitura quando, o hoje “radialista”, Kertézs era prefeito. O cara, ao que parece, não conseguiu pegar o “Mário atrás do armário”, mas não perde a oportunidade de pegar no pé do rapaz.
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Quando pode, ele não deixa de dizer que na gestão de Mário a prefeitura da Capital baiana teria sofrido grandes desfalques. Certa feita, num seminário cujo objetivo era discutir mídia independente e credibilidade em veículos de comunicação, ele chegou a questionar a moral do Sr. Kertézs para dirigir programas jornalísticos.
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Não quero entrar no mérito da questão. No entanto, toda vez que vejo a propaganda pela “devolução do Bahia”, lembro do jornalista e penso num outro apelo publicitário, com necessidade de lançamento urgente.
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Afinal, já passou da hora de ser criada uma campanha para que políticos corruptos devolvam dinheiro aos cofres públicos. Sugiro até um slogan: “Devolva meu dinheiro, vagabundo, trambiqueiro. Já!”

Uma questão de fé coletiva

“É só juntar a minha fé com as fezes de vocês”. Assim disse um vereador, com relação as suas perspectivas, após ter sido eleito presidente da Câmara Legislativa de seu município.
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O fato, que me foi contado por uma fonte segura, aconteceu numa dada cidade do interior baiano. O relator do caso, por sua vez, não foi capaz de se lembrar o nome da cidade. Será que alguém pode nos ajudar?
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A percepção do observador/eleitor é que, no calor do seu discurso o vereador não lembrou que a palavra “fé” não flexiona, muito menos observou o trocadilho que esse aparente plural faz.
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Para alguns, está tudo em casa, já que “há políticos que só falam merda mesmo”. Só com a fé de todos para mudar isso.

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Veja uma explicação na net sobre o plural fé.

2.1.07

"Irará nada!" Na virada.

Virada de ano. Teve festa na roça, mas no centro da cidade, nada. Os foguetes, de particulares, que brindaram a chegada do ano foram bem tímidos.
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Uma senhora me disse que: “uma prefeitura tá de luto; a outra tá falida...”. Hei! Cidade com duas prefeituras??? Nunca vi. Mas, mesmo sem “cascata de fogos”, Irará “nada” na virada do ano.
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É melhor não ter foguetório. Porque é bom não desperdiçar dinheiro com fogos. Preferível gastar com água. Ainda mais nesse verão que promete ser de arrasar.
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Mas bem que podiam arranjar uma coisinha para o povo fazer na virada. Esperar até os primeiros acordes da charanga já próximo do sol nascer, é dose. E bota dose e copo nisso.
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Como costumava dizer um cidadão num certo palanque. “Tal lugar tem isso; não sei onde tem aquilo outro; e Irará... Nada!” Agora nada de braçada nesse mar-asmo. Eitha. Isso é que uma cidade onde a vida cultural “vai bem”. A lavagem vem aí, lá, lá, lá!

"Novo" presidente

O vereador Juarez (PFL) tomou posse no dia de ontem (01/01/2007), como presidente da Câmara de Vereadores de Irará, para o biênio 2007-2008. Ele assume o cargo após três mandatos consecutivos da vereadora Maria Bacelar (PRP).

Juarez chega a presidência da Casa, após vencer as eleições como candidato único. Antes, os nomes de Maria Barcelar e Josafá Ferreira (PT) haviam sido anunciados pela mídia local como prováveis postulantes ao cargo.

O “nome do consenso”, Juarez, está longe de ser um novato, pois, agora em seu quarto ou quinto mandato de vereador já teve a oportunidade ter ocupado o posto mais alto do legislativo na década passada.

Faces da mesma moeda?

As falas foram altamente cordiais. Tantos o ex-governador Paulo Souto (PFL), quanto o – agora – atual, Jaques Wagner (PT) rasgaram seda. Falaram do trabalho da transição. Da consciência democrática no processo, etc, etc.

Tudo como manda o figurino. Ou talvez o protocolo da posse. Discursos pontuados em nome da respeitabilidade democrática. Um pouco (só um pouco) diferente da campanha eleitoral.

Dentro deste mar de cordialidade, chamou atenção uma frase de Jaques Wagner: “Governo e oposição são duas faces de uma moeda chamada democracia”.

Lembrei então que este ditado também é usado pela “patuleia”, bem verdade que sem o adendo “democracia”, para dizer que político é tudo igual, com “poquinha” diferença. Torço para que os governos não sejam tão parecidos assim.

Três palavras da moda nestes dias

Feliz ano novo!

27.12.06

Obra de arte sem conservantes

Venhamos e convenhamos. “Artifício” tem, lá em algum lugar da sua etimologia, um pouco de “arte”. E, quero crer, “artificial” também. O natural quando precisa se “artifcializar” pode até ser que use alguma conserva. Arte contemporânea, arte digital. Diálogos. Natural ou artificial. Ninguém pode avaliar o preço da contemplação alheia. Se for para ser produto, melhor que não contenha conservantes. A dica é: visite o blog de Samara – www.esteprodutonaocontemconservantes.blogspot.com

20.12.06

BNB de cultura 2007 tem dois projetos iraraenses

Foi divulgada esta semana a lista dos projetos selecionados no Edital BNB de Cultura 2007. Das 2.179 propostas habilitadas a concorrer, 157 foram selecionadas. Dois projetos de Irará figuram na lista dos contemplados. São eles: O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura; e o CD – Tocata e Retreta, da Filarmônica 25 de Dezembro.
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As entidades contaram com a assessoria técnica da Charanga Comunicação para elaborar os projetos que resultam num patrocínio de quase dez mil reais do Banco do Nordeste para cada uma delas.
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Com os nomes na relação dos selecionados, cabe agora a Casa da Cultura e a Filarmônica, organizarem os documentos e aguardar comunicação do BNB. Depois de resolvido os tramites burocráticos, é só realizar os projetos.
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Repentistas se apresentam no Colóquio 2006
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O Colóquio de Literatura Popular, da Casa da Cultura, foi selecionado na área de literatura e visa incentivar o exercício da leitura no município de Irará. Aprovado nas três edições do edital BNB de Cultura, O Colóquio, em suas duas edições (2005 e 2006), tem conseguido chamar a atenção da comunidade iraraense.
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A atividade é constituída de palestras, oficinas, apresentações de folguedos populares e grupos musicais, além de recitais de poesias e cordéis. A temática abordada é a literatura popular, com manifestações de caráter tipicamente nordestino.
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Sede da Filarmônica 25 de Dezembro

O projeto aprovado para a Filarmônica 25 de Dezembro consiste na prensagem dos LPs Tocata (1983) e Retreta (1993) no suporte CD. O lançamento deste material, já gravado e remasterizado, foi planejado para acontecer durante as comemorações dos 50 Anos da entidade. Contudo, não foi possível devido a falta de recursos para prensagem dos CDs.
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Agora, com o Patrocínio do Banco do Nordeste, a Filarmônica devera lançar o CD com o conteúdo dos seus dois LPs. De acordo com o projeto, parte do CDs a serem prensados serão doados a escolas, instituições e outras Filarmônicas, parceiras da 25.
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O Programa BNB de Cultura tem como objetivo apoiar prioritariamente a realização de projetos culturais que estão fora da evidência do mercado e que contemplem a cultura popular nordestina.
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Leia noticia sobre resultado do Programa em:
http://www.bnb.gov.br/Content/aplicacao/Grupo_Principal/Nordeste_Noticias/conteudo/nordeste_noticias_detalhes.asp

Queremos saber

Dias desses a Nasa, Companhia espacial norte-americana, disse ter descoberto provas da existência de água em estado liquido no Planeta Marte. O site do Uol e do Ig noticiaram o fato em suas respectivas colunas de ciências.
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A notícia, claro, divulgada através de uma coletiva convocada pela Nasa, é dada como uma certeza. Entretanto, quando observamos o texto de um dos sites descritos acima, feitos com base em nota emitida pela Agência Efe temos:
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Foto "prova" existênica de água em Marte

“Edgett, da empresa Malin de Ciências Espaciais, mostrou uma série de fotografias feitas em 2000 e 2005 das encostas das crateras vulcânicas nas quais se pode ver o que PARECE ser leitos de cursos de água, estreitos em seu começo e que se abrem em deltas ao chegar à base.”
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Lembrando da série, “perguntar não ofende”, menino curioso questiona logo: “E parecer, é ser?”. E olha que são justamente as tais fotografias que representam as “provas” alardeadas.
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Primeiro me veio à mente uma citação de Raul, parte da incrível letra de “Eu também vou reclamar”. Grita o maluco beleza: “Gelo em Marte, diz a Vicking, mas, no entanto, não há galinha em meu quintal”.
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Depois tive a lembrança de um clássico poema de Drummont, “O homem; as viagens”, o qual minha irmã gosta muito de recitar. Basta dá uma olhada no trecho abaixo.
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"Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem,
o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.
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Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.
(*).
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Já passamos de “2001”, o mundo não acabou, e a humanidade continua a sua “odisséia no espaço”. Em meio aos tradicionais questionamentos, bilhões de dólares são gastos em programas espaciais. Enquanto aqui na terra, “lugar de muita miséria e pouca diversão”, milhares e milhares ainda carecerem de necessidades básicas. Entre as carências, dormir e se alimentar que, antes de serem necessidades humanas, são necessidades animais.
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Seca no Nordeste Brasileiro

De tal modo, o que importa saber se há água em Marte? Queremos saber, se há água nos sertões do nordeste brasileiro. Queremos saber, se há alimento na África sub-saariana. Queremos saber se há paz no Oriente Médio, ou em tantas outras partes do mundo.
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Depois de tanto querer saber, difícil foi não rememorar uma linda canção de Gilberto Gil, cujo título é: “Queremos saber”.
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Queremos Saber
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Queremos saber
O que vão fazer
Com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
Sobre a descoberta da antimatéria
E suas implicações
Na emancipação do homem
Das grandes populações
Homens pobres das cidades,
Das estepes, dos sertões
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Queremos saber
Quando vamos ter
Raio laser mais barato
Queremos de fato um relato
Retrato mais sério
Do mistério da luz
Luz do disco voador
Pra iluminação do homem
Tão carente e sofredor
Tão perdido na distância
Da Morado do Senhor
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Queremos saber
Queremos viver
Confiantes no futuro
Por isso se faz necessário
Prevê qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer
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Queremos saber
Queremos saber
Todos queremos saber
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Gilberto Gil.
(*) Leia integra do poema de Drummond:

Coopril consolida Feira da Mandioca

A Feira Regional da Mandioca está sendo consolidada no calendário de eventos iraraenses. Antes mesmo de terminar a terceira edição, nos últimos dias 08, 09 e 10 de dezembro, as pessoas já começavam a falar da Feira 2007.
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Entusiasmado, Agnaldo Francelino, Guido, representante da Coopril (Cooperativa dos Produtores Rurais de Irará – Ltda), entidade que organiza o evento, anunciou a Feira do próximo ano. Antes agradeceu o patrocínio da Petrobrás e do Governo Federal e, crendo no potencial de crescimento da feira, também apostou numa maior participação do governo estadual.
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“Acreditamos que com o a gestão que vai se iniciar em janeiro, com o Governador Jaques Wagner e o companheiro Geraldo Simões, novo Secretário de Agricultura, teremos o apoio necessário”. Discursou Guido.
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Público prestigia a Feira em "massa"
A movimentação era grande nos estandes. Neles, além de bebidas e artesanatos eram comercializados, tapioca, beijus e outros produtos, como pizza e lasanha, todas estas guloseimas feitas à base da mandioca.
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E não só de bar, culinária e artesanato viveu a feira. Estandes também foram disponibilizados para Associações e empresas, como a Moveis Bemfeito. A Prefeitura Municipal de Irará também montou o seu.
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Já o estande que visava enfatizar a diferença entre o modo artesanal e a técnica mecanizada do processamento da farinha teve localização desprestigiada, ao fundo da feira, e acabou passando despercebido por algumas pessoas.
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Quem viu a “Casa de Farinha” lembrou do “barraco da cidade”, aquele feito pela Prefeitura no São João. Porque lá estavam novamente as ripas, material nada convencional para se fazer a representação de uma típica casa de taipa.
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Irará, tantas vezes campeã da feira do interior, representando suas casas de Farinha, deve ter desaprendido como fazer casa de modo artesanal.
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Uma queixa quase unânime foi quanto ao espaço da Feira. Era comum, em meio ao aperto e a dificuldade dos transeuntes, ouvir pessoas reclamando que a Feira da Mandioca não pode mais ser realizada na Praça Antônio do Oliveira Borges, em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Fica a dica para os organizadores.
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A parte das apresentações artísticas, motivo principal para ida de muitos à feira, agradou. A abertura aconteceu na sexta à noite com Manele do Arcodeon e Eletrofole, sendo encerrada na noite do Domingo com Futuca Menino.
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A chegança, repentistas, forrozeiros e grupos de Samba de Roda também se apresentaram. A noite do sábado teve encerramento com as apresentações de Saracú de Nazareno e Raimundo do Sodré.
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Raimundo Sodré canta para a massa
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O cantor da “massa” botou a “massa” pra sambar. E enquanto uns apreciavam a “massa”, ao longo de toda a praça percebiam-se rodinhas de samba se formando. Não falei. Foi “massa”!
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“E haja vasilina moço, pra escorregar com essa menina”. Os ritmos tocados por Sodré, quando não combinavam tanto com a roda de samba, eram acompanhados pelos casais dançando forró coladinho. “Torna repetir meu amor”.
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Repetir a Feira no ano que vem é o desejo de todos. Devem ser repensados pontos como a localização e também as estratégias para chamar atenção da população para as palestras e os ensinamentos e discussões disponibilizados pela Feira da Mandioca, com ao melhoramento da cultura mandioqueira.
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Enquanto a feira do de 2007 não chega, fica a expectativa e a certeza de que a Feira da Mandioca, já vai sendo consolidada como um grande evento no calendário do município. Nada mais natural para Irará e sua agricultura, com índice de 80% de representação para a cultura da mandioca.

8.12.06

Vai ser “massa”


Raimundo Sodré na Feira Regional da Mandioca em Irará. Sodré que ficou conhecido internacionalmente depois do Festival da Nova MPB 80, onde apresentou a canção “A massa”, vai poder mostrar suas canções ao vivo para “a massa” iraraense que planta, cultiva e consome mandioca. .
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Não só “a massa”, mas tantas outras da suas belas canções. Músicas que cantam “a dor da gente”. A “dor de menino acanhando, menino-bezerro pisado, no curral do mundo a penar”. Som autêntico “que salta aos olhos, igual a um gemido calado” e assim espanta “a sombra do mal assombrado, a dor de nem poder chorar”.
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Sodré na Feira é mais um presente para “a massa” iraraense. Principalmente para os jovens. Os jovens da geração de antes que testemunharam Raimundo no Festival. Os jovens de hoje, tão carentes de opções culturais e submissos aos ditames da cultura de massa. Interesses mercadológicos que tratam todos, e a sua cultura, como se fossem um “moinho de homens, que nem girimus amassados, mansos meninos domados, massa de medos iguais”.
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Para lutar contra os seus medos, a principal arma da “massa” é a resistência. Assim como Tiago de Melo insiste em não dormir, a cultura da mandioca teima em resistir. Resiste ao descaso, resiste às pressões, aos que desejam indústrias para poluir em detrimento de suas potencialidades. Massa de homens batalhadores. Todos os que resistem e insistem em seguir “amassando a massa” com “a mão que amassa a comida, esculpi, modela e castiga”. Essa é “a massa dos homens normais”.
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“Quando eu lembro da massa da mandioca, mãe”. “Da massa”. Lembro dessa gente sofrida. Lembro da força da raiz da mandioca. Lembro... “nunca mais me fizeram aquela presença, mãe”. Triplo sentido. As três massas na composição de Raimundo Sodré e Jorge Portugal. Um orgasmo literário. Prato cheio para quem curte as metáforas e os trocadilhos.
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“Da massa que planta mandioca”. A “massa que falo é que passa fome, mãe”. Alguns já viciados nas esmolas governamentais, deixam suas lavouras, esquecem o “amor de lelé”, perdem a esperança da resistência de poder um dia bradar com fé: “no cabo da minha enxada não conheço “coroné””.
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E assim como essa indecisão de se acomodar ou de se rebelar “eu quero, mas não quero, camarão, mulher minha na função, camarão, que está livre de um abraço, mas nunca de um beliscão”. E a “massa” que tanto parece indecisa, assim como Arnaldo Antunes, não quer só comida, quer comida, diversão e arte. Por isso, quando Sodré terminar o seu show, certamente os pedidos serão: “tornar repetir meu amor, ai, ai, ai!”.
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Aí então, com as massas conscientes do que querem e se quererem bem, pouco importa se “o guarda civil não quer a roupa no quarador”. Por outro lado, se “as massas” deixarem transparecer que ainda dormitam, Sodré continuará com seu questionamento. “Meu Deus onde vai parar, parar essa massa?”.
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Em Irará, Raimundo só não deve ficar sem resposta quando perguntar: “Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa...”. Entre dúvidas e questionamentos, só me vem a certeza de que a apresentação de Sodré em Irará vai ser “massa”. Sentido quádruplo. Gozei!
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PS. “junte as partes aspeadas e forme a letra de A Massa” (rs, rs, rs)

A. A.

Uma apresentação. “Eu gosto de ficar só, mas gosto mais de você”. Ao fundo uma enorme tela de projeção. Imagens em preto e branco, lindas e simples. Cisnes, pombos, gaivotas, texturas, água. Ondas, correntezas, cascatas, pingos de chuvas caindo. Círculos, muitos deles, são formados.
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Mais círculos. Agora no chão. É feito de luz. Efeito de iluminação. Uns lembram flores, outros, buracos. E o do “espelho está fechado, agora temos de ficar aqui, com um olho aberto, outro acordado, do lado de cá onde eu saí”.
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Música suave. Perna pra frente, pra trás. Gestos simples e evasivos, assim como as palavras. Parece composição de criança. “Sujar o pé na areia pra lavar com água. Molhar o pé na água pra sujar na areia”.
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Criança não tem o “senso do ridículo”. E por temer o ridículo, ou sei lá qual outra convenção, o adulto não ama. Ainda que tenha possibilidade bem pertinho. Ridícula é a humanidade. Pena que as crianças crescem.
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Sombra na parede. Movimento. É preciso que o fio acompanhe. Atenção total do rodeie para evitar que se formem os nos. Pedestal vai e vem. Como num passo de dança por cima da cabeça, repousa nos ombros. Figurino quase lembra uma camisa de força. Gestos robotizados e às vezes explosivos.
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Corre, vai até a enorme projeção e se joga. Parece querer transpor um portal. Procurar outra dimensão. “Socorro! Alguma alma mesmo que penada, me preste suas penas, já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada”. Então busca “qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimento deve ter algum que sirva”.
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Apresenta o novo trabalho. “Qualquer”. Canta as coisas, “qualquer coisa”. O bezerro grita “mam-mãe”. Mensagens em refrão e olhares não codificados. Volta pro centro das luzes. A voz é grave e cativante. Ao fundo violões, guitarra e teclados, sob o comando de três competentes companheiros. Faz a já esperada e corriqueira encenação. Sai e volta. Vem “exagerado” só pra lembrar que o “pulso ainda pulsa”.
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“Acabou choraré”. Boa parte das abelinhas sai a procura de zum-zum e mel. Lá fora alguém havia gritado: “eu gosto é de arrocha”! Teatro Castro Alves, Salvador, Bahia. “No palco, um amigo da gente, Arnaldo Antunes”.

5.12.06

Maconha e amnésia

“Lembrando pra vocês que maconha trás amnésia e outras coisas que Aurelino já esqueceu”.
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A frase cantada por uma banda de reggae faz alusão a um caso de um suposto maconheiro que ao fumar era questionado: “Rapaz; você não sabe que isto causa amnésia?”. E ele então respondia: “Ah! É!? Esqueci”.
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Enquanto os cientistas se debatem com a questão (uns falam que sim, outro falam que não, outros dizem que só para usuários pesados...) as versões se multiplicam. Já existe casos até em vídeo.
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Sucesso no Youtube, o nome da obra é “Tapa na Pantera” e trata a relação maconha e amnésia de forma bem humorada, entre uma baforada e outra de uma senhora, enquanto presta seu depoimento sobre a canabis.
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Com duração de pouco mais de três minutos, o vídeo é uma obra ficcional de Esmir Filho, Marina Bastos e Rafael Gomes. A produção é da Substância Filmes e apresenta Maria Alice Vergueiro. Confira no link: www.youtube.com/watch?v=2PWNRzfx8zU
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Obs: caso o link não abra, entre no site
www.yuoutube.com e no campo onde tem “search” digite: Tapa na Pantera.

ACM e o espelho

A Rádio Band News noticiou o discurso de Antônio Carlos Magalhães (PFL–Ba), semana passada no plenário do Senado. A fala era em defesa da ética na relação entre governos e veículos de comunicação (sic). De acordo com a reportagem, o Senador teria dito que governos deveriam ser proibidos de anunciar em empresas de comunicação cujos donos sejam “políticos, filhos de políticos ou parentes de políticos”.
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Concordo com o Senador. O difícil vai ser encontrar, principalmente quando se referir a grande mídia, grupos que estejam fora do perfil traçado. O próprio ACM quando foi Ministro das Comunicações, durante o governo de José Sarney, distribuiu o maior número de concessões de Rádio e TV, para políticos e parentes de políticos, da história. Na Bahia, por exemplo, é grande a quantidade de emissoras em poder de políticos.
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Neste cenário, é a própria família do ilustre Senador (um político) que detém a maior rede de comunicação do estado. Rádios, TVs, Jornal, entre outros, completam o império dirigido pelo Júnior, filho do Antônio Carlos. E nos últimos anos, os veículos da família receberam, sim senhor, publicidade oficial, até mesmo quando o próprio ACM era governador do Estado.
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Será que só agora Antônio Carlos percebeu a falta de ética nesse tipo de prática? Ou será que tem algo a ver com o fato de que – parece - ele vai ser oposição total (Prefeitura de Salvador, Governo Estadual e Federal)? Comentei o discurso do, agora quase folclórico e histórico, Senador com alguns colegas que disseram: “deviam ter colocado um espelho na frente dele”.

Ser ou não Cê crítico

Dizem que já não mais existem críticos. Tão somente amigos e fãs. Será? Li umas duas criticas do novo disco do Caetano Veloso. A bolacha (essa é do tempo do vinil, rs, rs, rs) nomeada como “Ce”, é o primeiro trabalho de Caetano depois do seu afastamento de Paula Lavigne.
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Os textos que li elogiavam o trabalho do rapaz. Fiquei curioso para ouvir o “h”, ou melhor, o “Ce” do santamarense. Depois li o texto de Vitor Pamplona e me aquietei. Sem contar que “bate coxa na ante-sala do Ministério da Cultura” é ótimo, viu. Leia o texto de Pamplona em:
www.hora-prima.blogspot.com .
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É mesmo difícil a tarefa de “Cê” crítico, mas isso não nos impede de “C” ao menos ouvinte do “Ser” do rapaz. Então, qualquer hora dessas, acho que ainda vou escutar esse disco. Pode “Cê” até uma boa opção musical. ““Cê” aposta?”